quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Economia e democracia foram os temas mais importantes para americanos nas eleições, indica pesquisa

A economia e o estado da democracia foram apontados como os principais temas para os eleitores americanos, de acordo com uma pesquisa realizada no dia da eleição.

A pesquisa — oficialmente chamada de Voter Poll — perguntou a dezenas de milhares de eleitores americanos suas opiniões e motivações, fornecendo uma análise por idade, sexo, escolaridade e outros dados demográficos.

A empresa de pesquisas SSRS coleta dados em nome de um consórcio de empresas de notícias, e a pesquisa é uma amostra representativa dos eleitores americanos no período que antecede a eleição, incluindo pesquisas de boca de urna tanto de eleitores que votaram antecipadamente quanto daqueles que votaram no dia da eleição.

Aqui estão alguns dos resultados da pesquisa eleitoral de 2026. Como em todas as pesquisas, são estimativas; os números também provavelmente serão atualizados à medida que mais dados forem coletados.

<><> A economia foi classificada como o principal problema

Aproximadamente 39% dos entrevistados em uma pesquisa com mais de 79 mil pessoas disseram que a economia era a questão mais importante, enquanto 32% colocaram a situação da democracia em primeiro lugar.

Na sequência, a imigração foi considerada o tema mais importante por 14% dos eleitores, enquanto saúde, política externa e crime foram classificados em primeiro lugar por uma percentagem menor.

Os dados sugerem que a maioria dos eleitores americanos tem uma visão negativa da situação da economia nacional.

Aproximadamente 75% dos entrevistados disseram que a economia estava em um estado "não muito bom ou ruim", enquanto 25% disseram que estava "excelente ou boa".

Ao analisarem suas próprias finanças familiares, 44% das pessoas disseram estar em uma situação pior do que há dois anos, 38% disseram que estava igual e 18% disseram que estava melhor.

<><> A maioria afirma que as políticas de Trump 'pioraram a economia'

Quase dois terços (65%) dos eleitores entrevistados afirmam que as políticas do presidente dos EUA, Donald Trump, pioraram as condições econômicas nos Estados Unidos.

Em contrapartida, 27% afirmam que as políticas de Trump melhoraram as condições e apenas 8% dizem que o presidente não teve impacto algum.

Também foi perguntado às pessoas se expressar apoio ou oposição a Trump foi um dos motivos para seu voto nas eleições de meio de mandato.

Cerca de 43% disseram que expressar oposição foi um motivo, mas uma proporção semelhante (41%) disse que não foi um fator. Apenas 16% dos entrevistados disseram que expressar apoio foi um motivo para o seu voto.

<><> Eleitores insatisfeitos com a situação dos EUA

Quase quatro em cada dez entrevistados (38%) disseram estar irritados com a situação atual nos EUA, e outros 37% afirmaram estar insatisfeitos.

Apenas 18% disseram estar satisfeitos e 7% dos entrevistados se sentiram entusiasmados.

Assim, em conjunto, há uma maioria que afirma à empresa de pesquisas SSRS não estar satisfeita com a situação atual do país.

Em outro estudo, uma grande maioria, 90%, também afirmou que a corrupção governamental foi um fator crucial ou importante em seu voto.

<><> A inflação causou dificuldades para a maioria dos americanos

Além de questões mais amplas, os pesquisadores também perguntaram sobre a inflação e o impacto do aumento dos preços na vida das pessoas.

Quase oito em cada dez eleitores (79%) disseram que a inflação causou a eles e suas famílias dificuldades graves ou moderadas no último ano. Um quinto (21%) dos entrevistados disse que a inflação não lhes causou nenhuma dificuldade.

A maioria dos eleitores (59%) disse estar "muito preocupada" com o preço da gasolina e do diesel, e uma proporção semelhante (58%) deu essa resposta em relação ao preço dos alimentos e mantimentos.

Mais de seis em cada dez entrevistados (62%) disseram acreditar que os preços mais altos do que o normal se deviam às políticas de Trump.

E 38% disseram que foi mais devido a fatores fora de seu controle.

<><> A maioria afirma que os EUA 'tomaram a decisão errada em relação ao Irã'

A pesquisa eleitoral também indicou que cerca de seis em cada dez (63%) dos entrevistados disseram que os EUA tomaram a decisão errada ao adotar medidas militares contra o Irã. Quase quatro em cada dez (37%) disseram que foi a decisão certa.

Em outro estudo, três quartos dos eleitores (74%) disseram que o conflito foi um fator crucial ou importante em seu voto para o Congresso, e um quarto (26%) disse que foi um fator menor ou não foi um fator.

<><> Os padrões de votação variam de acordo com a idade e o gênero.

A pesquisa eleitoral oferece uma visão de como diferentes grupos de eleitores votaram.

Em âmbito nacional, os dados sugerem que as mulheres apoiaram os candidatos democratas à Câmara dos Representantes por uma margem de 58%, contra 40% para os republicanos. Os homens parecem estar divididos, com pouco menos da metade votando em cada partido.

Por faixa etária, quase dois terços das pessoas com menos de 45 anos disseram ter votado no Partido Democrata. Já a faixa etária de 45 a 64 anos apoiou os democratas por 51% a 48%.

Pouco mais da metade dos maiores de 65 anos disseram ter votado em candidatos republicanos e 48% em candidatos democratas.

Estima-se que os eleitores brancos votaram em candidatos republicanos por uma margem de 51% a 48% para candidatos democratas.

Todos os outros grupos votaram mais em candidatos democratas, com os eleitores hispânicos e latinos optando por eles em uma proporção estimada de 62%, em comparação com 35% para os republicanos.

Segundo a pesquisa, os eleitores sem formação universitária votaram mais nos republicanos nesta eleição, 51% contra 47% dos democratas.

