Governos
de direita de 4 estados não aderem a esforço nacional de combate a roubos de
celulares
Quatro
estados brasileiros decidiram não aderir à mobilização nacional voltada à
recuperação de celulares furtados ou roubados, coordenada pelo Ministério da
Justiça e Segurança Pública (MJSP). A Agência Pública apurou que Paraná,
Roraima, Santa Catarina e Tocantins foram as únicas unidades da federação que
não participaram da Operação Última Chamada, que teve início em 10 de agosto,
visando a recuperação e devolução de aparelhos, bem como vistoria simultânea em
presídios em todo o país.
Todos
os estados que ficaram de fora da iniciativa são governados por grupos
políticos opositores ao governo federal: Soldado Sampaio, de Roraima, e
Wanderlei Barbosa, do Tocantins, ambos do Republicanos, Jorginho Mello, de
Santa Catarina, filiado ao Partido Liberal (PL), e Ratinho Junior, do Paraná,
que é do Partido Social Democrata (PSD).
Na
quarta-feira (19), o MJSP divulgou que 6 mil aparelhos celulares foram
recuperados a partir das ações realizadas pelas forças de segurança dos
estados. Cerca de metade dos bens devem ser devolvidos aos donos originais
apenas nos estados Amapá, Amazonas, Ceará, Paraíba, Piauí e Sergipe. A ação é
integrada com o Banco Nacional de Celulares com Restrição (BNCR), criado em
junho deste ano, como parte do decreto que transformou o programa Celular
Seguro em política permanente de segurança pública.
O
ministro Wellington César Lima e Silva usou dados do Fórum Brasileiro de
Segurança Pública (FBSP) para ilustrar como os furtos e roubos de celulares
passaram a estar entre os principais receios da população, atingindo 78,8% dos
brasileiros – 83,2% também temem golpes pelo celular via internet.
“A
mesma pesquisa sugere que 36,5% das pessoas mudaram seus trajetos, 35,6%
deixaram de sair a noite, 38,5% deixaram de sair com celular por medo de roubo
e furtos. Portanto, o roubo de celulares se tornou, sem dúvida nenhuma, um dos
crimes que mais impactam a percepção de segurança pública da população
brasileira nos termos dessa pesquisa”, afirmou o ministro, que confirmou que 23
das 27 unidades da federação estão participando do esforço concentrado. Em
alguns casos, nós temos um ciclo completo, no qual o dispositivo chega,
inclusive, às mãos do crime organizado nos presídios. A única forma de
enfrentar o problema é por meio da integração federativa do Governo Federal e
do MJSP, com as polícias estaduais” - Wellington César Lima e Silva, Ministro
da Justiça e Segurança Pública.
Ao
longo desta quarta-feira, ações de recuperação e restituição de aparelhos,
notificações, fiscalizações em estabelecimentos comerciais e unidades
prisionais estão sendo conduzidas. Segundo o ministério, mais de 33,6 mil
pessoas que estavam em posse de celulares roubados ou furtados foram
notificadas para comparecerem a delegacias imediatamente – casos não
esclarecidos nas unidades de polícia podem gerar indiciamentos por receptação.
Segundo
o Código Penal, as penas para o crime de receptação variam de um mês a um ano
de detenção em caso de crime culposo (quando não houve intenção) e pode chegar
a 8 anos no caso, por exemplo, de revenda desses aparelhos.
Para
elevar as chances de ter um celular devolvido após recuperação pela polícia, é
possível cadastrar o CPF no aplicativo Celular Seguro, bem como dados do
aparelho, como o IMEI, uma espécie de identificação específica de cada celular.
O aplicativo já teve 850 mil consultas a IMEIs e recebeu, apenas entre janeiro
e julho de 2026, 626,6 mil cadastros de pessoas físicas no país.
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Outro lado
A
Pública procurou por e-mail os governos estaduais para entender as razões para
a não participação no esforço nacional e se há programas locais de
enfrentamento aos roubos e furtos de celulares especificamente.
De
acordo com a Secretaria da Segurança Pública do Tocantins, o estado faz parte
do Programa Celular Seguro, mas não participou da Operação Última Chamada
devido à falta de efetivo policial disponível, que “já se encontrava mobilizado
em outras ações coordenadas pelo próprio MJSP, a exemplo da Operação Mulher
Segura”. “A não participação nesta edição da Operação Última Chamada, portanto,
ocorreu exclusivamente em razão da impossibilidade de remanejamento do efetivo
diante do curto prazo entre a comunicação e a deflagração da ação”, afirmou em
nota a SSP/TO.
Segundo
a Secretaria da Segurança Pública do Estado do Paraná, o processo para
assinatura do termo de cooperação ao programa Celular Seguro “já está em
andamento”. “A Sesp ressalta ainda que apoia toda e qualquer iniciativa que
possa trazer mais segurança aos cidadãos e ao seu patrimônio. As forças de
segurança estaduais atuam continuamente no combate aos crimes relacionados ao
roubo, furto e receptação de celulares, desde o patrulhamento ostensivo à
investigação das ocorrências.”
Fonte:
Por Jéssica Ribeiro, da Agencia Pública

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