‘A
Meta está comprovadamente sabotando as eleições’, diz Letícia Cesarino
A Meta,
dona do Instagram e do Whatsapp, está interferindo nas eleições brasileiras,
afirma a antropóloga Letícia Cesarino, professora da Universidade Federal de
Santa Catarina e autora de “Ecologias de crise: uma teoria cibernética da
radicalização“, seu mais novo livro lançado pela editora Ubu.
Nos
últimos dias, usuários mostraram que a inteligência artificial da Meta no
WhatsApp aceita pedidos para gerar imagens com “Flávio 22”, mas teria
restrições para fazer a mesma coisa quando o prompt vem com “Lula 13”.
É mais
um caso de muitos relatados durante as eleições. A ONG CTRL+Z reuniu mais de
mil casos de censura, banimentos, restrições a contas e queda no alcance de
perfis do Instagram que postaram sobre as eleições no Brasil. A maioria das
interferências aconteceu com perfis favoráveis a Luiz Inácio Lula da Silva,
presidente do Brasil e candidato à reeleição pelo PT.
Quando
questionada pela campanha de Lula no Tribunal Superior Eleitoral, o TSE, a
empresa de Mark Zuckerberg negou interferência eleitoral, e disse que um
problema com as visualizações de postagens do presidente Lula foi causado por
uma falha técnica global. Não é a primeira vez que a campanha do petista é
afetada pelas plataformas da empresa: em setembro, o uso de anúncios foi
desabilitado temporariamente para o perfil de Lula no Facebook.
O
impasse político brasileiro é tecnopolítico: não dá para falar de política,
eleição e comunicação sem falar das redes sociais, que fazem um “parasitismo”
com a vida offline, trazendo a lógica da economia da atenção e da manipulação
das plataformas para o mundo fora delas.
Na
conversa com o Intercept Brasil, Cesarino deixa claro que as plataformas não
são simples ferramentas que podem ser usadas de forma boa ou ruim. Elas são
ambientes, que a antropóloga compara a um rio: tem um fluxo, um sentido, e quem
nada na mesma direção da correnteza ganha uma ajudinha do rio.
No caso
das redes sociais, essa correnteza é o algoritmo, que se move no sentido da
extrema direita, privilegiando posts e pautas extremistas, como a antropóloga
já argumentou no livro “O mundo do avesso“. As plataformas, então, estão bem
longe de ser ferramentas neutras.
Agora,
em seu novo livro, Cesarino estuda como as plataformas intensificam a
radicalização, levando jovens a participar de comunidades extremistas,
caracterizadas por violência e misoginia.
Os
grupos vão desde “celibatários involuntários”, conhecidos também como incel,
que acreditam que são perdedores na loteria biológica e, portanto, indesejáveis
para as mulheres, ou panelas de Discord que incentivam automutilacão e até
suicídio.
Neste
ano, Cesarino também lançou o livro “Cartografia da extrema direita”
(Contracorrente), junto das pesquisadoras Marina Basso Lacerda e Isabela Kalil.
Na entrevista, a antropóloga argumenta que muitas dessas trajetórias de
radicalização se associam à extrema direita, que usa a misoginia para benefício
eleitoral, como no caso dos recém-eleitos Lucas Pavanto e Eduarda Campopiano,
do PL de São Paulo.
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Leia a conversa do Intercept Brasil com a antropóloga Letícia Cesarino.
• O primeiro turno das eleições apresentou
resultados muito difíceis para o campo progressista. A partir de 2027, o Brasil
vai ter uma maioria de extrema direita no Senado. Qual papel as redes sociais
tiveram nisso? Já falamos da importância delas em eleições desde 2018, mas
aconteceu algo diferente em 2026?
