sábado, 7 de novembro de 2026

Paraguai: colapso num “paraíso” da ultradireita

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou sua renúncia na manhã desta quinta-feira (5/11), enquanto a Câmara discutia o pedido de impeachment contra ele. O ministro do Interior entregou a carta ao Congresso. A Câmara aprovou a acusação contra Peña por 78 votos a zero e a enviou ao Senado. Aceita a renúncia, cabe ao vice, Pedro Alliana, completar o mandato até agosto de 2028. Dois dias antes, clientes do Ueno Bank encontraram as agências fechadas e os serviços digitais suspensos. O Banco Central do Paraguai (BCP) abrira o processo de fechamento do banco após constatar que seu índice de solvência estava abaixo da metade do mínimo exigido. A queda do banco e a renúncia de Peña abalam a imagem do Paraguai como um paraíso liberal de suposta segurança econômica e de pouca intervenção estatal.

Peña foi acionista da Ueno Holding, controlada pelo Grupo Vázquez, até março de 2025. Carlos Carvallo, que presidira a financeira antecessora do Ueno Bank, deixou o Banco Central a pedido do presidente. Uma das operações investigadas envolve a aquisição de uma carteira de crédito de US$ 74,4 milhões que, segundo a hipótese da promotoria, teria sido financiada indiretamente pelo próprio Ueno. Segundo a denúncia ampliada pelos parlamentares, em abril a supervisão do BCP já havia apontado que o crédito a empresas vinculadas ultrapassava os limites permitidos. No mesmo dia da renúncia do presidente, o procurador-geral encaminhou à unidade de delitos econômicos, para avaliação, uma ampliação da denúncia que envolve Peña e antigos dirigentes do Banco Central. Investigações da imprensa independente paraguaia já anunciavam, antes da crise, a passagem de dirigentes de bancos para postos estratégicos do Estado. É nesse contexto que importa esclarecer o que as autoridades sabiam e como decidiram aplicar dinheiro público em um banco privado.

O vice-presidente Alliana também foi alvo de um pedido de julgamento político. Os autores lhe atribuíram a tentativa de barrar a fiscalização parlamentar, o aval à aplicação de recursos previdenciários no Ueno e a omissão diante de alertas sobre o crédito concedido a empresas vinculadas. O documento também lhe atribuiu a articulação da mudança legal que, em 2024, revogou restrições aplicáveis a certas atividades privadas após a saída de cargos públicos. No dia seguinte, a maioria do Partido Colorado no Legislativo rejeitou o pedido, com 48 votos contrários e 30 favoráveis. Os deputados que votaram pelo arquivamento invocaram os limites formais das atribuições do vice. A investigação do Ministério Público sobre as operações bancárias segue seu curso. Ao apoiar o julgamento de Peña e preservar o sucessor, o grupo de Horacio Cartes, ex-presidente paraguaio, mostrou que ainda dispõe de força para arbitrar a crise no Partido Colorado. A leitura de Esteban Caballero sobre o peso do dinheiro e do comando partidário no cartismo ajuda a entender essa capacidade de reorganização. As decisões sobre as aplicações previdenciárias e as regras de conflito de interesses seguem no coentro do conflito, mas a maioria parlamentar mantém Alliana na linha sucessória.

A crise bancária ocorre em um contexto de perspectivas favoráveis para a economia paraguaia. Em setembro, o Banco Central do Paraguai (BCP) elevou de 4,5% para 5% a projeção de crescimento do PIB para 2026. Entretanto, os efeitos da crise sobre o crédito, o consumo e as condições de vida da população ainda precisam ser dimensionados. Em 2025, a informalidade atingia 60,1% das pessoas ocupadas nas atividades não agropecuárias abrangidas pelo levantamento oficial, aproximadamente 1,66 milhão de trabalhadores. Esse quadro amplia a preocupação com os efeitos sociais da restrição de acesso aos recursos financeiros, especialmente entre aqueles que dependem de rendimentos instáveis. A situação remete, guardadas as diferenças de escala e circunstâncias, à crise argentina de 2001, quando as restrições generalizadas aos saques ficaram conhecidas como corralito. Embora o bloqueio no Paraguai tenha origem na liquidação de uma instituição bancária, a comparação evidencia um problema comum: a distância entre as garantias anunciadas e a possibilidade concreta de acesso ao dinheiro. Para famílias com rendimentos instáveis, a proteção financeira depende também da disponibilidade dos recursos quando precisam deles.

