Migração
de brasileiros para o Paraguai após vitória de Lula é 'moda passageira', diz
analista
Com uma
série de incentivos fiscais, o governo paraguaio quer aproveitar a crescente
saída de empresários brasileiros insatisfeitos com a reeleição do presidente
Lula. Especialistas ouvidos pela Sputnik acreditam que o fenômeno pode ser
"apenas uma moda passageira" e que essas empresas também foram
beneficiadas durante os governos do PT.
A
reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aumentou o interesse de
empresários brasileiros em deixar o país e se mudar para o Paraguai. Segundo a
mídia paraguaia, as buscas online por maneiras de abrir um negócio no país
dispararam nos últimos dias .
O
aumento da demanda obrigou a Direção de Migração do Paraguai a estabelecer uma
operação especial nas cidades fronteiriças, onde muitos brasileiros montaram
barracas nas ruas para aguardar sua vez de dar entrada no processo de visto de
residência.
Os
dados oficiais confirmam a tendência, embora também mostrem que ela não começou
após a eleição. Entre janeiro e setembro deste ano, o Paraguai recebeu
49.538 pedidos de residência, dos quais 31.706 eram de brasileiros .
Os
dados também mostram que o interesse brasileiro supera em muito o de outros
países da região: as solicitações de argentinos, que aparecem em segundo lugar,
não chegaram a 3.500 no mesmo período.
Nos
últimos meses, algumas empresas brasileiras anunciaram sua instalação no
Paraguai. Por exemplo, a Pluma, líder em avicultura na América Latina,
confirmou em outubro um investimento de US$ 50 milhões (R$ 273,8 milhões) para
a produção de ovos no Paraguai, tanto para o mercado interno quanto para
exportação.
A
empresa também busca participar de uma cadeia de valor iniciada por outra
gigante brasileira estabelecida no Paraguai, a JBS, que um ano antes havia
anunciado um investimento de US$135 milhões (R$ 739,4 milhões) para instalar
uma planta frigorífica.
Outro
caso é o do Grupo Dass, que fabrica produtos esportivos para marcas
internacionais como Adidas e Nike, que em 2026 fechou uma fábrica que possuía
na Argentina para instalar uma no Paraguai.
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10-10-10: A fórmula paraguaia
Em
entrevista à Sputnik, o advogado paraguaio Sebastián Lobos, especializado em
investimento estrangeiro, explicou que o fenômeno começou antes das eleições
brasileiras, mas parece ter se tornado mais perceptível depois delas, dada a
suposição de que um novo governo Lula poderia não ser atraente para os
empresários.
"É
simples: os impostos no Brasil fazem do Paraguai um atrativo importante para
grandes empresas que buscam continuar crescendo", avaliou.
Lobos
observou que muitos empresários brasileiros buscam aproveitar os incentivos
fiscais do Paraguai para investir no "boom imobiliário" que o país
está vivenciando ou no setor maquilador — composto por empresas destinadas a
exportar toda a sua produção —, uma indústria particularmente apoiada no país
sul-americano.
O
advogado considera que o setor maquilador permite que Assunção "não seja
concorrente do Brasil", mas "uma companheira" que possibilita
que empresas brasileiras se instalem em solo paraguaio, mas continuem a mirar o
mercado brasileiro.
"No
Paraguai, costumamos dizer que temos o famoso 10-10-10 : 10% de IVA, 10% de
Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPF) e 10% de Imposto de Renda Pessoa Física
(IRPF)", destacou, assegurando que esses níveis de tributação são
"bastante atrativos para qualquer empresa" e que tornam o mercado
paraguaio atraente não só para os brasileiros, mas para toda a América do Sul.
De
acordo com Lobos, a chegada do capital brasileiro também começa a ser
acompanhada pela chegada de "muitos estudantes universitários" do
Brasil que atravessam a fronteira para continuar seus estudos no lado paraguaio
ou para trabalhar lá.
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Há tensões com Lula?
