quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Após vitória democrata nos EUA, americanos agradecem ao Brasil: ‘Nos deram esperança’

A vitória de candidatos democratas nas eleições legislativas dos Estados Unidos, realizadas nesta terça-feira (3), provocou uma onda de agradecimentos ao Brasil nas redes sociais. Americanos passaram a compartilhar mensagens de reconhecimento à mobilização digital que marcou a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), apontada como inspiração para estratégias utilizadas no pleito americano.

As publicações ganharam força após os democratas conquistarem vitórias em estados tradicionalmente republicanos. Nas mensagens, usuários celebraram os resultados e destacaram a influência de brasileiros na organização de campanhas e ações nas plataformas digitais.

No Threads, o perfil deonistruth publicou uma mensagem de agradecimento em letras maiúsculas. “Brasil! Obrigado! Devemos muito a todos vocês! Obrigado por acreditarem em nós!”, escreveu.

A usuária mariampalong também reconheceu a contribuição dos brasileiros, com uma referência direta ao grupo de mobilização política ligado à campanha de Lula. “Agradecendo ao Exército do Lula, do Brasil, por todos os bons conselhos”, publicou.

Em outra postagem, juliusvladimirfrancisco destacou a influência das estratégias digitais brasileiras. “De Merikuh, obrigado, Brasil, por nos dar esperança. Vocês não sabem o quanto isso ajudou!”, afirmou. Na sequência, acrescentou: “Obrigado pelas táticas online. Aprendemos com vocês”.

O perfil verificado hermansfc, por sua vez, celebrou os resultados eleitorais e atribuiu aos brasileiros parte da inspiração para a mobilização. “Aos meus amigos brasileiros! Obrigado por nos inspirarem! A coragem e a determinação de vocês nos mostraram o que é possível! Conseguimos!”, escreveu.

A publicação terminou com uma mensagem em português: “Muito obrigado, meus amigos brasileiros!”.

<><> Estratégia de mobilização brasileira ganha repercussão internacional

A repercussão ocorre poucos dias depois da reeleição de Lula, em 25 de outubro, quando a mobilização digital de apoiadores do presidente ganhou destaque durante a reta final da disputa contra Flávio Bolsonaro (PL).

Uma das iniciativas foi o chamado “Exército do Lula”, associado ao deputado federal André Janones (Rede-MG), que utilizou grupos de mensagens e redes sociais para organizar apoiadores e ampliar o alcance de conteúdos favoráveis ao presidente.

A estratégia passou a chamar a atenção de movimentos políticos de outros países, incluindo Argentina, França e Espanha, onde grupos começaram a reproduzir iniciativas semelhantes.

Nos Estados Unidos, o influenciador democrata e comentarista político Isaiah Martin chegou a utilizar a expressão “Explode”, popularizada por Janones durante a campanha brasileira.

As mensagens publicadas após as eleições americanas reforçam a repercussão internacional da mobilização pró-Lula. Embora os resultados eleitorais não possam ser atribuídos diretamente à estratégia brasileira, os agradecimentos mostram que parte dos apoiadores democratas reconhece a experiência do Brasil como referência para sua atuação nas redes sociais.

•        Assessor de Trump admite que eleições legislativas foram grandes demais para serem fraudadas

Aliados do presidente reconhecem, nos bastidores, que a expressiva vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, realizadas na terça-feira (3), dificulta qualquer tentativa de contestação judicial dos resultados.

Segundo um assessor de Donald Trump ouvido pela CNN, a dimensão da derrota republicana torna improvável que o governo questione a votação em larga escala. “Foi, essencialmente, uma vitória grande demais para ser fraudada”, afirmou, em referência a uma expressão frequentemente utilizada pelo presidente para defender sua vitória eleitoral em 2024.

Antes da votação, Trump e seus aliados haviam preparado o terreno para possíveis questionamentos, mantendo o discurso de que o sistema eleitoral americano seria marcado por fraudes, embora sem apresentar provas.

O Departamento de Justiça chegou a recorrer à Justiça no Alasca para tentar impedir a certificação dos resultados caso o republicano Dan Sullivan perdesse a disputa, alegando uma possível confusão provocada pela presença de outro candidato com o mesmo nome na cédula. Na Califórnia, o governo também tentou invalidar milhares de votos sob suspeita de terem sido registrados por pessoas sem cidadania americana. A Suprema Corte, porém, rejeitou a iniciativa na segunda-feira (2).

A vitória democrata, que superou as expectativas mais otimistas do partido, foi interpretada como uma forte demonstração de rejeição às políticas de Trump. Eleito em 2024 com promessas de melhorar a economia e controlar a inflação, o presidente passou a enfrentar o desgaste provocado pelas guerras comerciais, pelas tarifas e pelo conflito com o Irã, que contribuiu para elevar os custos de energia e pressionar o orçamento das famílias.

Apesar de a economia americana manter crescimento próximo de 3% ao ano, os juros elevados e os preços de produtos essenciais, como alimentos e gasolina, pesaram na avaliação do governo. Trump chegou às eleições com aprovação média de apenas 32%.

Outro fator determinante foi a perda de apoio entre eleitores latinos, que haviam contribuído para sua vitória em 2024. A política migratória e as operações agressivas do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) provocaram insatisfação em comunidades diretamente afetadas pelas ações do órgão.

O impacto econômico das tarifas e da guerra também atingiu trabalhadores rurais e setores como a construção civil e a produção de carne. No Texas, o democrata James Talarico conquistou uma vitória histórica para o partido, tornando-se o primeiro senador democrata do estado desde 1988.

A mobilização antecipada também favoreceu os democratas. Mais de 58 milhões de americanos votaram antes do dia oficial da eleição, entre eleitores democratas, republicanos e independentes.

Dados da CNN, Associated Press e Catalist indicaram vantagem de 13 pontos percentuais dos democratas sobre os republicanos nessa modalidade de votação, especialmente em estados decisivos como Iowa, Maine, Ohio e Carolina do Norte.

Em diversos locais, a contagem dos votos antecipados começou antes da apuração dos votos presenciais, contribuindo para que a vantagem democrata aparecesse logo nas primeiras divulgações dos resultados.

 

Fonte: ICL Notícias

 

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