Hugo
Souza: É isso mesmo? Da Constituição Cidadã à Constituição Miliciana?
Flavio
Bolsonaro declarou nesta terça-feira, 6, que os 121 deputados e 28 senadores
que o PL terá a partir de fevereiro de 2027 serão usados para “mudar a
Constituição, para a gente redemocratizar esse país”.
Quando
um candidato a presidente da República prepara às claras um complô contra a
Carta Magna vigente, anunciando bem alto que sua enorme bancada correligionária
será transformada em assembleia biônica constituinte, seria o caso de uma
Justiça Eleitoral tendenciosamente a favor da democracia pautar de bate pronto
a impugnação de tal postulante a chefe de governo e de Estado.
Já que
coisa assim só vai acontecer no dia em que os porcos voarem, é necessário
informar mais alto ainda que Fujimori suspendeu a Constituição do Peru em 1992
falando exatamente em “reconstruir uma democracia autêntica”; que Pinochet
passou quase duas décadas matando no Chile em nome de uma “democracia
protegida”; que essa coisa de “a gente redemocratizar esse país”, vindo de quem
vem, soa tanto, mas tanto como “Processo de Reorganização Nacional” — o de
Videla, Massera e Agosti na Argentina.
Ok.
Ninguém quer saber de Fujimori, Pinochet e ditadura na Argentina, salvo,
eventualmente, para glorificações. É necessário lembrar então, a quem se
absteve ou anulou o voto no primeiro turno, que é a Constituição de 88 que
garante acesso universal e gratuito a saúde e educação, com Saúde da Família,
Programa Nacional de Imunizações, Farmácia Popular, SAMU, o maior sistema
público de transplantes do mundo, ProUni, escola pública em tempo integral,
merenda para todos, distribuição universal de livros didáticos etc, etc, etc.
Caso a
galera antivax e a turma da Escola Sem Partido tenham chegado antes e cagado
tudo, quem faltou ao primeiro turno mas não perde a comunhão há de querer saber
que é a Carta Constitucional na mira de Flavio Bolsonaro que garante o direito
de crença e a liberdade de culto ao senhor e à senhora, o que nos leva de volta
a Nossa Senhora Aparecida.
Seja lá
como for, com trabalho de base ou farmando aura, é necessário “comunicar” aos
abstencionistas algo de gelar a espinha de Norman Bates, Hannibal Lecter e Lord
Voldemort: o risco real de, com Flavio Bolsonaro presidente, o Brasil migrar de
uma Constituição Cidadã para uma Constituição Miliciana.
Artigo
1º: O Brasil é do Escritório do Crime e tem como fundamentos o Banco Master, as
bets e a rachadinha.
• Lula diz que Flávio Bolsonaro faz parte
do crime organizado
O presidente Lula (PT) afirmou, em vídeo
publicado nas redes sociais nesta quinta-feira (8), que o senador e candidato à
Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) integra o crime organizado e cobrou a
aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública.
No
pronunciamento, o chefe do Executivo destacou as ações do governo federal para
o fortalecimento da segurança pública no país e desafiou o senador fluminense a
apoiar a votação do texto no Senado Nacional.
“Para
garantir ao trabalhador proteção e para o bandido a prisão, eu mandei uma
emenda constitucional para a Câmara dos Deputados para definir o papel do
governo federal na segurança pública, fortalecendo o Sistema Único de Segurança
Pública. Já foi aprovado na Câmara e está no Senado desde março deste ano. Eu
espero que a bancada do Flávio Bolsonaro vote, para que a gente possa de uma
vez por todas combater o crime organizado. Por que ele não quer votar? Porque
ele faz parte desse crime organizado”, declarou Lula no vídeo divulgado.
O
presidente sustentou a afirmação ao mencionar a atuação profissional do
parlamentar em um caso criminal. “Ele acaba de defender um policial criminoso
que matou uma criança de cinco anos de idade com um tiro de fuzil. Como ele vai
poder aprovar uma lei para permitir que o Estado combata o crime? Ele não
queria que o governo federal apurasse o crime da Marielle, e nós que
descobrimos quem matou a Marielle. Portanto, aprove! Aprove a PEC da Segurança
Pública que nós vamos ensinar como se acaba com a criminalidade desse país”,
completou o presidente.
