Samuel
Braun: Eu acuso o garrote rentista - por uma síntese desenvolvimentista
No
debate econômico brasileiro contemporâneo, a ideia de que o país atravessa um
“descontrole fiscal primário” constitui uma narrativa ideológica construída
para ocultar o verdadeiro motor da insustentabilidade da dívida pública: a
estratosférica taxa básica de juros. André Lara Resende (ALR), em seu
contundente manifesto “Eu Acuso”, expõe que, com um déficit primário
insignificante de 0,4% do PIB, a trajetória explosiva da dívida bruta decorre
diretamente da conta de juros nominais de R$ 1,4 trilhão ao ano (10,5% do PIB),
impondo um crescimento endógeno de 5,7 pontos percentuais ao ano na relação
Dívida/PIB.
<><>
O diagnóstico compartilhado e as vertentes em debate
Fundamentando-se
na Teoria Fiscal do Nível de Preços (TFNP) e no neo-fisherianismo, Lara Resende
argumenta que a inflação no longo prazo converge para a diferença entre a taxa
nominal de juros e o crescimento real da economia. Segundo o autor, a anomalia
brasileira das Letras Financeiras do Tesouro (LFTs) – títulos de curtíssima
duração – minimiza o repique inflacionário de curto prazo no caso de um corte
de juros. Sua proposta central consiste na criação de um novo Conselho Fiscal e
Monetário Nacional (CFMN) para institucionalizar a coordenação entre as
políticas monetária e fiscal, fixando a Selic em uma meta atrelada ao
crescimento nominal potencial (~5,5%) e promovendo uma queda gradual da taxa
básica para cerca de 7,5% em 12 meses, apoiada pelo uso pontual das reservas
internacionais de 350 bilhões de dólares para amortecer pressões cambiais.
Em
linha com ALR, eu acuso a grande imprensa de propagar diariamente a falsa
narrativa do “descontrole fiscal” para ocultar que o orçamento primário está
praticamente equilibrado, encobrindo a verdadeira sangria das contas nacionais.
Eu acuso os analistas do mercado financeiro e a Faria Lima de confundirem o
parasitismo rentista – que extorque R$ 1,4 trilhão por ano em juros nominais
(10,5% do PIB) – com a única racionalidade econômica possível. E acuso as
autoridades monetárias de perpetuarem uma taxa Selic escorchante que fabrica a
trajetória explosiva da dívida e impõe um déficit nominal de quase 10% do PIB,
sacrificando a infraestrutura, a reindustrialização e a proteção social em prol
da manutenção cega de um dogma institucional.
Em seu
texto, Lara Resende desmonta a suposta relação inversa entre taxa básica e
inflação, revelando que a política do Banco Central se sustenta sobre uma
armadilha tautológica. Ele explica que essa tese dependia historicamente da
Curva de Phillips – pela qual o aumento dos juros desaquecia a economia,
elevava o desemprego e, assim, moderava os preços. Aqui o projeto político
poucas vezes dito à luz do dia pelos liberais: é preciso gerar desemprego, pois
só assim se controlaria a inflação.
Mas,
segue ALR, esse mecanismo perdeu sustentação empírica desde os anos 1990, com a
perda de relevância do emprego formal e a desidratação dos sindicatos. Sem a
Curva de Phillips e sem canais reais de transmissão bem especificados, os
modelos novo-keynesianos refugiaram-se no conceito de “expectativas” para
sustentar o dogma: o modelo estabelece que as expectativas determinam a
inflação, que a inflação responde inversamente aos juros e que as expectativas
são formadas pelo próprio modelo. Trata-se de um raciocínio circular
autorreferente, no qual a política monetária valida a si mesma sem qualquer
respaldo na realidade concreta da economia.
Ao
longo de sete parágrafos, Lara Resende descreve, com fórmulas resumidas e
referências ao estado da arte da ortodoxia macroeconômica internacional, que,
diferente do que economistas preguiçosos e desatualizados repetem diariamente
na mídia, aumentar os juros não diminui a inflação, mas a induz no médio e
longo prazo. E que diminuir os juros sim tem o efeito de reduzir a inflação,
após um curto prazo de repique inflacionário (originado na fuga de dólar
especulativo). Paralelo meu: tal qual tomar uma vacina para gripe pode trazer
sintomas imediatos da gripe, mas a previne no médio e longo prazo, a redução
dos juros é a vacina para inflação, mas exige ciência de que incute um repique
inflacionário transitório.
