Guga
Noblat: Nikolas mentiu sobre preços do mercado para atacar governo
O
jornalista Guga Noblat mostrou,
durante o ICL Notícias , uma checagem
dos preços apresentados pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) em um
vídeo usado para criticar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva
(PT). Noblat foi a um supermercado de Brasília (DF) para conferir os valores e
encontrou preços significativamente menores para os mesmos produtos.
Na
comparação feita por Nikolas, uma compra com cinco itens (café, ovos brancos,
feijão-carioca, leite e picanha) chega a R$ 255,96. O deputado considera que o
café da marca “Melita” custa R$ 45,99. No supermercado visitado por Noblat,
porém, o mesmo produto aparece por R$ 28,99 no varejo, uma diferença de R$ 17.
A
discrepância também aparece nos ovos. Nikolas utiliza o valor de R$ 29,99,
enquanto Noblat encontra uma embalagem por R$ 13,99. A diferença, nesse caso, é
de R$ 16.
O
feijão-carioca é outro produto em que os valores não coincidem. Na conta
apresentada pelo deputado, o pacote custa R$ 11,99. Na verificação feita por
Noblat, o produto aparece por R$ 9,49 no varejo, R$ 2,50 a menos.
Já o
litro de leite é apresentado por Nikolas ao preço de R$ 5,99. No supermercado
mostrado pelo jornalista, o mesmo item custa R$ 4,99, uma diferença de R$ 1.
A maior
diferença está na picanha. Para chegar ao total apresentado no vídeo, Nikolas
utiliza o valor de R$ 162 por quilo. Noblat, por sua vez, encontra a carne por
R$ 79,90 o quilo. São R$ 82,10 de diferença em apenas um produto.
Com os
cinco itens, os preços utilizados por Nikolas somam R$ 255,96. Na compra de
Noblat, o total chega a R$ 137,36. A diferença é de R$ 118,60, o que significa
que o valor apresentado pelo deputado é cerca de 86% superior.
“Quase
120 reais de diferença. Não dá, Nikolas, não dá para continuar fazendo política
enganando o povo. Mas, é assim que eles fazem, fingindo que estão querendo
conversar com a população para fazer de trouxa de nova”, concluiu Guga Noblat.
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Candidata do PL que critica Bolsa Família e Gás do Povo
recebe benefícios dos programas
A
candidata a deputada federal por São Paulo Sophia Barclay
(PL), influenciadora bolsonarista conhecida nas redes sociais como “Trans de
Direita”, aparece como beneficiária de programas de assistência social do
governo federal que ela própria costuma criticar publicamente.
Dados
do Portal da Transparência indicam que Barclay recebe recursos do Bolsa Família
desde 2018 e também foi contemplada neste ano pelo benefício do programa Gás do
Povo.
Segundo
os registros públicos, Sophia Barclay ingressou no Bolsa Família em maio de
2018, quando tinha 18 anos e residia no Rio de Janeiro. O benefício está
vinculado ao Cadastro Único (CadÚnico), base de dados utilizada pelo governo federal para
identificar famílias de baixa renda aptas a participar de programas sociais.
Os
dados mostram que, com exceção de 2024, a candidata recebeu pagamentos ao longo
dos últimos oito anos. Em 2025, ela registrou o maior valor anual do período,
com R$ 6 mil pagos pelo Novo Bolsa Família.
Já no
programa Gás do Povo, criado para auxiliar famílias de baixa renda na compra do
gás de cozinha, há registro de benefício em nome de Barclay desde março deste
ano. O cadastro possui validade entre julho e outubro de 2026. Somados, os
pagamentos recebidos pela candidata por meio dos programas sociais ultrapassam
R$ 23 mil.
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Ataques aos programas sociais
Apesar
de ser beneficiária das iniciativas, Sophia Barclay passou a publicar críticas
ao Bolsa Família e ao Gás do Povo principalmente a partir de 2025, período em
que intensificou sua atuação política alinhada ao campo bolsonarista.
Em uma
publicação feita na rede social X, em setembro de 2025, após a condenação do
ex-presidente Jair Bolsonaro, a candidata atacou pessoas que apoiavam a decisão
judicial e associou esse grupo aos beneficiários do Bolsa Família. Na postagem,
Barclay afirmou que parte dessas pessoas “merece viver apenas de Bolsa Família”
e chamou os beneficiários do programa de “bando de porco”.
