Embate
de Lula com a Meta expõe desafios para fiscalizar redes sociais
A
campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acusa a
Meta, dona do Facebook, Instagram e WhatsApp, de favorecer conteúdos do
adversário do petista, o senador Flávio Bolsonaro (PL). A empresa nega essas
acusações.
Um
levantamento divulgado pela Secretaria Nacional de Comunicação do PT aponta que
a página de Flávio tinha, em média, 2,96 vezes mais engajamento que a de Lula,
mesmo com 17,2% seguidores a menos.
Entre
os pontos listados pela campanha do petista estão a suposta redução do alcance
de publicações de Lula, retirada de conteúdo e dificuldades para impulsionar
postagens em determinados dias. O caso foi levado pelo partido ao Tribunal
Superior Eleitoral (TSE).
Em
nota, a Meta admite que houve problemas técnicos em todo o mundo. A big tech
americana nega que tentou favorecer algum candidato no Brasil e diz que trata
da mesma forma as duas candidaturas presidenciais. "Cumprimos com as
normas eleitorais e estamos comprometidos com a isonomia do uso das nossas
plataformas por todos", afirma a empresa.
Ao
Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a empresa de tecnologia disse que houve uma
falha técnica global que afetou as visualizações de diversos perfis no mundo,
inclusive o de Lula. Já em relação a contas de terceiros citadas na petição da
equipe de Lula, a Meta se negou a fornecer detalhes, sob o argumento de que não
integram o processo e têm direito ao sigilo.
Não é a
primeira vez que a big tech é acusada de favorecer partidos de extrema direita.
A empresa já foi alvo de acusações parecidas em eleições de países como
Alemanha, Itália e Polônia. A Meta sempre alega que cumpre as normas locais e
nega qualquer favorecimento a um determinado candidato.
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O que há de concreto nas alegações da campanha petista?
Para os
especialistas, a acusação feita pela campanha de Lula é complexa, porque as
plataformas não costumam esclarecer o modo de funcionamento de seus algoritmos,
que são os responsáveis pela distribuição de conteúdos aos usuários.
"É
muito difícil afirmar que há uma interferência na campanha do Lula, somente com
base nos dados que conseguimos ter acesso hoje. Não é que essa interferência
não possa existir, mas as plataformas hoje funcionam como uma caixa-preta, em
que as recomendações dos algoritmos não são mapeadas", afirma Débora
Salles, coordenadora de pesquisa do Laboratório de Estudos de Internet e Redes
Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (NetLab UFRJ).
Segundo
ela, mesmo que as plataformas possam oferecer alguns dados quando solicitados,
há muitas limitações. "Eles dão acesso basicamente ao conteúdo, mas não às
decisões de recomendações aos usuários e o impacto disso no que os usuários
efetivamente consomem", diz Salles.
Há
alguns estudos que apontam que os algoritmos tendem a distribuir de forma mais
rápida os conteúdos considerados mais simples, com argumentos e frases mais
curtas. "Esse tipo de conteúdo mais simples é uma das características de
alguns grupos que a gente pode chamar de extrema direita ou direita
radical", diz o cientista político Kleber Carrilho, pesquisador e
professor da Universidade de Helsinque, na Finlândia.
Por
essa característica, diz Carrilho, é comum que a extrema direita consiga um
alcance maior. Isso porque os especialistas dizem que a comunicação da esquerda
costuma focar na apresentação de propostas e fatos, o que nem sempre culmina em
publicações virais.
"A
esquerda tende a não ser tão incisiva, tende a falar de projetos", afirma
Carrilho. "Então, não é tão simples assim. Não é simplesmente: ‘Nossa, eu
fui lá e apertei o botão, e o conteúdo foi distribuído'. Na verdade, existem
camadas de desenvolvimento muito anteriores a esse momento em que pode ocorrer
essa distribuição", acrescenta.
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Visualização e recomendações do algoritmo
Em
2024, Carrilho participou de estudos sobre as eleições parlamentares europeias.
"Foi um trabalho com dez países da Europa, que reuniu vários
pesquisadores. Notamos que a direita tem maior distribuição. Mas quando você
faz uma análise do conteúdo da extrema direita, nota que um político dançando
no Parlamento tem uma distribuição muito maior nas redes. Outra coisa é um
discurso de cinco minutos. É o mesmo parlamento, mas o conteúdo [da dança] é
mais relevante para aquela rede", afirma.
Com
base naquilo que dá visualização, dizem os especialistas, os algoritmos das
redes costumam definir as recomendações e outros tipos de publicações que terão
mais destaque nas plataformas.
