Como
diferenciar demência rápida de Alzheimer e outras doenças
O
diagnóstico de doença de Creutzfeldt-Jakob recebido pelo especialista em
aviação Lito Sousa, confirmado em agosto de 2026, acendeu um alerta sobre
quadros de demência de progressão rápida. Diferente do Alzheimer, que avança
lentamente ao longo de anos, essas condições neurológicas podem levar a perdas
cognitivas e motoras severas em questão de meses ou até semanas, tornando o
diagnóstico ágil um fator decisivo.
A
principal característica que distingue a demência rapidamente progressiva (DRP)
de outras doenças neurodegenerativas é a velocidade. Enquanto uma pessoa com
Alzheimer pode levar anos para apresentar sintomas incapacitantes, um paciente
com DRP pode evoluir de uma confusão mental leve para um estado de dependência
total em menos de um ano. Esse declínio acelerado é o sinal mais importante
para procurar ajuda médica urgente.
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Sinais que exigem atenção imediata
A perda
de memória acelerada é um sintoma comum, mas geralmente vem acompanhada de
outros sinais que não são típicos das fases iniciais do Alzheimer. É
fundamental observar o conjunto de manifestações para entender a gravidade do
quadro.
Os
principais sintomas incluem:
• Problemas motores: Dificuldade para
andar, falta de coordenação, tremores e espasmos musculares involuntários,
conhecidos como mioclonias.
• Alterações de comportamento: Mudanças
bruscas de humor, apatia severa, agitação ou quadros psicóticos que surgem de
forma repentina.
• Dificuldades na fala e visão: Problemas
para articular palavras, perda de vocabulário ou distúrbios visuais, como visão
dupla ou embaçada, que não tinham causa oftalmológica.
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Causas diversas e a importância do diagnóstico
As
demências de progressão rápida não são uma doença única, mas um conjunto de
condições com múltiplas causas possíveis. A doença de Creutzfeldt-Jakob, de
origem priônica, é uma das mais conhecidas, mas também muito rara, com
incidência de cerca de um caso por milhão de habitantes ao ano. Sua evolução
costuma ser fatal, com aproximadamente 90% dos pacientes evoluindo para óbito
em até um ano. Outras origens para DRPs incluem encefalites autoimunes, onde o
sistema imunológico ataca o cérebro, infecções no sistema nervoso central,
distúrbios metabólicos e até algumas formas atípicas de Alzheimer.
A
investigação médica é crucial porque, ao contrário da maioria das demências
degenerativas, algumas causas de DRP são tratáveis e até reversíveis. Quadros
provocados por deficiências vitamínicas, infecções ou condições autoimunes
podem ser revertidos se identificados e tratados a tempo. Exames de imagem,
como a ressonância magnética, e a análise do líquido cefalorraquidiano
(líquor), que pode incluir testes modernos de alta precisão como o RT-QuIC, são
essenciais para determinar a causa e iniciar o tratamento adequado o mais
rápido possível.
• Creutzfeld-Jacob: entenda doença rara e
sem cura
A
mulher do influenciador Lito Sousa, do canal Aviões e Musica, contou em um
vídeo que ele recebeu o diagnóstico de Creutzfeld-Jacob, doença que não tem
tratamento e causa a perda gradativa dos movimentos e demência.
No
vídeo, publicado nesta sexta-feira nas redes sociais, a esposa de Lito, Mila,
comentou que o diagnóstico demorou a ser fechado, mas que nas últimas semanas o
influenciador perdeu parte da capacidade motora e recebeu a notícia da doença.
A
doença Creutzfeld-Jacob (DCJ) é uma doença priônica humana rara,
neurodegenerativa, progressiva e sem cura, caracterizada por provocar um quadro
clínico inicial de demência, desordem cerebral com perda de memória e tremores,
associados a outros sinais e sintomas neurológicos e multifocais. Existem
quatro formas conhecidas de DCJ: esporádica, hereditária, iatrogênica e a nova
variante.
Segundo
o levantamento do Ministério da Saúde, o Brasil registrou 547 casos confirmados
da enfermidade entre 2005 e 2021, período que corresponde aos primeiros 17 anos
desde que a DCJ passou a integrar a lista de notificações compulsórias.
A DCJ é
causada pela alteração anormal de uma proteína chamada príon, que se multiplica
no cérebro e destroem neurônios, deixando no tecido cerebral um padrão de
buracos que dá origem ao tempo “espongiforme”. Até hoje, não há tratamento
capaz de reverter ou interromper sua evolução.
No
Brasil, a doença atinge principalmente pessoas mais velhas, e a faixa de 55 a
74 anos concentrou 60,2% das notificações, com idade média de 66 anos entre os
casos suspeitos, perfil diferente do caso de Lito, já que a forma esporádica
costuma acometer pessoas entre 60 e 80 anos.
Segundo
o Ministério da Saúde, cerca de 90% dos pacientes morrem entre seis meses e um
ano após o início dos sintomas, com sobrevida média de cinco meses.
A forma
exata de transmissão da doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ) esporádica é
desconhecida. Não existe evidência científica indicando que a doença possa ser
transmitida pelo ar ou pelo contato diário social e casual com os pacientes,
como vestimenta, uso comum de copos e utensílios de cozinha ou contato íntimo
(abraço, beijos, relações sexuais etc.). Portanto, não apresenta risco
diferencial para os familiares do paciente em relação ao cidadão comum. Além
disso, não existem casos relatados associados à exposição ao agente etiológico
da DCJ em superfícies como pisos, paredes ou bancadas.
Os
sintomas são variáveis e inespecíficos, mas a doença pode se apresentar por
meio de um quadro clínico inicial de demência associada a outros sinais e
sintomas neurológicos multifocais e psiquiátricos, como desordem cerebral,
perda de memória, tremores, ataxia, afasia, falta de coordenação motora,
distúrbios visuais, espasmos musculares e alterações de comportamento.
Os
cuidados se concentram no manejo dos sintomas, suporte ao paciente e controle
de complicações, o mesmo tratamento paliativo mencionado por Mila, esposa de
Lito. O diagnóstico combina avaliação clínica com exames de imagem, como
ressonância magnética, eletroencefalograma e tomografia, além do exame RT-QuIC,
feito a partir do líquido cefalorraquidiano, que tem alta especificidade para
confirmar casos suspeitos.
• Cuidados paliativos na doença de
Creutzfeldt-Jakob: guia prático
O diagnóstico da doença de Creutzfeldt-Jakob
(DCJ) no especialista em aviação Lito Sousa, de 59 anos, confirmado por sua
família em agosto de 2026, trouxe à tona a discussão sobre uma condição rara e
sem cura. A doença neurodegenerativa provoca uma rápida deterioração das
funções cerebrais e motoras, tornando a abordagem de cuidados paliativos
essencial desde o diagnóstico.
Diferente
de tratamentos que buscam a cura, os cuidados paliativos na DCJ focam em
proporcionar a melhor qualidade de vida possível. O objetivo é aliviar os
sintomas dolorosos e estressantes, oferecendo dignidade ao paciente durante o
avanço da doença, que costuma ser rápido, levando ao óbito em até um ano na
maioria dos casos. Essa abordagem envolve uma equipe multidisciplinar que
trabalha para controlar o sofrimento físico, psicológico e emocional.
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Principais focos do tratamento de suporte
A
estratégia de cuidados é personalizada, adaptando-se à medida que novos
sintomas surgem. O planejamento é feito em conjunto com a família, sempre
respeitando os desejos do paciente enquanto ele consegue se comunicar. O
suporte se concentra em áreas críticas para garantir o bem-estar e o conforto.
As
ações práticas para o alívio dos sintomas incluem diversas frentes de atuação:
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Controle da dor e espasmos:
- o uso
de medicamentos analgésicos e relaxantes musculares é fundamental para lidar
com a dor e os espasmos musculares involuntários (mioclonia), que são comuns na
DCJ e causam grande desconforto.
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Nutrição e hidratação:
- com o
avanço da doença, a dificuldade para engolir (disfagia) se torna um desafio. A
alimentação pode ser adaptada para texturas mais seguras ou, em estágios
avançados, administrada por vias alternativas para evitar desnutrição e
desidratação.
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Conforto respiratório:
- o
comprometimento dos músculos respiratórios pode gerar dificuldades. Medidas
como posicionamento adequado e, em alguns casos, suporte de oxigênio ajudam a
garantir uma respiração mais confortável.
>>
Saúde mental:
- o
suporte psicológico é crucial tanto para o paciente quanto para os familiares.
O acompanhamento ajuda a lidar com a ansiedade, a depressão e o processo de
luto.
>>
Ambiente seguro:
-
adaptar a casa para prevenir quedas e lesões é uma medida importante,
especialmente no início da perda de coordenação motora. O objetivo é manter a
mobilidade do paciente com segurança pelo maior tempo possível.
Fonte:
Correio Braziliense

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