Em
outra publicação, divulgada em outubro do mesmo ano, a candidata criticou o
programa Gás do Povo e afirmou que o governo Lula teria interesse em “manter o
povo na miséria”. Na ocasião, questionou por que, após sucessivos mandatos do
PT, ainda existiria a necessidade de auxílio para a compra de gás de cozinha.
Em
julho deste ano, ela voltou ao tema em um vídeo publicado no Instagram, no qual
questionou a política de distribuição do benefício.
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Quem é Sophia Barclay
Sophia
Barclay ganhou notoriedade nas redes sociais ao se apresentar como uma
influenciadora conservadora e defensora do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em
2026, filiou-se ao PL para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados por São
Paulo.
Antes
de ingressar no partido de Valdemar Costa Neto, Barclay esteve filiada ao
Partido Novo. Ela afirmou ter deixado a legenda após ser informada de que não
poderia manter apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.
Nas
redes sociais, a influenciadora costuma destacar sua fidelidade ao
ex-presidente Jair Bolsonaro e ao campo político bolsonarista.
Barclay
também acumula episódios de repercussão envolvendo figuras públicas. Em 2023,
foi alvo de um boletim de ocorrência registrado por Flávio Bolsonaro após
declarações feitas em um podcast. Na ocasião, ela afirmou que o senador teria
se relacionado com uma amiga sua, uma mulher trans. O parlamentar negou a
acusação e registrou a ocorrência por difamação.
No
mesmo ano, o jogador Neymar apresentou uma queixa-crime contra a influenciadora
após ela afirmar publicamente que teria tido um relacionamento com ele durante
uma festa privada. A ação judicial pedia indenização por danos morais.
Além da
atuação política, Sophia Barclay mantém carreira como influenciadora digital e
tenta se consolidar também no meio musical.
¨ Deputado do PL invade
capus da UFBa e se envolve em confronto com estudantes
O
deputado estadual Diego Castro (PL), candidato à reeleição na Assembleia
Legislativa da Bahia (Alba), se envolveu em uma
confusão com estudantes da Universidade Federal da Bahia (Ufba) na manhã
desta quinta-feira (20), no campus de Ondina, em Salvador.
O
parlamentar esteve na Faculdade de Comunicação (Facom) acompanhado de uma
equipe para retirar adesivos de apoio ao governador Jerônimo Rodrigues (PT) e
ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que estavam afixados nas
dependências da unidade.
Vídeos
registrados por estudantes mostram uma discussão entre Castro e integrantes do
movimento estudantil. Em algumas imagens, integrantes da equipe que acompanhava
o deputado aparecem em confronto físico com alunos.
Segundo
relatos de estudantes, o deputado retirou parte dos adesivos e, durante a
passagem pela faculdade, gravou um vídeo dentro do banheiro feminino da
unidade. O espaço é destinado a mulheres cisgênero, trans, travestis e pessoas
não binárias. Estudantes classificaram como transfóbico o conteúdo publicado
pelo parlamentar nas redes sociais.
A
confusão ocorreu durante o acolhimento dos calouros, na semana de retorno das
aulas do segundo semestre. Após o episódio, estudantes realizaram uma
assembleia para discutir o ocorrido e definir um posicionamento sobre a
presença do deputado na universidade.
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O que diz Diego Castro
Em nota
ao site “Aratu on”, a assessoria de Diego Castro afirmou que o deputado foi à
Ufba após receber uma denúncia de um estudante sobre a presença de adesivos em
apoio a Jerônimo Rodrigues e Lula nas dependências da universidade.
A
assessoria confirmou que o parlamentar retirou parte do material. Segundo
Castro, a iniciativa teve como objetivo questionar o uso de uma universidade
pública para divulgação de conteúdo político-eleitoral.
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Paulo Figueiredo doou R$ 54 mil a deputada dos EUA que
propôs lei contra Moraes. Por Ethel
Rudnitzki, Maria Martha Bruno
A
deputada republicana norte-americana Maria Elvira Salazar é frequentemente
mencionada por Eduardo Bolsonaro em redes sociais. Salazar já se reuniu com
Eduardo e seu aliado, Paulo Figueiredo, algumas vezes para discutir o que ambos
chamam de “censura” e “perseguição política” no Brasil. Agora, um
levantamento exclusivo da Agência Pública descobriu que Paulo
Figueiredo doou mais de R$ 54 mil para apoiar a campanha de Salazar à reeleição
um mês antes dela propor um projeto de lei que mirava Alexandre de Moraes, do
STF. As três doações estão registradas na Federal Election Commission
(FEC).
