sábado, 22 de agosto de 2026

Guga Noblat: Nikolas mentiu sobre preços do mercado para atacar governo

O jornalista Guga Noblat mostrou, durante o ICL Notícias , uma checagem dos preços apresentados pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) em um vídeo usado para criticar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Noblat foi a um supermercado de Brasília (DF) para conferir os valores e encontrou preços significativamente menores para os mesmos produtos.

Na comparação feita por Nikolas, uma compra com cinco itens (café, ovos brancos, feijão-carioca, leite e picanha) chega a R$ 255,96. O deputado considera que o café da marca “Melita” custa R$ 45,99. No supermercado visitado por Noblat, porém, o mesmo produto aparece por R$ 28,99 no varejo, uma diferença de R$ 17.

A discrepância também aparece nos ovos. Nikolas utiliza o valor de R$ 29,99, enquanto Noblat encontra uma embalagem por R$ 13,99. A diferença, nesse caso, é de R$ 16.

O feijão-carioca é outro produto em que os valores não coincidem. Na conta apresentada pelo deputado, o pacote custa R$ 11,99. Na verificação feita por Noblat, o produto aparece por R$ 9,49 no varejo, R$ 2,50 a menos.

Já o litro de leite é apresentado por Nikolas ao preço de R$ 5,99. No supermercado mostrado pelo jornalista, o mesmo item custa R$ 4,99, uma diferença de R$ 1.

A maior diferença está na picanha. Para chegar ao total apresentado no vídeo, Nikolas utiliza o valor de R$ 162 por quilo. Noblat, por sua vez, encontra a carne por R$ 79,90 o quilo. São R$ 82,10 de diferença em apenas um produto.

Com os cinco itens, os preços utilizados por Nikolas somam R$ 255,96. Na compra de Noblat, o total chega a R$ 137,36. A diferença é de R$ 118,60, o que significa que o valor apresentado pelo deputado é cerca de 86% superior.

“Quase 120 reais de diferença. Não dá, Nikolas, não dá para continuar fazendo política enganando o povo. Mas, é assim que eles fazem, fingindo que estão querendo conversar com a população para fazer de trouxa de nova”, concluiu Guga Noblat.

¨      Candidata do PL que critica Bolsa Família e Gás do Povo recebe benefícios dos programas

A candidata a deputada federal por São Paulo Sophia Barclay (PL), influenciadora bolsonarista conhecida nas redes sociais como “Trans de Direita”, aparece como beneficiária de programas de assistência social do governo federal que ela própria costuma criticar publicamente.

Dados do Portal da Transparência indicam que Barclay recebe recursos do Bolsa Família desde 2018 e também foi contemplada neste ano pelo benefício do programa Gás do Povo.

Segundo os registros públicos, Sophia Barclay ingressou no Bolsa Família em maio de 2018, quando tinha 18 anos e residia no Rio de Janeiro. O benefício está vinculado ao Cadastro Único (CadÚnico), base de dados utilizada pelo governo federal para identificar famílias de baixa renda aptas a participar de programas sociais.

Os dados mostram que, com exceção de 2024, a candidata recebeu pagamentos ao longo dos últimos oito anos. Em 2025, ela registrou o maior valor anual do período, com R$ 6 mil pagos pelo Novo Bolsa Família.

Já no programa Gás do Povo, criado para auxiliar famílias de baixa renda na compra do gás de cozinha, há registro de benefício em nome de Barclay desde março deste ano. O cadastro possui validade entre julho e outubro de 2026. Somados, os pagamentos recebidos pela candidata por meio dos programas sociais ultrapassam R$ 23 mil.

<><> Ataques aos programas sociais

Apesar de ser beneficiária das iniciativas, Sophia Barclay passou a publicar críticas ao Bolsa Família e ao Gás do Povo principalmente a partir de 2025, período em que intensificou sua atuação política alinhada ao campo bolsonarista.

Em uma publicação feita na rede social X, em setembro de 2025, após a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, a candidata atacou pessoas que apoiavam a decisão judicial e associou esse grupo aos beneficiários do Bolsa Família. Na postagem, Barclay afirmou que parte dessas pessoas “merece viver apenas de Bolsa Família” e chamou os beneficiários do programa de “bando de porco”.

