sábado, 22 de agosto de 2026

Flávio ou Valdemar: quem é o candidato do PL à Presidência?

No fim de 2025, quando Flávio Bolsonaro revelou ter sido escolhido por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, para ser o candidato da extrema direita à Presidência da República, houve muitas dúvidas e críticas dentro da própria direita. Até mesmo aliados históricos, como o pastor Silas Malafaia, criticaram a escolha de Flávio.

Um dos principais pontos de crítica era a falta de relevância de Flávio Bolsonaro no cenário político, visto que tanto seus mandatos como deputado estadual no Rio de Janeiro quanto sua atuação como senador tiveram pouca projeção nacional.

Sem contar, claro, o imenso telhado de vidro de Flávio Bolsonaro, que envolve investigações sobre esquemas de rachadinha em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e a homenagem prestada a Adriano da Nóbrega, miliciano apontado como um dos maiores matadores do Rio.

De toda maneira, Flávio Bolsonaro foi o escolhido por Jair Bolsonaro, e a decisão foi acatada pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto, leal ao ex-presidente e que não cansa de dizer que não faz nada sem consultá-lo, mesmo com Bolsonaro em prisão domiciliar após condenação pela tentativa de golpe de Estado.

O nome de Flávio também ganhou força com as primeiras pesquisas, que já o mostravam em empate técnico com o presidente Lula (PT) nas simulações de segundo turno. Os meses passaram, e até mesmo figuras como Nikolas Ferreira resolveram embarcar na candidatura de Flávio.

No entanto, uma ação de marketing do PL para convocar apoiadores a participarem do comício de Flávio, realizado no domingo (17), na praia de Copacabana, lançou uma dúvida: afinal, quem é o candidato do PL, Flávio ou Valdemar?

A imagem divulgada pelo partido mostra Valdemar Costa Neto no centro e, atrás dele, aparecem Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar, seu vice. Como bem provocou o perfil Jairme: o raríssimo caso em que o presidente do partido ganha mais importância que o próprio candidato ao Palácio do Planalto.

Além disso, a ação de marketing do PL também reforça as críticas que já existiam em relação à falta de carisma de Flávio Bolsonaro e ao pouco protagonismo do candidato dentro da própria legenda.

•        Flávio Bolsonaro tem plano para esvaziar universidades federais

senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, quer mudar a estrutura de gestão das universidades federais caso seja eleito. A ideia, incluída em seu plano de governo, é retirar as instituições da área do Ministério da Educação (MEC) e transferir sua governança para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI).

A proposta aparece no capítulo “Preparar para o Brasil que existe” e prevê a concentração das políticas de ciência e ensino superior sob o mesmo ministério.

“No ensino superior, vamos transferir a governança para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, unificando ciência e ensino superior sob o mesmo teto”, afirma o documento apresentado pela campanha.

O plano também estabelece uma mudança na orientação das políticas de pesquisa. Segundo a proposta, as agências de fomento deverão dar maior prioridade ao chamado “impacto produtivo” e aproximar a produção científica das necessidades e demandas do setor empresarial.

<><> MEC concentrado na educação básica

A equipe responsável pela elaboração do programa afirma que a mudança permitiria ao MEC concentrar esforços na educação básica. Eduardo Cury (PL-SP), ex-prefeito e candidato a deputado federal, participou da elaboração do capítulo ao lado do senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador político da campanha.

Segundo Cury, a proposta tem como objetivo fazer com que o Ministério da Educação priorize problemas como o analfabetismo funcional e o desempenho dos estudantes brasileiros em avaliações internacionais.

O Brasil aparece entre os países com piores resultados em diferentes áreas avaliadas pelo Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), segundo dados mencionados pela campanha.

A divisão proposta, portanto, criaria uma separação mais clara entre as atribuições relacionadas à educação básica e aquelas ligadas ao ensino superior, à ciência e à pesquisa.

<><> Ideia já havia sido discutida no governo Bolsonaro

A transferência das universidades federais para a estrutura responsável pela ciência e tecnologia não é uma proposta inédita no campo bolsonarista. Uma ideia semelhante chegou a ser discutida durante o governo de Jair Bolsonaro.

A relação do ex-presidente com as universidades federais foi marcada por conflitos ao longo de seu mandato. O governo enfrentou as instituições em questões orçamentárias e também provocou controvérsias na escolha de reitores.

