Educação:
as Humanidades diante do colapso
Em uma
manhã frenética entre salas de aula e muitas turmas, entrei em um sexto ano da
escola em que leciono para falar sobre as antiguidades plurais do Oriente
Médio. Perante trinta e tantos alunos, ministrava a disciplina de História
quando um pequeno levantou a mão e disse: “Professor, sempre vem uma catástrofe
depois de uma catástrofe, depois de uma catástrofe…”, e sua feição tornou-se
resignada. Naquele momento me acendeu um alerta.
Apesar
de estarmos discutindo a temática da escravidão antiga e a diferença com a
escravização moderna, além dos sofrimentos que eram infligidos aos sujeitos e
aos povos oprimidos de todas as épocas, aquela fala me angustiou. A palavra
“catástrofe” no tocante à vida cotidiana das maiorias e a sua repetição na
percepção intelectual de uma criança… “Sinal dos tempos”, pensei e engoli a
seco.
Hoje,
percebemos com certo atraso que entramos, silenciosamente, em uma era em que as
características históricas do fascismo clássico, aquele pretensamente derrotado
após a II Guerra Mundial, encontraram-se com a parafernália hiper tecnológica a
que todos estamos submetidos por forças externas.
E a
conjuntura anuncia uma nova catástrofe – a conta-gotas – incitada por uma
extrema-direita internacional capitaneada pelos Estados Unidos da América e
seus asseclas do Vale do Silício, ganhando fôlego e avançando sem maiores
resistências diante das débeis democracias liberais que, capengas, soçobram de
pé, além de instituições e órgãos internacionais como a ONU, desprovidos de um
anseio combativo diante da barbárie que nos arrasta.
Vivemos,
portanto, uma era de urgências, onde o avanço tecnológico caminha pari passu
com fundamentalismos religiosos violentos e uma ausência de engajamento dentro
dos antigos espaços de militância e prática política, quando não nos períodos
eleitorais.
Não por
acaso, as maiorias tornam-se dessensibilizadas perante os fatos veiculados nas
telas de seus celulares, onde brutalidades inúmeras ganham a atenção por apenas
alguns segundos, quando o próximo fato aparece para se sobrepor àquele: é a
“lógica do Big Data”, chave de reflexão crítica proposta pelo filósofo
sul-coreano Byung-Chul Han.
Não
obstante, some-se a este processo certa complacência e mesmo um desejo de
aniquilação do Outro (do imigrante, palestino, homossexual, etc.)
retroalimentado pelas mesmas telas e suas redes sociais, a caótica maquinaria
que as gerações mais novas têm utilizado sem saber a procedência (seus
idealizadores e articuladores) e a sua finalidade. “Gerações mais novas”,
leiam-se: o alunado em sala de aula.
Nos
encontramos em um interregno obscuro dadas as expectativas de alguns anos
atrás. As gerações permanecem, à revelia e exaustas, dentro de nossas escolas
presenciando e vivendo este tempo. O problema que trago, inicialmente, é: qual
será o impacto dessa conjuntura no futuro da Educação brasileira?
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A escola como reflexo da sociedade
Pensemos
nas escolas, por um momento. Paremos para refletir a razão para a quantidade
aterradora de acontecimentos perturbadores que temos assistido acerca do
tratamento dado aos professores e professoras (evidência da misoginia e do
machismo à brasileira) nos últimos anos. Os exemplos são inúmeros e sinalizam a
realidade que bate à porta, ao menos quando pensamos no âmbito do Brasil e da
América Latina, região que caminha a passos largos para tornar-se um quintal
neocolonial dos EUA.
Esses
exemplos têm diferentes procedências: de policiais militares invadindo
corredores escolares na busca por atividades acerca das religiões de matrizes
africanas, alimentados pelo extremismo cristão e imbuídos de uma aversão à
diversidade religiosa, um dos pilares do ensino público e laico; até alunos que
desrespeitam docentes em níveis criminosos, inserindo cacos de vidro em um copo
d’água direcionada à sua professora.
Isso
sem contar o cotidiano exaustivo e burocrático enfrentado pelos docentes que de
tudo fazem, como se responsáveis fossem pela trajetória externa do alunado e
seu pretenso projeto de existência, menos incitá-lo a refletir sobre a sua
época e o mundo em que vive. O Estado de São Paulo é ótimo exemplo.
Não
entremos, então, na seara das militarizações do ambiente escolar e das
tentativas legislativas, mercadológicas e religiosas do chamado homeschooling,
proposta enxergada por muitas famílias como uma solução para aquilo que
entendem ser a “doutrinação” de professores em sala de aula – sobre a qual
abordarei adiante. Sabemos bem que o caldo sempre entorna quando terminologias
em inglês aparecem nesses tristes trópicos, tendo como alvo aqueles que
refletem sobre a realidade circundante.
O
professorado tem vivido dias perturbadores que anunciam o colapso generalizado
da Educação brasileira, para permanecermos nessas latitudes. Colapso de uma
educação séria, comprometida, laica e plural que poderia ter sido, mas nunca
foi em sua inteireza. Tal perturbação é sentida não apenas no dispêndio do
Estado e seus órgãos institucionais contra esse “campo” em disputa, mas também
no “chão de fábrica”, nos corredores das escolas públicas e privadas.
Quando
entramos nesses espaços, nos defrontamos com a sua realidade local, comunitária
e familiar. Elemento indispensável ao lermos a realidade escolar como um
reflexo da sociedade em que vivemos para além da instituição em si e sua
proposta pedagógica, tudo isso em um tempo que desliza pelos dedos de nossas
mãos.
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As humanidades como alvo
Como
pesquisador e professor de História, anseio uma reflexão profunda para além dos
conteúdos da disciplina ministrada, buscando na noção de “tempo histórico” a
chave para compreender o colapso anunciado e os rumos de uma sociedade em
disputa. Acerca dela, outros tantos problemas vão surgindo, como a percepção
dos alunos sobre a sua própria época, sobre temporalidades passadas e
conjunturas que, muitas vezes, são percebidas como ficções desinteressantes e
fantasiosas às crianças concentradas em uma sala de aula.
Quando
não, encontramos em suas cabecinhas certa resistência e percepções moldadas por
familiares e suas redes de sociabilidade. Contraditoriamente, esses mesmos pais
e responsáveis almejam uma “boa educação” aos seus filhos, enquanto detratam o
docente que lá está, um especialista atento ao conteúdo teórico da disciplina,
percebido, agora, como um alvo a ser socialmente abatido por preconceitos
diversos alimentados pelo senso comum. Quando falamos sobre as humanidades
dentro do ambiente/currículo escolar, então, outros tantos obstáculos são
percebidos pelo educador engajado em seu ofício de ensinar criticamente acerca
da realidade.
Professores
de História não doutrinam alunos, mas argumentam com eles sobre as contradições
de um país nascido de uma colônia de exploração, como o Brasil, onde não havia
a possibilidade de se construir uma nação com expectativas igualitárias e
solidárias ao seu povo – que não aquela prevista pelos setores dominantes de
sua economia. A violência e as brutalidades transcorridas em tempos passados
contra este mesmo povo, no entanto, não são muitos distintas das atuais.
Lembremos
que “doutrinar” não é o papel do professor, mas de pastores, padres, rabinos e
ideólogos político-partidários (os “influencers” de hoje). No entanto, a ideia
de que o professor é um inimigo público não apenas corrói a mentalidade da
elite desde antes, como, hoje em dia, domina o pensamento de parcelas
consideráveis da população brasileira, das classes médias às maiorias pobres.
As
tecnologias do Norte se encontram, aqui, com a matéria-prima do professor: o
aluno em formação. E antes de compreendê-la como parte integrante da deformação
produzida nesses mesmos intelectos, notemos qual o primeiro local onde essa
tecnologia é utilizada e como ela age na racionalidade humana.
O
ambiente doméstico e a família, espaços apregoados de discriminações,
preconceitos, polaridades ideológicas desconexas e uma ausência de reflexão
crítica sobre a realidade. Ambientes onde há muita gente dessensibilizada
perante um cruento cotidiano de desigualdades e injustiças: um terreno fértil
para o neofascismo à brasileira.
A massa
que gesta a criança brasileira, o futuro cidadão que participará da urbe, como
nos ensinou o antropólogo Darcy Ribeiro, “chega à escola com um raciocínio
desenvolvido de acordo com as referências de sua comunidade. Para dominar a
cultura da cidade e dos livros, ela precisará aprender a pensar na língua
própria dessa cultura”. Mas, e quando se odeia tanto a própria cultura, ou
desconhece-a, percebida como mais uma “narrativa política”, além do orgulho
nutrido da própria ignorância, quando pensamos o bolsonarismo, tão fecundo em
muitos lares do Brasil?
Como
escreveu o filósofo Vladimir Safatle, cirurgicamente: “Não por acaso, as
primeiras ações da extrema direita no poder são normalmente contra
universidades, escolas e o campo da cultura. Por que é necessário reorientar as
formas de reprodução material das sensibilidades, ela precisa recompor
radicalmente os circuitos sociais dos afetos e nada mais urgente do que levar
tal luta para os campos da formação social, para as instituições da cultura e
da pedagogia”.
Compreendo
que professores de História, ademais, tentam construir um universo de sentido
entorno da noção de tempo histórico, apresentando potencialidades e
expectativas sobre o futuro próximo. Construir um horizonte alternativo a
partir da leitura que se faz, em sala de aula, de seu passado. É nesse momento
que o fascismo encontra resistências.
Quando
se propõe a incitar o alunado à reflexão crítica sobre a realidade circundante,
o sistema econômico e as questões de ordem social e política, partindo do tempo
presente ao passado, algumas luzes vermelhas se acendem diante de um mestre que
começa uma aula, muitas vezes, nas entranhas da autocensura e atento ao
restante da burocracia escolar.
Nada é
“por acaso” dentro da escola: nem as inúmeras violências, nem a ausência de
pensamento ou leitura crítica sobre o mundo. Quem são, onde estão e o que fazem
esses alunos após findado o horário dos estudos? O que consomem e quais espaços
frequentam com os membros de sua comunidade/bairro/grupo? Vivemos escolas e um
país em disputa. Enquanto escrevo essas palavras, o neofascismo que avança
traça um horizonte distópico para todos, com atenção às novas gerações que se
encontram dentro do ambiente escolar, e lá fora, com seus celulares em punho.
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Tecnologia, neofascismo e a noção de tempo histórico
A razão
do sujeito humano, da criança em formação, carece do estudo da História como um
direito humano à memória e ao conhecimento plural da realidade – sobre o povo
de seu país e de todos os povos e suas diversidades espalhados pelo mundo,
entre resistências e opressões, lutas e agruras experimentados ao longo do
tempo.
De
acordo com Byung-Chul Han, é daí que surge a compreensão abstrata – e
intelectual – do “começo e o fim de um processo” que formam certa “conexão” com
sentido, uma unidade doadora de sentido. E a narração torna-se um importante
elemento deste processo: narram-se os tempos, as mudanças e permanências,
questionando-os.
Para o
autor, estamos dispersos e anestesiados, por que incapazes de parar por um
instante e refletir. Não há mais tempo para reflexões aprofundadas acerca dos
problemas do mundo: “a aceleração total ocorre em um mundo onde tudo se tornou
aditivo e cada tensão narrativa, cada tensão vertical, foi perdida”. A lógica
de nossa época, a lógica dos Big Data, “é uma era sem razão”.
Portanto,
só há um espaço que permanece como resistência a este mundo tragado pelo
neoliberalismo, o avanço incessante da hiper tecnologia que acarreta a
destruição ambiental degradadora da vida e dos fundamentalismos religiosos: as
escolas, e dentro de seus currículos, algumas poucas horas para debater este
mundo. É nas humanidades, na História, Geografia, Filosofia e Sociologia que
isso ocorre. Não é à toa que são as mais atacadas.
Mais
que uma mera doutrinação acerca dos campos políticos em disputa (sobre os quais
o professor deve, sim, dominar), como imaginam muitos, não é seu papel incitar
ou debater eleições, personas políticas e suas querelas. Em um tempo onde a
política tornou-se espetáculo, a própria racionalidade política em busca do
bem-estar coletivo se perdeu. Nasce um tempo “sem razão”, como apontou
Byung-Chul Han.
Duas
forças agem como elementos fomentadores neste caso: o mercado e a religião.
Compreendida como perigo em potencial, a escola é percebida pelas forças
econômicas externas e domésticas, tornando-se, gradualmente, mais uma empresa a
ser gerida – logo, controlada. A lógica neoliberal de mercado consome a todos.
Não é à toa que muitos governos almejam o fim do ensino público e mesmo das
escolas privadas, como hoje se apresentam.
Já o
tempo histórico passa a ser lido como apêndice da cosmovisão religiosa de
parcelas consideráveis dos alunos, que trazem de seus lares, do âmbito privado
de sua fé, as marcas do pretenso universalismo cristão de caráter totalitário.
A disciplina de História e a pluralidade de visões acionada pelo currículo
parece “estar no caminho” da verdadeira doutrinação ocorrida em templos e suas
igrejas-empresas.
Tanto a
lógica de mercado como a cosmovisão religiosa são abraçados pelo mundo virtual,
produzindo uma contramarcha que avança sobre as escolas e as novas gerações.
Como tudo é espetáculo, e a política não fica para trás, há, finalmente, “uma
politização da vida em todas as suas dimensões, que esperávamos ser possível
apenas em situação de reconciliação social e emancipação coletiva. Só que agora
essa politização marcha contra nós”, aponta Vladimir Safatle.
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O futuro da Educação e a percepção das temporalidades históricas
O
Brasil sob Lula III (2022-2026) perde tempo em tentar dialogar com os novos
donos do mundo, esses bilionários e suas companhias, os “anjos tronchos do Vale
do Silício, desses que vivem no escuro em plena luz”, como compôs Caetano
Veloso, em 2021. Se a Lei nº 15.100/2025, promulgada por este governo, que
proíbe telefones celulares nas escolas, parece auxiliar o trabalho docente e
das equipes gestoras, o mundo lá fora caminha em direção à escuridão sobre a
compreensão crítica do mundo e da realidade que se despedaça.
Não
obstante, essa utilização desregrada de smartphones nas escolas, agora
interrompida (mas sempre desrespeitada por alunos e responsáveis, deixando
absorto o docente em seu ofício), permanece como uma regra nos espaços privados
e no cotidiano de todos.
Se a
desesperança cresce perante o árido realismo capitalista, a única saída seriam
as próximas gerações encontrarem a solução para as catástrofes que se repetem.
Essa solução passa pelo ensino e pela busca por um conhecimento sistematizado,
dotado de sentido, sobre a realidade social que por todos é construída, mesmo
por aqueles que almejam a sua destruição, a aniquilação de grupos sociais
diferentes e um Estado com feições suicidárias, como explicou Safatle em obra
supracitada.
Não é
por acaso que as humanidades são constantemente vilipendiadas por forças
políticas à direita e mesmo pela burocracia do Estado e suas ramificações em
governos de centro-esquerda, tanto em tempos ditatoriais (1964-1985), como em
conjunturas democráticas, em seu sentido institucional, como o vivido após a
promulgação da Constituição de 1988.
Como
argumentam as historiadoras Elza Nadai e Circe Bittencourt, há um explícito
“desprestígio” da comunidade escolar perante tais disciplinas. No caso da
História e da percepção que o alunado tem acerca das múltiplas temporalidades,
seus ritmos e durações, a situação se complexifica, embasada nesse desprestígio
que só avançou entre as famílias e por grande parte da sociedade acometida pelo
ódio à cultura e ao conhecimento científico.
Portanto,
como apontam as autoras, na contramão dessa avalanche deletéria proporcionada
dos elementos citados, existiria uma preocupação premente de historiadores e
professores em “compreender nosso universo social pelas forças de mudança e
resistência à mudança, suas rupturas e continuidades”, percebendo que “o
cotidiano escolar demonstra, entretanto, uma ‘resistência’ às ‘mudanças’”.
Quando
Nadai e Bittencourt escreveram sobre a necessidade de se “refletir sobre o
sentido político e social da disciplina histórica”, em 2009, sendo a noção de
tempo histórico central à sua argumentação, não estavam diante da toxicidade
perversa que se abateu sobre o mundo pós-pandêmico no Brasil, onde os sujeitos
tiveram as suas estruturas de sensibilidade “talhadas no fogo da indiferença e
da dessensibilização”, apontado por Safatle.
Por um
acaso, não é papel do professor de História sensibilizar os estudantes no
tocante às disparidades, contradições e injustiças que corroeram indivíduos e
populações ao largo dos séculos? É aí que mora a resistência apontada pelas
pesquisadoras.
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Apontamentos finais: o combate ao neofascismo e a escola
Esse
fascismo com novas roupagens não tem apenas um projeto de governo, apesar de
muitos fascistas se deleitarem com a boa vida que levam em seus cargos públicos
ou na eterna busca deles dentro de democracias liberais, mas um projeto de
sociedade: a construção de uma outra ordem sensível, produzindo uma
“dessensibilização genérica” através dos poros sociais, onde a barbárie
cotidiana passa ser naturalizada.
As
coisas são como são, como alguma divindade almejou ou como a ordem econômica
dita. Essa união entre a ausência de pensamento (e de leitura) crítica acerca
da própria realidade e dos sentidos históricos que ela constrói são percebidas,
hoje, no ambiente escolar, como um sinal vermelho desses tempos sombrios.
No
passado, Darcy Ribeiro escreveu que “o descaso mais vil e o desinteresse mais
crasso pelo destino dos pobres é traço autêntico do caráter nacional
brasileiro”. Tal reflexão amparava-se no debate sobre o alunado e a educação
pública, em especial. Hoje, apesar do descaso permanecer, a escola tem se
transformado em um laboratório de experimentações, um espaço de disputa pelas
gerações que se encontram nas escolas públicas e privadas do país.
A
predileção é que esse aluno pobre saiba somar e multiplicar, assinar o nome,
redigir parágrafos e aprender o inglês, a língua do Norte, primordialmente.
Assim como há interesses perversos da classe dominante empresarial em promover
atitudes e sensibilidades distorcidas em instituições privadas –
meritocráticas, técnicas e maquínicas – onde a ausência das humanidades e da
discussão sobre a realidade social torna-se a regra. Estuda-se apenas para
competir em um mercado saturado, adoentado e desigual.
Por
fim, quando um aluno do sexto ano do ensino fundamental percebe que catástrofes
sociais – como a escravização de pessoas – se repetem, de século em século, o
professor compreende que há rachaduras nesse processo ideológico em curso, no
projeto de sociedade insensível ao sofrimento do Outro que almeja o
neofascismo.
Portanto,
através das “armas da crítica”, resta ao professorado desvelar como essa
catástrofe foi e é produzida pelos próprios sujeitos a partir de suas
estruturas sociais, políticas, econômicas e culturais inseridas em um tempo
histórico específico – e os meios de evitá-la. Desvelando assim o tempo
presente e o valor que o tempo cotidiano tem na cultura atual, medida pela
produtividade e pela otimização do trabalho. Uma vida desprovida de sentido,
expectativas e esperanças.
Atento
ao impacto do neofascismo na Educação brasileira, uma indagação permanece:
evitaremos o seu colapso, como mais uma catástrofe anunciada?
Fonte:
Por Luís Felipe Machado de Genaro, em Outras Palavras

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