A imagem do Paraguai como um “oásis conservador”, associada à estabilidade política e à segurança dos interesses empresariais, é colocada em xeque diante da crise. Até recentemente, perfis brasileiros nas redes sociais combinaram mensagens contra o governo Lula com a venda de assessoria para obter residência ou abrir empresas no Paraguai. Em 2025, brasileiras e brasileiros apresentaram 23.526 pedidos de residência, temporária ou permanente, dos quais 18.903 temporários e 4.623 permanentes. O MigraMóvil é uma das vias de atendimento a pessoas estrangeiras.

A crise também pode repercutir sobre a articulação das forças conservadoras na América Latina, ao colocar em questão a estabilidade política e econômica de um de seus importantes aliados regionais. Peña recebeu Javier Milei na Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC) em Assunção, em setembro de 2025. Naquele encontro, Milei apresentou o Paraguai como referência econômica para a Argentina e para o restante da América do Sul. Durante as eleições brasileiras, Flávio Bolsonaro apresentou a Argentina de Javier Milei como referência para sua agenda econômica e incluiu o Paraguai de Santiago Peña entre os aliados políticos de seu projeto para a América Latina.

A crise do Ueno recoloca em debate o papel dos recursos públicos no modelo que governos ultraconservadores aplicam na região. A “porta giratória” entre governos, empresas e plataformas de comunicação integra a dinâmica das novas direitas latino-americanas estudadas por Lorena Soler. Em fevereiro de 2026, o próprio Ueno patrocinou uma gala em Mar-a-Lago à qual compareceu Eduardo Bolsonaro. A presença do banco nesses circuitos mostra como interesses privados paraguaios buscaram projeção em ambientes ligados à direita trumpista.

A aproximação paraguaia com Washington também tem uma dimensão militar. A Lei 7.630/2026 aprovou o acordo sobre o estatuto das forças (SOFA), que prevê presença temporária e concede privilégios e imunidades a militares norte-americanos e a civis do Departamento de Defesa. O texto reconhece a jurisdição penal dos EUA sobre esse pessoal. Em agosto, o exercício Fuerzas Comando reuniu 17 países no Paraguai, incluindo o Brasil. Julieta Heduvan aponta as imunidades e a imprecisão dos prazos e dos controles como os pontos mais sensíveis do acordo. Para o Brasil, o alcance dessas missões e sua fiscalização dizem respeito à segurança na fronteira e à coordenação regional.

Em outubro, o Paraguai aderiu à Pax Silica, iniciativa dos EUA que reúne cadeias de minerais críticos e infraestrutura para inteligência artificial. Em paralelo, Crusoe e Araico anunciaram um centro de computação alimentado por Itaipu, com implantação inicial prevista para meados de 2027 e possibilidade de expansão para 106 MW de capacidade de TI. O anúncio também menciona a opção de ampliar a capacidade total para cerca de 280 MW a longo prazo. Os termos de fornecimento, os tributos e a formação de trabalhadores definirão quanto desse investimento se traduzirá em benefícios no Paraguai. A negociação desses projetos confere conteúdo econômico à aproximação com Washington e continuará a exigir escrutínio público durante a sucessão.

Os efeitos mais imediatos para o Brasil passam pela fronteira. Entre janeiro e setembro de 2026, o Brasil recebeu 59,6% das exportações paraguaias sob o regime de maquila, voltado à produção para exportação, e a Argentina, 14,4%. Dificuldades de pagamento podem atingir fornecedores, transportadores e o comércio, com alcance ainda por medir. O governo Lula pode acompanhar as cadeias produtivas, prestar assistência consular e cooperar com as autoridades paraguaias na proteção de trabalhadores e poupadores afetados.