Em
contrapartida, José Luis Oreiro concorda plenamente com o diagnóstico de que o
Brasil não vive uma crise de “gastança primária”, mas sim uma severa dominância
monetária produzida por juros reais obscenos. Todavia, Oreiro qualifica a
terapia de corte acelerado de juros proposta por Lara Resende como voluntarista
e ingênua, por ignorar a vulnerabilidade da conta de capitais e a posição
periférica do Real na hierarquia internacional de moedas.
Vale
muito a pena ler o texto de Oreiro, inclusive porque ele faz um resumo técnico
muito didático do diagnóstico de André Lara, apontando as referências teóricas
que ALR não assume. Embora cite a Teoria Fiscal do Nível de Preços (FTPL) e o
Neo-Fisherianismo, André não homenageia a Dinâmica da Dívida de Evsey Domar,
muito menos a Teoria Monetária Moderna, e Oreiro traz estas bases à tona e
desnuda que André está propondo uma versão da regra de taxa de juros justa de
Luigi Pasinetti.
Para
Oreiro, tentar reduzir a Selic para 7,5% sem uma reforma prévia do mercado de
dívida e sem controle sobre o fluxo financeiro externo deflagrará uma crise
cambial devastadora. Como a dívida brasileira em Letras Financeiras do Tesouro
(LFTs) possui liquidez diária remunerada ao overnight, uma queda brusca do juro
real induzirá os rentistas a resgatar seus recursos ao par e comprar dólares,
pulverizando as reservas internacionais de US$ 350 bilhões em poucos meses e
provocando um overshooting cambial, estagflação e o empinamento da curva longa
de juros.
Mas
Oreiro também repudia a proposta de liberais como Marcos Mendes, que levam a um
cenário de aprofundamento da dívida nacional com concomitante repasse direto da
riqueza social para os rentistas, ou seja, a proposta de cortes de 250 bilhões
nos gastos públicos – curiosamente a mesma do lesa-pátria Flávio Bolsonaro. Eu
acrescento que essa proposta liberal ignora o problema da dominância monetária
enquanto distrai o público com cortes draconianos que sequer impedem o
crescimento do estoque de dívida, produzindo na verdade recessão e aumento da
relação dívida-PIB. É mais que erro de diagnóstico; é doloso, o objetivo é
saquear o país enquanto o afunda.
Assim,
Oreiro propõe uma agenda novo-desenvolvimentista ancorada no ajuste da meta de
inflação para 4,0%-4,5%, na extinção gradual das LFTs via desindexação da
dívida pública, na regulação macroprudencial da conta de capitais (impostos e
quarentenas sobre saídas especulativas) e na recomposição fiscal pela revisão
de gastos tributários e tributação progressiva da renda e patrimônio (como
lucros, dividendos e grandes heranças).
Por sua
vez, José Sérgio Gabrielli traz o debate para a realidade da execução
orçamentária e da disputa política em torno do programa vitorioso do presidente
Lula. Gabrielli evidencia a discrepância gritante entre o déficit primário
(0,62% do PIB) e o serviço da dívida (R$ 1,2 trilhão ou 8,9% do PIB),
demonstrando a impossibilidade matemática de conter a relação Dívida/PIB por
meio de cortes de despesas primárias. O autor calcula que, mantidas as taxas de
juros atuais, seria necessário um superávit primário de 3,41% do PIB (cerca de
R$ 466 bilhões) para estabilizar a dívida – uma exigência absurda que
inviabilizaria completamente o Estado brasileiro e a prestação de serviços
públicos básicos.
Gabrielli
valoriza a postura soberana do Tesouro Nacional ao realizar recompras de
títulos sem se submeter à chantagem do mercado financeiro e defende um ajuste
distributivo focado na recuperação de créditos tributários de grandes
devedores, no escrutínio de R$ 434,3 bilhões em despesas tributárias e na
adequação das emendas parlamentares. Ele reafirma a necessidade imutável de
preservar as redes de proteção social, os pisos constitucionais da saúde e da
educação e o ganho real do salário mínimo.
