Bolsa
Família: O que Flávio Bolsonaro e Lula propõem
Criado
no primeiro governo Lula (PT), em 2003, o Bolsa Família nasceu da unificação de
programas de transferência de renda que já existiam, como Bolsa Escola, Bolsa
Alimentação, Auxílio Gás e Cartão Alimentação.
A ideia
era concentrar em um único programa uma rede de proteção para famílias pobres
e, ao mesmo tempo, estabelecer contrapartidas nas áreas de saúde e educação.
Mais de
duas décadas depois, o Bolsa Família se tornou uma das principais políticas
sociais do país e é reconhecido internacionalmente como um programa eficiente
na redução da fome e da pobreza, por instituições como o Banco Mundial e o
Fundo Monetário Internacional.
Atualmente,
19,28 milhões de beneficiários recebem o Bolsa Família, segundo dados do
Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social.
O
programa também atravessou diferentes governos e passou por mudanças.
Em
2021, durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), o Bolsa Família foi substituído
pelo Auxílio Brasil, que alterou a estrutura e os benefícios do programa.
No ano
seguinte, em meio ao período eleitoral, Bolsonaro aumentou o valor mínimo do
benefício foi elevado de R$ 400 para R$ 600.
Depois
de voltar à Presidência, Lula retomou o nome Bolsa Família em 2023 e manteve o
piso de R$ 600.
O valor
permaneceu sem reajuste até setembro deste ano, quando o governo anunciou um
aumento de 15,04%, elevando o benefício mínimo para R$ 691, a cerca de duas
semanas do primeiro turno das eleições.
Apesar
das críticas de que a medida teria caráter eleitoreiro, o governo justificou a
correção pela inflação acumulada desde 2023.
Os
beneficiários do Bolsa Família formam um dos grupos em que Lula tem maior
vantagem sobre Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas de intenção de voto. Na
Quaest divulgada em 28 de setembro, indicava o petista como preferência de 59%
dos beneficiários do programa, contra 27% de Flávio no segundo turno.
É nesse
contexto que Lula e Flávio Bolsonaro chegam à disputa pela Presidência, com
propostas e posições diferentes sobre o futuro do Bolsa Família.
Enquanto
Lula fala em manter, aperfeiçoar e ampliar as políticas de proteção social,
Flávio também defende a manutenção do benefício, mas concentra suas propostas
em qualificação e inserção no mercado de trabalho.
Confira
o que os dois candidatos já disseram e propõem para o programa em seus planos
de governo.
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Lula: Ampliar e aperfeiçoar o programa
Lula
trata o Bolsa Família como uma das principais políticas de combate à fome e à
pobreza de seus governos.
Durante
seus dois primeiros mandatos, o programa foi ampliado de cerca de 3,6 milhões
de famílias, em 2003, para 12,8 milhões em 2010, além de ter passado por
reajustes nos valores dos benefícios.
Em
setembro, após anunciar um reajuste no benefício, o presidente classificou o
programa como "o melhor programa social criado no mundo" e afirmou
que pretende mantê-lo enquanto houver pessoas que precisem da transferência de
renda.
"Vamos
continuar mantendo o Bolsa Família, sonhando que, um dia, não se precise mais.
Para isso, a economia vai ter que crescer, vamos ter que gerar empregos de
qualidade e continuar investindo em educação. Mas, enquanto precisar, no meu
governo vai ter", disse em entrevista à Rádio Itatiaia, em 17 de setembro.
Segundo
o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, 2,07 milhões de famílias
deixaram de receber o Bolsa Família entre janeiro e outubro de 2025 após
aumento da renda. Entre elas, 1,32 milhão saíram em razão do aumento dos ganhos
do domicílio, enquanto outras 726,8 mil concluíram o período previsto pela
Regra de Proteção.
Um
estudo da FGV também apontou que beneficiários do Bolsa Família ocuparam 4,58
milhões de vagas formais líquidas entre janeiro de 2023 e julho de 2026.
Lula
diz que o objetivo de longo prazo não é que os brasileiros dependam
permanentemente do programa. Em 30 de setembro, em entrevista a influenciadores
de esquerda exibida no YouTube, ele reforçou:
"Eu
não quero um país em que as pessoas dependam de um Bolsa Família. Quero um país
em que as pessoas tenham um bom emprego de qualidade e não precisem do Bolsa
Família. Agora, enquanto elas não conquistarem, vai ter um Bolsa Família."
No
plano de governo apresentado para 2026, Lula promete "manter, aperfeiçoar
e ampliar" as políticas de proteção social e transferência de renda, mas
não estabelece um novo valor para o benefício.
"O
combate às desigualdades requer justiça tributária, fortalecimento do Estado de
bem-estar social, valorização do salário-mínimo, inclusão produtiva, educação,
saúde, programas eficientes de transferência de renda. Por isso, devemos
manter, aperfeiçoar e ampliar as políticas de proteção social para quem mais
necessita."
O plano
menciona diretamente o Bolsa Família e propõe a continuidade da expansão do
programa, com destaque para os benefícios destinados a crianças e adolescentes.
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Flávio: manter o programa e estimular emprego
Flávio
Bolsonaro já foi crítico de programas de transferência de renda e em 2011
chegou a chamar de "bolsa-farelo" uma iniciativa semelhante do
governo do Rio de Janeiro.
Mas
após a chegada de seu pai, Jair Bolsonaro, à Presidência, em 2019, porém, as
manifestações de Flávio sobre o Bolsa Família passaram a ser mais favoráveis,
segundo levantamento feito pela AP Exata Inteligência a partir de publicações
do parlamentar no X.
O
primeiro post positivo sobre o programa identificado pela empresa foi em
outubro de 2019, quando Flávio comemorou uma medida provisória assinada por
Jair Bolsonaro que concedeu o 13º benefício aos beneficiários do Bolsa Família.
Em
2021, o governo Jair Bolsonaro substituiu o Bolsa Família pelo Auxílio Brasil,
com mudanças na estrutura e nos benefícios.
Em
2026, após ter sido oficialmente indicado pelo seu pai para ser pré-candidato à
Presidência, Flávio passou a defender explicitamente o programa em falas
públicas.
Em
fevereiro, durante participação de uma conferência do BTG Pactual, o senador
afirmou que "programas como o Bolsa Família serão mantidos enquanto as
pessoas precisarem do Estado".
"Vamos
abraçar essas pessoas", declarou.
Ele
também afirmou que uma prioridade de seu governo seria reduzir gradualmente a
dependência da população em relação ao Estado.
Já em
junho, Flávio Bolsonaro chamou o Bolsa Família de "direito adquirido"
e defendeu mudanças para que pessoas que aumentam sua renda não tenham medo de
perder imediatamente o benefício.
Flávio
também rebateu uma crítica frequente entre opositores de Lula de que os
beneficiários do Bolsa Família não querem trabalhar.
"Muita
gente tem um preconceito com relação a quem está na Bolsa Família, como se não
quisesse trabalhar. É um erro isso. Quase 70% das pessoas que recebem o Bolsa
Família trabalham informalmente. E não vão para a formalidade por quê? Porque
têm medo de perder o benefício", afirmou em um evento promovido pela Veja.
"A
gente tem que entender que tem uma memória afetiva até. O Bolsa Família é
estabilidade para quem já passou fome. A pessoa pensa o seguinte: 'se eu
arrumar um trabalho de carteira assinada e perder o Bolsa Família, e se eu
perder o meu trabalho, como é que eu vou ficar?'"
Na
mesma ocasião, reafirmou que manteria o programa.
"Vou
reafirmar mais uma vez, garantir a elas que o benefício vai ser mantido, que
nós vamos potencializar essa garantia a elas, para estimular que as pessoas
possam ter um emprego formal."
Recentemente,
Flávio criticou o reajuste anunciado por Lula, dizendo que o presidente tentava
"comprar o voto dos pobres" e chamando o aumento de
"migalha" e "miséria". Ao mesmo tempo, afirmou que manteria
o novo valor caso fosse eleito.
Em seu
plano de governo, Flávio não cita nominalmente o Bolsa Família, mas promete
manter os programas sociais existentes, "com aperfeiçoamento da gestão,
correção de distorções e combate a fraudes".
"Quem
depende hoje da ajuda do Estado para pôr comida na mesa não vai ter essa ajuda
tirada. Ponto. Mas manter não basta, e é aqui que nos separamos da
esquerda", diz um dos trechos.
"Para
nós, o programa social é ponto de partida. Ele é a rede que segura a queda e,
ao mesmo tempo, o primeiro degrau de uma escada que precisa levar a algum
lugar."
A
proposta é transformar os benefícios em uma espécie de ponte para o emprego e a
autonomia.
O plano
prevê prioridade para beneficiários em programas de qualificação, primeiro
emprego e intermediação de mão de obra, além de uma "trilha"
específica para facilitar a entrada no mercado de trabalho. Também prevê o
retorno ao benefício em caso de desemprego.
"Garantiremos
o retorno imediato e sem fila ao benefício após o seguro-desemprego, mantidas
as condições de elegibilidade, para que ninguém tenha medo de tentar um emprego
e acabar desamparado se não der certo."
Atualmente,
porém, conseguir um emprego formal não significa perder automaticamente o Bolsa
Família. O programa já prevê uma Regra de Proteção para famílias cuja renda
aumenta, permitindo a permanência temporária no programa dentro dos critérios
estabelecidos.
Fonte:
BBC News Brasil

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