A crise do Ueno Bank também exige explicações por parte da Itaipu. A margem paraguaia da binacional havia identificado a instituição entre os bancos nos quais mantinha recursos. Na tarde de 5 de novembro, o saldo exposto ainda aguardava divulgação. A isso se soma a negociação sobre o uso da energia. O crescimento do consumo paraguaio pode reduzir a parcela excedente que o Brasil adquire. A cota brasileira é assegurada pelo tratado. A revisão do Anexo C, que trata das regras financeiras e de comercialização, permanece em negociação. Peña via na reeleição de Lula a oportunidade de chegar a um acordo até o fim do ano. A transição abre uma interlocução política com o vice Alliana. O debate público precisa atender aos critérios usados para a aplicação dos recursos da binacional, bem como às tarifas e contrapartidas oferecidas aos grandes consumidores de energia. O Brasil tem interesse em respeitar o direito paraguaio de usar sua parcela e de planejar suas próprias compras de energia. Os ganhos dessa integração precisam chegar à população e ao mundo do trabalho em ambos os países.

Governos e agências estaduais do Sul do Brasil também participam dos circuitos econômicos com o Paraguai. Ratinho Junior recebeu Peña em setembro de 2025 para discutir logística e investimentos e, em outubro de 2026, apoiou Flávio Bolsonaro. Em agosto, Rediex e Invest Santa Catarina firmaram acordo comercial na presença de Jorginho Mello, reeleito no primeiro turno, e de Alliana, então no exercício da Presidência do Paraguai. No Rio Grande do Sul, a transição de Eduardo Leite para Zucco, aliado de Flávio Bolsonaro, altera a composição política regional a partir de 2027. A sucessão em Assunção pode preservar as interlocuções que o próprio Alliana ajudou a construir. Cabe ao governo federal coordenar as negociações que envolvem infraestrutura e recursos nacionais.

As eleições norte-americanas terminaram com derrota amarga de Trump e maiorias democratas nas duas Casas do Congresso. A partir de 3 de janeiro de 2027, o novo Legislativo poderá fiscalizar os acordos de cooperação com o Paraguai e disputar as dotações correspondentes. A perda de força de Trump e a renúncia de Peña enfraquecem a aposta em relações pessoais como garantia de respaldo político. Os interesses estadunidenses em energia e em infraestrutura digital atravessam as duas mudanças. Para o Brasil, a transição em Assunção e a nova composição do Congresso em Washington aumentam o valor de acordos públicos e previsíveis, conduzidos pelas instituições de cada país.

Os relatos de Assunção mostram como as reivindicações mudaram de escopo. O Ueno Bank cresceu com recursos provenientes de instituições públicas. Agora, a devolução dos depósitos depende de decisões do Congresso e do Banco Central. Em 4 de novembro, poupadores(as) e aposentados(as) voltaram às ruas para a restituição dos depósitos e a apuração de responsabilidades. A polícia usou spray de pimenta e projéteis de borracha perto do Congresso. No dia seguinte, trabalhadores do Ueno e do Grupo Vázquez protestaram em frente ao Ministério do Trabalho por salários e indenizações. Essas demandas exigem uma resposta própria, pois a garantia de depósitos aplica-se aos saldos elegíveis. Até o momento, o Congresso aprovou um adiantamento de até 40 salários mínimos, equivalente a cerca de 121,8 milhões de guaranis, por depositante. O limite ordinário da garantia é de 228,3 milhões por depositante e por instituição.

A proteção de quem perdeu renda depende também da fiscalização das relações de trabalho e da liberdade de se organizar e de cobrar. O Partido Colorado chega à transição com maioria parlamentar e com a força da identidade partidária que Alejandra Najenson identifica nas redes familiares. A convergência das reivindicações de poupadores(as) e trabalhadores(as) dá ao campo progressista latino-americano uma agenda que ultrapassa a disputa pelos nomes da sucessão. O governo Lula pode apoiar a coordenação no Mercosul para proteger as pessoas afetadas e acompanhar de perto os efeitos da crise na fronteira.