Em 2022, universidades e institutos federais sofreram bloqueios orçamentários que, segundo levantamento divulgado à época, chegaram a zerar o caixa de algumas instituições.

Bolsonaro também deixou de seguir, em diferentes casos, a tradição de nomear para a reitoria o candidato mais votado pela comunidade acadêmica a partir das listas tríplices encaminhadas pelas universidades.

A proposta apresentada agora por Flávio retoma, portanto, uma discussão que já esteve presente no governo do pai, mas a incorpora ao programa oficial da candidatura presidencial de 2026.

Além da reorganização administrativa, o plano estabelece uma mudança na relação entre pesquisa acadêmica e setor produtivo, defendendo que os investimentos públicos em ciência considerem de forma mais direta seu potencial de aplicação econômica e de atendimento às demandas das empresas.

•        Flopou: Ato de Flávio Bolsonaro em Copacabana reuniu 8,9 mil pessoas, diz USP

O ato de Flávio Bolsonaro (PL) que marcou o início de sua campanha à Presidência reuniu apenas 8,9 mil pessoas no momento de maior concentração, neste domingo (16), na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. A estimativa é do Monitor do Debate Político da USP/Cebrap, em parceria com a ONG More in Common.

A contagem foi feita às 11h30, horário identificado pelos pesquisadores como o pico da manifestação. O levantamento tem margem de erro de 12%, o que coloca o público estimado entre 7,8 mil e 9,9 mil participantes. O número confirma a baixa mobilização percebida durante o evento e registrada em vídeos e imagens publicados pela Fórum.

<><> Flávio Bolsonaro fica muito abaixo do público do pai em Copacabana

O resultado ganha dimensão quando comparado a manifestações anteriores de Jair Bolsonaro no mesmo palco. Em 7 de setembro de 2022, quando o então presidente disputava a reeleição, o Monitor do Debate Político estimou 64,6 mil pessoas em Copacabana.

O ato de Flávio, portanto, alcançou cerca de 14% do público registrado quatro anos antes. O colunista Lauro Jardim, de O Globo, destacou a diferença apontando que a mobilização do filho correspondeu a aproximadamente 15% daquela reunida pelo pai em 2022.

Mesmo tomando como referência manifestações bolsonaristas mais recentes, o desempenho de Flávio fica atrás. Em março de 2025, um ato convocado por Jair Bolsonaro em defesa da anistia aos condenados pelos ataques de 8 de Janeiro reuniu 18,3 mil pessoas no pico, mais que o dobro do registrado na abertura da campanha presidencial do filho.

Em abril de 2024, outra manifestação liderada por Bolsonaro em Copacabana havia levado cerca de 32,7 mil participantes à orla, também segundo a mesma metodologia.

<><> USP usou fotos aéreas e inteligência artificial para contar público

Para estimar o público do ato de Flávio Bolsonaro, os pesquisadores fizeram registros aéreos em sete horários, entre 9h45 e 12h30. Depois de identificar o maior fluxo às 11h30, foram selecionadas sete fotografias que cobriam toda a extensão ocupada pelos manifestantes, sem sobreposição.

As imagens foram processadas pelo método P2PNet, que utiliza inteligência artificial para identificar as cabeças das pessoas nas fotografias e calcular o tamanho da multidão. O Monitor aplica a metodologia em eventos políticos desde agosto de 2022.

O ato deste domingo foi escolhido por Flávio para lançar oficialmente sua candidatura presidencial justamente em um dos espaços mais associados às grandes mobilizações do bolsonarismo. O senador buscou reforçar a ligação com o pai durante o evento, chegou a reproduzir um áudio de Jair Bolsonaro e incentivou apoiadores a gritarem pelo ex-presidente.

Os números da USP/Cebrap, porém, mostram que, ao menos na estreia oficial da campanha, Flávio Bolsonaro ficou distante da capacidade de mobilização de rua exibida pelo pai em Copacabana.

•        A desculpa inacreditável de Costa Neto para o ato flopado de Flávio Bolsonaro

O primeiro grande ato de Flávio Bolsonaro (PL) como candidato à Presidência da República não foi grande e terminou com uma participação abaixo da esperada por aliados. A manifestação realizada no domingo (16), na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, teve pico estimado de 8,9 mil pessoas, segundo levantamento do Monitor do Debate Político, da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com a ONG More in Common.

A medição foi feita por volta das 11h30, momento de maior concentração de manifestantes. Considerando a margem de erro de 12%, o número de participantes teria ficado entre aproximadamente 7,8 mil e 9,9 mil pessoas.

