Jorge
Chaloub: Bolsonarismo engoliu o centro e a saída é à esquerda
Até a
última eleição, o bolsonarismo tinha muitos votos, mas não havia construído um
partido tradicional nem dominado uma legenda com força nacional. Este caminho
lhe dava vantagens, como a flexibilidade na construção de alianças, mas trazia
problemas que iam dos excessivos confrontos internos à dificuldade de construir
um plano de conquista do poder.
Após a
prisão de Jair Bolsonaro, o bolsonarismo parecia enfrentar dificuldades para se
manter como coalizão líder da ultradireita construída ao longo da última
década. O resultado do primeiro turno das eleições de 2026 não apenas aponta em
outra direção, como sugere que talvez a exceção ao movimento dos últimos anos
não seja a vitória de 2018, mas a derrota de 2022.
Os
resultados eleitorais de 2026 expõem um novo cenário. O bolsonarismo tem agora
um partido nacional, o Partido Liberal, que alcançou os melhores resultados de
uma legenda na Nova República, com a eleição do maior número de deputados desde
1986, o domínio do Senado e a provável eleição de sete governadores após o
segundo turno.A ultradireita no Brasil se consagrou como campo, que articula
novos atores de extrema direita, conectados a repertórios internacionais, com
lideranças tradicionais que abandonaram qualquer compromisso com a democracia
brasileira. Nada mais sintomático desse movimento do que a aliança entre a
família Bolsonaro e Valdemar Costa Neto.
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Do centrão à extrema direita: o que une o PL a Bolsonaro
Com o
PL, o bolsonarismo se rotiniza. Ele continua a apostar em personagens do mundo
virtual, mas passa a ter por eixo um partido tradicional. Apesar da manutenção
do predomínio familiar – o que é reforçado pela aposta contraintuitiva no nome
de Flávio Bolsonaro –, a coalizão passa a ter duas cabeças: uma dos Bolsonaro e
outra de Valdemar.
Os
milhões do fundo eleitoral, os governadores e a enorme bancada no Congresso
tanto fortalecem o bolsonarismo quanto o inserem em uma instituição, cenário
que dificulta várias das suas práticas caóticas. Por outro lado, o desempenho
ruim do partido Missão, que tentou disputar a liderança da ultradireita,
fortalece o lugar hegemônico da família.
Cultivadas
no puro suco do centrão, algumas lideranças do PL manterão as feições locais da
ultradireita, que deve guardar velhos hábitos e discursos, mas a votação
consagra um novo lugar para o Brasil no mundo, com consequências muito
profundas para o país.
Hoje
não é possível olhar para o bolsonarismo sem atentar para seus vínculos
internacionais, que vão além da dimensão mais superficial de 2018 ou mesmo de
2022. Eduardo e Flávio Bolsonaro se comprometeram a incluir o Brasil no projeto
de domínio continental de Donald Trump, o que pressupõe uma ruptura com o
nacionalismo de direita, de forte tradição militar, que marcou o primeiro
governo Bolsonaro.
Se
Flávio for eleito, a tendência é perdermos parte da soberania que nos resta.
Neste sentido, um futuro governo Bolsonaro estaria afinado com a maioria da América Latina, que
viu a extrema direita expandir seu poder pelo continente.
A
eleição também consolida o papel das redes sociais na formação de novas
lideranças. Neste caso, o destaque vai não apenas para a extrema direita, com
as votações impressionantes de Nikolas Ferreira e Lucas Pavanatto — ambos do PL
—, como para a esquerda, com os desempenhos expressivos de Erika Hilton e Jones
Manoel, os dois do Psol.
É
possível certamente apontar erros do campo democrático e acertos dos seus
adversários, mas o fenômeno não se restringe a estratégias. Há, por um lado, o
impacto da arquitetura das redes, amplamente favorável a discursos e
performances de determinado tipo. Sem contar o papel dos CEOs das big techs,
com sua grande capacidade de pautar as interações virtuais a partir de ajustes
nos seus algoritmos, o que distancia as redes de qualquer coisa parecida com um
terreno minimamente neutro.