Em outra publicação, divulgada em outubro do mesmo ano, a candidata criticou o programa Gás do Povo e afirmou que o governo Lula teria interesse em “manter o povo na miséria”. Na ocasião, questionou por que, após sucessivos mandatos do PT, ainda existiria a necessidade de auxílio para a compra de gás de cozinha.

Em julho deste ano, ela voltou ao tema em um vídeo publicado no Instagram, no qual questionou a política de distribuição do benefício.

<><> Quem é Sophia Barclay

Sophia Barclay ganhou notoriedade nas redes sociais ao se apresentar como uma influenciadora conservadora e defensora do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em 2026, filiou-se ao PL para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados por São Paulo.

Antes de ingressar no partido de Valdemar Costa Neto, Barclay esteve filiada ao Partido Novo. Ela afirmou ter deixado a legenda após ser informada de que não poderia manter apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.

Nas redes sociais, a influenciadora costuma destacar sua fidelidade ao ex-presidente Jair Bolsonaro e ao campo político bolsonarista.

Barclay também acumula episódios de repercussão envolvendo figuras públicas. Em 2023, foi alvo de um boletim de ocorrência registrado por Flávio Bolsonaro após declarações feitas em um podcast. Na ocasião, ela afirmou que o senador teria se relacionado com uma amiga sua, uma mulher trans. O parlamentar negou a acusação e registrou a ocorrência por difamação.

No mesmo ano, o jogador Neymar apresentou uma queixa-crime contra a influenciadora após ela afirmar publicamente que teria tido um relacionamento com ele durante uma festa privada. A ação judicial pedia indenização por danos morais.

Além da atuação política, Sophia Barclay mantém carreira como influenciadora digital e tenta se consolidar também no meio musical.

¨      Deputado do PL invade capus da UFBa e se envolve em confronto com estudantes

O deputado estadual Diego Castro (PL), candidato à reeleição na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), se envolveu em uma confusão com estudantes da Universidade Federal da Bahia (Ufba) na manhã desta quinta-feira (20), no campus de Ondina, em Salvador.

O parlamentar esteve na Faculdade de Comunicação (Facom) acompanhado de uma equipe para retirar adesivos de apoio ao governador Jerônimo Rodrigues (PT) e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que estavam afixados nas dependências da unidade.

Vídeos registrados por estudantes mostram uma discussão entre Castro e integrantes do movimento estudantil. Em algumas imagens, integrantes da equipe que acompanhava o deputado aparecem em confronto físico com alunos.

Segundo relatos de estudantes, o deputado retirou parte dos adesivos e, durante a passagem pela faculdade, gravou um vídeo dentro do banheiro feminino da unidade. O espaço é destinado a mulheres cisgênero, trans, travestis e pessoas não binárias. Estudantes classificaram como transfóbico o conteúdo publicado pelo parlamentar nas redes sociais.

A confusão ocorreu durante o acolhimento dos calouros, na semana de retorno das aulas do segundo semestre. Após o episódio, estudantes realizaram uma assembleia para discutir o ocorrido e definir um posicionamento sobre a presença do deputado na universidade.

<><> O que diz Diego Castro

Em nota ao site “Aratu on”, a assessoria de Diego Castro afirmou que o deputado foi à Ufba após receber uma denúncia de um estudante sobre a presença de adesivos em apoio a Jerônimo Rodrigues e Lula nas dependências da universidade.

A assessoria confirmou que o parlamentar retirou parte do material. Segundo Castro, a iniciativa teve como objetivo questionar o uso de uma universidade pública para divulgação de conteúdo político-eleitoral.

¨      Paulo Figueiredo doou R$ 54 mil a deputada dos EUA que propôs lei contra Moraes.  Por Ethel Rudnitzki, Maria Martha Bruno

A deputada republicana norte-americana Maria Elvira Salazar é frequentemente mencionada por Eduardo Bolsonaro em redes sociais. Salazar já se reuniu com Eduardo e seu aliado, Paulo Figueiredo, algumas vezes para discutir o que ambos chamam de “censura” e “perseguição política” no Brasil. Agora, um levantamento exclusivo da Agência Pública descobriu que Paulo Figueiredo doou mais de R$ 54 mil para apoiar a campanha de Salazar à reeleição um mês antes dela propor um projeto de lei que mirava Alexandre de Moraes, do STF. As três doações estão registradas na Federal Election Commission (FEC). 