•        Renúncia de Peña pode ter sido manobra para manter direitos políticos, afirma especialista

Santiago Peña não resistiu à pressão das ruas e acabou renunciando ao cargo de presidente da República do Paraguai, nesta quinta-feira (05/11).

Com essa medida, o pedido de renúncia de Peña será encaminhado ao Congresso, que precisa aprovar a medida. Caso seja aceito, o vice Pedro Alliana assume o cargo. De acordo com a Constituição, o então mandatário poderá assumir o cargo de senador vitalício que é garantido aos ex-presidentes da República que deixam o cargo sem serem destituídos.

A Opera Mundi, a analista política Estela Ruiz Diaz disse que o Partido Colorado, do qual Peña faz parte, possui maioria, com 23 das 45 cadeiras no Senado e 48 das 80 na Câmara dos Deputados. No entanto, ela afirma que “a expectativa é de que os protestos de pessoas indignadas com o caso sigam nas ruas”.

Gustavo Ariel, repórter do programa televisivo Latitud 25 explica que caso fosse destituído pelo Congresso, Peña sofreria uma punição mais severa. “Por isso os senadores e deputados (se oposição) estavam fazendo o possível para que o presidente sofresse um processo de impeachment”, explicou.

O jornalista lembra que o Paraguai já teve outros casos de mandatários que renunciaram e deixaram o país. O mais conhecido foi o ditador Alfredo Stroessner, que governou o país entre 1954 e 1989.

Pela manhã, a Câmara aprovou uma moção de impeachment contra ele e o seu vice, Pedro Alliana, mas, enquanto o plenário apreciava o julgamento político, nos corredores, os rumores de uma possível renúncia já corriam à boca grande.

<><> Caso Ueno Bank

A população de Assunção foi às ruas mais uma vez para cobrar a responsabilização de Peña em relação aos quase 3 milhões de clientes do Ueno Bank, que tiveram as contas bloqueadas após a intervenção do Banco Central.

Vale lembrar que Peña e Alliana são membros do Partido Colorado, que representa a direita mais tradicional do Paraguai, e que governa o país praticamente desde a década de 50 do século passado – houve apenas um hiato em sua hegemonia, entre 2008 e 2012, durante a presidência do progressista Fernando Lugo.

A instituição concedeu sucessivos empréstimos a empresas vinculadas aos sócios, comprometendo mais de 20% do seu capital – uma prática proibida por lei. Com a perda de solvência e a incapacidade de quitar suas dívidas, o banco acabou encerrado.

Numa medida de emergência, o governo promulgou nesta quarta-feira (04/11) uma lei que reduziu de 15 para cinco dias a devolução dos recursos dos clientes. A medida foi recebida com desconfiança e a população manteve o coro por “juízo político” (mecanismo similar ao impeachment), como se vê e centenas de posts nas redes sociais.

A Câmara dos Deputados respondeu às ruas e deputado Raul Luis Latorre Martinez (Colorado) convocou duas sessões extraordinárias, com início às 10h desta quinta, 5, para analisar uma moção de impeachment contra o presidente Santiago Peña e o vice Pedro Alliana.

A jornalista especializada em política e colunista do Diário de Última Hora, Estela Rui Diaz avalia que “o cenário é de incerteza, pois a queda desse banco está muito ligada ao Presidente, que era acionista de uma financeira vinculada e mantinha depósitos nele”, resgata.

Diaz afirma que “[Santiago Peña] está caminhando na corda bamba”, pois os seus próprios correligionários “dizem que as medidas tomadas não são suficientes”. Ela, que acompanha a rotina política nos poderes Legislativo e Executivo, assegura que “o único apoio que ele tem, neste momento, vem do movimento governista”.

Nas análises da colunista, “esse colapso financeiro decorre de uma ruptura política entre Horacio Cartes (ex-presidente do Paraguai, que governou entre 2013 e 2018) e Santiago Peña, motivada por uma disputa pela candidatura para 2028. Foi nesse contexto que a situação desse banco veio à tona”, crava.

