sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Dieta rigorosa e treino intenso podem atingir o sistema hormonal; entenda

A busca pelo emagrecimento, definição muscular e alto rendimento na academia pode ser benéfico, mas também pode sair caro para a saúde. Especialistas alertam que, dietas muito restritivas e rotinas pesadas de treino podem comprometer, além da mentalidade e do corpo, o sistema hormonal.

Um exemplo é a tenista norte-americana Emma Navarro, de 25 anos, que anunciou uma pausa na carreira após ser diagnosticada com RED-S (Deficiência Relativa de Energia no Esporte) e Tireoidite de Hashimoto.  Segundo os atleta, os quadros, decorrentes em parte de uma alimentação inadequada, provocavam tonturas, dores de cabeça, fadiga constante e dificuldade de concentração.

De acordo com o endocrinologista Rodrigo Gomes de Souza, quando o organismo recebe menos energia do que gasta por um longo período, ele aciona um mecanismo de defesa que passa a economizar, reduzir o ritmo do metabolismo e, consequentemente, isso compromete o sistema hormonal.

Nessas situações, o organismo reduz a atividade do eixo que controla a tireoide. Na prática, é como se o organismo percebesse que ‘está faltando combustível’ e diminuísse o ritmo do metabolismo para gastar menos energia.- Rodrigo Gomes de Souza, gerente médico corporativo de centros clínicos ambulatoriais da Hapvida

Isso mostra que comer pouco e treinar muito não, necessariamente, significa ser saudável. Por este motivo, aqueles que querem manter uma dieta saudável precisam manter um acompanhamento médico com um endócrino ou nutricionista.

Rotina pode influenciar no diagnóstico de Hashimoto

A Tireoidite de Hashimoto é uma doença autoimune onde o sistema imunológico atinge as próprias células da tiroide, impulsionado por distúrbios endócrinos. Segundo o especialista, dietas severas podem influenciar na falta contínua de energia, na inflamação da glândula e contribuir para o surgimento ou o agravamento da doença.

É como se o organismo já estivesse no limite e a falta de energia tornasse a situação aparente.

É possível que a tireoide já esteja funcionando abaixo do ideal, de forma discreta, antes mesmo de aparecerem sintomas claros. Nesse cenário, dietas muito restritivas ou rotinas de treino excessivamente intensas podem funcionar como um gatilho. - Rodrigo Gomes de Souza, gerente médico corporativo de centros clínicos ambulatoriais da Hapvida

<><> Segue uma rotina severa? Veja os sinais de alerta

Segundo o especialista, quando o corpo entra em colapso energético, os principais sinais estão:

  • Cansaço persistente, que não melhora com o descanso;
  • Dificuldade para perder peso, mesmo comendo pouco;
  • Perda de massa muscular;
  • Queda de libido;
  • Falhas ou ausência do ciclo menstrual;
  • Lesões por estresse repetidas.

<><> Como tratar?

Nos casos as doenças são impulsionadas pela baixa disponibilidade energética, o endocrinologista recomenda medidas além dos medicamentos. Não basta simplesmente ‘repor o hormônio’. É preciso também corrigir a falta de energia disponível para que o organismo volte a funcionar adequadamente”, afirma o especialista.

A recomendação é reduzir a intensidade dos treinos, introduzir nutrientes e carboidratos em proporções adequadas e procurar um especialista para checar as taxas hormonais e metabólicas.

¨      Caneta emagrecedora: 65% dos pacientes não conseguem custear tratamento

Apesar de muito popularizado para tratar obesidade, o custo das canetas emagrecedoras ainda é um fator determinante para a adesão ao tratamento. Os médicos acreditam que cerca de 65% dos pacientes não conseguem manter a dosagem ou continuar com o método por não poderem comprar o medicamento.

A constatação está presente na análise feita pela Brace Pharma, que reuniu dados de diversas pesquisas, divulgada nesta quinta-feira (15). Ao todo foram entrevistados 1.067 médicos. Segundo eles, apenas 28% das pessoas aptas ao tratamento conseguem pagar para continuar o uso.

Os profissionais foram entrevistados por estudantes de medicina em fase final da IFEPEC/Febrafar. A pesquisa está incluída no relatório da Brace Pharma.