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Redes sociais, igrejas e a maquiagem da velha política
O
bolsonarismo ainda mantém sua capacidade de mobilização rápida dos eleitores. O
fenômeno aponta tanto para as movimentações nas redes sociais quanto sugere um
papel de instituições como as igrejas, que são capazes de falar em pouco tempo
para milhares de pessoas.
O Rio
de Janeiro é um exemplo eloquente. Depois de liderar todas as pesquisas, o
ex-prefeito do Rio, Eduardo Paes, do PSD, quase perdeu no primeiro turno para
Douglas Ruas, do PL, até há pouco desconhecido da grande parte do eleitorado.
Ele fez parte do governo de Cláudio Castro, do PL, que está inelegível.
Há algo
semelhante ao movimento que elegeu Wilson Witzel em 2018, mas convém termos um
pouco de cautela. O ex-secretário de Cláudio Castro não se apoia apenas no
bolsonarismo, mas em redes de longa história na política fluminense, com
influência no interior e participação de elites políticas estabelecidas,
algumas delas com reiteradas acusações de envolvimento com o crime organizado.
É o caso, por exemplo, de seu pai, o prefeito de São Gonçalo Nelson Ruas.
O Rio
demonstra bem como o bolsonarismo não se ampara apenas na novidade, mas é
bem-sucedido justamente por articular um movimento global a velhas práticas e
elites locais.
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Derrota no radar: a esquerda precisa arriscar
O
resultado da eleição presidencial é a soma de todas essas movimentações, muitas
delas iniciadas há mais de uma década. Como demonstra o resultado da eleição
para o Senado, os bolsonaristas foram muito eficientes em utilizar o
tradicional repertório anticorrupção, uma das principais bases do antipetismo.
O
destaque que o Supremo Tribunal Federal ganhou nas manchetes não apenas impediu
o debate mais aprofundado de propostas, como criou um clima amplamente
favorável aos bolsonaristas. Nada pior para qualquer governo do que a sensação
de caos generalizado.
Flávio
Bolsonaro é hoje franco favorito, não somente pela vantagem de 2,2 milhões de
votos, mas também pelo perfil à direita dos candidatos derrotados Augusto Cury,
Ronaldo Caiado e Renan Santos — o que sugere uma provável migração dos votos
desses nomes para o candidato do PL.
As
chances de Lula estão na capacidade de pautar o debate a partir de alguns fatos
novos, parecidos com a proibição das bets. Caso siga a mesma toada do primeiro
turno e tema as previsíveis acusações da imprensa de movimentos “eleitoreiros”,
a derrota é quase dada.
Depois
de um governo no qual a frente ampla limitou seus movimentos, o atual
presidente se viu abandonado por boa parte dos seus aliados de 2022. Parte das
elites e da mídia preferiu apostar no potencial democrático do jovem Bolsonaro,
ou na conversão dos golpistas de ontem.
A
esquerda hegemônica continua, por sua vez, a vestir o figurino de defensora do
sistema e da ordem. Não se trata de uma simples escolha. Se Lula tivesse
adotado uma perspectiva mais à esquerda, é bem provável que não terminasse o
mandato. O enredo do segundo governo de Dilma Rousseff já estava pronto para
ser reencenado.
Hoje,
porém, o cenário é diferente. Já à beira do precipício e sem maiores custos,
ele tem a oportunidade para um movimento mais enfático à esquerda, com
propostas que beneficiem claramente os mais pobres, com destaque para os
trabalhadores precarizados de aplicativos. O risco é sua única chance. Não há
fórmula pronta para a vitória, mas o caminho atual quase certamente levará à
derrota.
