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que América do Sul está vendo tantos abalos sísmicos em sequência?
Um terremoto atingiu na
quinta-feira (20/8) a região andina de Ayacucho, no Peru, deixando pelo menos
três pessoas feridas, nenhum delas em estado grave.
O
tremor ocorreu às 13h no horário local, com epicentro 35 quilômetros ao norte
da localidade de Coracora, na província de Parinacochas, no sudoeste do país,
informou o Instituto Geofísico do Peru (IGP).
O
terremoto foi sentido em boa parte do país, incluindo Lima. Os danos, contudo,
foram relativamente limitados. Segundo as autoridades, 22 residências e seis
escolas foram afetadas.
O
Instituto Geofísico do Peru (IGP) estimou a magnitude do terremoto em 7,2 e a
profundidade em 108 quilômetros. Já o Serviço Geológico dos Estados Unidos
(USGS) calculou magnitude de 6,7 e profundidade de cerca de 67 quilômetros.
O
tremor no Peru ocorre dias após um forte terremoto
atingir a Indonésia e
pouco mais de uma semana depois de outro abalo de grande magnitude atingir a
Colômbia.
Nos últimos meses, também foram registrados terremotos fortes na Venezuela e no Japão. Esses tremores
deixaram milhares de mortos e feridos, além de grandes danos.
A
quantidade de terremotos registrados recentemente dá a impressão de que o
número de abalos sísmicos está aumentando nos últimos anos.
Mas não
há evidências de que isso esteja acontecendo de fato, de acordo com os
registros dos principais serviços geológicos do mundo.
O que
tem avançado, na verdade, é a capacidade dos cientistas de detectar
esses tremores, mesmo os mais
leves: os equipamentos estão ficando cada vez melhores, e foram espalhados por
várias regiões do planeta.
Além
disso, hoje em dia as notícias viajam com muita rapidez pela internet e
pelas redes sociais.
Ou
seja, ficamos sabendo de um terremoto que acabou de acontecer do outro lado do
mundo em questão de segundos, e com acesso a uma série de vídeos feitos pelas
próprias vítimas e por câmeras de segurança.
Há um
terceiro fator importante nessa equação: a população está crescendo e vive cada
vez mais concentrada em grandes centros urbanos.
E isso
aumenta também o número de pessoas potencialmente expostas aos efeitos de um
terremoto.
Terremotos
são comuns no Peru e na Colômbia, que estão localizados no ponto de encontro entre as placas
tectônicas de Nazca e Sul-Americana. Eles têm, portanto, a mesma origem
tectônica. Isso, no entanto, não significa que um terremoto tenha provocado o
outro.
"Foi
o mesmo mecanismo que disparou os dois terremotos, mas a gente não pode dizer
que um terremoto causou o outro. A gente não tem evidências de uma relação
causal", explica a geofísica Susanne Maciel, professora da pós-graduação
em Geociências da Universidade de Brasília (UnB).
"Até
agora, o que a gente tem visto das análises sismológicas é que essas sequências
de eventos são eventos independentes, apesar deles estarem ocorrendo numa
sucessão muito rápida", acrescenta a especialista, que é apoiada pelo
Instituto Serrapilheira.
No caso
da Venezuela, o contexto tectônico é diferente, afirma Maciel. Embora o país
também seja afetado pela tectônica da placa de Nazca, o terremoto está mais
relacionado à interação entre as placas do Caribe e Sul-Americana.
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Quantos terremotos acontecem por ano?
O
Centro Nacional de Informações sobre Terremotos dos EUA estima que, todos os
anos, são registrados cerca de 20 mil terremotos ao redor do globo — em torno
de 55 tremores de diferentes magnitudes todos os dias.
O
Serviço Geológico dos Estados Unidos calcula uma média de 16 terremotos de
magnitude mais alta a cada doze meses.
Em
média, são 15 tremores que superam uma magnitude 7 e um que ultrapassa a
barreira da magnitude 8.
Mas
esse número não se repete com precisão de um relógio suíço: nas últimas cinco
décadas, houve pelo menos uma dúzia de anos em que esse número de terremotos
mais fortes fugiu da média esperada.
Um
exemplo disso foi o que aconteceu em 2010, quando 23 terremotos sacudiram
diferentes regiões do planeta.
Mas há
ocasiões em que esse número fica abaixo do esperado: em 1989, foram registrados
apenas seis tremores de maior gravidade, que superaram a magnitude 7.
"Em
termos estatísticos, a ocorrência de terremotos é um processo muito
variável", destaca Maciel.
"Então,
é natural que a gente tenha agrupamentos de eventos dessa magnitude em algumas
janelas pequenas de tempo", complementa a geofísica.
A
pesquisadora reforça que não há dados suficientes para dizer que o mundo está
experimentando uma anomalia em termos de abalos sísmicos.
"Na
verdade, se a gente for pensar na própria estatística da ocorrência dos
terremotos, é comum que a gente espere esses agrupamentos de terremotos",
pontua ela.
Segundo
Maciel, apesar do número de terremotos de magnitude superior a 7 registrado
neste ano ser relativamente grande, ainda está dentro da variabilidade esperada
para eventos dessa magnitude, especialmente em regiões de borda de placas
tectônicas.
"Está
acontecendo tudo dentro do que a gente espera que aconteça mesmo", diz.
O
desafio está na imprevisibilidade dos terremotos: ainda não existem ferramentas
capazes de prever quando, onde e com qual magnitude um terremoto vai acontecer.
Mas, em
alguns lugares, a tecnologia já permite detectar um terremoto logo depois que
ele começa.
Assim, é possível emitir alertas para
regiões que ainda serão atingidas por ondas mais fortes, por exemplo,
dando às pessoas alguns segundos preciosos para se proteger.
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Peru decreta estado de emergência em cinco distritos após terremoto de 7,2
O
governo peruano declarou estado de emergência no domingo (23/08) em cinco
distritos do departamento de Ayacucho para agilizar o envio de ajuda às 500 vítimas do
terremoto de magnitude 7,2.
A ordem
oficial publicada em um veículo de comunicação nacional estabelece a medida por
60 dias nas cidades de Chumpi, Coracora, Pullo e Upahuacho, em Parinacochas,
bem como no distrito de Carapo, em Huanca Sancos.
Essa
ação judicial facilita a alocação de recursos financeiros para o enfrentamento
da emergência. Relatórios técnicos do Instituto Nacional de Defesa Civil
(Indeci) confirmam que o terremoto causou danos estruturais em 83 residências.
As
autoridades também relataram danos a 20 centros educacionais, postos de saúde,
locais públicos e trechos de estradas na área.
O plano
de resposta imediata está sendo gerenciado pelo Governo Regional de Ayacucho e
pelos municípios locais. Para agilizar a ajuda, as autoridades decretaram
medidas para facilitar e isentar doações.
Essas
instituições coordenam esforços sob a coordenação direta da Indeci e contam com
o apoio dos Ministérios da Saúde, Educação, Habitação, Transportes e Interior.
Os
envios prioritários incluem suprimentos médicos, alimentos, roupas de inverno,
estações de tratamento de água, geradores de energia elétrica e materiais de
construção para as famílias afetadas.
Por sua
vez, o Centro Sismológico
Nacional (Censis), vinculado ao Instituto Geofísico do Peru (IGP), relata
um aumento da atividade sísmica no território nacional durante este ano , com
recorrência especial nos departamentos de Lima, Arequipa, Ica e Piura.
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Por que não se podem prever terremotos altamente
destrutivos
Os terremotos de magnitude 7,5 e 7,2 que atingiram
a Venezuela nesta
quarta-feira (24/06) foram os mais fortes em mais de um século, desde o ano
1900, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). Apesar do alto potencial destrutivo e do prejuízo para a vida humana, os cientistas não
conseguem prever estes abalos sísmicos, porque ainda falta conhecimento sobre os
padrões da natureza.
"Nós
não sabemos como [prever grandes terremotos], e não esperamos saber num futuro
previsível. Os cientistas do USGS só podem calcular a probabilidade de que um
terremoto significativo ocorra em uma área específica dentro de um determinado
número de anos," explica o site do serviço americano, referência mundial
no assunto.
Prever
um terremoto significaria, na prática, saber exatamente quando ele vai
acontecer, a área que sentirá o maior choque e, ainda, qual será a magnitude. O
problema é que não se sabe com clareza quais são os sinais que poderiam indicar
as respostas para estas perguntas.
Segundo
a Organização Mundial da Saúde (OMS), 750 mil
pessoas morreram entre 1998 e 2017 em decorrência de terremotos, mais da metade
das vidas perdidas em desastres naturais globalmente.
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Teorias não comprovadas
Existem
várias teorias sobre fenômenos que poderiam preceder um abalo de alta magnitude
numa localização geográfica.
A lista
dos apontados "precursores" inclui terremotos moderados ou
terremotos pequenos em série, que poderiam sugerir que outro maior está por
vir; o aumento de radônio, gás radioativo presente na natureza; e até mesmo o
comportamento incomum de animais.
Mas
nenhuma destas opções tem comprovação científica, apesar de frequentemente
serem citadas por leigos que, sobretudo na internet, se dizem capazes de prever
terremotos.
"Infelizmente,
a maioria desses precursores ocorre com frequência sem ser seguida por um
terremoto, de modo que não é possível fazer uma previsão real," diz o
USGS.
Já a
previsão da magnitude de um terremoto – e, portanto, do seu potencial
destrutivo – esbarra num obstáculo principal: os abalos pequenos e grandes
começam de maneira parecida. A força do abalo só fica clara com pouquíssima
antecedência, limitando a possibilidade de emitir alertas para a
população.