Letícia
Cesarino — A disrupção das redes sociais vem desde, pelo menos, 2013, quando
houve as manifestações [Jornadas de Junho] e a virada na venda de smartphones
no Brasil. Para esse ciborgue da vida real, que é a nossa relação com as
máquinas, funcionar, tem que ter um nível de capilarização. Em 2018, a gente
chega nesse nível de difusão, inicialmente com Facebook e WhatsApp.
Desde
então, a gente teve uma modificação nesse padrão, com a importância das redes
sociais de vídeos curtos. O Instagram não era uma presença de peso em 2018.
Veio o TikTok, a “tiktokzação” do Instagram e agora até os próprios aplicativos
de mensageria entraram nessa dinâmica de compartilhamento de vídeos curtos.
Esses
ambientes digitais são uma camada paralela da realidade que atravessa a vida
offline. Ela está junto da vida real, mas não segue a mesma lógica da vida
real. Há um aspecto de simulação, de fantasia, e para a maioria dos usuários
esse caráter simulado das plataformas – que são, por desenho, ambientes de
manipulação e de influência – não está claro por causa de alienação técnica.
No
começo, eu abordei que as plataformas fazem colapsar as diferenças entre
público e privado, fato e ficção. Agora, estamos num contexto de englobamento
do real pelo digital. Simulações e fantasias que se consolidaram no digital
estão se materializando na vida real. É quase um parasitismo, uma colonização.
Nessa
eleição de 2026, houve um ponto de virada, e essas tendências que estavam
crescendo talvez se tornem a nova norma. Mais políticos com esse perfil de
nativos digitais, que fizeram seus mandatos e suas trajetórias dentro da lógica
da economia de atenção, foram eleitos. Parte dos partidos de direita e do
centrão se bolsonarizou, entrou dentro dessa lógica. É o que aconteceu também
no Partido Republicano, nos Estados Unidos, que se trumpificou.
O que
causou isso foi uma tendência de extremização e a normalização do extremismo. O
próprio Flávio Bolsonaro representa um pouco disso, porque ele tem essa
dualidade de moderado e extremista ao mesmo tempo. Tarcísio de Freitas e
Ronaldo Caiado também são assim.
• Durante a campanha, tivemos alguns
exemplos de interferência das big techs. O Instagram derrubou a conta do
Revelando Brasil depois da viralização de um vídeo com Fábio Porchat sobre o
Caso Master. A Meta desabilitou temporariamente o uso de anúncios pela campanha
do Lula. É possível enxergar nisso uma ação das empresas de tecnologia em favor
do campo bolsonarista, em associação com Trump, ou não temos evidências
suficientes para falar isso?
Evidência
a gente nunca vai ter. Esse problema é estrutural. As plataformas têm um viés
técnico, uma arquitetura que beneficia a extrema direita. E as plataformas são
inauditáveis.
Eu não
tenho a menor dúvida que essa interferência está acontecendo. Depois que Donald
Trump foi eleito para seu segundo mandato, Mark Zuckerberg gravou um vídeo
dizendo que a Meta estava entrando em uma nova era, com mudanças profundas em
moderação, fact-checking e possibilidade de impulsionamento de conteúdo
político, abaixando contenções para discursos homofóbicos e eugênicos.
O vídeo
mostrava que Zuckerberg faria o que fosse preciso para garantir os interesses
de Trump, que também são interesses da própria Meta.
A
segunda eleição de Trump foi o ponto de virada, porque, como indica o
[cientista político Steven] Levistky é no segundo mandato que os autocratas
conseguem se encastelar no poder. Isso coincidiu com a corrida das IAs, quando
finalmente os Estados Unidos têm uma concorrente à altura: a China. Quase 30
anos sem regulação dessas empresas estadunidenses de tecnologia e agora, com os
chineses, elas têm sua primeira possível barreira de contenção.
As
empresas e Trump têm um inimigo em comum, a China. Agora vemos eles, unidos, se
voltando para a América Latina, com os Estados Unidos se reposicionando como um
império regional. O Brasil é a peça que falta ser conquistada no tabuleiro do
continente.