Segundo
registros oficiais de campanha, em 14 de agosto de 2024, Figueiredo doou o
total de 10 mil dólares (equivalente a R$ 54,5 mil em cotação da época)
para o comitê de campanha da candidata, o Salazar Victory Committee. O valor é
o máximo permitido para uma pessoa física doar aos diretórios estaduais de um
partido a cada eleição. Nas doações, Figueiredo se descreve como jornalista.
Apenas cidadãos americanos, como Paulo, podem doar a comitês de campanha e,
portanto, Eduardo não poderia fazê-lo.
O valor
total foi depositado por Figueiredo em 14 de agosto de 2024, e cinco dias
depois, transferido para o comitê “Salazar for Congress” em duas
parcelas de 3.300 dólares, então o limite legal para doações de pessoas
físicas, e uma de 3.400 dólares para o Freedom Force PAC, o comitê de
ação política ligado à campanha de Salazar.
Um mês
depois, em 16 de setembro de 2024, Maria Elvira Salazar apresentou em parceria
com o republicano Darrell Issa, da Califórnia, o projeto “No Censors in our
Shores Act” (“sem censores em nossas fronteiras”, em tradução livre). O projeto
de lei barra a entrada nos EUA de estrangeiros “envolvidos em conduta que
teria violado a Primeira Emenda à Constituição” e permite a sua
deportação.
“O
projeto se aplica a um indivíduo que, enquanto atuava como funcionário de um
governo estrangeiro, realizou ou foi responsável por atividade contra um
cidadão estadunidense localizado nos EUA que teria violado a Primeira Emenda se
cometida por um funcionário do governo estadunidense em território
norte-americano”, diz o texto.
A
proposta tinha como principal justificativa as decisões do STF brasileiro sobre
redes sociais, em especial aquela que levou à suspensão do X, de Elon
Musk.
“Alexandre
de Moraes, é a vanguarda de um ataque internacional à liberdade de expressão
contra cidadãos americanos como Elon Musk ”, disse Salazar ao
anunciar o projeto. “A liberdade de expressão é um direito natural e
inalienável que não conhece fronteiras. Os defensores da censura não são
bem-vindos na terra da liberdade, os EUA”.
Salazar
foi reeleita. No ano seguinte, com a mudança de legislatura, o projeto teve que
ser reapresentado. Em 14 de fevereiro, Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo
foram recebidos no Gabinete da deputada, onde pediram que ela reapresentasse o
projeto. Eduardo postou: “Ela o fez no mesmo dia!”.
Eles
também se reuniram com o deputado republicano Jim Jordan, presidente da
Comissão de Constituição e Justiça, que “se comprometeu em dar prioridade nesta
aprovação”, segundo relatou Eduardo em suas redes.
Mas o
projeto não foi para frente, e segue em tramitação no Congresso.
Procurado
pela reportagem, Paulo Figueiredo não respondeu até a publicação, mas o espaço
segue aberto.
Paralelamente,
Eduardo e Flávio fizeram lobby para que o executivo norte-americano penalizasse
Moraes e os demais ministros do STF.
Em
julho de 2025, Moraes, sua esposa, familiares e os ministros Luís Roberto
Barroso, Dias Toffoli, Cristiano Zanin, Flávio Dino, Carmen Lúcia, Edson Fachin
e Gilmar Mendes e o Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, tiveram seus
vistos nos EUA cancelados.
Ao
anunciar a medida, o Secretário do Departamento de Estado Marco Rubio afirmou
que o governo Trump “responsabilizará estrangeiros que forem responsáveis pela
censura de expressão protegida nos EUA”. Ele afirmou que a “caça às bruxas” de
Moraes contra Jair Bolsonaro criou censura que “não apenas viola direitos
básicos dos brasileiros, mas também se estende para além das fronteiras
[shores] do Brasil para atingir americanos” – o termo usado, “shores”, ecoa
exatamente o projeto de lei apresentado por Salazar.
Apenas
Luiz Fux, André Mendonça e Nunes Marques – os dois últimos indicados por
Bolsonaro – não tiveram visto revogado.
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Aliança de longa data
Além de
ter proposto o projeto de lei, Salazar foi peça fundamental no lobby de Paulo
Figueiredo e Eduardo Bolsonaro para que o governo americano sancionasse Moraes
em 2025 pela Lei Magnitsky.