<><>
O que aproxima e o que difere
As
divergências entre os três economistas não se situam na crítica ao regime de
juros altos, ponto sobre o qual há consenso absoluto no que tange aos seus
danos à produção, ao emprego e à igualdade social. O que difere os autores são
as suas visões sobre a mecânica operacional monetária e o escopo da intervenção
estatal.
#
Mecânica Monetária e Dívida Pública:
- Lara
Resende interpreta a dominância de títulos curtos pós-fixados (LFTs) como um
fator facilitador para a redução do juro, uma vez que a duração reduzida impede
o aumento do valor presente da dívida e anula o repique inflacionário de curto
prazo antevisto pela TFNP. Já Oreiro enxerga nas LFTs o principal obstáculo à
queda dos juros, pois a garantia de liquidez diária sem risco de perda de
capital atua como um motor de fuga de capitais em direção ao dólar no momento
em que a remuneração do overnight é reduzida.
# Setor
Externo e Reservas Cambiais:
-
Enquanto Lara Resende aposta no poder de fogo dos US$ 350 bilhões de reservas
internacionais para conter eventuais desvalorizações do Real, Oreiro e a
tradição pós-keynesiana advertem que a liquidez financeira doméstica (M4)
supera os R$ 11 trilhões, tornando a queima de reservas uma tentativa inútil e
perigosa de subsidiar a saída de capital especulativo.
#
Dimensão Fiscal e Estrutural:
-
Enquanto Lara Resende e Oreiro concentram-se fortemente na arquitetura
macroeconômica e na gestão da dívida, Gabrielli amplia o foco para a política
industrial e a alocação do orçamento público. Gabrielli argumenta que a
discussão não pode se encerrar no debate financeiro; é preciso vincular o
espaço fiscal recuperado diretamente aos investimentos na Nova Indústria
Brasil, à infraestrutura e à garantia dos direitos sociais constitutivos da
cidadania.
<><>
Por uma síntese desenvolvimentista: Lara Resende, Oreiro e Gabrielli
Para
retirar o Brasil da paralisia imposta pela ortodoxia financeira da Faria Lima,
defendo uma síntese política e econômica que incorpore a coragem institucional
de André Lara Resende, as salvaguardas operacionais de José Luis Oreiro e a
visão de desenvolvimento e transformação industrial de José Sérgio Gabrielli.
Em
primeiro lugar, é indispensável adotar o cerne da proposta de André Lara
Resende: a criação de um mecanismo institucional superior de coordenação – o
Conselho Fiscal e Monetário Nacional (CFMN) –, que incorpore ao menos o
Ministério da Indústria e Comércio e subordine a meta de juros às necessidades
de crescimento do PIB nominal e de geração de empregos, encerrando a armadilha
do Banco Central autônomo. Reduzir a Selic de forma transparente e planejada é
a única medida capaz de cortar a transferência anual de mais de R$ 1 trilhão do
orçamento público para o andar de cima e restabelecer a sustentabilidade fiscal
do país.
Contudo,
essa transição não pode ser feita com voluntarismo. Devemos incorporar as
alertas e condicionantes estruturais apresentadas por Oreiro: para que a
redução da Selic até patamares civilizados não descarrile em estagflação ou
crise cambial, é pré-requisito implementar uma reforma monetária que extinga
gradualmente a liquidez diária das LFTs, substituindo-as por títulos prefixados
e indexados à inflação. Simultaneamente, o governo deve acionar mecanismos de
controle macroprudencial sobre o fluxo de capitais, como alíquotas de IOF sobre
saídas especulativas e quarentenas financeiras, protegendo nossas reservas
internacionais da especulação rentista.
Finalmente,
é preciso ir além do campo financeiro e abraçar a agenda fiscal e industrial
proposta por Gabrielli. O alívio fiscal gerado pelo fim dos juros escorchantes
– estimado por Lara Resende em cerca de 4% do PIB – não deve ser apropriado
para produzir superávits primários estéreis voltados ao agrado do “Mercado”.