O resultado ficou aquém da expectativa de integrantes da campanha, que apostavam em uma presença mais numerosa na orla de Copacabana. O bairro se tornou um dos principais cenários de manifestações do bolsonarismo no Rio e já recebeu atos de grande porte protagonizados por Jair Bolsonaro.

<><> Valdemar atribui resultado ao clima

Presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto relativizou a quantidade de participantes e afirmou que as condições meteorológicas prejudicaram a mobilização.

Segundo ele, em entrevista à coluna de Igor Gadelha no Metrópoles, o céu nublado e o tempo considerado desfavorável contribuíram para a menor adesão. Valdemar também fez uma comparação entre Flávio e o pai, Jair Bolsonaro, ao afirmar que o senador reconhece que não possui a mesma capacidade de mobilização do ex-presidente.

A avaliação ocorre justamente em um local que se tornou uma referência para manifestações bolsonaristas. Copacabana foi escolhida diversas vezes por Jair Bolsonaro para reunir apoiadores durante sua trajetória política.

<><> Desafio para a campanha

O tamanho do público no primeiro ato nacional de Flávio coloca em evidência um dos principais desafios da candidatura: transformar a popularidade e a estrutura política associadas ao sobrenome Bolsonaro em capacidade própria de mobilização.

A campanha tenta apresentar Flávio como sucessor político do pai na disputa presidencial de 2026. Para isso, atos públicos e demonstrações de força nas ruas têm papel importante na estratégia de consolidação da candidatura.

•        Alfredo Gaspar, vice de Flávio Bolsonaro, é alvo de novo escândalo com emenda Pix

deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), escolhido como candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro (PL), empregou por mais de um ano em seu gabinete a atual vice-prefeita de São José da Laje (AL), Ravena Caldeira de Araújo (MDB). O município se tornou alvo de atenção após o desaparecimento de R$ 6,2 milhões enviados por Gaspar por meio de uma emenda Pix.

Segundo apuração da coluna de Igor Gadelha, no Metrópoles, Ravena trabalhou no gabinete do deputado na Câmara dos Deputados entre 8 de fevereiro de 2023 e 4 de julho de 2024, de acordo com registros do Portal da Transparência da Casa. Ela ocupava o cargo de secretária parlamentar nível SP25 e recebia salário líquido mensal de aproximadamente R$ 6,6 mil.

A contratação ocorreu antes de Ravena disputar as eleições municipais de 2024. Ela deixou o gabinete para concorrer ao cargo de vice-prefeita na chapa de Vanessa (MDB). As duas foram eleitas.

Depois da saída de Ravena, Gaspar passou a empregar o marido dela, Paulo Henrique Caldeira e Silva. Ele ocupa o cargo de secretário parlamentar nível SP23 e recebe cerca de R$ 7,5 mil líquidos por mês.

<><> Deputado nega irregularidades

A assessoria de Alfredo Gaspar confirmou as contratações, mas negou qualquer irregularidade ou relação ilícita entre o deputado, Ravena e o marido dela.

Segundo a equipe do parlamentar, Ravena trabalhava no escritório de Gaspar em Alagoas antes de assumir a vice-prefeitura. Atualmente, Paulo Henrique exerce a função no mesmo escritório.

“A assessoria esclarece ainda que não existe qualquer irregularidade na contratação de Ravena e Paulo Henrique. Ambos exerceram, em períodos distintos, a função de secretário parlamentar no escritório de Alagoas. Ravena atuou antes de assumir o cargo de vice-prefeita, quando deixou o gabinete, e Paulo Henrique exerce atualmente a função”, informou a assessoria.

A Câmara estabelece jornada de 40 horas semanais para secretários parlamentares. Esses funcionários, porém, não estão sujeitos ao registro diário de ponto. A frequência é atestada mensalmente pelo deputado responsável.

<><> Irmão de Ravena pediu emenda de R$ 6,2 milhões

A relação entre o gabinete de Gaspar e a família da vice-prefeita também aparece na destinação de uma emenda especial para São José da Laje.

Em junho de 2024, o deputado indicou R$ 6,2 milhões ao município por meio de transferência especial, modalidade conhecida como emenda Pix. Nesse modelo, os recursos federais são repassados diretamente a estados e municípios, sem a necessidade de convênios ou de determinados instrumentos intermediários.

