Os
melhores países para estrangeiros morarem em 2026 (o Brasil está na lista)
A
pesquisa Expat Insider 2026, da InterNations (uma comunidade global de pessoas
que moram e trabalham no exterior), avaliou 31 países, em termos de qualidade
de vida, facilidade de adaptação, possibilidades de trabalho, finanças pessoais
e as necessidades básicas do dia a dia, como moradia e serviços digitais.
Entre
os vencedores deste ano, as avaliações de cordialidade e custo de vida foram as
que causaram maiores impactos.
Sete
dos 10 primeiros destinos também ficaram entre os lugares mais fáceis para se
estabelecer. E cinco eram os líderes mundiais no quesito finanças pessoais.
A BBC
conversou com expatriados dos cinco primeiros colocados, para saber por que
eles se mudaram para aqueles países, como se adaptaram e o que os possíveis
novos moradores devem saber antes de viajar.
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1. Panamá
O
Panamá ocupa a liderança da pesquisa pelo terceiro ano consecutivo. O país foi
o primeiro colocado nos índices de Trabalho no Exterior e Finanças Pessoais.
Dentre
os imigrantes pesquisados residentes no país, 87% estão felizes com a vida no
exterior, em comparação com a média global de 70%. E 90% afirmam que é fácil
encontrar moradia.
Ariel
Barrionuevo se mudou da Argentina para o litoral panamenho do Caribe oito anos
atrás. Ele passou rapidamente a ter um sono mais profundo, acordar descansado e
se sentir mais presente.
"Percebi
que não era porque eu estava de férias, mas porque este lugar tem um ritmo
próprio", conta Barrionuevo. Agora, ele é diretor do Hotel La Coralina
Island House, na ilha Colón.
Seu dia
típico inclui uma parada à beira-mar, caminhar pelo jardim tropical e ouvir o
canto dos pássaros.
"É
um ritual simples, mas me lembra, todos os dias, por que decidi morar
aqui", ele conta.
Barrionuevo
acha o custo de vida no Panamá mais baixo que na Argentina e destaca a
estabilidade econômica, que faz com que o planejamento e os negócios sejam mais
previsíveis.
Reza
Motalebpour se mudou do Canadá para a Cidade do Panamá em 2026. Ela conta que o
trabalho remoto é fácil, com internet confiável disponível em casa e nos
espaços de co-working.
Motalebpour
também percebeu que os serviços bancários são simples, especialmente porque a
economia do país é dolarizada.
A taxa
de câmbio pode inicialmente fazer os custos parecerem altos para os canadenses.
Mas ela explica que as contas dos serviços essenciais, prêmios de seguro e
impostos sobre imóveis no Panamá são relativamente baixos. Com isso, o custo de
vida em geral ainda é favorável.
A vida
no Panamá também tem seus atropelos. Barrionuevo menciona as entregas demoradas
e o clima, que pode reverter rapidamente os planos na ilha onde ele mora.
Mas ele
não se arrepende de ter escolhido um estilo de vida mais lento. E incentiva os
visitantes ou possíveis imigrantes a tomar a mesma decisão.
Barrionuevo
recomenda visitar Bluff Beach, comprar frutas frescas em uma barraca à beira da
estrada e passar a tarde observando os surfistas em Paunch Beach.
"Cheguei
pensando que estava me mudando para um destino bonito", ele conta.
"Agora,
na verdade, vejo que estava adotando uma forma de vida diferente, que valoriza
o tempo e não a velocidade, as experiências e não as posses e a conexão, não a
atividade constante."
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2. México
Em
primeiro lugar no quesito Facilidade de Acomodação, o México ocupa o segundo
lugar geral e segue sendo o país mais fácil do mundo para que os expatriados se
sintam em casa.
Fazer
amigos locais é fácil para 73% dos pesquisados, bem acima da média global de
39%. O círculo social é majoritariamente local para duas vezes a média global
dos expatriados.
"Fiz
amigos melhores no exterior do que eu tinha em Chicago", afirma Kirsten
Raccuia, responsável pelo blog de expatriados Sand in My Curls.
