sexta-feira, 16 de outubro de 2026

O mito da alta criminalidade entre imigrantes na Alemanha

Todos os anos, quando o Departamento Federal de Investigações da Alemanha (BKA) publica as estatísticas policiais de criminalidade, o partido de ultradireita Alternativa para a Alemanha (AfD) analisa os dados com especial atenção. Quantos crimes são atribuídos a refugiados, imigrantes e estrangeiros residentes na Alemanha?

Estudos de especialistas em mídia mostram que 95% dos comunicados de imprensa da AfD concentram-se em suspeitos não alemães, enquanto crimes envolvendo suspeitos alemães são praticamente ignorados.

No entanto, a narrativa comum da AfD – de que imigrantes são, por natureza, muito mais violentos – não corresponde à realidade. Susann Prätor, socióloga, criminóloga e professora da Academia de Polícia da Baixa Saxônia, examinou minuciosamente os dados de criminalidade na Alemanha em conjunto com colegas da Universidade de Zurique e do Instituto de Pesquisa Criminológica da Baixa Saxônia.

O grupo analisou não apenas o chamado "campo visível" – ou seja, todos os crimes que vieram à tona e constam nas estatísticas policiais –, mas também a "zona oculta": todos os crimes que não são denunciados nem descobertos, não aparecendo, portanto, em nenhuma estatística oficial, sendo identificados apenas por meio de pesquisas.

<><> Criminosos alemães são denunciados com menor frequência

"Segundo as estatísticas policiais, pessoas que não possuem cidadania alemã cometem crimes com mais frequência do que alemães. No entanto, estudos sobre a zona oculta comprovam que estrangeiros são denunciados com mais frequência. Nessa zona oculta, as diferenças entre os dois grupos também são perceptíveis, mas muito menos acentuadas", afirma Prätor.

Assim, no caso de crimes cometidos por estrangeiros, a probabilidade de que apareçam posteriormente nas estatísticas policiais de criminalidade é duas vezes maior do que no caso de delitos cometidos por alemães. As estatísticas registram todos os casos de suspeita e não indicam se tal suspeita se confirma.

Ao ajustar as estatísticas criminais para corrigir a distorção relacionada ao registro de ocorrências, a representação de estrangeiros deixa de ser 2,6 vezes maior que a de alemães, passando a ser 1,7 vezes maior. Esse índice coincide com os resultados de estudos sobre a criminalidade violenta juvenil que abrangem a chamada "cifra oculta" (crimes não registrados). Segundo esses estudos, jovens estrangeiros cometem atos de violência cerca de 1,6 vezes mais frequentemente do que jovens alemães.

Outros fatores que influenciam a prática de crimes são a idade e o gênero. Há uma proporção maior de homens jovens entre os estrangeiros, e esse grupo é o que apresenta a maior propensão à criminalidade em todas as sociedades.

"Ser jovem, do sexo masculino, ter baixa escolaridade e propensão à violência são categorias que favorecem a disposição para atos violentos. Uma certa concepção de masculinidade também desempenha um papel, independentemente de sua origem. No entanto, não identificamos um fator cultural, contrariando o preconceito de que a masculinidade e a violência teriam um peso maior em outras culturas", afirma Prätor.

Ela cita uma pesquisa sobre a aceitação da violência: 5% dos jovens alemães veem a violência de forma positiva. Entre os jovens sem passaporte alemão, esse índice é de 10% – embora seja o dobro, a criminóloga considera que isso não é suficiente para utilizar o fator cultural como explicação.

<><> Queda nos atos violentos cometidos por jovens

"A educação familiar desempenha um papel importante na formação de tais atitudes em relação à violência, pois essas posturas são moldadas no ambiente doméstico. Se eu vivencio a violência em casa, desenvolvo uma relação diferente com ela em comparação a quem não passou por essa experiência."

No entanto, a Alemanha está no caminho certo, afirma Prätor, mesmo que nem sempre pareça ser assim. "Há 50 ou 60 anos, a violência dos pais na educação dos filhos era muito mais comum do que é hoje. Além disso, a incidência de atos de violência cometidos por jovens é muito menor do que nas décadas de 1990 ou no início dos anos 2000."

Susann Prätor ressalta a importância de contribuir para uma abordagem mais objetiva do debate. Um exemplo ilustrativo disso são os registros policiais de crimes violentos graves – como lesão corporal perigosa, homicídio ou assassinato – presentes nas estatísticas criminais. "Entre 100 alemães, 0,2% cometem crimes violentos. Entre pessoas não alemãs, esse índice é de 0,6%."

Mas ela acrescenta: "Mais de 99% dos que vivem aqui na Alemanha – sejam de origem alemã ou não – ou seja, a vasta maioria da população, não cometem absolutamente nenhum crime violento grave."

<><> Alemanha precisa fazer mais pela prevenção

O apelo da criminóloga, que também forma futuros policiais, é claro: a classe política deveria enfatizar mais os aspectos positivos da migração. Segundo ela, o debate sobre a imigração na Alemanha tem sido marcado por uma visão excessivamente negativa, focada rigidamente nas estatísticas policiais de criminalidade. Ela ressalta que a grande maioria dos não alemães realiza um bom trabalho e se integra de forma excelente.

A especialista defende que o governo invista mais recursos na prevenção. "É preciso começar a atuar com crianças e jovens o mais cedo possível, fortalecendo as competências sociais já nas creches, dando continuidade a esse trabalho na escola e reagindo quando ocorrem incidentes específicos de violência. Também é importante investir em infraestrutura e atividades de lazer em determinadas regiões. Afinal, um fator central para a violência juvenil, independentemente da origem, é a falta de uma estrutura cotidiana que faça sentido para esses jovens".

¨      Polícia alemã investiga agressão sexual a adolescente envolvendo robô

Um robô de cerca de 1,20 metro de altura foi apreendido após um incidente ocorrido na madrugada de domingo (11/10) em Colônia, no oeste da Alemanha. Segundo a polícia, o equipamento teria tocado as nádegas de uma adolescente de 16 anos ee feito movimentos de conotação sexual..

De acordo com as autoridades, a jovem estava com amigas de 17 e 18 anos em frente a uma lanchonete na região quando o robô teria se aproximado por trás e praticado os atos.

Pouco depois, policiais localizaram os envolvidos nas proximidades. O robô foi encontrado no porta-malas de um veículo onde havia sido guardado por seu proprietário, um adolescente de 16 anos. Um homem de 19 anos que o acompanhava também foi identificado.

Segundo a investigação, os dois suspeitos teriam gravado o episódio, transmitido as imagens ao vivo nas redes sociais e comentado a ação durante a transmissão.

Imagens do suposto incidente circulam nas redes sociais.

<><> Streamer alega "acidente"

Um dos streamers publicou, entretanto, um breve trecho do ocorrido no TikTok, alegando que o robô desviou de um homem e acabou esbarrando em uma jovem apenas por acidente.

No entanto, vídeos mais longos da situação disponíveis na internet mostram o robô realizando movimentos de masturbação e de cunho sexual após a colisão com a jovem.

Segundo a polícia, um fator decisivo pode ser se as pessoas que acompanhavam o robô o estavam controlando. De fato, o fabricante divulga que o robô – que custa cerca de 5 mil euros (R$ 28 mil) – opera de forma autônoma, embora seja possível ensinar movimentos ao aparelho demonstrando-os a ele.

A polícia apura agora como o robô funcionava no momento do incidente e se seus movimentos eram controlados remotamente. O equipamento e dois telefones celulares foram apreendidos para perícia.

Segundo informações da agência de notícias DPA, o episódio ocorreu em uma área de Colônia monitorada por câmeras da polícia. Um porta-voz da corporação confirmou que as gravações estão sendo analisadas como parte da investigação.

O caso é investigado pela polícia criminal sob suspeita de injúria de cunho sexual.

¨      Político da AfD barrado de homenagem em sinagoga na Alemanha

Um grupo de estudantes impediu nesta sexta-feira (09/10) o acesso de um deputado do partido Alternativa para a Alemanha (AfD) a uma cerimônia em homenagem às vítimas de um ataque antissemita na sinagoga da cidade de Halle, na Saxônia-Anhalt, leste da Alemanha.

Hans-Thomas Tillschneider, recém-eleito vice-presidente da Assembleia Legislativa do estado, chegou a discutir por alguns minutos com os estudantes, mas acabou desistindo de participar do evento.

"O senhor não é bem-vindo aqui", afirmou Ron Dekel, presidente da União de Estudantes Judeus da Alemanha (JSUD), dirigindo-se ao parlamentar. Ele e outros 12 membros da associação formaram uma corrente humana em frente à sinagoga.

Diante da insistência de Tillschneider, Dekel retrucou. "Não permitiremos que sequestrem nossa homenagem. [...] Não permitiremos a entrada de extremistas de direita em nossa sinagoga."

A AfD foi o partido mais votado na eleição estadual da Saxônia-Anhalt, em setembro, e está prestes a assumir o que seria o primeiro governo de ultradireita na história da Alemanha do pós-guerra. Ali, o diretório regional do partido é classificado como comprovadamente extremista de direita pelo Departamento Estadual de Proteção da Constituição.

<><> Ataque em Halle foi cometido por extremista de direita

Duas pessoas foram mortas no ataque à sinagoga de Halle em 09 de outubro de 2019, quando o extremista de direita Stephan B. tentou invadir o templo durante o Yom Kippur, a data mais sagrada do judaísmo.

A tentativa fracassou devido a uma porta de entrada reforçada e a falhas de funcionamento em suas armas de fabricação caseira. 

Os 52 membros da comunidade judaica ali reunidos na ocasião saíram ilesos, mas uma pedestre que passava pela rua e um jovem em uma lanchonete foram mortos a tiros pelo agressor.

Em 2020, ele foi condenado à prisão perpétua por homicídio e tentativa de homicídio.

"Foram eles [AfD] que prepararam o terreno para um ataque desse tipo, ao expandirem continuamente os limites do que é aceitável dizer", declarou a JSUD via redes sociais após o embate com Tillschneider.

O deputado criticou os estudantes, dizendo que "o fato de ter sido impedido de forma grosseira e ainda chamado de nazista ilustra a falta de respeito que esses estudantes têm pela representação parlamentar".

Segundo a polícia, a manifestação foi espontânea. Autoridades locais intermediaram a situação entre Tillschneider e os manifestantes, e o clima permaneceu tranquilo. 

<><> AfD avança na Saxônia-Anhalt

Nesta terça-feira, em Magdeburg, a AfD elegeu pela primeira vez um presidente de um parlamento estadual, após o partido se consolidar como a força política dominante da Saxônia-Anhalt na eleição de setembro.

Tillschneider foi eleito em votação secreta juntamente com o novo presidente do Legislativo estadual, Tobias Rausch, com apoio de outras bancadas. 

O episódio gerou polêmica porque a dupla foi alçada aos cargos também com o apoio de parlamentares de partidos que oficialmente descartam qualquer cooperação com a AfD. E alimentou especulações de que o apoio teria partido de dissidentes da União Democrata Cristã (CDU), do chanceler federal Friedrich Merz.

 

Fonte: DW Brasil/Sputnik Brasil

 

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