• Terror das feministas: radicais,
deputadas conservadoras disputam poder na extrema direita. Por Maira
Escardovell e Duda Sousa
O
terror das feministas. É como se autointitulam Ana Caroline Campagnolo e
Eduarda Campopiano, as deputadas estaduais mais votadas em Santa Catarina e São
Paulo. Ambas do Partido Liberal (PL), elas se apresentam como amigas em posts
nas redes sociais e se dizem admiradoras
de Olavo de Carvalho. Juntas, as duas somaram mais de 2,3 milhões de
votos na eleição de 2026. Ao lado delas, ocupando o posto de deputada estadual
mais votada do Estado, está Índia Armelau, também do PL, que conquistou 248.504
votos para a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
São
mulheres que se unem ao clã de Michelle Bolsonaro (PL-DF), Damares Alves
(Republicanos-DF), Bia Kicis (PL-DF) e Celina Leão (PP-DF) pela pauta
anti-identitária e antiaborto, mas que, segundo especialistas ouvidas pela
Agência Pública, não pertencem ao mesmo grupo de suas antecessoras, inclusive
considerando a construção de narrativas para o eleitorado.
Na
visão de Lívia Reis, coordenadora de Religião e Política no Instituto de
Estudos da Religião (ISER), a extrema-direita conquistou uma pluralidade de
candidaturas femininas nesta eleição, o que pode criar uma disputa pelo poder
de influência entre as próprias eleitas.
“O
Valdemar [Costa Neto, presidente do PL] não está preocupado com o alinhamento
ideológico de uma influenciadora, ele quer que ela seja eleita e vote com ele”,
argumenta a antropóloga em referência a eleição de Eduarda Campopiano,
atualmente com mais de 2,5 milhões de seguidores do Instagram. “Vejo que talvez
isso seja também um dos atritos que a própria Michelle vai ter com ele, porque
ela quer centralizar o PL Mulheres e as candidaturas femininas, mas o próprio
PL vai apostar em quem quiser”, explica Reis.
Vereadora
de Praia Grande, no litoral paulista, Eduarda Campopiano foi eleita para a
Assembleia Legislativa de São Paulo como uma espécie de discípula de Nikolas
Ferreira (PL-MG), deputado federal mais votado da história do país, com mais de
22 milhões de seguidores no Instagram. Outro aliado é o vereador paulistano Lucas
Pavanato (PL), que detém mais de 5 milhões de seguidores na rede social da Meta
e foi eleito para deputado federal com mais de 3 milhões de votos.
“O PL
sabe o poder das redes sociais. Todas as candidaturas se forjam ali, eles estão
elegendo influenciadores há muito tempo e agora chegaram ao ápice dos
candidatos mais votados serem os influenciadores. Por isso, eu diria que a
Eduarda chega [ao partido] com tanto poder quanto a Michelle. E vai disputar
isso”, explica Reis.
A
esposa do ex-presidente Jair Bolsonaro, preso por tentativa de golpe de Estado,
protagonizou em junho deste ano o seu primeiro embate público com o Partido.
Após a rejeição da sigla ao nome indicado por ela ao Senado pelo Ceará, o da
deputada Priscila Costa (PL-CE), Michelle publicou um vídeo contando que Flávio
Bolsonaro a havia desrespeitado durante a formação dos arranjos partidários nos
estados. “Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido.
Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política”, afirmou a
ex-primeira dama.
No
vídeo, ela exaltou sua atuação à frente do PL Mulher, ala de mulheres
conservadoras do partido: “[em 2024] elegemos 45,8% mais mulheres que em 2020.
Foram 1.005 mulheres eleitas”, disse. Com a instauração da crise, que abalou a
campanha à presidência de Flávio Bolsonaro, e após se reunir com Costa Neto,
Michelle anunciou sua saída da presidência do PL Mulher.