Esse espaço orçamentário recuperado deve financiar a reindustrialização do
país. Precisamos direcionar o investimento público massivo para a Nova
Indústria Brasil, a transição energética, a inovação tecnológica, o
fortalecimento do complexo industrial da saúde (SUS) e a infraestrutura.
Proponho, inclusive, que este fôlego orçamentário seja aplicado em atrair
divisas estrangeiras produtivas, ou seja, dólar que não reflui à primeira
especulação, pois está imobilizado e em bens de capital. Isso ajudaria a
minimizar a pressão cambial citada por Oreiro.
Pelo
lado da receita, a consolidação fiscal deve se dar estritamente por critérios
de progressividade tributária: cortando os R$ 434,3 bilhões de renúncias
fiscais ineficientes que beneficiam oligopólios, cobrando os grandes devedores
e tributando a distribuição de lucros, dividendos e grandes fortunas.
Somente
por meio dessa síntese – que une a coragem da ruptura monetária, o rigor no
controle de capitais e o compromisso firme com a industrialização e a justiça
social – conseguiremos libertar o Brasil do garrote do capital financeiro e
retomar o caminho da verdadeira soberania nacional.
• A vitória histórica de Lula e a cilada
do ajuste fiscal. Por Bancada da Esquerda Radical
A
vitória de Lula no domingo, 25 de outubro, entra para a história por mais de um
motivo. Pela primeira vez desde a redemocratização, um candidato que terminou o
primeiro turno em segundo lugar virou a eleição presidencial: Flávio Bolsonaro
saiu na frente em 4 de outubro, e três semanas depois Lula venceu com 51,79%
dos votos válidos e 64,3 milhões de votos, a maior votação já recebida por um
candidato à Presidência. Lula se torna o primeiro brasileiro eleito quatro
vezes para o cargo e derrota o herdeiro político de um ex-presidente condenado
por tentativa de golpe, no mesmo ano em que o PL elegeu a maior bancada da
Câmara em 40 anos.
Essa
virada não saiu de nenhum gabinete. Começou nas ruas, antes mesmo da
convocatória da campanha, quando estudantes saíram em passeata no dia seguinte
ao primeiro turno e, em poucos dias, levaram a mobilização a universidades de
pelo menos 13 estados e do Distrito Federal. Cresceu até tomar a Paulista de
ponta a ponta e reunir em Copacabana, na véspera da eleição, 1,1 milhão de
pessoas, pela estimativa da prefeitura do Rio. E chegou às urnas: a abstenção,
que no primeiro turno tinha sido a maior em uma eleição presidencial desde
1998, caiu no segundo turno, e quase 3 milhões de brasileiros a mais foram
votar.
O povo
foi às ruas porque tinha o que defender. A agenda se deslocou para a esquerda
no fim do primeiro turno, com o reajuste de 15% no Bolsa Família e a medida
provisória que proibiu as bets, e se aprofundou no segundo. As ruas exigiram o
fim da escala 6×1, e em poucos dias o Senado aprovou a PEC por 75 votos a 1.
Veio a proposta de tarifa zero no transporte público aos fins de semana. E a
campanha deixou claro que não aceitaria mexer na aposentadoria de quem ganha um
salário mínimo.
<><>
Governar com o povo
O
presidente sabe de onde veio a vitória. Numa live com o deputado André Janones,
três dias antes da votação, Lula afirmou que “a participação do povo nesta
campanha, a saída na rua dos estudantes, das mulheres, dos trabalhadores, vai
nos obrigar a fazer um novo jeito de governar este país”. No discurso da
vitória, a quem já anuncia dificuldades com um Congresso mais conservador,
respondeu: “Eu não escolhi o Congresso, foi o povo que escolheu”. E prometeu
conversar com a população “muitas vezes por dia, diretamente” e “fazer o povo
participar mais das nossas decisões”.
Estamos
de acordo, e é por isso que escrevemos esta nota. Os partidos da coligação de
Lula terão 124 das 513 cadeiras da Câmara, enquanto o PL, sozinho, terá 121.
Diante de um Congresso assim, a força do governo não estará na distribuição de
cargos e emendas, mas na capacidade de manter mobilizado o povo que o elegeu.