Uma
evidência muito clara de interferência da Meta é o vídeo do Pix do Nikolas
Ferreira. Aquele alcance é matematicamente impossível. Já estava dado, ali, que
eles estavam fazendo testes com o algoritmo.
• Apesar disso, ainda há disputa a ser
tida nas redes sociais? É possível fazer campanha nesse campo minado?
Sim,
sempre dá. Mas você precisa ter consciência de onde está jogando. As
plataformas não são simples mídias ou tecnologias, mas sim ambientes paralelos
ao da vida real, territórios de soberania paralela privada estrangeira.
É como
um rio, que não é neutro porque puxa para um lado, tem correnteza. Essa
correnteza são os algoritmos. Dá para nadar contra a correnteza e ganhar
terreno. Jones Manoel, Ana Elisa, a Giovana Mondardo aqui em Santa Catarina,
todos fazem isso, usam bem as redes sociais. Mas enquanto eles têm que nadar
contra a correnteza, Nikolas Ferreira, Lucas Pavanato, Júlia Zanatta e Gustavo
Gayer estão flutuando, nadando com a ajuda da correnteza.
Para a
eleição do Executivo Federal de 2026 é preciso fazer tudo, o possível e o
impossível, porque é um ponto de virada. Quem ganhar vai ficar quatro anos no
poder, e em quatro anos essa virada autoritária vai acontecer se o Flávio for
presidente. E a Meta está sabotando. Com ela não sabotando, já seria
desfavorável. Agora, ela acelerou o ritmo da corrente.
Nessa
situação, eu vejo que qualquer resultado eleitoral é possível, se nada grande
acontecer no meio do caminho. O Flávio pode aumentar sua margem de votos, o
Lula pode virar.
Estratégias
híbridas, focando no digital e na vida real, podem ser úteis. Quando você posta
coisas no status do WhatsApp, é uma forma de tirar a mediação algorítmica,
porque o WhatsApp não tem algoritmo. Sua rede de relações sociais, encontros
face a face, tudo isso não tem algoritmo. Uma coisa não exclui a outra, então
não é pra ficar brigando com o coleguinha que está fazendo algo diferente de
você. Não interessa. Quanto mais a gente fizer, melhor. Tem que fazer tudo.
A gente
não pode ficar preguiçoso ou esmorecer: um vídeo nas redes pode quebrar a
expectativa de alguém, cada novo eleitor pode ser ganho por uma quebra de
expectativa diferente. Cada um vai funcionar de um jeito. Furar bolha, para
mim, é isso: gerar desconforto para a pessoa sair do lugar em que ela está. Até
o dia 25 [data do segundo turno das eleições], o caminho é sair atirando para
todos os lados. Porque não é uma estratégia só que vai funcionar.
• Você deixa muito claro que as
plataformas virtuais não são só ferramentas, mas sim ambientes que influenciam
seus usuários. Qual o problema de individualizar nossos problemas com redes
sociais, sem reconhecer esse aspecto ambiental? Como lidar com patologias
individuais, como a radicalização que você aborda em “Ecologias de crise”,
levando em conta que são são maiores que o indivíduo, acontecem em relação com
o ambiente?
No caso
da radicalização, esses meninos que fazem massacres são sintomas de uma
extremização da ecologia maior em que eles estão inseridos. E as plataformas e
os algoritmos são fonte desse desequilíbrio, dessa patologia.
A
radicalização até está ficando mais explícita na ideologia de alguns dos CEOs
do Vale do Silício. Os neorreacionários são abertamente pós-democracia e
acreditam que ela é um sistema falido. Para muitos deles, é bom que a
democracia colapse, porque ela é um sistema degenerado que vai abrir espaço
para pequenos estados de soberania privada. Muitos desses magnatas da
tecnologia estão se radicalizando pessoalmente, em diferentes níveis, como
[Elon] Musk, Zuckerberg, Bezos, Peter Thiel, Marc Andreessen.
A
infraestrutura técnica que provoca a radicalização precisa ser substituída,
porque o Vale do Silício já tem uma hegemonia quase absoluta. Mas não é
impossível. Temos que começar a trabalhar nos pequenos espaços que temos,
montando servidores e construindo infraestruturas em universidades, sindicatos
e outros espaços. Algumas instituições já estão fazendo isso, recusando o
armazenamento de dados na nuvem do Google, por exemplo.
A
internet do futuro, se ela vier a existir depois do modelo verticalizado das
big techs, vai ser uma internet mais descentralizada, com tecnologias mais
amigáveis, sem a economia da atenção.
Mas
isso ainda está longe. No nível da proteção de sujeitos vulneráveis, como os
adolescentes, de salvar vidas, mesmo, algo que pode ser feito é tirar das
telas. O celular é o gancho que conecta a mente do indivíduo humano a essa
grande mente monstruosa, ciborgue, cibernética das plataformas. Essa é uma
forma de reduzir a influência do aparato na sua vida.
No caso
da democracia, é um pouco mais difícil. Há uma relação entre dois aparatos: um
institucional, com o estado democrático de direito, o jornalismo profissional e
a academia, que organizava o mundo pré-digital, e outro aparato que são as
plataformas.
É uma
contraposição de sistemas, e é diferente do caso da radicalização dos
adolescentes, que são sujeitos vulneráveis distribuídos em tudo quanto é tipo
de família. Não há um paliativo de proteção individual, a solução de sair das
telas. Você tem que transformar os partidos, tem que transformar como a
esquerda ganha as eleições, criar um modelo próprio para nadar no rio das redes
sociais, mas sem copiar completamente o que a direita faz.
• Homens jovens e solteiros têm mais
propensão a entrar em espirais de radicalização na internet. Globalmente, esse
demográfico também está mais propenso a votar em candidatos de extrema direita,
numa polarização política de gênero. Por quê?
Essa
propensão dos homens jovens e solteiros para a radicalização já estava presente
no neonazismo e no jihadismo antes da digitalização. Tem a ver com uma fase de
vida, mesmo. Quando um jovem começa a sair do núcleo doméstico, ele tem que
fazer a transição para ser uma pessoa autônoma na sociedade. A antropologia
chama isso de fase liminar, quando o indivíduo está saindo de uma estrutura
social e ainda não se inseriu em outra. Esse espaço liminar é a área de maior
risco para captura por organizações extremistas.
Mas por
que isso acontece mais com meninos do que com meninas, que também passam pela
adolescência? As pesquisas explicam que é uma questão de expectativa do papel
do homem na sociedade, porque quem vai fundar uma nova família, uma nova
estrutura social, é ele. Quando ele não consegue fazer essa transição com
sucesso, seja pela razão que for, ele pode ser capturado.
Quando
a radicalização começa no digital, começam a entrar outros fatores que tendem a
se somar a essas tendências que já eram observadas antes. O caso da machosfera
é muito claro, porque pega desde homens mais velhos, que já têm
relacionamentos, até adolescentes e pré-adolescentes, que entram em contato com
os incels, com um perigo de radicalização maior. Há diferentes trajetórias
possíveis de radicalização misógina digital.
Pesquisadores
argumentam que a misoginia foi capturada pela extrema direita digital, da mesma
forma que as teorias da conspiração também foram capturadas. E o uso da
misoginia tem recompensa. Você vê o [Lucas] Pavanato, aquela Eduarda
[Campopiano] e a quantidade de votos que eles fizeram, com um discurso até mais
extremo, levantando a questão do voto feminino. Não está tendo contenção e eles
estão sendo recompensados por isso. É um nicho em que os empreendedores
políticos podem prosperar muito. Os algoritmos incentivam e essa direita
instrumentaliza a misoginia, porque é benéfica para eles.
O
fascismo do século passado era sobre eugenia e raça, e esse fascismo de agora
parece ser sobre gênero.
• Muitas trajetórias de radicalização
partem do ponto de que é preciso mudar as normas vigentes, porque dentro delas
não há qualquer mudança possível. Em “Ecologias de crise”, você traz bastante o
filósofo e crítico cultural Mark Fisher, que refletia sobre o realismo
capitalista, essa ideologia que faz com que seja mais fácil imaginar o fim do
mundo do que o fim do capitalismo. O futuro está cancelado e não conseguimos
vislumbrar uma saída. O que é possível aprender com esses processos de
radicalização para pensar em formas de mudar as normas vigentes, mas não na
direção do extremismo e sim no sentido de uma sociedade mais igualitária e mais
justa?
No
“Ecologias de crise”, o processo que eu chamo de radicalização pode acabar
terminando em morte, violência extrema, atentado. Claro que nem todo mundo vai
até o final, mas a tendência é clara.
A
radicalização ocorre porque a transformação está bloqueada. Você não consegue
se readaptar ao nível de transformação que você precisaria. Na radicalização,
você passa por uma simulação de transformação, não uma transformação real.
A
solução real envolveria que nossos sistemas sociopolíticos voltassem a estar
livres para oscilar, para testar novas coisas, mas as plataformas bloqueiam
isso. Precisamos ter brincadeira, fantasia e storytelling, mas de forma
espontânea, longe da lógica de controle e simulação das big techs. Para que o
play [Cesarino usa a palavra em inglês por sua multiplicidade de sentidos, como
jogo, brincadeira, experimentação, diversão, encenação e contação de histórias]
possa produzir alternativas diante da crise. Ele precisa ser livre, exercendo
criatividade e forçando as fronteiras do possível e do pensável, com
infraestruturas que possibilitem arejar alternativas.
O
Fisher diagnosticou esse problema muito bem ao escrever sobre o realismo
capitalista. Com o fim do socialismo real – que foi ruim, mas existia como
alternativa –, veio um momento sem alternativa alguma. Esse realismo é a base
da radicalização de direita. A saída seria desbloquear a imaginação política. E
essa não é uma questão somente de organização política, mas de tecnopolítica.
Esse bloqueio não está só na cabeça das pessoas: ele tem uma infraestrutura
material, já que hoje nossa mente está delegada para esses ambientes digitais
que funcionam com uma lógica de controle.
Essa
alternativa não vai vir do nada. Temos princípios do comum, da igualdade,
princípios que precisam ser reorganizados num novo sistema, numa nova gramática
que não seja a mesma do socialismo e do anarquismo do século XIX, mas mantendo
as mesmas premissas. Uma nova gramática que consiga capturar demandas que hoje
estão sendo capturadas pela extrema direita. É como a Naomi Klein fala: as
teorias da conspiração erram nos fatos, mas acertam nos afetos.
·
Hoje,
um dos problemas que nos bloqueia é que as elites que nos controlam, as
plataformas, são invisíveis. Fica difícil achar que isso é um problema. Antes,
era possível personificar essas elites no patrão. Agora, muitos são patrões de
si mesmos. Você vai se odiar?
Esse
ódio geralmente é projetado no inimigo que a extrema direita vai te apresentar
como culpado de tudo. A radicalização da extrema direita também envolve um
nível contrarrevolucionário, de proteção do sistema, para que ele não precise
mudar.
Precisamos
de formas para fazer esse desbloqueio, que inicialmente pode ser numa chave de
imaginação mais abstrata, mas que em algum momento precisa se colocar em
infraestruturas reais. Para mim, a psicodelia tinha que estar rolando solta,
com a galera testando várias imaginações diferentes, vendo o que ganha tração.
Precisamos recolonizar esse espaço do imaginário.
Fonte:
Por Eduardo Lima, para The Intercept

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