Segundo registros oficiais de campanha, em 14 de agosto de 2024, Figueiredo doou o total de 10 mil dólares (equivalente a R$ 54,5 mil em cotação da época)  para o comitê de campanha da candidata, o Salazar Victory Committee. O valor é o máximo permitido para uma pessoa física doar aos diretórios estaduais de um partido a cada eleição. Nas doações, Figueiredo se descreve como jornalista. Apenas cidadãos americanos, como Paulo, podem doar a comitês de campanha e, portanto, Eduardo não poderia fazê-lo.

O valor total foi depositado por Figueiredo em 14 de agosto de 2024, e cinco dias depois, transferido para o comitê “Salazar for Congress” em duas parcelas de 3.300 dólares, então o limite legal para doações de pessoas físicas, e uma de 3.400 dólares para o Freedom Force PAC, o comitê de ação política ligado à campanha de Salazar.

Um mês depois, em 16 de setembro de 2024, Maria Elvira Salazar apresentou em parceria com o republicano Darrell Issa, da Califórnia, o projeto “No Censors in our Shores Act” (“sem censores em nossas fronteiras”, em tradução livre). O projeto de lei barra a entrada nos EUA de estrangeiros “envolvidos em conduta que teria violado a Primeira Emenda à Constituição” e permite a sua deportação. 

“O projeto se aplica a um indivíduo que, enquanto atuava como funcionário de um governo estrangeiro, realizou ou foi responsável por atividade contra um cidadão estadunidense localizado nos EUA que teria violado a Primeira Emenda se cometida por um funcionário do governo estadunidense em território norte-americano”, diz o texto.

A proposta tinha como principal justificativa as decisões do STF brasileiro sobre redes sociais, em especial aquela que levou à suspensão do X, de Elon Musk. 

“Alexandre de Moraes, é a vanguarda de um ataque internacional à liberdade de expressão contra cidadãos americanos como Elon Musk ”, disse Salazar ao anunciar o projeto. “A liberdade de expressão é um direito natural e inalienável que não conhece fronteiras. Os defensores da censura não são bem-vindos na terra da liberdade, os EUA”.

Salazar foi reeleita. No ano seguinte, com a mudança de legislatura, o projeto teve que ser reapresentado. Em 14 de fevereiro, Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo foram recebidos no Gabinete da deputada, onde pediram que ela reapresentasse o projeto. Eduardo postou: “Ela o fez no mesmo dia!”. 

Eles também se reuniram com o deputado republicano Jim Jordan, presidente da Comissão de Constituição e Justiça, que “se comprometeu em dar prioridade nesta aprovação”, segundo relatou Eduardo em suas redes.

Mas o projeto não foi para frente, e segue em tramitação no Congresso. 

Procurado pela reportagem, Paulo Figueiredo não respondeu até a publicação, mas o espaço segue aberto.

Paralelamente, Eduardo e Flávio fizeram lobby para que o executivo norte-americano penalizasse Moraes e os demais ministros do STF. 

Em julho de 2025, Moraes, sua esposa, familiares e os ministros Luís Roberto Barroso, Dias Toffoli, Cristiano Zanin, Flávio Dino, Carmen Lúcia, Edson Fachin e Gilmar Mendes e o Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, tiveram seus vistos nos EUA cancelados. 

Ao anunciar a medida, o Secretário do Departamento de Estado Marco Rubio afirmou que o governo Trump “responsabilizará estrangeiros que forem responsáveis pela censura de expressão protegida nos EUA”. Ele afirmou que a “caça às bruxas” de Moraes contra Jair Bolsonaro criou censura que “não apenas viola direitos básicos dos brasileiros, mas também se estende para além das fronteiras [shores] do Brasil para atingir americanos” – o termo usado, “shores”, ecoa exatamente o projeto de lei apresentado por Salazar. 

Apenas Luiz Fux, André Mendonça e Nunes Marques – os dois últimos indicados por Bolsonaro – não tiveram visto revogado. 

<><> Aliança de longa data 

Além de ter proposto o projeto de lei, Salazar foi peça fundamental no lobby de Paulo Figueiredo e Eduardo Bolsonaro para que o governo americano sancionasse Moraes em 2025 pela Lei Magnitsky. 

No dia em que o nome do ministro foi incluído na lista de sancionados, Figueiredo se dirigiu diretamente à congressista: “Maria, eu não tenho palavras para agradecer a você. Você foi uma gigante, uma aliada de primeiro momento nessa luta. Em breve vou desligar aqui e vou te mandar uma mensagem agradecendo”, disse, em live transmitida por seu canal de YouTube em 30 de julho de 2025. 

A deputada também comemorou a decisão em seu perfil oficial no Instagram. “Desde o primeiro dia, tenho pedido sanções contra o ministro do Supremo Tribunal Federal brasileiro Alexandre de Moraes sob a Lei Global Magnitsky por seus graves abusos aos direitos humanos. Hoje, esse apelo foi atendido. Uma toga preta não é um escudo para a tirania”, publicou no mesmo dia, agradecendo a Trump e Rubio pela decisão.

De fato, os trabalhos da congressista contra o ministro começaram muito antes.

Em março de 2024, Salazar recebeu uma comitiva de deputados de direita que foi aos EUA sob a liderança de Eduardo Bolsonaro pedir sanções contra o Brasil. O objetivo da viagem foi revelado pela Agência Pública mas, na época, Eduardo negou pelas redes sociais que articulava sanções contra o país.

Dois meses depois, a deputada exibiu uma foto do ministro Alexandre de Moraes e o chamou de “operador totalitário” em audiência pública da Comissão de Assuntos Exteriores do Congresso dos EUA. 

Intitulada: “Brasil: Uma crise de democracia, liberdade e Estado de Direito?”, a sessão contou com a presença de Paulo Figueiredo, Chris Pavlovski, CEO do Rumble, e Michael Shellenberger, jornalista responsável por vazar e-mails de ex-funcionários do Twitter. Os três testemunharam sobre a suspensão de contas e bloqueio de plataformas de redes sociais pelo STF, que acusaram de censura. A reunião também foi acompanhada por comitiva de parlamentares brasileiros em visita oficial à Washington, entre eles o então deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

Os dois se reencontraram em setembro daquele ano – um mês depois da doação eleitoral – em evento organizado pelo Yes Brazil USA, grupo que reúne brasileiros apoiadores de Jair Bolsonaro que moram nos EUA. A organização concedeu à parlamentar uma homenagem em “reconhecimento de sua atuação pela democracia e pela liberdade do povo brasileiro”. A honraria foi entregue pelas mãos de Eduardo Bolsonaro e Ludmila Lins Grilo, ex-juíza alvo de processo disciplinar por promover ataques virtuais contra magistrados. 

<><> Influência em eleições na América Latina 

Salazar foi ativa em eleições recentes na América Latina, apoiando candidatos alinhados a Trump. Convidada pela campanha de Alberto De La Espriella, ela acompanhou o segundo turno das eleições do novo presidente da Colômbia na cidade de Barranquilla, no dia 21 de junho. Dias depois da vitória, Salazar participou de uma audiência no Congresso americano intitulada “Um novo começo para a Colômbia”, com foco nas relações entre os EUA e o país.    

Antes disso, em novembro de 2025, apenas nove dias antes das eleições presidenciais em Honduras, Salazar advertiu os hondurenhos que não elegessem um comunista – referindo-se a Rixi Moncada, candidata apoiada pela ex-presidente Xiomara Castro. E ameaçou: “Os olhos dos EUA estão vigiando Honduras no dia 30 de novembro [data do pleito]”. 

Trump ameaçou retirar o apoio econômico dos EUA ao país caso o candidato que ele apoiava, o direitista Nasry Asfura, não vencesse, o que acabou acontecendo após um tumultuado processo eleitoral que terminou quase no final de 2025. 

Em abril de 2025, Salazar pediu que o Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, liberasse 75% do empréstimo de 20 bilhões de dólares que a Argentina conseguira junto ao FMI. Trump havia vinculado a viabilização do acordo financeiro, mediado pelos EUA, à vitória do aliado Javier Milei nas eleições legislativas, concretizada em outubro daquele ano. Salazar celebrou o resultado e chamou Milei de “referência moral”. 

 

Fonte: ICL Notícias/Agencia Pública

 

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