<><> Popularização nas redes

Nas redes, as menções às canetas cresceram 86% em apenas seis meses.

A comparação foi feita entre o primeiro semestre de 2026 e o segundo semestre de 2025, e analisa conversas públicas em português coletadas pela ferramenta Brandwatch.

<><> Canetas emagrecedoras ilegais

Pelo alto custo, muitos pacientes podem recorrer ao uso de medicamentos ilegais. Cerca de 91,4% das menções sobre canetas emagrecedoras incluem compra sem receita e conversas sobre conseguir acesso ao remédio.

Em entrevista à CNN, a endocrinologista Deborah Beranger alerta que o uso intermitente e sem acompanhamento médico pode resultar no chamado “efeito sanfona”, em que o paciente alterna entre perda e ganho de peso. “Para o corpo, é muito pior você ficar reganhando do que você não perder peso”, explica.

Entre os efeitos colaterais mais comuns estão vômitos, diarreia e constipação. Casos mais graves já foram registrados, como obstrução intestinal e laceração de esôfago por vômito.

A Anvisa também não recomenda o uso de medicamentos ilegais, pois os produtos não foram avaliados pela agência e podem apresentar riscos à saúde. O comércio ilegal de medicamentos injetáveis é crime previsto no Código Penal brasileiro.

¨      Estudo: canetas emagrecedoras reduzem risco de câncer ligado à obesidade

Medicamentos com o receptor do hormônio GLP-1, como os utilizados em canetas emagrecedoras, foram associados a uma redução no desenvolvimento de cânceres relacionados à obesidade em adultos, como os que envolve tumores pancreáticos, endometriais, colorretais e de tireoide.

A conclusão foi publicada em um estudo recente da edição de agosto da revista científica Annals of Oncology. A pesquisa analisou mais de 229 mil adultos com obesidade e sem diagnóstico de diabetes nos Estados Unidos. Desse total, 86 mil utilizavam os medicamentos, enquanto 143 mil receberam orientação para dieta ou prática de exercícios.

Durante dois anos, os pesquisadores observaram que os pacientes que utilizavam os fármacos com GLP-1 apresentaram uma incidência 41% menor do conjunto de 13 tipos de câncer associados à obesidade, em comparação com aqueles que receberam apenas orientação sobre dieta ou exercícios.

Os pesquisadores também analisaram diferentes medicamentos da classe do GLP-1. O uso de semaglutida foi associado a uma menor incidência de câncer, assim como o de tirzepatida. No entanto, não houve comparação direta entre os dois medicamentos e, por isso, não foi possível identificar qual deles seria mais eficaz na redução do risco de câncer.

Entre os tipos de tumores analisados, foram observadas associações de menor incidência para câncer de pâncreas, endométrio, colorretal e tireoide. Também foram identificadas reduções para mieloma múltiplo e câncer de mama.

Apesar dos resultados, especialistas alertam que o ideal é que os medicamentos utilizados sejam originais e que o paciente precisa manter um acompanhamento médico, para não gerar efeitos negativos no organismo.

https://www.youtube.com/live/BURZebvm6sg?si=vtv8LHTTUIiA0_Po

<><> Sobre a obesidade

A obesidade é uma doença crônica que envolve o acúmulo anormal ou excessivo de gordura no corpo.

Segundo dados do SISVAN (Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional), 34,98% da população está sobre peso, totalizando mais de 7 milhões de pessoas; outros 22,74%, ou seja, 5 milhões de pessoas estão com obesidade Grau I; em obesidade grau II e grau III o índice chega a mais de 3 milhões de pessoas, cerca de 15% da população.

  • Os dados foram analisados nesta segunda-feira (7) pela CNN Brasil e contabiliza os números até agosto de 2026. 

De acordo com o Ministério da Saúde, a obesidade está relacionada ao aumento do risco para outras doenças como as do coração, diabetes, hipertensão arterial sistêmica, doença do fígado e diversos tipos de câncer (como o de cólon, de reto e de mama), problemas renais, asma, agravamento da covid, dores nas articulações, entre outras.

 

Fonte: CNN Brasil

 

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