O
que é a extrema direita?
Há uma
tendência crescente de caracterizar a extrema direita atual, de Trump a Meloni
e Milei, como “fascista”, citando seu racismo, sua dependência da repressão,
sua centralização do poder e seu desrespeito às normas legais — características
que se intensificaram nos últimos anos. O rótulo é usado por esquerdistas que
querem se apresentar como dignos sucessores dos heróis antifascistas do passado
e por liberais que querem minimizar o quanto suas políticas contribuíram para a
ascensão da direita. Em ambos os casos, porém, essa figura de linguagem
obscurece mais do que revela a natureza do nacionalismo reacionário
contemporâneo, dizendo pouco sobre sua perspectiva ideológica, seus
compromissos programáticos e o perigo real que representa. A hipérbole abafa a
análise.
Contudo,
seria igualmente imprudente rejeitar quaisquer analogias históricas e insistir
numa abordagem focada puramente no contemporâneo. Ainda há muito a ganhar com
uma comparação entre o período entre guerras e os nossos tempos: as trajetórias
da crise capitalista, então e agora, e o leque de possíveis respostas
socialistas que elas abrem. Não é preciso assimilar a extrema direita à
categoria de fascismo para afirmar que ela deve ser combatida por todos os
meios necessários. Mas só se pode desenvolver os meios de resistência mais
eficazes lendo o presente à luz do passado.
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Convergência
O cerne
racional da analogia reside no fato de que, em situações de crise, a ordem
capitalista produz, ou pelo menos é perfeitamente compatível com, todos os
tipos de regimes políticos: bonapartismo, ditaduras militares, fascismo e
outros “estados de exceção”, todos qualitativamente diferentes da democracia
liberal. O fascismo do período entre guerras foi um movimento de massas que
emergiu em sociedades brutalizadas pela “guerra total” e que enfrentavam a
possibilidade de revolução social. Seus componentes essenciais eram o
nacionalismo étnico, o anticomunismo, a violência nas ruas e a vontade de
derrubar os regimes parlamentares e substituí-los por uma forma de Estado
completamente diferente: uma sociedade militarizada, orientada para a guerra e
a expansão imperial. O racismo, e mais especificamente o antissemitismo,
desempenhou um papel central no nazismo, mas foi menos decisivo para a ascensão
do fascismo italiano e constituiu apenas uma característica secundária nos
demais regimes “fascistas” daquele período: Hungria, Romênia, Espanha, Portugal
e Grécia.
Hoje em
dia, em contraste, a “direita radical” é principalmente um fenômeno eleitoral,
com apenas expressões menores no nível das ruas. Praticamente todas as suas
vertentes são definidas por um racismo virulento, que apresenta como uma
posição defensiva, protegendo a “nação” ou a “civilização ocidental” de várias
ameaças fantasmas, como migrantes e muçulmanos. Sua promessa “social” às
classes populares é algum tipo de redistribuição interna com base em critérios
raciais, na qual os “verdadeiros nacionais” seriam supostamente favorecidos em
relação aos estrangeiros no acesso a serviços públicos e no mercado de
trabalho. Ao contrário do período entre guerras, os belicistas são agora mais
numerosos no campo centrista, inclusive em partidos nominalmente social-democratas
e verdes, do que na extrema direita.
Há
também um nível de consenso muito maior entre a classe política atual do que
havia na época do fascismo histórico. Nenhuma grande força política no Ocidente
tem uma visão política de ruptura com as instituições parlamentares. Discursos
anti-imigração e islamofóbicos, e as políticas que os acompanham, são
onipresentes, de Orbán a Macron. Isso coincide com uma defesa cínica dos
“direitos das minorias”, na qual tanto o centro liberal quanto as forças mais
ágeis da extrema direita apresentam os marginalizados racializados como um
risco para mulheres, pessoas LGBT, comunidades judaicas e assim por diante.