Os
pesquisadores mencionam também o impacto da extrema direita por meio de
inúmeros propagadores de seus conteúdos, o que faz com que o alcance das
publicações não se restrinja aos perfis oficiais.
"Mesmo
que o Flávio, enquanto pessoa, tenha menos seguidores, ele está amparado por
uma rede de capilaridade de distribuição de conteúdos. Ainda falta ao campo
progressista a construção dessa rede. E o que compõe essa rede não são apenas
pessoas individuais, mas também essa dinâmica de pequenos, médios e grandes
influenciadores", diz Mayra Goulart, coordenadora do Laboratório de
Partidos Eleições e Política Comparada (LAPPCOM) da UFRJ.
"Nessa
nova forma de organização da opinião pública, não existe uma separação nítida
entre emissor e receptor. Esses influenciadores, ao mesmo tempo que são
emissores de conteúdo, recebem conteúdo e dialogam com ele. É essa dinâmica
espontânea que coloca a extrema direita relativamente à frente do campo
progressista nas redes", acrescenta.
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A regulamentação das redes
Na
Europa, as plataformas são obrigadas a impedir interferências eleitorais desde
novembro de 2022, quando entrou em vigor uma lei chamada Regulamento dos
Serviços Digitais (ou DSA, como é conhecida). Isso inclui que elas devem
esclarecer sobre as atividades de moderação que fazem.
"Por
mais que ofereçam informação na Europa, o que já é algo a mais do que temos
hoje no Brasil, eles ainda têm problemas com isso. Já aqui no Brasil, as
plataformas não são obrigadas a dar nenhum tipo de esclarecimento [sobre os
algoritmos]", diz Salles.
A
pesquisadora frisa que essa falta de transparência se aplica à moderação de
conteúdo, alcance de publicações, exclusão de posts e perfis nas redes, entre
outras medidas adotadas pelas plataformas.
Um dos
receios da campanha de Lula é de que a Meta esteja agindo sob o pretexto de
apoiar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em uma tentativa de
prejudicar o petista. Em janeiro de 2025, no início do atual mandato do
presidente americano, o dono da Meta, Mark Zuckerberg, afirmou que atuaria com
o republicano contra países ou governos que defendem algum tipo de
regulamentação das redes sociais.
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Interferência americana?
Desde o
início da campanha, a equipe de Lula tem receio de uma possível interferência
americana nas eleições a favor de Flávio. Uma das possibilidades que passou a
ser cogitada é de que o republicano fizesse eventual interferência a favor dos
Bolsonaro por meio de big techs.
"A
situação do Brasil se torna mais perigosa, ou mais controversa, porque existem
alegações de possíveis interferências estrangeiras e possível uso das empresas
especialmente pelos Estados Unidos", diz Salles. Ela frisa, porém, que
como não há detalhes do funcionamento do algoritmo das redes em relação à
disputa eleitoral, não há como comprovar ou até mesmo negar uma possível
interferência americana. "Vira um pouco de especulação."
O
cenário atual evidencia a importância da regulamentação das redes no país, para
que as plataformas esclareçam a forma como moderam os conteúdos, dizem os
especialistas. "Essa regulamentação deve tornar mais nítido, mais claro,
como as redes organizam essa dinâmica de distribuição e hierarquização de
conteúdos", avalia Goulart.
Carrilho
acredita que ainda que haja uma regulamentação, dificilmente as plataformas vão
detalhar como funcionam seus algoritmos. "Não dá para dizer que não há
[favorecimento a determinado partido] nas plataformas atualmente, mas não há
possibilidade de verificação instantânea disso. O algoritmo não está aberto e
não vai ficar, mesmo que a Justiça brasileira mande. Sabemos que há limites,
até porque é ‘segredo industrial' dessas empresas", afirma Carrilho.
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As regras do TSE
Neste
ano, o TSE estabeleceu novas regras para a propaganda eleitoral nas redes, mas
especialistas dizem que ainda há dificuldades para lidar com questões como o
uso dos algoritmos.
As
regras estabelecem limites para a atuação das plataformas digitais durante a
campanha. Entre as medidas estão restrições à recomendação de perfis oficiais
de candidatos, proibições ao uso de inteligência artificial para favorecer ou
recomendar candidaturas e exigências de transparência na publicidade política.
Essa
regulamentação também prevê medidas contra a desinformação eleitoral e práticas
de manipulação do alcance de conteúdos, além de estabelecer condições para o
impulsionamento pago de propaganda. Conforme o TSE, essas normas têm o objetivo
de evitar favorecimento a determinado candidato por meio das plataformas.
"No
caso das dinâmicas político-eleitorais, o Tribunal Superior Eleitoral exigiu,
neste ano, que fosse entregue o plano da Meta para a distribuição e a
hierarquização de conteúdo e a moderação de conteúdo. E isso foi entregue. Se
há efetiva transparência no cumprimento desse plano, a gente ainda não
sabe", afirma Goulart.
A ação
da campanha do PT contra a Meta segue no TSE. Após a big tech apresentar defesa
e negar qualquer irregularidade para favorecer Flávio, a Justiça pediu
manifestação da coligação de Lula para seguir com o processo.
• Políticos influenciadores transformam
campanhas no Brasil
Com
mais de 3 milhões de votos recebidos no último domingo (04/10), Nikolas
Ferreira (PL-MG) se tornou o deputado federal mais votado da história do
Brasil. Lucas Pavanato (PL-SP) ficou logo atrás, com votação também acima dos 3
milhões.
Os dois
construíram uma base fiel de seguidores — e de eleitores — através das redes
sociais. Em vídeos publicados em seus perfis, dialogam com um público
conservador falando de pautas como segurança pública e defendendo o que chamam
de "família tradicional", além de posicionarem veementemente contra
os direitos de pessoas trans e as cotas raciais.
O
fenômeno se estende também a deputados alinhados à esquerda. Erika Hilton
(PSOL-SP), reeleita para a Câmara com mais de 1,5 milhão de votos, e Ana Elisa
(PT-MG), escolhida para o primeiro mandato por mais de 500 mil eleitores,
também têm uma presença forte nas redes.
"A
rede social foi tratada como demérito várias vezes", disse Ana Elisa em um
vídeo publicado em seu perfil no Instagram na segunda-feira (05/10). Com o
sucesso nas urnas, a jovem de 21 anos foi chamada para participar da estratégia
digital da campanha de Lula para o segundo turno. "Não existe mais
separação entre redes e ruas. Quem está nas ruas está nas redes. A discussão
está aqui. A vida está sendo pautada na tela do telefone", afirma.
"É
uma consolidação de algo que a gente vem observando pelo menos desde 2016,
talvez até um pouco antes", afirma a diretora de pesquisa e operações do
InternetLab, Heloisa Massaro. "Houve uma mudança significativa na forma de
fazer campanhas, na forma como as pessoas consomem informação política, onde
vão procurar sobre os candidatos."
A
centralidade das redes sociais é predominante especialmente entre o público
jovem. Em 2026, a pesquisa Digital News Report, do Instituto Reuters, mostrou
que as redes sociais são a principal fonte de notícias de 39% dos jovens de 18
a 24 anos.
"As
redes sociais aparecem como esse lugar onde as pessoas sentem que conseguem
construir seu próprio ecossistema de informação e conteúdo e encontrar
informações plurais e diferentes", diz Massaro.
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Fenômeno global
O
fenômeno não é exclusivo do Brasil. Para a pesquisadora Emma Connolly, da
Universidade de Ottawa, dinâmicas semelhantes podem ser observadas em diversos
países. "Os políticos não são apenas bons políticos. Eles também são
usuários habilidosos das redes sociais, ou pelo menos contam com uma equipe de
mídia social competente por trás deles."
A
tendência vem se construindo há mais de uma década, mas Heloisa Massaro cita a
primeira eleição de Donald Trump nos Estados Unidos, em 2016, como um ponto de
virada. A campanha pelo Brexit, no Reino Unido, em 2018, também movimentou as
redes. No mesmo ano, Jair Bolsonaro conseguiu se eleger presidente do Brasil
mesmo tendo pouco tempo de TV e rádio no horário eleitoral gratuito durante o
primeiro turno.
Como
exemplos internacionais dos últimos anos, Connolly cita o prefeito de Nova
York, Zohran Mamdani, e o atual primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham.
Ao
mesmo tempo, as plataformas digitais também mudaram. Se, em 2012, a campanha de
reeleição de Barack Obama se destacou pelo uso do Facebook para mobilizar
eleitores, hoje políticos disputam atenção principalmente em plataformas de
vídeos curtos, competindo não apenas com adversários, mas também com
influenciadores, entretenimento e uma infinidade de outros conteúdos.
"A
divisão entre influenciador e político vai ficando cada vez menos clara",
explica Massaro.
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O político influenciador
Nesse
ambiente, argumenta Connolly, não basta ter uma mensagem política clara. É
preciso adaptá-la ao público-alvo e aos formatos e linguagens de cada
plataforma, independente do espectro politico do candidato.
Além
disso, a pesquisadora Heloisa Massaro destaca que os atores políticos constroem
sua imagem e sua base de seguidores nas redes ao longo de anos, e não apenas
nos meses de campanha oficial.
E o
sucesso online depende da capacidade de construir relações com o público.
"O público quer cada vez mais sentir que existe uma relação direta com os
políticos. E acho que é por isso que as redes sociais têm funcionado de forma
especialmente eficaz em movimentos populistas, por exemplo", afirma
Connolly. Para a pesquisadora, as redes ajudam a reduzir a distância entre
representantes e público, criando a percepção de uma relação mais próxima e
pessoal.
"Os
atores políticos têm um trabalho realmente difícil. Eles precisam aparecer nas
redes sociais de uma forma que seja considerada autêntica, o que não é
fácil", acrescenta ela.
Massaro
cita uma pesquisa realizada pelo InternetLab sobre a relação de jovens com
influenciadores: "Tem muito uma camada de olhar para esses influenciadores
como 'gente como a gente'. Gente que veio de onde a gente veio".
Tradicionalmente, os políticos, assim como as celebridades, estariam num lugar
mais distante. A figura do político influenciador consegue explorar essa
sensação de proximidade.
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Eleitor faz parte da campanha
Os
eleitores, por sua vez, deixaram de ocupar apenas o papel de receptores da
mensagem política. Segundo Massaro, eles se transformaram em agentes ativos das
campanhas: "A campanha passa a ser uma campanha em rede". Ao
comentar, compartilhar ou interagir com o conteúdo, os eleitores ajudam a
ampliar sua circulação e alcance, influenciando o debate público.
"Uma
das principais mudanças que estamos observando diz respeito ao que os atores
políticos esperam do público em termos de engajamento", acrescenta
Connolly. "A comunicação não acontece mais apenas em um único sentido, do
político para o público. Hoje, ela também ocorre entre os próprios membros do
público e partindo do público de volta para os atores políticos. É um ambiente
muito mais dinâmico."
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Desafios da Justiça Eleitoral
Com as
novidades na dinâmica da campanha, a Justiça Eleitoral precisou adaptar as
regras prevendo a disputa do campo digital. Hoje, a legislação proíbe disparo
de mensagens de conteúdo político-eleitoral em massa, e prevê o monitoramento e
a remoção de publicações mentirosas.
Influenciadores
digitais podem demonstrar apoio espontâneo a candidatos, mas não podem ser
contratados e pagos para publicar propaganda eleitoral. O impulsionamento de
conteúdo nas plataformas é permitido, se partir dos partidos e coligações, e
precisa ser claramente identificado. E a campanha precisa prestar contas do
dinheiro gasto na estratégia digital.
Neste
ano, oTribunal Superior Eleitoral (TSE) também determinou que os algoritmos das
redes sociais não poderão recomendar os perfis e publicações de candidatos para
usuários que não os seguem.
"Acho
que no cerne de tudo isso está uma discussão sobre como garantir algum nível de
igualdade de chances num ambiente onde não é tão claro o que faz com que uma
pessoa tenha mais alcance e mais engajamento", analisa Massaro.
Connolly
também aponta a falta de transparência das plataformas como um desafio para a
comunicação política: "Não temos uma boa noção de como isso funciona
porque a opacidade dos algoritmos torna muito difícil rastrear exatamente a
trajetória de uma determinada narrativa política. E isso dificulta bastante o
planejamento das campanhas em alguns aspectos."
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Comunidade offline ainda tem influência
As
especialistas destacam que, apesar do crescimento da importância das campanhas
nas redes, o mundo offline não perdeu a influência nas decisões de voto.
"Não é só sobre uma disputa dentro das redes. Muitas vezes elas funcionam
como ferramentas", defende Massaro. "No Brasil, por exemplo, a gente
tem um poder muito grande das religiões, por exemplo", aponta.
"Acho
que os atores políticos estão vivendo um momento um pouco complicado, porque
não podem se dar ao luxo de não usar as redes sociais. Acho que hoje é dado
como certo que elas representam uma parte enorme das campanhas", afirma
Connolly. "Mas, ao mesmo tempo, elas não podem substituir tudo o mais que
faz parte de uma campanha."
Massaro
conclui: "Não dá para continuar fazendo campanha como se fazia antes e
achar que vai funcionar, usar a mesma linguagem e forma de mobilização no
ambiente das redes sociais. Ao mesmo tempo, também não dá para acreditar que
apenas uma boa linguagem digital e uma disputa na rede vai resolver tudo."
Fonte:
DW Brasil

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