Se foi o povo que escolheu este Congresso, é o povo nas ruas que pode fazê-lo
votar, como fez com o fim da escala 6×1 e como fez em setembro de 2025, quando
a CCJ do Senado enterrou a PEC da Blindagem três dias depois dos atos que a
enfrentaram em várias capitais.
<><>
A cilada do ajuste
É essa
força que está em risco. O mercado, que apostou em Flávio Bolsonaro e perdeu,
cobrou a fatura já na segunda-feira: a Bolsa caiu quase 14%, o dólar subiu mais
de 8%, e desde então a pressão por um ajuste fiscal tomou conta do noticiário e
dos gabinetes de Brasília.
O alvo
preferido dessa pressão é conhecido. A proposta que circula entre economistas
do mercado e deputados do centrão é desvincular o salário mínimo das
aposentadorias, das pensões e do BPC e corrigir os pisos de saúde e educação só
pela inflação. O presidente da Câmara, Hugo Motta, defendeu em 2025 desvincular
os pisos constitucionais, e até na Esplanada já se estudam mudanças no
crescimento desses gastos e uma revisão dos benefícios sociais. A conta cairia
sobre 28 milhões de aposentados e pensionistas que recebem até um salário
mínimo, sobre os 6,3 milhões de beneficiários do BPC e sobre todos os que
dependem do SUS e da escola pública. Se o salário mínimo crescer 2% ao ano
acima da inflação, em dez anos quem hoje recebe o piso passaria a receber pouco
mais de 80% dele.
Esse é
o ajuste que o mercado chama de responsável. Enquanto isso, a conta que mais
pesa sobre a dívida pública fica intocada: nos doze meses até agosto, o país
pagou R$ 14 de juros para cada R$ 1 de déficit primário, e o arcabouço fiscal,
o Novo Teto de Gastos, limita o gasto com saúde, educação e previdência, mas
não impõe limite nenhum aos juros. Há quase 160 anos, em O Capital, Marx chamou
o crédito público de “credo do capital”. O credo segue o mesmo: o juro é
sagrado, e o salário mínimo vira moeda de troca.
<><>
Nossos compromissos
Se o
governo decidir mexer nas contas, que mexa nos ganhos do andar de cima. A União
deixa de arrecadar R$ 612,8 bilhões por ano com benefícios tributários. Em
2023, lucros, dividendos e juros sobre capital próprio somaram R$ 999 bilhões,
e quase metade desse dinheiro ficou com 160 mil pessoas. É aí que está a margem
para qualquer ajuste, e é desse lado que está a maioria da população: segundo o
Instituto Ideia, 78% dos brasileiros querem os benefícios pagos pelo governo
reajustados pelo salário mínimo.
Por
isso, nós, deputados e deputadas da bancada radical, assumimos três
compromissos com quem virou esta eleição:
1 –
Votaremos contra qualquer proposta que desvincule do salário mínimo das
aposentadorias, pensões e BPC, venha ela com esse nome ou disfarçada de teto
menor para o gasto ou de gatilho automático.
2 –
Votaremos contra qualquer mudança na Constituição que reduza os pisos de saúde
e educação.
3 –
Estaremos nas ruas, ao lado dos movimentos que derrotaram a extrema direita,
para aprovar a agenda que venceu nas urnas, como a medida provisória que proíbe
as bets, a tarifa zero nos fins de semana e a taxação dos super-ricos, e para
acabar com o Novo Teto de Gastos.
A
extrema direita perdeu a Presidência, mas saiu da eleição com quase 60 milhões
de votos e com a maior bancada do Congresso, e Lula não poderá disputar 2030.
Se o primeiro gesto do quarto mandato for mandar a conta para quem garantiu a
vitória, o governo desarmará a única força capaz de enfrentá-la. Ao votar, Lula
disse: “O que o povo fez comigo nesses dias é uma coisa que não tem como
pagar”. Há um jeito de começar a pagar: não mandar a esse povo a conta do
ajuste.
Assinam
os deputados e as deputadas da bancada radical: Fábio Felix, Fernanda
Melchionna, Glauber Braga, Jones Manoel, Renato Freitas, Sâmia Bomfim e Vivi
Reis.
Fonte:
Opera Mundi

Nenhum comentário:
Postar um comentário