Eleições
e fim de época
“O
Brasil não é para principiantes”. A boutade de Tom Jobim não perde sua
atualidade. Ela nos vem à mente depois da vitória de Lula sobre Flávio
Bolsonaro no segundo turno com 4,5 milhões de votos de diferença, depois de
derrotado no primeiro turno por 2,2 milhões.
Uma
virada eleitoral inédita e quase impensável, protagonizada por um senhor às
vésperas de completar 81 anos, ao término do seu terceiro mandato presidencial,
líder inconteste do partido que fundou há 40 anos e sem o qual não se
compreende a história do país do último meio século.
Lula é
um fenômeno humano e político. Serão necessários alguns anos para que análises
isentas de componentes emocionais, positivos ou negativos, venham à luz sobre
seu papel histórico. O que não impede que tentemos compreender o que aconteceu
nas últimas semanas, evitando as abordagens fáceis de creditar o feito tão
somente à sua invulgar energia pessoal e talento político.
Em
primeiro lugar, deixemos de lado o formalismo institucional. Seu resultado
eleitoral, Lula o colheu no primeiro turno, e foi uma derrota. O que aconteceu
no segundo turno foi algo mais complexo, e revela os impasses e desafios não
apenas do seu partido, mas da sociedade brasileira.
Para
melhor situar a questão, façamos um détour histórico.
O
sistema político brasileiro, que tem garantido o mais longo período democrático
da nossa história, funda-se no pacto construído durante a Assembleia
Constituinte de 1986-1988. Esse pacto consiste no compromisso de resolução dos
problemas estruturais do país, sintetizados na extrema desigualdade social, no
quadro de uma economia liberal sob uma democracia representativa com mecanismos
de participação direta dos cidadãos na fiscalização do Estado.
Para
tanto, a Constituição determina obrigações estritas visando garantir os
direitos sociais da cidadania, vinculando parcelas do Orçamento ao
financiamento da educação e saúde públicas, além de outras obrigações ditas
sociais. O Sistema Único de Saúde tornou-se símbolo desse pacto.
Por
suposto, ele não foi uma concessão graciosa das elites. Foi o acordo possível,
depois de pelo menos uma década de confrontos e mobilizações sociais intensas
que, no final da ditadura militar, impediram sua substituição por uma
democracia de tipo oligárquico, tal como planejado pelos militares e seus
aliados civis.
Quem
viveu o Brasil de meados dos anos 1970 a fins de 1980 viveu um país no qual
organizações populares pareciam surgir da noite para o dia. Associações de
bairro, de estudantes, de donas de casa, de defesa dos indígenas e outras
minorias… – uma miríade de organizações sociais autônomas em luta pelos
direitos de seus integrantes no sentido mais amplo possível, convergindo na
defesa da qualidade de vida da população, principalmente dos grupos sociais
empobrecidos.
Síntese
daquela intensa mobilização organizativa, surgiram, nos centros industriais do
país, as então denominadas “oposições sindicais”, organizações semiclandestinas
de trabalhadores no interior das fábricas, em oposição às estruturas sindicais
oficiais controladas pelo Estado e infiltradas pela polícia política. Foram
tais “oposições” que organizaram os trabalhadores na luta por “melhores
salários, melhores condições de trabalho e liberdade de organização sindical”.
Mais
importante, foram elas que emularam o conjunto dos movimentos sociais.
Formou-se ali – e isto é fundamental para se compreender a evolução posterior
da política brasileira – uma elite sindical que combinava três características:
forte sentido de autonomia, aprendida nas deliberações sem mediações de
qualquer natureza; ausência de memória sindical, posto que formada à margem de
estruturas sindicais institucionalizadas; ausência de referências ideológicas
sistematizadas, posto que os partidos políticos eram inexistentes de fato.
Além
disso, muitos dos novos sindicalistas traziam a marca de histórias pessoais
fragmentadas, vividas nas periferias brutalizadas de uma sociedade que, em sua
“modernização”, destruia sem construir. Em suma, uma elite dirigente combativa
e pragmática.