No dia
em que o nome do ministro foi incluído na lista de sancionados, Figueiredo se
dirigiu diretamente à congressista: “Maria, eu não tenho palavras para
agradecer a você. Você foi uma gigante, uma aliada de primeiro momento nessa
luta. Em breve vou desligar aqui e vou te mandar uma mensagem agradecendo”,
disse, em live transmitida por seu canal de YouTube em 30 de julho de
2025.
A
deputada também comemorou a decisão em seu perfil oficial no Instagram. “Desde
o primeiro dia, tenho pedido sanções contra o ministro do Supremo Tribunal
Federal brasileiro Alexandre de Moraes sob a Lei Global Magnitsky por seus
graves abusos aos direitos humanos. Hoje, esse apelo foi atendido. Uma toga
preta não é um escudo para a tirania”, publicou no mesmo dia,
agradecendo a Trump e Rubio pela decisão.
De
fato, os trabalhos da congressista contra o ministro começaram muito antes.
Em
março de 2024, Salazar recebeu uma comitiva de deputados de direita que foi aos
EUA sob a liderança de Eduardo Bolsonaro pedir sanções contra o Brasil. O
objetivo da viagem foi revelado
pela Agência Pública mas, na época, Eduardo negou pelas redes sociais
que articulava sanções contra o país.
Dois
meses depois, a deputada exibiu uma foto do ministro Alexandre de Moraes e o
chamou de “operador totalitário” em audiência pública da Comissão de Assuntos
Exteriores do Congresso dos EUA.
Intitulada:
“Brasil: Uma crise de democracia, liberdade e Estado de Direito?”, a sessão
contou com a presença de Paulo Figueiredo, Chris Pavlovski, CEO do Rumble, e
Michael Shellenberger, jornalista responsável por vazar e-mails de
ex-funcionários do Twitter. Os três testemunharam sobre a suspensão de contas e
bloqueio de plataformas de redes sociais pelo STF, que acusaram de censura. A
reunião também foi acompanhada por comitiva de parlamentares brasileiros em
visita oficial à Washington, entre eles o então deputado Eduardo Bolsonaro
(PL-SP).
Os dois
se reencontraram em setembro daquele ano – um mês depois da doação eleitoral –
em evento organizado pelo Yes Brazil USA, grupo que reúne brasileiros
apoiadores de Jair Bolsonaro que moram nos EUA. A organização concedeu à
parlamentar uma homenagem em “reconhecimento de sua atuação pela
democracia e pela liberdade do povo brasileiro”. A honraria
foi entregue pelas mãos de Eduardo Bolsonaro e Ludmila Lins Grilo,
ex-juíza alvo de processo disciplinar por promover ataques virtuais contra
magistrados.
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Influência em eleições na América Latina
Salazar
foi ativa em eleições recentes na América Latina, apoiando candidatos alinhados
a Trump. Convidada pela campanha de Alberto De La Espriella,
ela acompanhou o segundo turno das eleições do novo presidente da
Colômbia na cidade de Barranquilla, no dia 21 de junho. Dias depois da vitória,
Salazar participou de uma audiência no Congresso americano intitulada
“Um novo começo para a Colômbia”, com foco nas relações entre os EUA e o
país.
Antes
disso, em novembro de 2025, apenas nove dias antes das eleições presidenciais
em Honduras, Salazar advertiu os hondurenhos que não elegessem um
comunista – referindo-se a Rixi Moncada, candidata apoiada pela ex-presidente
Xiomara Castro. E ameaçou: “Os olhos dos EUA estão vigiando Honduras no
dia 30 de novembro [data do pleito]”.
Trump
ameaçou retirar o apoio econômico dos EUA ao país caso o candidato
que ele apoiava, o direitista Nasry Asfura, não vencesse, o que acabou
acontecendo após um tumultuado processo eleitoral que terminou quase no final
de 2025.
Em
abril de 2025, Salazar pediu que o Secretário do Tesouro dos EUA,
Scott Bessent, liberasse 75% do empréstimo de 20 bilhões de dólares que a
Argentina conseguira junto ao FMI. Trump havia vinculado a
viabilização do acordo financeiro, mediado pelos EUA, à vitória do aliado
Javier Milei nas eleições legislativas, concretizada em outubro daquele
ano. Salazar celebrou o resultado e chamou Milei de “referência moral”.
Fonte:
ICL Notícias/Agencia Pública

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