Líderes como Le Pen e Meloni usam seu femonacionalismo para marcar todos os
itens da “modernidade”, enquanto outros, como Alice Weidel e Heinz-Christian Strache,
invocam sua homossexualidade para alegar que são os protetores de grupos
vulneráveis, e não os agressores.
A
convergência entre neoliberalismo e extrema direita não é acidental. Esta
última ganhou força em parte como resultado da guinada autoritária nas
sociedades ocidentais que começou na década de 1970, com a crise terminal do
compromisso social keynesiano, com sua ascensão acelerando esse processo. O
sucesso da direita demonstra que as duas dimensões da dominação burguesa,
consentimento e repressão, não são mutuamente exclusivas; podemos ter tanto o
aumento da repressão quanto a ampliação do consentimento a essa
repressão. Embora essa repressão venha de cima — da tentativa do Estado
neoliberal de desmantelar o que resta do pacto social pós-guerra — ela também
alimentou pânicos morais que se espalham “de baixo”: crescentes preocupações
com a criminalidade ou a imigração que se enraízam quando a vida cotidiana se
degrada e o declínio é evidente, e quando a esquerda é incapaz de oferecer uma
contra-narrativa convincente.
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Conjuntura e estrutura
Para
compreendermos melhor a direita e as razões da sua força, precisamos combinar
dois níveis de análise: um conjuntural e outro mais estrutural, ou pelo menos
de longo prazo. Após a crise financeira de 2008, houve uma corrida entre a
esquerda radical e a direita radical para ver quem ofereceria uma alternativa
crível. No entanto, partiam de pontos muito diferentes. Na virada do milênio, a
direita radical já estava bem estabelecida na França, Itália, Áustria, Holanda
e Escandinávia, e nos EUA podia contar com a influência de longa data dos
nacionalistas cristãos dentro do Partido Republicano.
Na
ausência de qualquer infraestrutura equivalente, a esquerda antineoliberal
tentou, em contrapartida, aproveitar a energia dos protestos em massa que
irromperam em ambos os lados do Atlântico em 2011. Mas quando o Syriza
capitulou perante a Troika em 2015 — uma traição endossada pelo Podemos e
outras forças afins — esse ciclo de resistência chegou ao fim. A direita pôde,
assim, entrar em cena e capitalizar sobre o descontentamento popular, auxiliada
pela constante radicalização de políticas racistas e xenófobas implementadas
por todos os governos de centro-direita e institucionalizadas pela UE, com suas
políticas de “externalização das fronteiras”. A gestão injusta e autoritária da
crise da Covid-19 apenas aprofundou essa tendência, já que a esquerda, mais uma
vez, falhou em desenvolver uma posição forte ou distinta.
Esta é
a situação conjuntural. Para uma perspectiva estrutural, teríamos que
retroceder quatro décadas, quando a ofensiva neoliberal começou a esvaziar os
partidos políticos e as organizações de massa, aumentando a taxa de abstenção a
níveis sem precedentes e corroendo gradualmente a autoridade moral e
intelectual do establishment, o que levou ao que Gramsci chamaria de “crise
hegemônica”: uma ruptura nas relações existentes entre os grupos e classes
sociais e suas formas tradicionais de expressão política. “Quando tais crises
ocorrem”, escreveu Gramsci, “a situação imediata torna-se delicada e perigosa,
porque o campo se abre para soluções violentas, para a atuação de forças
desconhecidas, representadas por carismáticos ‘homens do destino’”.
Nesse
contexto, o discurso racista e pseudoantissistêmico da extrema direita
mostrou-se particularmente eficaz em conquistar o apoio de grandes setores das
classes trabalhadoras e populares, abandonados pela esquerda. Por quê? Porque a
esquerda, com poucas exceções, refugiou-se em uma zona de conforto
político-eleitoral isolada. O núcleo de sua base social remanescente é composto
pelas classes médias instruídas e pelas gerações mais jovens de graduados que
vivenciam a desvalorização social. A presença das classes trabalhadoras e
populares é fraca entre seu eleitorado e ainda mais entre seus membros e
quadros. Enquanto essa configuração persistir, a esquerda será incapaz de
igualar a força da extrema direita como uma autoridade capaz tanto de contestar
o status quo quanto de articular uma visão alternativa de “ordem” em meio a uma
crise hegemônica em curso.