Na
visão de parlamentares próximos ao PL, Campopiano representa um discurso mais
radical da extrema-direita, capitaneado por Olavo de Carvalho, conhecido como o
“guru” do bolsonarismo. “Eu acho que ela [Eduarda] vem muito daquela linha do
Olavo de Carvalho, que é essa juventude conservadora formada. Mas creio que com
a maturidade ela vai entender que a pauta feminina não é uma pauta feminista. A
gente vai ter ainda um tempo para fazer esse convencimento”, disse à Pública a
senadora Damares Alves, que também afirmou que irá dialogar nesse sentido com a
deputada Índia Armelau.
A
pesquisadora do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP) Jacqueline
Teixeira aponta que o discurso de Campopiano pode ser entendido a partir dos
efeitos produzidos por políticas que começaram, entre 2014 a 2016, a proibir
gênero nos parâmetros curriculares. Segundo a antropóloga, que realiza
pesquisas na área de gênero, raça, sexualidade e religião, trata-se de uma
geração jovem que cresceu em uma “escuta mais próxima do antifeminismo” e que,
portanto, se apresenta como “mais refratária” às conquistas do movimento.
“Estamos
falando de coisas que aconteceram no cenário político e que produziram efeitos
direto nas escolas nos últimos 12 anos. Então, é a chegada desse grupo muito
jovem no cenário democrático, com uma série de entendimentos, sem
necessariamente terem conseguido produzir um repertório de várias dessas
heranças e da importância delas. Eles acabam se engajando mais numa proposta
disruptiva de política, que vai, consequentemente, levar a um lugar mais
conservador para pensar as políticas públicas”, analisa Teixeira.
Uma das
professoras de Campopiano nesse aspecto é a deputada estadual Ana Carolina
Campagnolo, eleita, pela segunda vez, como a mais votada no estado de Santa
Catarina. Em sua biografia no Instagram, a parlamentar se classifica como
“conservadora, cristã e antifeminista”, e frequentemente se refere a Olavo de
Carvalho para basear suas propostas e conteúdos publicados na rede social. Ela
é autora do livro “Feminismo: perversão e subversão”.
“Em São
Paulo, a sua deputada estadual é Eduarda Campopiano, que eu tenho orgulho em
dizer que é minha amiga, minha leitora (…) Se você quer ter a sua deputada que
parece com a Ana Campagnolo aí em São Paulo, tenho certeza que essa pessoa é a
Eduarda Campopiano”, afirma Campagnolo em vídeo no Instagram ao lado de
Eduarda. “Ana, a nossa intenção é barrar os avanços da extrema esquerda no
estado de São Paulo assim como você consegue fazer tão bem”, completa
Campopiano na publicação.
Defensora
da pauta anti-identitária e do homeschooling, Campagnolo chegou a pedir em maio
deste ano apoio na Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina ao
Projeto de Lei 2.577/2026 apresentado na Câmara dos Deputados, que “concede
anistia a pais ou responsáveis que tenham sido investigados, processados,
condenados ou penalizados administrativa, civil ou criminalmente pela prática
de educação domiciliar”.
A
proposta é de autoria da deputada federal Caroline de Toni (PL-SC), eleita
agora para o Senado com 2.694.918 votos. Também é dela o PL 4.213/2020, que
altera a Lei nº 9.504/97 para extinguir a reserva mínima de 30% das vagas para
mulheres nas candidaturas para mandatos eletivos preenchidos pelo sistema
proporcional (deputadas federais, estaduais e vereadores).
Ao lado
delas, está a deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC), reeleita com 560.223
votos. Em comemoração, no último domingo, 4 de outubro, a parlamentar caminhou
entre seu apartamento e o comitê de campanha, em Florianópolis, dando
chicotadas na rua. Uma de suas principais referências também é Olavo de
Carvalho, de quem foi aluna e até visitou em Virgínia, nos Estados Unidos. Em
2024, Zanatta apresentou na Câmara o PL 3.338/2024, que “assegura aos pais e
responsáveis o direito de vedar a participação de seus filhos em atividades
pedagógicas de gênero em âmbito nacional”.
