Plano
de Flávio de cortar R$ 200 bilhões “ou é mentira, ou vai levar idosos à
pobreza”, alerta ministro do Planejamento
Escalado
pelo presidente Lula para rebater as propostas do plano de governo do candidato
Flávio Bolsonaro (PL) para a economia brasileira, o ministro do Planejamento
Bruno Moretti fez um alerta grave em entrevista à Folha de S. Paulo, ao
comentar a promessa bolsonarista de cortar entre R$ 200 bilhões até R$ 250
bilhões dos gastos públicos, caso Flávio seja eleito presidente em 25 de
outubro.
Segundo
Moretti, não há possibilidade nenhuma de uma eventual equipe econômica de
Flávio fazer um corte desse tamanho sem atacar a Previdência Social e outros
benefícios vinculados ao salário mínimo, como o BPC, que é pago às pessoas com
deficiência. Dessa forma, na visão do ministro de Lula, ou Flávio “está
mentindo” sobre fazer um ajuste dessa ordem de R$ 200 bilhões, ou ele realmente
está disposto a levar idosos e pessoas com deficiência à “situação de pobreza”,
o que é ainda mais preocupante.
À
Folha, o ministro explicou que para chegar a um corte de R$ 200 bilhões, Flávio
necessariamente teria de mexer no salário mínimo e na aposentadoria dos idosos,
entre outros benefícios sociais. Primeiro, extinguindo a política de
valorização do salário mínimo, o que vai levar ao congelamento dos valores
pagos nos próximos anos. E como essa medida será insuficiente para alcançar os
R$ 200 bilhões que ele prometeu, ele terá de mexer também na vinculação dos
benefícios sociais ao salário mínimo e nas despesas obrigatórias da União, pois
é a única forma de “produzir uma queda de despesa acentuada, nessa ordem de R$
190 bilhões”.
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“E essa
é a tese que mais nos preocupa, porque desvincular os benefícios da Previdência
e do BPC do salário mínimo, é levar as pessoas idosas e com deficiência à
situação de pobreza. Porque se perder o nexo do salário mínimo com esses
benefícios, o valor desses benefícios ficará sujeito a um valor que ninguém
conhece”, comentou Moretti.
“Então
temos duas hipóteses: ou é mentira que esse ajuste será feito (e aí fica
difícil compreender uma certa euforia do mercado com a proposta), ou, por outro
lado, se esses cortes forem feitos, repito: não há hipótese senão através do
corte expressivo de despesas discricionárias e, como isso não será suficiente,
implicará em corte de despesas obrigatórias, que na prática só se faz nessa
ordem de grandeza se, além de extinguir os ganhos reais do salário mínimo,
fizer a desvinculação, ou seja, disser que esses benefícios sociais
[aposentadoria, BPC, etc] não estão mais lastreados no salário mínimo“, pontuou o ministro
de Lula.
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Aposentadoria aos 75 anos? Ex-juíza previdenciária alerta
para os impactos do plano de Flávio Bolsonaro
Com uma
trajetória dedicada à Justiça Previdenciária, a ex-juíza federal Luciana Bauer
fez um alerta grave ao GGN sobre os riscos que o plano econômico do candidato
Flávio Bolsonaro (PL), com um corte projetado entre R$ 200 bilhões e R$ 250
bilhões no orçamento, representa para os direitos trabalhistas e sociais no
Brasil.
Relembrando
sua experiência no julgamento de causas trabalhistas e previdenciárias, Bauer
destacou a gravidade de colocar em xeque garantias conquistadas ao longo de
décadas de trabalho.
“A vida
toda eu fui juíza previdenciária e o meu maior orgulho, a coisa que mais me
sensibilizava era pegar a carteira de trabalho de pessoas e ver ali uma foto de
20, 30, 50 anos as pessoas que começaram a trabalhar ainda na adolescência,
pois todos esses direitos podem ser postos em xeque e as pessoas se aposentarem
só depois de 70, 75 anos”, afirmou a ex-juíza e hoje fundadora do Jusclima.
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Ameaça ao pequeno agricultor e ao LOAS/BPC
Além do
aumento da idade de aposentadoria e da precarização das garantias trabalhistas,
a ex-magistrada chamou atenção para os impactos no campo. Segundo ela, o
“tesouraço” atinge o segurado especial rural — o pequeno produtor que não
recolhe ao INSS de forma tradicional, mas pela comercialização de sua produção
agrícola, com emissão de nota fiscal. Ou seja, penalizar esse setor
comprometeria, ainda, a própria segurança alimentar do país.
“Segurado
especial rural que não recolhe INSS de forma normal, mas sim pela nota fiscal
da sua pequena produção agrícola. Eles também correm risco com a reforma de
Flávio Bolsonaro, com o corte de 250 bilhões do orçamento. E o pequeno
agricultor rural que é esse segurado especial rural, é essencial para a
produção de alimentos nas grandes cidades, nas periferias de Minas Gerais, Rio
de Janeiro, São Paulo, Paraná, todo o Brasil. Eles levam o Brasil nas costas em
termos de segurança alimentar. Temos que protegê-los”, ressaltou.
Bauer
também advertiu para o risco iminente de desmantelamento de benefícios
assistenciais essenciais, como o Benefício de Prestação Continuada (LOAS/BPC). “Com
corte de Flávio Bolsonaro de mais de 250 bilhões, como a própria [chefe da
campanha de Flávio] Daniela Marques coloca, nós estamos em risco de perder o
LOAS, o benefício que atende idosos e pessoas com deficiência e agora também
mulheres vítimas de violência. Então vamos para cima. Nenhum direito a menos”,
pontuou.
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Pluralidade e risco de autoritarismo
Para
além das perdas socioeconômicas, Luciana Bauer chamou atenção para as propostas
de revisão constitucional defendidas pela ala bolsonarista, avaliando que a
tentativa de impor dogmas religiosos ao texto constitucional fere o Estado
laico e a convivência democrática.
“Precisamos
falar sobre perseguição religiosa. Por quê? Porque o grande desafio das novas
constituições é como gerenciar a pluralidade. E esse gerenciamento justamente é
feito de forma magnífica pela nossa Constituição. Quando Flávio Bolsonaro
ameaça mudar a Constituição e fazer de Jesus Cristo o personagem central desta
Constituição, nós temos a nossa religião católica, budista, umbandista, e os
nossos direitos sociais em perigo. Por quê? Porque uma minoria bolsonarista,
que não é nem a direita racional e nem à esquerda, vão estar no poder para
implementar uma ditadura. Sim, uma ditadura. Porque quando a minoria não
respeita a maioria e quando a maioria não respeita a minoria, num estado
plural, isso é ditadura”, concluiu.
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Governo desmente viabilidade do corte sem atingir aposentadorias
O
alerta de Luciana Bauer vai ao encontro das avaliações do Ministério do
Planejamento.
Em entrevista recente à Folha de S.Paulo, o ministro Bruno Moretti,
escalado pelo presidente Lula para analisar a proposta econômica de Flávio
Bolsonaro, afirmou ser impossível alcançar uma tesourada de R$ 200 bilhões a R$
250 bilhões sem cortar despesas obrigatórias.
Segundo
Moretti, para atingir o montante prometido, a equipe bolsonarista teria
obrigatoriamente de extinguir a política de valorização do salário mínimo e
desvincular o piso nacional dos benefícios da Previdência Social e do BPC. Na
avaliação do ministro, a medida jogaria milhões de idosos e pessoas com
deficiência diretamente na pobreza.
Fonte:
Jornal GGN

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