Essa
elite deu origem ao Partido dos Trabalhadores. Ao lado e em conflito com o
Partido da Social-Democracia Brasileira, constituiu o novo da política
brasileira na transição da ditadura para a democracia.
Ao lado
e em conflito. Um partido com um programa social-democrata e outro organizando
a base social que mais teria a ganhar numa social-democracia. Uma aliança entre
ambos certamente mudaria os rumos da política e da sociedade brasileiras. No
entanto, desde o início, frères ennemis, opuseram-se um ao outro.
Na
economia, o país vinha de uma década perdida, a década de 1980. Uma crise
inflacionária crônica que se estendeu até meados de 1994, atingindo em junho
daquele ano a inacreditável taxa 4.922%, paralizou a economia e expos a
sociedade a toda sorte de traumas. Após sucessivos experimentos econômicos
visando controlar a inflação, o primeiro presidente eleito após a ditadura, um
aventureiro hoje sentenciado pela Justiça, sequestrou os depósitos bancários
dos cidadãos no dia mesmo de sua posse.
Em 1994
o governo adotou o Plano Real. Seu sucesso na estabilização da economia
converteu seu principal responsável, o então Ministro da Fazenda Fernando
Henrique Cardoso, na grande vedete política do período, garantindo sua eleição
à Presidência por dois mandatos consecutivos.
Mais
que um plano antiinflacionário, o Plano Real redefiniu os fundamentos da
economia nacional através da imposição de três parâmetros: adoção do câmbio
flutuante, do regime de metas de inflação (experimento já testado em alguns
países com relativo sucesso) e exigência de superávits fiscais como prioridade
da gestão macroeconômica.
Essa
tríade não abateu apenas a inflação. A economia como um todo sofreu
consequências. A indústria passou a sofrer concorrência de produtos importados
a preços menores graças à valorização da moeda nacional. Ao mesmo tempo, o
financiamento aos investimentos privados tornou-se praticamente proibitivo
pelas taxas de juros bancários, que passaram a se situar consistentemente entre
as maiores do mundo.
Em uma
palavra, iniciou-se um processo de desindustrialização crônica da economia
brasileira: segundo dados do Instituto Nacional de Geografia e Estatística, de
18,8% de participação relativa no PIB nacional em 1995, a indústria de
transformação recuou para 13,3% em 2023.
Além
disso, esses condicionantes da gestão macroeconômica criaram uma pressão
permanente sobre o orçamento, especialmente no que respeita aos investimentos
estatais. Quanto ao financiamento das políticas públicas e programas sociais
determinados pela Constituição, eles passaram a ser designados como “gastos”,
visão manifestamente negativa, oposta a “investimentos”, podendo, portanto,
serem contidos a bem do equilíbrio fiscal.
Este
foi o quadro no qual Lula assumiu a Presidência da República em 2003. Ele
comprometeu-se publicamente com a manutenção do “tripé” do modelo econômico,
dobrando a aposta no superávit fiscal. Em realidade, o PT não dispunha de
nenhum programa econômico que fizesse frente ao Plano Real, e mesmo seu
programa de governo nas áreas relacionadas aos direitos sociais garantidos na
Constituição não inovaram, em essência, ao que vinha sendo praticado nos
mandatos de Fernando Henrique Cardoso.
Para
não entrar em detalhes, é lícito dizer que houve uma ampliação do que vinha
sendo feito, especialmente no que se refere aos programas de transferência de
renda, que continuaram, grosso modo, nos moldes doutrinários do Banco Mundial
que, desde os anos 1980, preconizava políticas focadas nos grupos sociais
vulneráveis.
Quanto
ao balanço de pagamentos, pressionado pelo aumento exponencial da importação de
bens e serviços decorrente da valorização da moeda nacional, ele alcançou
relativo equilíbrio pela valorização das commodities no mercado internacional,
graças sobretudo às maciças importações chinesas de alimentos e minérios,
especialmente ferro.