Já em
2025, a parlamentar apresentou um projeto de lei para alterar a Lei Maria da
Penha, para prever punições a mulheres que fizerem falsas acusações de
violência ou utilizarem de maneira “indevida” as medidas protetivas de
violência doméstica. Zanatta também é contra o PL da Misoginia.
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Negação do feminicídio
Em uma
das postagens de Campopiano mais republicadas nas redes sociais, a vereadora
afirma que “feminicídio não existe”. A questão, no entanto, é reconhecida por
parlamentares que buscam encabeçar o movimento de mulheres da direita na
política, caso da própria senadora Damares e de Celina Leão, também amiga de
Michelle Bolsonaro, e atual candidata ao governo do Distrito Federal.
“Eu
acho um erro isso [a ideia de que feminicídio não existe], é um erro, é um
reforço. Como é que a gente saberia quantas mulheres são assassinadas se você
não tivesse a tipificação desse crime?”, afirmou Celina Leão à Pública. À
frente do governo Distrito Federal, após o então governador Ibaneis Rocha
renunciar ao cargo em março de 2026, Celina disputa no segundo turno, à
reeleição, contra o candidato Leandro Grass, do PT.
Ela
terminou o pleito com 825.530 votos, o que representa 49,93% do total de votos
válidos. Fortemente apoiada por Michelle, que adotou a estratégia do voto
casado ao Senado para ela e Bia Kicis, Celina disse a jornalistas na última
terça-feira, 6 de outubro, que acredita
não ter sido eleita no primeiro turno devido à “confusão” dos eleitores ao
escolherem o número na urna. No domingo, mais de 26 mil pessoas no Distrito
Federal digitaram 22, o número do PL, ao votarem para governador, apesar de não
haver um candidato ao posto com essa identificação.
“Claro
que existe uma concentração de coisas mais à direita, mas essas mulheres acabam
sendo levadas a defender pautas e determinadas políticas públicas que as puxam
mais para o centro do que para a extrema-direita. Pode acontecer com a Damares,
por exemplo, no Senado. Você vê que a Damares ali é bem mais centro-direita do
que era, por exemplo, quando ela estava no governo Bolsonaro”, avalia
Jacqueline Teixeira.
Questionada
pela reportagem sobre a expectativa em relação às pautas que serão tratadas por
Michelle no Senado, Damares afirmou, inclusive, que não haverá “retrocesso de
direitos”, uma das principais críticas de eleitoras contrárias ao movimento de
mulheres conservadoras na política.
“A
Michelle é uma mulher conservadora, mas de um coração voltado para o social.
Então está todo mundo preocupado ‘vai ter retrocesso de direitos’. Não vai, nós
teremos sentinelas aqui dentro”, afirmou Alves. Sem detalhar possíveis ações da
ex-primeira dama, a senadora afirmou que Michelle vai se dedicar a pautas
ligadas à proteção de mães atípicas e das crianças. “Nenhum retrocesso, nenhum
direito a menos, e nada sobre nós sem nós, com a presença deles o tempo todo
aqui dentro”, disse a senadora.
Na
visão de Lívia Reis, do ISER, o que une essa heterogeneidade de candidaturas de
mulheres da extrema-direita é, sobretudo, a agenda anti-identitária, mobilizada
por elas mesmas. “Quando a Michelle fala naquele vídeo, de crítica ao Flávio,
que estava sofrendo violência de gênero, ela está nomeando a violência que ela
sofre a partir de uma identidade. Isso é histórico na direita, eles mobilizam
pautas identitárias, acusando o outro de identitários, mas eles nunca deixaram
de mobilizar suas identidades para atuar politicamente, e não está sendo
diferente agora”, conclui.
Fonte:The
Intercept/Agencia Pública

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