Escala, nos bastidores, a acusação de que “o presidente Peña destruiu a credibilidade financeira do Paraguai, que levou mais de três décadas para estabilizar o seu Banco Central, agora, essa situação provavelmente afetará a imagem do país para investidores”, conclui.

<><> Recursos dos aposentados

Primeiro e único banco digital do Paraguai, o Ueno democratizou o acesso ao sistema financeiro no país e, agora, protagoniza uma das maiores tragédias econômicas da história do país.

Para o analista financeiro Amilcar Ferreira, se trata de uma “tragédia humana”. Desde junho, o Banco Central havia comprometido “amplamente” mais de 20% do capital da instituição com empréstimos a empresas vinculadas aos próprios donos.

“Qualquer valor que exceda esse limite é proibido. Isso é vedado, e não existe um prazo que o Banco Central precise tolerar; se é proibido, é proibido”, detalha, Ferreira.

A empresa buscou corrigir o problema, no entanto, “a solução adotada foi vender esses empréstimos a partes relacionadas. Contudo, há suspeita de que essa empresa compradora também realizou a aquisição utilizando um empréstimo concedido pelo próprio banco, por meio de terceiras empresas. Esse mecanismo é conhecido como financiamento indireto”, explica.

Em outras palavras, “os acionistas adotaram uma prática ilegal de conceder empréstimos a empresas vinculadas a eles mesmos. Esse foi o ato ilegal”, resume o analista, enquanto reconhece o quanto o modelo bancário incluiu um grande contingente de pessoas. “O número de pessoas bancarizadas no Paraguai era de aproximadamente um milhão; o banco acabou incluindo dois milhões no sistema”, calcula.

O índice mínimo exigido de solvência do banco – capacidade de uma empresa de arcar com as suas dívidas – despencou de 12% para 4%.

O valor mínimo estabelecido no Paraguai é de 8%. Cerca de 27% do valor total financiado pelo banco “vinha do Instituto de Previdência Social (IPS), que é o órgão de seguridade social aqui no Paraguai, e de fundos de empresas estatais”, destaca o especialista.

O jornalista Gustavo Ariel conta que o seu “café da manhã” na última segunda,2, foi o anúncio de que não poderia acessar o seu próprio recurso. “Tenho dinheiro apenas neste banco”, detalha. Ele vê com desconfiança a lei de antecipação dos pagamentos, pois “não é uma operação fácil, são muitas pessoas com as contas bloqueadas”, justifica a própria aflição.

Mesmo acompanhando o noticiário sobre as investigações, há pelo menos 15 dias, diz que “não imaginava que fosse chegar a esse ponto”.

Ele vem contando com a ajuda de familiares que lhe emprestaram alguns pesos, depositados em uma nova conta recém aberta em outra agência. “Estou vivendo deste dinheiro com muita economia”, esmiúça.

O Fundo Garantidor de Crédito do Paraguai só cobre até 28 milhões e 300 mil pesos guaranis, equivalente a 208 mil reais, valor que deve cobrir grande parte dos correntistas pessoas físicas que estão na base da pirâmide. “Quanto à Previdência Social, isso será analisado mais adiante; eles poderiam, sim, acabar perdendo uma parte de seus depósitos”, prospecta Ferreira.

No início do governo de Santiago Peña, o IPS alterou os regulamentos de investimento, facilitando o ingresso do Ueno na disputa por gerir os recursos. “Não houve, digamos, nada ilegal na captação desses recursos públicos, mas chamou bastante a atenção o fato de o regulamento ter sido alterado justamente para permitir a participação desse banco”, frisa Amilcar Ferreira.

Peña, que assumiu o governo em 2023, foi acionista do Ueno Bank e manteve vínculos com seus controladores até 2025. Em 2024, o regulamento interno do IPS foi alterado, permitindo que o banco digital concorresse à gestão do fundo. Após receber esses aportes previdenciários e estatais, os depósitos na recém-criada instituição financeira dispararam. Até o fechamento, só de dinheiro público o banco administrava US$ 850 milhões.

 

Fonte: Por Carmem Leitão e Florencia Pelagagge, em Outras Palavras

 

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