Assim,
a China tornou-se nosso principal parceiro comercial, a expansão das
exportações de commodities passou a financiar as importações de bens de
consumo industrializados, o incremento das receitas do Estado permitiu a
expansão dos programas de transferência de renda, das universidades públicas e
do financiamento do ensino privado, enquanto a enorme liquidez do sistema
financeiro, graças à apropriação massiva de recursos da economia via elevação
das taxas de juros, permitiu uma expansão do crédito ao consumo privado em
níveis inéditos. Enfim, uma vida agradável e tranquila.
A
popularidade do Presidente alcançou níveis inéditos, permitindo-lhe sobreviver
à primeira vaga de denúncias de corrupção, envolvendo pagamentos mensais a
deputados oposicionistas para votarem a favor de projetos do governo, o chamado
“mensalão”. Sobreviver, reeleger-se para um segundo mandato e eleger sua
sucessora, uma Ministra que não primava exatamente pela empatia, de perfil
técnico, que nunca havia disputado qualquer cargo eletivo, com um passado –
heróico, frize-se! – na resistência armada à ditadura militar que a levou a
conhecer o martírio da prisão e tortura.
Nesse
período, a organização e mobilização das bases partidárias, característica
única do Partido dos Trabalhadores entre os partidos brasileiros, bem como o
papel dos sindicatos e organizações populares, já havia sido substituído pelo
“atendimento” das reivindicações populares por meio dos programas de
transferência de renda, do acesso de afrodescendentes e oriundos da escola
pública ao ensino universitário através do sistema de cotas, e pela própria
expansão do crédito ao consumo.
Ao
final do segundo mandato de Lula já havia sinais que apontavam a necessidade de
reajustes na economia, dada a deterioração das contas públicas ameaçando o
sacrossanto equilíbrio fiscal. A política de juros altos para controlar a
inflação aumentou exponencialmente o custo do financiamento do Estado, que
passou a dispender uma parcela cada vez maior do orçamento nacional para o
refinanciamento, os juros e serviços da dívida pública.
O
consenso produzido em torno dos efeitos do Plano Real, no entanto, partilhado
pela quase totalidade dos meios de comunicação, inibia qualquer debate,
isolando os economistas que se aventuravam a criticar os pressupostos do
modelo, enquanto os agentes do sistema financeiro, eufemisticamente denominado
“mercado”, transformaram-se numa das principais, senão a principal força
política em cena.
Dilma
Rousseff, que parecia confundir o exercício da Presidência com a gestão de uma
agência de desenvolvimento, desprezando olimpicamente a “liturgia” do cargo,
tentou fazer o reajuste ao seu modo, aggiornando teses
desenvolvimentistas inspiradas no legado ideológico de Getúlio Vargas. Os
resultados não foram bons, para ficarmos num meio termo. Para não correr o
risco de nos desviarmos ainda mais do objetivo deste détour, remetemos o
leitor interessado ao artigo de André Singer, “Cutucando onças com varas curtas”[i] –uma lúcida
análise sobre o intento.
Então
aconteceu 2013! Sem que ninguém verdadeiramente previsse, protestos contra o
aumento das passagens de ônibus urbanos na cidade de São Paulo desencadearam
uma onda de manifestações em todo o país. Multidões tomaram as ruas em
praticamente todas as cidades, numa escala inédita até então. Surpresos, o
governo e seu partido interpretaram as manifestações como manipulações da
direita, inconformada com os avanços sociais promovidos pela ascensão do PT ao
governo.
Motivações,
em suma, basicamente ideológicas, típicas de uma sociedade cujas elites ainda
não superaram o arquétipo mental da escravocratocracia. As manifestações
estariam revelando um desejo de retrocesso social por parte das “classes médias
brancas”, inconformadas com a perda de privilégios e obrigadas a conviver com
pobres e negros nas universidades e locais antes exclusivos dos bem-nascidos.
