sexta-feira, 9 de outubro de 2026

OMS não recomenda uso de remédio e cirurgia para tratar obesidade infantil

A OMS (Organização Mundial da Saúde) não recomenda o uso de tratamento farmacológico, cirurgia bariátrica (cirurgia de perda de peso que altera o estômago ou trato digestivo) e dispositivos para perda de peso em crianças de 0 a 9 anos. O alerta está presente nas diretrizes publicadas na última terça-feira (7) pela organização.

Como uma medida de prevenir o avanço da obesidade infantil, a OMS lançou o primeiro guia sobre o tratamento da doença. Entre as recomendações apontadas pela organização estão abordagens integradas que combinem obrigatoriamente intervenções na dieta dos menores, atividade físicas e mudanças comportamentais.

A base do cuidado da obesidade para crianças e adolescentes não é a medicina ou cirurgia, mas o acesso a um suporte abrangente que permita alimentação saudável, atividade física e mudança sustentável de comportamento.Dra. Luz María De Regil, diretora do Departamento de Nutrição e Segurança Alimentar da OMS

Por outro lado, para adolescentes de 10 a 19 anos, o tratamento com medicamentos intensivos, mas aprovados, podem ser considerados apenas se o tratamento convencional não alcançar os resultados desejados. A cirurgia bariátrica também pode ser considerada, no entanto, sob condições rigorosas para adolescentes com obesidade severa.

<><> Intervenções digitais e olhar para saúde mental

A diretriz também enfatiza a importância de abordar a saúde mental junto com a obesidade. Segundo a OMS, ansiedade, depressão, baixa autoestima e desregulação emocional podem contribuir para comportamentos pouco saudáveis e isso pode influenciar ainda mais em bullyings ou estigmas que prejudiquem o emocional da criança.

A OMS destaca ainda intervenções na saúde digital como um ponto importante para os mais novos. A organização recomenda o uso de tecnologias (jogos e aplicativos de exercício) para crianças acima de 2 anos, sempre com a supervisão dos pais ou cuidadores dos menores.

Além disso, o guia enfatiza que o tempo em frente as telas não deve se exceder por mais de 2 horas diárias.

<><> Combate a obesidade

As diretrizes fazem parte de uma resposta da OMS ao aumento de obesidade infantil e está incluída no plano de aceleração do órgão para combater o excesso de peso pelo mundo.

"A OMS continua a defender políticas e medidas que tornem dietas saudáveis e atividades físicas mais acessíveis e acessíveis, incluindo medidas regulatórias e fiscais e ações em educação, planejamento urbano, transporte e proteção social", ressalta a organização.

O órgão reforça ainda a necessidade de tratar a obesidade como uma doença crônica e recorrente, mas pode ser controlada com cuidados eficazes.

"Suas consequências podem começar cedo na vida, aumentando o risco de doenças não transmissíveis, incluindo diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. Prevenir e gerenciar a obesidade é essencial para proteger a saúde física e mental de crianças e adolescentes, além de apoiar seu crescimento saudável, educação, bem-estar social e qualidade de vida", diz o comunicado da OMS.

<><> Como identificar a obesidade infantil?

Muitos pais se deparam com a dificuldade de identificar se o ganho de peso do filho é parte natural do crescimento ou um sinal de alerta para a obesidade infantil. Para ajudar a esclarecer essa dúvida, Claudia Cozer Kali, do Hospital Sírio-Libanês, e a nutricionista Thaís Cardeal Ramos compartilharam orientações práticas sobre o tema.

O assunto ganha relevância diante do crescimento dos índices de obesidade infantil ao redor do mundo.

Claudia Cozer Kali apresentou uma forma simples para que os pais possam fazer uma primeira avaliação. "A criança tem que pesar menos que os centímetros da altura", explicou. Segundo ela, se uma criança mede 1,39 m, por exemplo, deve pesar menos de 39 quilos.

No entanto, a especialista fez uma ressalva importante: "Os 39 quilos, que é o máximo, já são considerados um sobrepeso. Ela tem que tentar ter menos", alertou.

Claudia destacou ainda que esse cálculo é apenas uma referência geral e que o contexto familiar precisa ser levado em conta.

"Existem famílias que têm uma estrutura [corporal] maior e dificilmente essa criança vai ser uma criança magrinha", afirmou. Segundo ela, há todo um contexto genético que deve ser considerado na avaliação.

<><> Mudanças na alimentação

A nutricionista Thaís Cardeal Ramos abordou a preocupação com dietas restritivas que podem gerar uma relação negativa com a comida. Ela defendeu uma abordagem gradual e baseada em metas comportamentais.

"Não adianta você querer mudar de uma vez só os hábitos alimentares adquiridos ao longo da vida. Mas, com as crianças, é um facilitador, porque não são tantos anos assim", disse.

Entre as estratégias sugeridas por Thaís está o envolvimento das crianças no preparo dos alimentos. Segundo ela, trazer a criança para a cozinha, ensinando-a a manusear os ingredientes e a participar do processo, contribui para uma relação mais positiva com a alimentação.

"A dieta restritiva realmente não é o caminho", concluiu a nutricionista.

<><> Envolvimento da família

Claudia complementou a fala de Thaís ressaltando que a dificuldade de combater a obesidade infantil é real e global. Ela apontou que, se o problema fosse simples de resolver, os índices de obesidade não estariam aumentando no mundo inteiro.

A especialista também chamou atenção para o papel da família no processo: "Não é só implementar para a criança, tem que implementar para a família", afirmou.

Claudia alertou ainda para os riscos do estigma associado ao peso. Segundo ela, rotular a criança como "gordinha" ou impor restrições alimentares de forma autoritária não funciona.

 

Fonte: CNN Brasil

 

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