Estima-se que 62% das pessoas com diploma universitário votaram no Partido Democrata, contra 36% do Partido Republicano.

Todos esses números representam o panorama nacional; os padrões de votação variam de Estado para Estado.

•        Paraguai intervém em um dos maiores bancos do país e congela dinheiro de milhões de pessoas

O Banco Central do Paraguai determinou a intervenção do banco digital Ueno Bank após constatar que seu índice de solvência caiu para menos da metade do mínimo exigido. A crise provocou o bloqueio de recursos públicos e das economias de milhões de clientes.

A decisão, anunciada na madrugada de terça-feira (3/11), foi tomada por unanimidade pela diretoria do Banco Central e levou à suspensão imediata de todos os serviços do Ueno Bank, que é um dos principais bancos do Paraguai e, segundo dados da própria instituição, tem 3 milhões de clientes, o equivalente a 60% da população adulta do país.

Clientes do Ueno Bank relataram que não conseguiam realizar operações em caixas eletrônicos nem acessar os serviços bancários pela internet.

"Determinamos o fechamento da instituição. Portanto, a partir de hoje, nem o aplicativo, nem os cartões, nem qualquer outro serviço do banco estão funcionando", confirmou Liana Caballero, integrante da diretoria do Banco Central do Paraguai, em entrevista coletiva a jornalistas.

O Ueno Bank administra mais de US$ 800 milhões (cerca de R$ 4,4 bilhões) em recursos públicos, incluindo aproximadamente US$ 380 milhões (cerca de R$ 2,1 bilhões) investidos pelo Instituto de Previdência Social do Paraguai, responsável pelo sistema estatal de aposentadorias.

O Banco Central paraguaio iniciou o processo de resolução bancária, que determina o bloqueio de todos os ativos e passivos da instituição até que seja definido o destino desses recursos e como e até que limite serão cumpridas as obrigações do banco.

O presidente do Banco Central paraguaio, Carlos Carvallo, afirmou que "a instituição informará os mecanismos para que os depositantes cobertos pela garantia possam recuperar seus recursos".

O Fundo de Garantia de Depósitos do Paraguai cobre depósitos de até 228 milhões de guaranis por pessoa (cerca de R$ 211 mil), o que equivalente a 75 salários mínimos.

Os clientes com depósitos superiores a esse limite terão de aguardar o balanço definitivo elaborado pela Superintendência de Bancos.

Carvallo ressaltou que a situação do Ueno Bank é "um caso pontual e isolado" e afirmou que o sistema financeiro paraguaio, de modo geral, "continua sólido e saudável".

<><> Escândalo no Paraguai

A intervenção no banco é o desfecho de um escândalo que tem marcado o governo do presidente Santiago Peña desde que ele assumiu o cargo, em 2023.

Pouco depois de tomar posse, Peña nomeou Carlos Carvallo, então presidente-executivo do Ueno Bank, para comandar o Banco Central do Paraguai. A decisão foi criticada por pessoas que apontaram um conflito de interesses.

Embora o Banco Central tenha afirmado que Carvallo não participou das decisões do órgão regulador sobre o banco de cuja diretoria havia feito parte, o próprio Carvallo anunciou nesta terça-feira (3/11) que havia assinado sua renúncia, mas permaneceria à frente da instituição até a conclusão do processo de resolução do Ueno Bank.

"Já assinei minha renúncia, justamente porque o Banco Central precisa de tranquilidade para fazer seu trabalho", afirmou Carvallo em entrevista coletiva.

Pouco depois do anúncio da intervenção e do bloqueio dos recursos dos clientes, veículos de imprensa paraguaios noticiaram a prisão de vários dirigentes do banco, entre eles Miguel Vázquez, presidente do Grupo Vázquez, ligado à instituição.

A intervenção não demorou a provocar repercussões políticas.

O vice-presidente do Paraguai, Pedro Alliana, anunciou que decidiu suspender temporariamente sua candidatura à Presidência pelo governista Partido Colorado, diante da necessidade de "arrumar a casa" após a crise do Ueno Bank.

Ricardo Estigarribia, pré-candidato à Presidência pelo Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), principal partido de oposição do Paraguai, anunciou que seu partido pretende apresentar um pedido de impeachment contra Peña e Alliana no Congresso.

"O que aconteceu é muito grave. Saquearam o país, roubaram o dinheiro dos aposentados, e isso não pode ficar assim. Não pode haver impunidade", afirmou Estigarribia, em declarações reproduzidas pelo jornal paraguaio ABC.

<><> Como a crise começou e o que acontece agora

Carvallo, presidente do Banco Central do Paraguai, informou que a decisão de intervir no banco foi tomada após a constatação de que seu índice de solvência — indicador que mede a capacidade de uma instituição financeira de absorver perdas — havia caído abaixo do mínimo exigido por lei. Segundo Carvallo, meses de investigação também identificaram empréstimos concedidos a empresas ligadas ao grupo proprietário do banco.

O Banco Central anunciou que enviará funcionários para assumir o controle da instituição e aplicará sanções aos responsáveis.

No entanto, o órgão não garantiu que todos os clientes afetados conseguirão recuperar a totalidade dos recursos depositados no banco.

Caballero, da diretoria do Banco Central, afirmou: "Precisamos fazer um balanço dos ativos e passivos para avaliar até que ponto será possível cobrir os valores que ultrapassam 75 salários mínimos", limite garantido por lei pelo Fundo de Garantia de Depósitos do Paraguai.

"O Banco Central do Paraguai mobilizará todos os seus recursos para que o processo seja o mais rápido possível, e a prioridade serão sempre os pequenos poupadores", afirmou Carvallo.

 

Fonte: BBC News

 

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