De acordo com a assessoria de Gaspar, o pedido para a destinação do dinheiro partiu de Rodrigo Valença, irmão de Ravena. Ele foi prefeito de São José da Laje por dois mandatos e atualmente preside a Caixa Residencial, após indicação do ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL).

Rodrigo também é suplente de Alfredo Gaspar na Câmara dos Deputados, segundo a assessoria do parlamentar.

<><> TCU apontou desaparecimento do dinheiro

A emenda entrou no radar do Tribunal de Contas da União (TCU) depois que os R$ 6,2 milhões desapareceram da conta da Prefeitura de São José da Laje.

O caso levou a questionamentos sobre a aplicação dos recursos. A Procuradoria-Geral da República (PGR), contudo, arquivou um pedido de investigação relacionado ao episódio.

A assessoria de Gaspar afirmou que a destinação ocorreu de maneira regular e que não houve irregularidade.

“Sobre a emenda, não há irregularidade. O caso já foi analisado e arquivado pela Procuradoria-Geral da República (PGR). O recurso foi destinado a São José da Laje por meio de transferência especial, de forma regular, para contribuir com o desenvolvimento do município e do povo da região. A indicação aconteceu a pedido de Rodrigo Valença, que é suplente do deputado federal Alfredo Gaspar”, declarou a equipe do candidato a vice de Flávio Bolsonaro.

Apesar do arquivamento pela PGR, o caso passou a integrar uma apuração mais ampla sobre a destinação e a execução de emendas parlamentares. O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou investigação sobre possíveis irregularidades em repasses de emendas, incluindo recursos indicados por Alfredo Gaspar.

A proximidade entre o deputado, a vice-prefeita, o marido dela e o irmão dela, portanto, passou a ser observada no contexto das discussões sobre a aplicação dos R$ 6,2 milhões destinados ao município alagoano.

•        Com Flávio Bolsonaro, Mario Gomes diz que vão “colocar o Exército nas ruas para choque de ordem”

x-ator global que aderiu ao terraplanismo político com a ascenção de Jair Bolsonaro (PL) ao poder, Mario Gomes gravou um vídeo ao lado de Flávio Bolsonaro (PL) dizendo que “a gente vai colocar o exército na rua para dar um choque de ordem”.

“Então, estou aqui com o futuro presidente do Brasil, que a gente precisa, meu Deus do céu, tá? E a gente vai colocar o exército na rua para dar um choque de ordem, para acabar. Vou pedir a ele para fazer isso, tenho certeza que ele vai colaborar com todo mundo”, afirmou o ex-ator.

Ao lado, Flávio Bolsonaro não contesta o pedido de Mário Gomes e enfatiza que vai “endurecer a lei penal”, cita propostas populistas da segurança pública e escala o autoritarismo ao dar atributo judicial às polícias.

“Se enfrentar a nossa polícia, vai ser preso ou vai ser neutralizado”, afirmou o senador.

<><> Dívida trabalhista

Candidato a deputado estadual, Mario Gomes diz ainda no vídeo que entraram “na minha casa, com sete homens dentro da minha casa, uma coisa horrorosa”.

O que ele não diz é que perdeu o imóvel na praia de Joatinga, no Rio de Janeiro, por dívidas trabalhistas, em 2024.

O imóvel teve que ser leiloado para pagar dívidas trabalhistas de 84 costureiras de uma confecção que Gomes tinha no Paraná. Segundo o jornal Extra, a casa é avaliada em mais de R$ 20 milhões, mas foi arrematada por apenas R$ 720 mil.

À época, ele culpou o atual governo pela perda da casa. “Faltou honestidade. Um governo que não seja corrupto nem assombração”, afirmou ele para o fotógrafo Sandro Cardozo, que acompanhou o momento do despejo.

“Tomaram a minha única casa em um leilão cabuloso, com um valor absurdo. Me sinto uma pessoa que está sendo tomado pela esquerda. É uma dor imensa, um sentimento absurdo. Por enquanto, estou na casa da minha filha. Vamos ver se vai ter espaço para eu dormir em cima de um teto qualquer, porque não tem espaço. Minha filha mora de aluguel, e lá não tem espaço. A princípio, eu estou na rua, debaixo da ponte”, afirmou ainda.

Ele revelou também que deixou alguns pertences na casa de amigos e vizinhos. “Tem que chorar para desabafar. Já tomei cinco calmantes”, desabafou.

 

Fonte: Fórum

 

Nenhum comentário: