Na
Bahia, fascista não se cria
Nesse
segundo turno das eleições, os enormes atos e manifestações de massa em apoio à
reeleição de Lula, que vêm ocorrendo em todo o Brasil, têm uma marca comum,
qual seja: os jovens brasileiros são a “ponto de lança” dessas manifestações. A
sua disposição de luta, combatividade e criatividade está criando um poderoso
movimento antifascista de baixo para cima, que vai muito além dos partidos de
esquerda e de suas direções, e que poderá produzir novas lideranças populares
nos próximos anos.
A
ameaça do fascismo chegar à Presidência da República mais uma vez, tendo em
vista a trágica experiência dos quatro anos do Governo Bolsonaro e a ameaça de
uma nova tentativa de um golpe de Estado, acendeu o alerta para amplos
segmentos do povo brasileiro, em especial parte significativa de sua juventude.
Esse protagonismo tem sido decisivo para a articulação das ruas com as redes
sociais, uma nova forma de fazer política, que as gerações mais velhas de
militantes têm dificuldade de entender e acompanhar, mas que estão aprendendo
no calor da luta.
E essa
articulação não diz respeito apenas ao período eleitoral; ela vem sendo feita
diariamente. A política nunca mais será como antes. As novas tecnologias de
comunicação e informação (TICs) e o seu domínio e monopólio por parte da big
techs, com o controle das redes sociais, vêm mudando a cultura e a forma de
vivenciar e fazer política. Não há separação ou distinção entre o “mundo real”
e as redes sociais; as redes sociais fazem parte do mundo real, para o bem ou
para mal. As novas gerações estão demonstrando que a organização permanente do
povo e sua mobilização ainda são decisivas para a educação e ação política,
atuando, ao mesmo tempo, nas ruas e nas redes sociais, em uma sinergia em que
ambas se alimentam reciprocamente.
As
manifestações de massa, que vêm acontecendo diariamente, E QUE ESTÃO APONTANDO
PARA A VIRADA ELEITORAL DE LULA, estão passando por cima de discussões teóricas
sobre se o bolsonarismo é, ou não, um fenômeno de natureza neofascista. Nelas,
as faixas, cartazes, cantos e palavras de ordem não deixam dúvidas: o
bolsonarismo é um movimento antinacional e antidemocrático, com vínculos com as
milícias e o crime organizado, reacionário moral e culturalmente, violento e
obscurantista, inimigo das artes e da ciência. Um movimento que prosperou
apoiado nos preconceitos e valores regressivos do senso comum presentes e
arraigados na sociedade brasileira; como o fascismo histórico, o neofascismo
bolsonarista mobiliza raivas, medos, inseguranças, frustrações e ressentimentos,
difundidos em muitas parcelas do povo e que, embora tenham raízes históricas na
formação da sociedade brasileira, hoje são resultados de quase quatro décadas
de reformas e políticas neoliberais. Enquanto um movimento político de massa, o
bolsonarismo é a sua expressão política.
Na
Bahia, as manifestações produziram uma síntese do bolsonarismo e do momento que
estamos vivendo, expressa em uma palavra de ordem repetida sistematicamente e
com todo entusiasmo e convicção, qual seja: “AQUI É A BAHIA… E NA BAHIA
FASCISTA NÃO SE CRIA”. Os seus participantes evidenciam, claramente, a
compreensão que têm sobre a natureza do bolsonarismo, que só poderá ser
derrotado nas urnas e, principalmente, na sociedade, com o povo mobilizado
permanentemente, e não apenas no período eleitoral.
*Professor
Titular da Faculdade de Economia da UFBA. Pesquisador na área de Economia
Política, Desenvolvimento e Economia brasileira.
**Professora
titular do Programa de Pós-graduação em C. Sociais da Faculdade de Filosofia e
C. Humanas e do Programa de Serviço Social da Universidade Federal da Bahia,
pesquisadora do Centro de Estudos e Pesquisas em Humanidades/CRH/UFBa, Bolsista
Produtividade do CNPq, estudiosa do campo da sociologia do trabalho.
Fonte:
Por Luiz Filgueiras e Graça Druck, em Outras Palavras

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