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Assimilação à direita
O resultado
dessas tendências — o sucesso eleitoral da direita e a aceleração de tendências
autoritárias já existentes — é alarmante: a democracia, seja qual for a
definição que se dê a ela, está em retrocesso em todo o mundo. O tipo de
democracia liberal há muito associado aos países do núcleo capitalista está se
desintegrando. Trata-se de um estágio avançado do que Poulantzas chamou de
“estatismo autoritário”: um processo de transformação estrutural que teve
início nos primórdios do neoliberalismo, no qual os escalões superiores da
burocracia estatal assumiram um papel mais diretamente político; o poder
executivo foi fortalecido em detrimento das instituições representativas; as
formas estabelecidas de mediação política foram enfraquecidas; a mídia de massa
preencheu cada vez mais o vácuo deixado pelos partidos políticos tradicionais;
e novas tecnologias de vigilância e repressão consolidaram seu domínio sobre a
sociedade.
O
neoliberalismo, nesse sentido, nunca significou “menos Estado”, mas sim a
desdemocratização do Estado e sua subordinação mais direta às necessidades da
acumulação. A recente radicalização da direita pode ser vista tanto como uma
reação quanto como uma adaptação a essa tendência autoritária-estatista. Uma
reação, no sentido de que expressa o descontentamento das classes populares e
da baixa classe média, excluídas desse acordo neoliberal. E uma adaptação, no
sentido de que seu apoio à direita não é uma tentativa de derrubar esse acordo,
mas simplesmente de obter inclusão nele. A extrema direita
abraçou completamente as políticas do centro extremo e impulsionou uma versão
ainda mais autoritária delas, afirmando que o preço a pagar deve ser cobrado
dos “invasores” ou “agitadores”, enquanto os grupos privilegiados serão mais
protegidos.
Essa é
uma estratégia poderosa porque captura e remodela o “senso comum” de grandes
setores sociais e ajuda a dar ao Estado neoliberal autoritário a base de apoio
popular que até então lhe faltava. Contudo, ela também é frágil, pois o medo, o
ressentimento e a promoção de identidades reacionárias são meios limitados para
construir consenso e um bloco social coeso. Crucialmente, as promessas sociais
da direita são desprovidas de qualquer conteúdo real: elas simplesmente
piorarão a vida de alguns sem melhorar a dos demais. Nesse aspecto, as forças
reacionárias permanecem vulneráveis. O que se faz necessário é que a esquerda
saia de sua zona de conforto e explore essa vulnerabilidade.
Uma
maneira de fazer isso é apresentar uma defesa ousada da democracia. Isso
deveria estar no topo da agenda da esquerda. Historicamente, a tradição da
Terceira Internacional (com exceção de Gramsci) tendeu a desvalorizar a
“democracia liberal”, deixando de reconhecer que os elementos genuinamente
democráticos dos regimes burgueses — direitos e liberdades — não eram
simplesmente maneiras de enganar ou manipular o proletariado, mas o resultado
de lutas populares bem-sucedidas, cujas vitórias tiveram um alto preço. Essa
falha teve um efeito devastador sobre o movimento comunista do século XX, e
devemos ter cuidado para não repeti-la hoje.
Contudo,
defender a democracia deve envolver mais do que apenas a defesa de direitos e
liberdades, por mais crucial que seja essa batalha institucional e jurídica.
Para a esquerda anticapitalista, isso deve significar lutar pela autonomia das
classes subalternas: atacar tudo o que as reduz a um estado de passividade,
afrouxando o controle do capital sobre a vida social. Esta é a única maneira de
construir uma contra-hegemonia e lançar as bases para a democracia socialista.