Ela e
seu marido se mudaram dos Estados Unidos para Puerto Vallarta, no oeste do
México, em 2022. Eles dizem que o senso de comunidade e o baixo custo de vida
os mantiveram naquele local.
Raccuia
conta que os tacos de rua custam cerca de um dólar (R$ 5,20) e uma recente
cirurgia de emergência de retirada de apêndice, incluindo a internação
hospitalar, custou menos de US$ 4 mil (cerca de R$ 20,8 mil), um valor
inimaginável nos Estados Unidos.
Para
vivenciar melhor a cidade, Raccuia recomenda tomar café da manhã nos mercados
locais e visitar a praia no domingo, quando as famílias se reúnem.
"Sim,
é coisa de turista, mas os moradores locais também fazem", segundo ela.
Uma
ressalva: o México ficou em 25° lugar em segurança entre os 31 países
pesquisados, com 68% dos expatriados avaliando positivamente sua segurança
pessoal. A média global é de 81%.
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3. Tailândia
Terceira
colocada em geral, a Tailândia recebe os expatriados mais felizes do mundo —
86% deles relatam satisfação com a vida no exterior.
O país
também recebeu a maior avaliação da pesquisa no quesito Custo de Vida, Foram
85% de opiniões positivas, mais que o dobro da média global.
"Nós
quatro comemos pelo equivalente a cerca de US$ 1,35" (cerca de R$ 7),
conta Bethan Jeentipraphet, relembrando sua primeira refeição de rua na capital
tailandesa, Bangkok.
A
britânica mãe de dois filhos se mudou de Devon, no sudoeste da Inglaterra, em
2024, com seu marido tailandês. A intenção era ficar um ano, mas, "depois
de duas semanas, eu sabia que não iria voltar".
Jeentipraphet
afirma que o sistema educacional da Tailândia transformou seu filho.
"O
respeito é enorme na cultura tailandesa e os estudantes, aqui, certamente têm o
máximo respeito pela educação", ela conta. "Ele é uma criança
totalmente nova."
Aaron
Henry se mudou de Los Angeles, nos Estados Unidos, 11 anos atrás. Para ele,
Bangkok se modernizou sem mudar sua cultura.
"A
cidade preservou os aspectos únicos da cultura tailandesa e, especialmente na
última década, explodiu em termos de cozinha internacional, parques
excepcionais, galerias de arte e shopping centers de luxo", descreve
Henry.
Ele
recomenda caminhar pelos bairros que recebem menos turistas, como Ari e Phra
Khanong, para observar a cidade como fazem os moradores.
Jeentipraphet
recomenda que os recém-chegados se esforcem para compreender e respeitar os
costumes locais, retirando os sapatos antes de entrar nas casas e ouvindo de
pé, respeitosamente, o hino nacional, executado em público todos os dias, às 8
e às 18 horas.
"Para
os expatriados dispostos a adotar a cultura tailandesa e incorporar as normas
culturais, a Tailândia pode ser um lugar extremamente recompensador para se
viver."
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4. Emirados Árabes Unidos
Com
altas notas em Perspectivas de Carreira e Necessidades Básicas para Expatriados
(incluindo vistos e idioma), os moradores internacionais acomodam sua vida e
constroem suas carreiras nos Emirados Árabes Unidos com facilidade.
A
InterNations realizou a pesquisa em fevereiro e março de 2026, pouco antes e
depois do início da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã. Por isso,
os resultados refletem seus impactos apenas parcialmente.
Mas os
expatriados que continuam morando nos Emirados afirmam que, apesar de alguns
ajustes, a vida continuou praticamente inalterada.
"O
dia a dia em Dubai parece normal", segundo a consultora de imagem Michelle
Sterling. Ela divide seu tempo entre Dubai e os Estados Unidos, mas,
atualmente, prefere os Emirados.
"Para
mim, Dubai oferece um estilo de vida que parece mais seguro, mais confortável e
mais barato."
Nikita
Oruganty se mudou de Londres para Dubai no início deste ano, para trabalhar em
comunicações. Ela conta que o ambiente acolhedor continua fazendo dos Emirados
Árabes Unidos um país atraente.
"Outros
países estão dificultando as regras de imigração, mas os EAU sempre receberam
bem os expatriados", afirma ela.
Oruganty
reconhece como as autoridades do país tratam da segurança e das comunicações
durante períodos de incerteza.
"Esta
sensação de estabilidade é muito importante quando se vive no exterior, sem a
proximidade da sua família", ela conta.
Para
observar como os moradores realmente vivem, Oruganty recomenda passar pelo
menos um dia longe da versão de luxo da cidade, andar de metrô na hora do rush,
caminhar pelos bairros tradicionais de Bur Dubai e Deira, cruzar Dubai Creek de
abra (a balsa de madeira tradicional) e comer em um pequeno restaurante
indiano, filipino ou libanês.
"É
ali que você observa o dia a dia de Dubai, muito mais comum do que sugere sua
imagem internacional", explica ela.
Além de
Dubai, a expatriada britânica Sharon Mckernan mora em Ras Al Khaimah há oito
anos e nunca pensou em voltar.
"Gosto
do ritmo de vida simples e prático", segundo ela.
"Não
existe a correria constante, o tráfego é menor e, geralmente, há menos
complicações diárias, o que nos oferece mais tempo com a família para ir à
piscina, à praia ou visitar as montanhas por aqui."
Mckernan
também destaca que a assistência médica é rápida e eficiente e que fez amigos
com facilidade, com pessoas de todo o mundo.
Para os
visitantes, ela sugere observar o pôr do sol em Jebel Jais, a montanha mais
alta dos Emirados Árabes Unidos, ou visitar a aldeia histórica de Al Jazirah Al
Hamra.
"Ela
oferece um lado dos Emirados que é diferente e relativamente desconhecido da
maioria", segundo ela.
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5. Brasil
O
Brasil aparece pela primeira vez entre os cinco primeiros, após ocupar a 15ª
posição no ano passado.
O país
contou com altas avaliações de felicidade, facilidade de acomodação,
cordialidade e cultura local. E muitos expatriados afirmam que o calor humano
das pessoas faz com que eles se sintam em casa.
"Você
pode encontrar alguém pela primeira vez na quinta-feira e ir à casa daquela
pessoa no sábado comer churrasco", conta Clint Manning. Ele se mudou de
Barbados para São Paulo para abrir o seu negócio.
"Como
vim de Barbados, onde tive um estilo de vida similar, parece muito com a minha
casa, mas em escala muito maior."
Manning
relembra que nem todas as pessoas falam inglês no Brasil, o que ele considera
uma vantagem.
"Para
alguém realmente interessado em aprender o idioma, é uma experiência
fantástica, pois você é forçado a se comunicar em português por
necessidade", conta ele.
"Fiquei
fluente com muito mais rapidez do que se estivesse tentando aprender
dinamarquês ou alemão, na Dinamarca ou na Alemanha."
Em São
Paulo, Manning recomenda aos estrangeiros visitar os bares e padarias da Vila
Madalena e da Bela Vista, comer sushi no bairro japonês da Liberdade e praticar
atividades físicas no parque do Ibirapuera, um dos maiores da América Latina.
Mas,
mais do que qualquer local ou cenário, os expatriados afirmam que os moradores
locais criam a melhor sensação de pertencimento.
"Eles
são verdadeiramente interessados e curiosos para me conhecer e fazer com que eu
me sinta incluído desde o princípio", conta Chris Kohl, que morou em São
Paulo por 12 anos.
"Em
vez de fazerem com que eu me sentisse um estrangeiro, os brasileiros me fizeram
sentir pertencimento."
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Os 10 melhores países para estrangeiros morarem em 2026
• Panamá
• México
• Tailândia
• Emirados
Árabes Unidos
• Brasil
• Espanha
• Singapura
• Portugal
• Malásia
• Luxemburgo
Fonte:
BBC Travel

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