Interpretação
que resistiu à leitura da miríade de palavras de ordem brandidas pelos
manifestantes, cujos cartazes, em sua imensa maioria, apontavam as deficiências
dos transportes públicos, do sistema de saúde, do sistema educacional, da
segurança pública – enfim, deficiências em todas as áreas garantidoras dos
direitos sociais preconizados na Constituição Federal.
Mas um
outro fenômeno desenhava-se nas manifestações. A expansão do crédito
individual, associado à desregulamentação do mercado de trabalho, fez surgir um
amplo segmento social movido pela ideologia do empreendedorismo, ideologia
fortalecida entre os mais pobres pela “teologia da prosperidade” alimentada
pelas igrejas pentecostais em forte expansão.
Esse
segmento, tipicamente formado por moradores das periferias urbanas,
desorganizado e politicamente disponível, deparou-se com a ausência de
infraestruturas e equipamentos sociais e coletivos que completassem seu esforço
individual de ascensão social. Seu sonho, por assim dizer, era frustrado a meio
caminho.
Foi
esse segmento que deu corpo e expressão às propostas “antissistema” de uma
direita até então desconhecida no Brasil, capaz de mobilizações sociais e,
sobretudo, de sedução de uma juventude que já não via mais perspectivas de
futuro no mundo que lhe era apresentado pelo governo. Um obscuro e medíocre
deputado federal, representante do estado do Rio de Janeiro, com uma carreira
política associada a diversas formas de apropriação ilegal de recursos públicos
e relações obscuras com a criminalidade organizada, transformou-se no ícone
dessa nova direita, com sua capacidade de dizer tudo e nada “contra isso que
está aí!”. Quando o governo reagiu, já havia perdido a batalha das ruas.
Buscando
sua reeleição, Dilma Rousseff venceu um segundo turno contra um candidato do
partido outrora irmão rival do PT, já convertido à direita. Iniciando seu
segundo mandato, deparou-se com um Congresso majoritariamente hostil e um Poder
Judiciário mobilizado por investigações em torno de denúncias, algumas reais e
outras fabricadas, envolvendo meio mundo político, mas visando diretamente
Lula. Além disso, carregava o estigma do fracassado projeto de desenvolvimento
econômico do seu primeiro mandato.
Tentando
salvar seu governo, praticou o que muitos acusaram de “estelionato eleitoral”:
nomeou um executivo de um dos maiores bancos privados do país para o cargo de
Ministro da Fazenda, num esforço para reconciliar-se com o sistema financeiro.
Vão esforço. Em 31 de agosto de 2016 era afastada da Presidência, num processo
de impeachment que, nas palavras de um dos seus mentores, tinha o
objetivo de “unir todos – Congresso, Judiciário, todos! – para salvar o que
resta!” Em outras palavras, para salvar os interesses da alta finança aliada à
alta política. Aliança que, como se sabe, costuma ser costurada pela corrupção.
O
interregno entre a cassação de Dilma Rousseff e o terceiro mandato de Lula foi
o período em que a direita desfrutou da sua vitória. Ao completar o mandato da
Presidente afastada, Michel Temer, até então seu vice presidente – graças à
prática de alianças do PT em nome da governabilidade – encaminhou duas reformas
que aprofundaram ainda mais o fosso entre o pacto constituinte de 1988 e as
práticas de governo: o projeto de reforma da Previdência Social, aprovada
durante o governo de Jair Bolsonaro, e das leis que regulamentam as relações de
trabalho, suprimindo direitos conquistados há décadas pelos trabalhadores.
Além
disso, completou o caráter objetivamente recessivo da “tríade” do Plano Real
com a adoção do chamado “teto de gastos”. Aliás, não é de todo supérfluo
acrescentar que, se há tumbas no mundo político da direita, Michel Temer é seu
mais puro representante.
Quanto
a Jair Bolsonaro, eleito com Lula mantido na prisão sob acusações
posteriormente suspensas por irregularidades nos processos correspondentes, seu
mandato estará para sempre associado às mais de 720 mil mortes decorrentes da
Covid-19, às suas atitudes zombeteiras diante da tragédia, às negativas em
adotar protocolos minimamente consistentes para conter sua extensão, o todo
fazendo crer que a pandemia poderia, em sua avaliação, favorecer seus objetivos
políticos (produzindo uma instabilidade social que justificasse a decretação do
Estado de Sítio, por exemplo), objetivos finalmente levados a efeito na
tentativa de golpe de Estado após sua derrota eleitoral em 2022.
Ora, o
fenômeno político concreto revelado nestas eleições presidenciais é o
esgotamento do pacto político materializado na Constituição de 1988. Esse
esgotamento vem se constituindo ao longo das décadas que nos separam da
promulgação do texto constitucional, através da crescente dissociação entre o
sistema político e a vida das maiorias sociais.
Embora
os avanços experimentados nesse período, as desigualdades estruturais da
sociedade persistem, enquanto a carência e precariedade dos investimentos em
infraestruturas que assegurem o bem-estar social transformam em miragem o
projeto de modernização acalentado desde a transição política dos anos 1980.
Face
cruel dessa dissociação, ao integrar-se ao sistema de poder estatal,
privilegiando ações administrativas em detrimento da mobilização política da
sociedade, o PT dissociou-se da sua base social. Transformou-se naquilo que
Florestan Fernandes temia: um Partido da Ordem, abrindo o flanco para o
discurso “antissistema” da ultradireita, o discurso contra “isso que está aí”,
discurso sedutor para aqueles que a Ordem deixou a meio caminho. Foi essa
dissociação que determinou a derrota de Lula no primeiro turno da eleição
presidencial.
No
entanto, a sociedade civil, até então calada, não era silencio. Em face da
ameaça de uma candidatura cujo “programa” era instaurar um golpe de Estado, na
linha do tentado no 8 de janeiro de 2023, ela levantou-se multitudinária,
lembrando “a cada paralelepípedo da velha cidade” – como canta o poeta – “que
aqui passaram sambas imortais / que aqui sangraram pelos nossos pés / que aqui
sambaram nossos ancestrais”, e que o dever hoje é defender seu legado antes que
o futuro se perca.
Ainda
que o próprio partido que um dia os representou pareça não mais acreditar.
Defender o legado ameaçado. Sós! Sem partidos! Organizadas por uma coragem
cívica que se julgava perdida, as multidões desejaram o impossível e o
conquistaram.
“As
ruas falaram e temos que ouvi-las!”, teria dito Lula aos que o acompanharam à
cabine de votação no segundo turno, mostrando compreender que o acontecido
guardava, nem tão escondido, insatisfação com seu governo. Em seu discurso da
vitória, a disposição de ouví-las ficou manifesta.
Mas um
detalhe escapou a todos: não houve nenhuma palavra sobre a economia! E enquanto
a sociedade assiste, entre surpresa e apreensiva, à fuga do candidato
derrotado, os representantes da alta finança se movem. A agenda segue a mesma,
e conta com fortes interlocutores no PT: corte de “gastos” para garantir o
equilíbrio fiscal. Para eles, as mobilizações que precederam o segundo turno já
são um fato do passado, uma simples curiosidade histórica.
O que
escapa à percepção desses senhores é que as mobilizações traduzem um basta.
Dirigido em primeiro lugar à extrema direita, é certo, mas não só. E revelaram
um capital político disponível, até então submerso na apatia e no fatalismo.
Dos personagens em cena, apenas Lula tem condições de investi-lo,
reconstituindo os elos entre governo e sociedade e relançando a ambição que um
dia seu partido representou: superar a imensa desigualdade social brasileira.
As mobilizações mostraram que essa ambição segue viva. Para isto, a revisão dos
fundamentos do modelo econômico é condição sine qua non.
Se Lula
faltar com esse compromisso, seu quarto mandato terminará na melancolia ou
coisa pior, e o caminho estará aberto para o desconhecido. Em suma, o Brasil
não é para principiantes.
Fonte:
Por Renato Steckert de Oliveira, em A Terra é Redonda

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