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Nova aposta em inteligência artificial
Uma das
apostas dos estudiosos nos últimos anos, segundo a revista Nature,
é o uso de inteligência artificial (IA) para
identificar padrões que poderiam indicar a ocorrência futura de terremotos, com
base em extensivas bases de dados já disponíveis.
A
dificuldade, explica a publicação, repousa, primeiro, no desconhecimento sobre
quais fatores as máquinas devem analisar. Segundo, na ausência de informações
completas para terremotos que aconteceram há duas ou três décadas, quando ainda
não havia as mesmas tecnologias de captura de dados.
Todos
os dias, milhares de pequenos terremotos acontecem ao redor do planeta, e a
maioria deles é fraco demais para ser sentido na superfície terrestre. Mesmo o
Brasil, numa região de estabilidade tectônica, registra em média 20 sismos de
magnitude maior que 3,0 na escala Richter por ano e dois com magnitude
maior que 4,0, segundo o Serviço Geológico do Brasil (SGB).
A
abundância de abalos facilita a vida dos pretensos previsores amadores de
terremotos. Não é tão difícil acertar, por exemplo, que um tremor de baixa
magnitude ocorrerá numa área de alta propensão dentro de um período de algumas
semanas ou meses, pondera o USGS.
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Alertas de curto prazo
Os
serviços geológicos, por sua vez, têm três ferramentas que contribuem para
mitigar o poder destrutivo de um terremoto. A primeira delas é a emissão de
alertas depois que um abalo sísmico já começou. Assim, é possível alertar
populações de que um tremor poderá – mesmo que em alguns segundos – atingir a
sua localização, orientando-as a se proteger.
O
sistema identifica as chamadas ondas primárias de um terremoto, vibrações que
viajam mais rápido, e avisa que deverão ocorrer ondas secundárias. O tempo que
leva para as ondas primárias serem detectadas depende, entretanto, da distância
entre o ponto de origem do abalo sísmico e os sismógrafos mais próximos.
É
necessário, então, transferir as informações por redes especializadas e,
depois, processá-las, a fim de determinar que, de fato, se configuram as
condições para um terremoto e que a sua intensidade é alta o suficiente para
emitir um aviso à população.
"Alarmes
falsos podem gerar custos desnecessários com emergências e comprometer a
credibilidade desses sistemas, o que, em última análise, afetará a forma como
as pessoas reagirão a alarmes no futuro. Garantir que as previsões sejam o mais
precisas possível, minimizando esses riscos, é um desafio enorme," explica
a Nature.
Estes
sistemas de monitoramento e alerta são adotados por vários países, como México,
Japão, Turquia e Itália. Numa das regiões mais vulneráveis do mundo, os
japoneses têm hoje o sistema mais sofisticado, operando a nível nacional desde
2007, o que exige investimentos em tecnologias de detecção e aprimoramento
contínuo.
Os
alertas são transmitidos, então, por sirenes, na televisão e no rádio e pelos
celulares. Ainda assim, estabelecer o epicentro do terremoto e a sua magnitude
permanecem desafios.
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Cálculos de probabilidades
As
outras duas ferramentas dos cientistas miram o médio e o longo prazo. Assim
como é possível prever como estará o tempo nos próximos dias ou semanas,
estimam-se alguns abalos sísmicos de menor intensidade, que poderão ocorrer em
janelas de tempo fechadas, de acordo com circunstâncias já dadas.
Mas o
USGS explica que este recurso se aplica para abalos secundários, aqueles que
vêm depois de um terremoto forte. A tendência é que os tremores subsequentes
sigam o mesmo padrão.
Além
disso, os serviços geológicos calculam a probabilidade, em períodos extensos,
de um terremoto acontecer numa localização e período específicos. A conta se
baseia na média de eventos que já se registraram ao longo da história,
assumindo que as taxas anuais de terremotos não mudam.
Torna-se
possível, assim, tomar medidas de prevenção de desastres para as regiões que
tendem a ser mais afetadas ao redor do mundo. É o caso, sobretudo, do Círculo de Fogo do Pacífico, onde ocorrem 90%
dos terremotos do planeta.
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Terremoto provocado por humanos no Brasil
Em
casos raros, os terremotos podem também ser induzidos pela atividade humana,
explica ainda o SGB, em decorrência de explosões nucleares, introdução de água
e gás sob pressão no subsolo, construção de barragens, mineração a céu aberto
de grandes proporções ou extração de fluidos, como petróleo, do subsolo.
Foi o
que aconteceu na Hidroelétrica de Capivari-Cachoeira, perto de Curitiba, no
Paraná, com atividade sísmica registrada entre 1971 e 1979, cada vez de menor
intensidade. O maior tremor já registrado em solo brasileiro, segundo o
SGB, ocorreu em 1955, com epicentro a 370 quilômetros de Cuiabá, no Mato
Grosso.
Em
geral, estima-se que, no país, devam ocorrer tremores de magnitude maior que
7,0 uma vez a cada 500 anos, em comparação a três anos no Chile, por exemplo.
Fonte:
BBC News Brasil/Opera Mundi/DW Brasil

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