Podemos agora analisar como isso se daria na prática: quais forças teriam que
se unir, em que configurações, para tornar isso realidade.
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Três estratégias
Se a
nossa situação atual não pode ser entendida como uma repetição, ou mesmo uma
variante, das décadas de 1920 e 1930, então temos que repensar a estratégia.
Contudo, mais uma vez, isso pode ser feito de uma maneira melhor através de uma
compreensão autocrítica do passado: os métodos anteriores de luta socialista e
como eles podem ou não ser aplicáveis hoje. Olhando para o período
entre guerras, as três estratégias oferecidas eram,
de forma bastante esquemática, o “Terceiro Período”,
a “frente única”
e a “frente popular”. O Terceiro Período era a linha ultrassectária adotada
pela Internacional Comunista em 1928, na qual se pressupunha uma iminente crise
terminal do capitalismo, seguida por uma revolta revolucionária dos
trabalhadores, e que, portanto, era inaceitável formar alianças com qualquer
força política que pudesse ser categorizada como um obstáculo à revolução. A
social-democracia foi equiparada ao fascismo e qualquer tipo de unidade de
esquerda foi descartada. Isso levou a um desastre imenso: a ascensão do nazismo
ao poder e o completo esmagamento do movimento operário mais poderoso da
Europa.
As
outras duas estratégias não podem ser descartadas tão facilmente. A frente
única, em sentido amplo, foi uma tentativa de construir um movimento que
abrangesse toda a atividade autônoma das classes subalternas, não apenas a do
partido operário revolucionário. Essa ampliação do movimento permanece uma
parte indispensável de toda estratégia de esquerda interessada em obter
vitórias significativas. Mas, desde o seu início, na década de 1920, havia
ambiguidade quanto ao seu alcance. Seria essa uma tentativa de elaborar uma
estratégia revolucionária distinta do “cenário de outubro de 1917” que
compreendesse a lacuna entre o Oriente e o Ocidente e exigisse uma estratégia
alternativa para a conquista do poder no segundo? Ou seria apenas uma posição
tática e temporária que seria mantida enquanto os socialistas estivessem na
defensiva, e que eventualmente seria substituída por uma linha mais ofensiva
que reafirmaria o papel de liderança do partido revolucionário? Para Trotsky,
era a última opção: uma vez que a revolução se aproximasse, os sovietes se
tornariam “a forma mais elevada da frente única” e a aliança entre comunistas e
social-democratas daria lugar a algo que se assemelhasse mais ao esquema
bolchevique.
A
estratégia da Frente Popular surgiu a partir de 1934, quando a Internacional
Comunista começou a defender amplas alianças que incluíam não apenas diferentes
setores do movimento operário, mas também setores do que era considerado a
esquerda pequeno-burguesa e até mesmo burguesa. Como o núcleo dessa aliança era
formado por fortes partidos comunistas e socialistas, ela conseguiu desencadear
uma genuína mobilização de massas contra o fascismo. Na França, as vitórias
eleitorais da Frente Popular deram enorme confiança às massas e desencadearam a
onda de greves de junho de 1936, o primeiro movimento em larga escala da classe
trabalhadora industrial do país. Os comunistas reconheceram a dimensão
emancipadora da tradição democrática francesa, que remontava à Grande Revolução
e ao movimento jacobino, e se apresentaram tanto como uma força
nacional-popular quanto como o partido da classe trabalhadora: o único ator
capaz de liderar um amplo bloco social em busca de mudança.