O
advogado paraguaio e analista internacional Héctor Sosa Gennaro destacou que o
governo de Santiago Peña tem se concentrado particularmente em criar "uma
estrutura pronta para a chegada de brasileiros", não apenas com impostos
mais baixos, mas também com "mão de obra barata, boas condições
energéticas e muito espaço no território".
De
fato, o interesse explícito do governo Peña na chegada de brasileiros ficou
claro em agosto de 2026, durante um evento.
"Hoje,
os brasileiros querem vir para o Paraguai, querem vir trabalhar, querem vir
morar, e hoje vamos abrir as portas para eles aqui, pelo norte", disse o
presidente, assegurando sua intenção de melhorar a infraestrutura que liga os
dois países no norte do Paraguai.
Além
disso, o o governo paraguaio também lançou o 'Paraguay Investor Pass', um
programa para facilitar a concessão de residência permanente a empresários
estrangeiros que investissem pelo menos US$ 200 mil (R$ 1,095 milhão) nos
setores imobiliário ou financeiro, ou US$ 150 mil (R$ 821,5 mil) no setor de
turismo.
Gennaro
Sosa entende que o interesse de Assunção em atrair empresários brasileiros para
seu território poderia exacerbar as tensões entre os governos de Peña e Lula,
que já tiveram alguns desentendimentos nos últimos meses, relacionadas, entre
outras coisas, às negociações sobre a usina hidrelétrica de Itaipu,
compartilhada pelos dois países, ou pelas contínuas investidas
de Assunção em direção ao governo de Donald Trump nos EUA.
"Essas
circunstâncias criarão tensão na relação entre os dois governos, mas são
questões de boa vizinhança que terão de ser resolvidas. São países vizinhos, e
o Paraguai é muito dependente comercialmente do Brasil", explicou.
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'Moda passageira'
Embora
para o governo paraguaio a aposta em empresários brasileiros pareça ser
fundamental, o fenômeno não tem impacto significativo na economia de Brasília.
"Existe
uma retórica em torno da migração de empresários brasileiros para o Paraguai,
como se fosse algum tipo de ameaça ou intimidação contra o
governo brasileiro.
Mas a escala do fenômeno é muito limitada, e as perspectivas de grandes
negócios para esses 'empresários' são modestas, já que provavelmente
dependeriam do próprio mercado brasileiro", disse o economista brasileiro
Roberto Piscitelli à Sputnik.
Nesse
sentido, o especialista enfatizou que a alegada "fuga de capitais" do
Brasil, relatada pelo lado paraguaio, é, para o Brasil, "apenas um pequeno
incômodo".
Além
disso, Piscitelli destacou que, apesar da posição dos opositores de Lula, o
Brasil "continua sendo um mercado muito atraente, diversificado e
estável". Atualmente, "todos os indicadores econômicos são
favoráveis", apesar da alta taxa de juros, que permanece "fora de
lugar", mas que, em última análise, "beneficia o mercado
financeiro".
Segundo
o economista, a dívida do Brasil "está em boa posição em comparação com as
economias dos países desenvolvidos" e, embora o crescimento econômico
permaneça "lento", "a perspectiva aponta para sua continuidade e
consistência".
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Empresários também cresceram com Lula
Consultada
também pela Sputnik, a socióloga argentina Amanda Barrenengoa — especialista na
relação entre o Estado e as elites econômicas no Brasil — minimizou a ideia de
que os governos de Lula tenham sido negativos para o setor empresarial do
gigante sul-americano.
Barrenengoa
lembrou que, durante seus dois primeiros governos (2003-2011), o presidente
brasileiro "pegou um grupo de empresas pelo braço, especialmente dos
setores industrial, do agronegócio e da construção civil", impulsionando
seu crescimento e expansão internacional em consonância com a política externa
de seus governos.
"Toda
a política externa do governo Lula está intimamente ligada a uma política
comercial altamente benéfica para esses grupos empresariais", destacou o
especialista.
Muitas
dessas elites econômicas, no entanto, continuaram a rejeitar politicamente o
Partido dos Trabalhadores, embora "essa aliança mais pragmática com o
governo de Lula fosse economicamente vantajosa para elas". Por essa razão,
a analista enfatizou que a relação entre o PT e os líderes empresariais sempre
incluiu "contradições" e não se baseou unicamente em fatores de
conveniência econômica.
Na
verdade, a relação ficou ainda mais tensa após o impeachment de Dilma Rousseff
(2011-2016) e os governos de Michel Temer (2016-2019) e Jair Bolsonaro
(2019-2023), além da operação Lava Jato.
Barrenengoa
avalia que, em seu terceiro mandato, Lula "tentou melhorar esse
relacionamento" com a comunidade empresarial e encontrou no confronto com
o presidente dos EUA, Donald Trump, e suas tarifas sobre o Brasil, uma
oportunidade de se mostrar "em defesa dos interesses das empresas
brasileiras". Seu vice-presidente, Geraldo Alckmin, também desempenha um
papel central nesse relacionamento, dadas suas estreitas ligações com os
setores industriais de São Paulo.
No
entanto, diferenças significativas persistem em alguns setores importantes da
elite econômica brasileira. "É claro que a Faria Lima e o agro são uma
história diferente", afirmou o especialista, referindo-se ao fato de que
esses setores permaneceram politicamente mais próximos ao bolsonarismo.
• Presidente do Tribunal Supremo de
Justiça da Bolívia deixa o país e alega ameaças
O
presidente do Tribunal Supremo de Justiça da Bolívia, Romer Saucedo, afirmou
nesta quarta-feira (4) que o país "deixou de ser seguro" e que tanto
sua liberdade quanto sua vida, assim como as de sua família, estavam em perigo.
O
magistrado declarou que não há processos contra eles, mas que "vão começar
em breve", pois "vão forjar provas" para desacreditá-lo.
"Acabaram-se
as garantias jurídicas: o poder político transformou novamente a Justiça em uma
porta giratória, que adota como regra a prisão preventiva de quem não
compartilha de suas posições e também não hesita em contratar pistoleiros para
silenciar pessoas", declarou na rede social X.
O
presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, comentou, durante um evento na Espanha, que
a saída de Saucedo do país era "lamentável", mas que se tratava de
uma notícia "animadora para o futuro".
Segundo
ele, o magistrado deixou a Bolívia "porque há uma série de denúncias ou
investigações sobre nosso modelo de sistema judicial".
O
ministro de Governo da Bolívia, Marco Antonio Oviedo, afirmou à imprensa local
que não havia mandados de prisão contra o presidente do Tribunal Supremo de
Justiça. No entanto, investigações da polícia relacionam Saucedo ao
ex-procurador-geral do Estado Roger Mariaca, que está preso sob acusação de
ligações com o narcotráfico.
Em
julho, Saucedo declarou que renunciaria à presidência da Corte, em meio a uma
disputa com o governo de Rodrigo Paz por orçamento maior para o Poder
Judiciário, e ameaçou uma greve.
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Desaprovação do governo Kast atinge 64% em meio à crise
econômica no Chile
O Chile
atravessa uma situação econômica e social difícil, marcada por recessão,
aumento do desemprego a níveis não registrados desde a pandemia e rápida deterioração do apoio popular ao governo do
presidente chileno José Antonio Kast.
Apenas
sete meses após assumir a Presidência com elevado apoio inicial, a estratégia de ajuste fiscal e cortes de impostos
do presidente de extrema direita enfrenta questionamentos crescentes de
especialistas, da oposição e da própria população.
O
desemprego atingiu o nível mais alto dos últimos cinco anos, enquanto a
economia acumula meses de quedas consecutivas e a desaprovação do chefe de
Estado sobe para 64%.
A crise
do mercado de trabalho tornou-se a
principal fonte de preocupação no país. Segundo os relatórios mais recentes do
Instituto Nacional de Estatísticas (INE), a taxa de desemprego subiu para 9,8%
no trimestre de julho a setembro, superando a marca de um milhão de
desempregados pela primeira vez desde a emergência sanitária.
Nos
últimos 12 meses, quase 103 mil postos de trabalho foram eliminados, um
fenômeno que afetou particularmente mulheres, jovens e pessoas que buscam
ingressar no mercado de trabalho pela primeira vez.
A
situação também revela profundas disparidades regionais, com taxas de
desemprego de 10,2% em regiões como Valparaíso e O’Higgins, demonstrando que a
atividade em setores como logística e comércio não se traduz necessariamente em
empregos estáveis para a população local.
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Estagnação econômica
No
âmbito macroeconômico, os dados oficiais do Banco Central confirmam um cenário
preocupante de estagnação. Embora o Índice Mensal de Atividade Econômica
(Imacec) de setembro tenha registrado uma leve recuperação anual de 0,2%, o
resultado ocorre após dois meses consecutivos de queda e não impede a projeção
de uma retração de 0,8% no Produto Interno Bruto (PIB) ao final do terceiro
trimestre.
O Banco
Central reduziu as projeções de crescimento para 2026 para uma faixa entre
0,25% e 0,75%, distanciando-se drasticamente das expectativas do ano passado e
do compromisso do governo de alcançar um crescimento superior a 4% até 2030.
A
retração foi impulsionada principalmente pela mineração, um dos pilares da
economia nacional, que registrou queda de 12,6% devido ao aumento dos custos de
produção, ao envelhecimento das jazidas e às interrupções provocadas por
emergências climáticas associadas ao fenômeno El Niño.
Da
mesma forma, houve um aumento do custo de vida, que chegou a 4,1% na comparação
anual em agosto, impulsionado em grande parte pelo chamado benzinazo,
decorrente da decisão do governo de não intervir nos preços dos combustíveis
após a crise energética no Oriente Médio.
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Governo pede ‘paciência’
Diante
da gravidade do cenário, a estratégia do Executivo é pedir paciência e
confiança nos efeitos de médio prazo de sua “mega-reforma” tributária, cujo
núcleo é a redução do imposto sobre as empresas de 27% para 23% e a garantia de
estabilidade tributária para grandes investimentos.
O
próprio ministro da Economia e Mineração, Daniel Mas, defendeu a posição do
governo, afirmando que a administração não chegou ao poder para administrar a
estagnação, mas para colocar o país em movimento.
Juan
Ortiz, economista do Observatório do Contexto Econômico da Universidade Diego
Portales, descreveu 2026 como “um ano para esquecer” e enfatizou que, no curto
prazo, o cenário de atividade econômica estagnada não mudará.
Por
outro lado, Francisco Castañeda, da Universidade Central do Chile, alertou que,
embora o corte de impostos possa estimular investimentos no futuro, ele não
será suficiente por si só nem produzirá resultados com a rapidez exigida pela
crise atual.
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Alta desaprovação
A
estagnação econômica e o aumento do custo de vida acabaram substituindo a
insegurança como principal preocupação dos chilenos, levando o presidente Kast
a reconhecer publicamente que seu governo enfrenta o pessimismo da população.
Essa
percepção está claramente refletida nas últimas pesquisas de opinião: o
levantamento Agenda Criteria indica que 64% da população desaprova a gestão
presidencial, enquanto estudos da empresa Cadem situam sua aprovação entre 27%
e 32%, em forte contraste com os 57% registrados quando assumiu o cargo, em 11
de março.
Da
mesma forma, 82% dos entrevistados afirmam que o desempenho do Executivo ficou
abaixo das expectativas iniciais.
Diante
da discussão sobre o Orçamento de 2027 no Congresso, há forte oposição popular
à busca do equilíbrio fiscal por meio de cortes sociais, com apenas 19% dos
entrevistados dispostos a aceitar a redução de programas públicos e apenas 8%
favoráveis à diminuição dos subsídios, em um cenário no qual organizações
sociais já anunciam a retomada das mobilizações.
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Vice-ministro do Chile renuncia após reduzir penas de
condenados por abusos contra menores
O
subsecretário de Justiça do Chile, Luis Silva, renunciou ao cargo na
sexta-feira (30/10), em meio à repercussão das reduções de penas concedidas
pelo Ministério da Justiça a 56 pessoas condenadas por crimes sexuais contra
crianças e adolescentes. A saída foi aceita pelo presidente José Antonio Kast, que anunciou a
advogada Josefina Soto Larreátegui como substituta.
As
reduções foram concedidas por meio de decretos assinados entre março e setembro
de 2026. Segundo levantamento divulgado pelo veículo chileno Interferencia
e repercutido pela imprensa local, os benefícios alcançaram pessoas condenadas
por estupro e abuso sexual de menores. A maioria dos beneficiados teria obtido
antecipação da saída da prisão.
A
renúncia de Silva ocorreu depois que ele publicou um vídeo nas redes sociais
para explicar sua participação na assinatura de alguns dos decretos. No
pronunciamento, afirmou que agiu seguindo o entendimento estabelecido pelo
ministro da Justiça e Direitos Humanos, Fernando Rabat. Silva assinou os
documentos quando substituía o ministro.
Em
vídeo, o então subsecretário declarou: “A quem corresponde assinar é ao
ministro da Justiça. Mas, quando o ministro não está, ele é substituído pelo
subsecretário. E, quando o subsecretário assina em substituição ao ministro,
faz isso aplicando o critério estabelecido pelo próprio ministro”. A gravação
foi publicada sem autorização prévia do Ministério da Justiça ou do Executivo,
segundo a imprensa chilena.
A
Presidência informou que a advogada Josefina Soto Larreátegui assumirá a
Subsecretaria de Justiça. O ministro Fernando Rabat, por sua vez, permanece no
cargo, apesar das cobranças da oposição e de integrantes da própria base
governista por sua saída.
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Debate sobre a legislação
A
controvérsia envolve a aplicação da Lei 19.856, que regulamenta a redução de
penas por bom comportamento. Em fevereiro de 2022, uma alteração na legislação
passou a excluir do benefício pessoas condenadas por determinados crimes
sexuais contra crianças e adolescentes. A discussão jurídica está relacionada à
possibilidade de aplicar essa restrição a condenações anteriores à mudança.
Rabat
argumenta que a proibição não pode retroagir e que o Ministério da Justiça não
poderia deixar de conceder os benefícios reconhecidos pelas comissões
responsáveis pela análise dos pedidos. Em 23 de outubro, a pasta anunciou a
suspensão da tramitação dos decretos e informou que encaminharia medidas
legislativas para impedir que condenados por crimes sexuais contra menores
continuassem recebendo as reduções.
Uma
investigação publicada pelo portal chileno Ciper, nesta sexta-feira
(30/10), contestou a justificativa do ministro. O veículo analisou 113
processos judiciais envolvendo pedidos de redução de pena e identificou 19
casos em que a Justiça rejeitou o benefício. Segundo a investigação, os
registros demonstram que havia alternativas legais para o Ministério contestar
as solicitações, em vez de aprová-las.
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Condenados por crimes da ditadura também foram beneficiados
A crise
se ampliou após a divulgação de que pelo menos dois condenados por crimes
contra a humanidade cometidos durante a ditadura de Augusto Pinochet
(1973-1990) também receberam reduções de pena. O caso provocou críticas de
parlamentares governistas e da oposição.
A
oposição considerou insuficiente a saída de Silva e anunciou que apresentará um
pedido de acusação constitucional contra o ministro Fernando Rabat. Se aprovado
pelo Congresso, o procedimento poderá resultar na destituição do ministro e em
sua inabilitação para exercer cargos públicos por cinco anos.
O
presidente José Antonio Kast reconheceu que o Estado falhou com as vítimas dos
condenados beneficiados. Até este sábado (31/10) o governo mantinha Rabat à
frente do Ministério da Justiça.
Fonte:
Sputnik Brasil/Telesur

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