Mas as
dimensões emancipatórias da Frente Popular entraram em conflito com sua
estratégia política. Para construir alianças com as forças burguesas, os
comunistas abandonaram as posições anticolonialistas e adotaram uma visão
“estática” rígida que adiava o socialismo para um futuro distante. Rejeitaram a
ideia de integrar as demandas democráticas imediatas a um programa de transição
mais radical. À medida que a polarização de classes se aprofundava, eles se
viram trabalhando para diminuir as contradições em vez de acentuá-las. A
prioridade de manter a “unidade antifascista” levou a um reformismo inviável. A
Frente Popular não conquistou o apoio das classes dominantes, já que se baseava
na política de massas, nem promoveu a causa da revolução.
O
resultado previsível foi a derrota generalizada e o fascismo no fim do caminho.
A aliança francesa desmoronou quando a ala burguesa mudou de lado, abrindo
caminho para a contraofensiva de uma classe capitalista traumatizada pelas
greves de 1936. Na Espanha, a situação foi muito pior, pois, ao contrário da
França, um processo revolucionário já se desenrolava antes mesmo do sucesso
eleitoral da Frente Popular. Lá, os comunistas aliaram-se à ala moderada da
Frente. Em nome da manutenção de um antifascismo restrito e da defesa da
República burguesa, reprimiram violentamente outras forças mais radicais. Logo,
eles próprios foram marginalizados por seus aliados burgueses, que buscavam um
compromisso com os fascistas e, por fim, mostraram-se dispostos a capitular.
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Lições para o presente
Há uma
dupla lição a ser extraída dessa experiência. Por um lado, os socialistas devem
evitar a armadilha do ultraesquerdismo e do sectarismo que marcaram o Terceiro
Período, embora esse seja um risco marginal hoje, dado o atual estado da luta
de classes nos países da centralidade do capitalismo. Por outro lado, devem
recusar-se a tornar-se uma força subalterna em um bloco neoliberal decadente.
Existe uma tentação, em alguns setores da esquerda, de desempenhar o papel de
força auxiliar da corrente liberal dominante, justificando essa posição como um
imperativo do “antifascismo”. Mas é evidente aonde essa paródia da Frente
Popular histórica levará: à derrota certa tanto da esquerda quanto dos
liberais, sem criar nada remotamente comparável à dinâmica política de massas
da década de 1930.
Essa
forma de pânico do “antifascismo” contemporâneo ignora o ponto crucial sobre a
extrema direita atual: que ela não é uma repetição do fascismo, mas sim o
resultado da transformação do campo político moldado pelo consenso neoliberal
das décadas anteriores, que sempre incluiu racismo, militarismo, intervenções
imperialistas e cumplicidade com genocídios. Somente uma oposição resoluta a
essa ordem neoliberal — cujos pilares são o império estadunidense, a OTAN e a
União Europeia — pode oferecer uma perspectiva galvanizadora e positiva.
As
experiências de esquerda mais promissoras no Norte Global hoje são aquelas que
seguiram esse caminho: o França Insubmissa, Zohran Mamdani e, em certa medida,
os Verdes na Grã-Bretanha. Em sua melhor forma, esses projetos eleitorais
reuniram diversos elementos: um programa baseado na solidariedade com a
Palestina, no antirracismo e no antimilitarismo, com uma agenda social robusta
e concreta; interação constante com mobilizações e movimentos populares; e uma
visão progressista da nação e da soberania nacional-popular, como componentes
fundamentais dessa Nova Esquerda emergente.
Se a
esquerda leva a política a sério, isso precisa significar política de massas.
Os marxistas precisam ser parte integrante desse movimento e contribuir para
sua radicalização em uma direção anti-imperialista e socialista. Mas isso
significa abandonar modos de pensar ultrapassados: a vontade de repetir os
cenários revolucionários do passado, a sedução do vanguardismo estéril ou do
purismo ideológico, a visão abstrata do internacionalismo que pouco difere do
cosmopolitismo liberal. Derrotar a extrema direita significa rejeitar essas
distorções e se reconectar com os sujeitos sociais e políticos reais,
principalmente com as classes trabalhadoras e populares.
Fonte:
Por Stathis Kouvelakis - Tradução Pedro Silva, em Jacobin Brasil

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