A
declaração de Lula refere-se à atuação do senador Flávio Bolsonaro como
advogado na defesa do policial militar Bruno Dias Delaroli. O agente de
segurança é acusado pela morte da menina Ana Clara Machado, de 5 anos, atingida
por um disparo de fuzil em 2 de fevereiro de 2021, na comunidade Monan Pequeno,
em Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, no momento em que estava
perto do portão de sua residência.
Na
oportunidade do crime, Delaroli foi preso em flagrante e teve a prisão
convertida em preventiva. O senador Flávio Bolsonaro integrou a equipe de
advogados responsável pela defesa do policial militar e assinou recurso
apresentado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para contestar a decisão da
Justiça do Estado do Rio de Janeiro que determinou o envio do réu a júri
popular, conforme registram documentos e reportagens do processo.
• E se ele virar presidente? Um exercício
de futurismo distópico. Por Luís Felipe Miguel
Caso
ele vire presidente, não duvidemos: será muito pior do que já foi.
Vamos
começar pelo que é do seu metiê: se ele virar presidente, teremos no governo
uma orgia de corrupção como nunca se viu no país. O moço evoluiu, saiu da
rachadinha de poucos milhares para os muitos milhões de Vorcaro.
E
propina de milhões sai de negócios de bilhões. Se ele virar presidente, as
privatizações vão ser feitas em ritmo acelerado. Uma negociata depois da outra,
de um jeito que vai fazer a privataria dos tempos de Fernando Henrique parecer
um chá da tarde no convento de freiras. Adeus Petrobrás, Banco do Brasil,
Caixa.
Setores
cada vez mais amplos da economia brasileira serão controlados do exterior. A
desnacionalização será brutal. Nossas terras raras, assim como nosso petróleo,
serão graciosamente entregues aos Estados Unidos, em gratidão pelo apoio
decisivo de Trump para a vitória eleitoral.
Aproveitando
o embalo, nossa política externa toda será definida em uma curta frase:
obedecer aos Estados Unidos. A diplomacia profissional será desmantelada (o
irmão já anunciou isso) e quem resistir, perseguido.
No
plano interno, teremos o ataque final aos direitos trabalhistas. As dezenas de
milhões de eleitores que preferiram votar nele a alcançar o fim da escala 6 por
1 serão brindados com a “livre negociação” entre a raposa e as galinhas, isto
é, entre patrão e empregados, sem nenhum tipo de proteção estatal.
O
“mercado” já está eufórico com a possibilidade.
Completando
a receita, os serviços socializados, como o SUS, e os programas sociais serão
esvaziados. Viveremos uma explosão de miséria, saudada como um passo decisivo
na libertação do país das políticas paternalistas. Mas o brasileiro poderá
tentar a sorte nas bets, novamente legalizadas, para ganhar um dinheirinho. Ou,
mais provavelmente, perder. Afinal, o novo governo será alinhado à filosofia
Paulo Guedes: “cada um que se foda da maneira que quiser”.
Mas
algumas consequências são coletivas. Quando o planeta ferver, pelo incentivo
que será dado à derrubada de toda e qualquer floresta, vamos ferver todos,
mesmo os que não queríamos.
Os
golpistas do 8 de janeiro, soltos, receberão medalhas pelos serviços prestados
à pátria. Jair será considerado oficialmente um mártir, em pé de igualdade com
Tiradentes. A Globo vai produzir especiais louvando sua trajetória.
Quem
não gostar, que vá embora. Quem quiser protestar, vai preso. As liberdades
civis serão cerceadas, em nome da família, da Pátria e de Deus. Os comunistas,
isto é, todos os insatisfeitos, sofrerão represálias. Serão demitidos do que
restar do serviço público. Serão censurados. Serão presos. Serão exilados.
Quem
sabe haverá uma lista negra para impedir que os indesejáveis adquiram armas. Já
o cidadão poderá comprar até dez metralhadoras, duzentos fuzis, cinquenta
granadas, oito bazucas, três tanques.
A
resistência será varrida. O Congresso estará dominado por extremistas
autênticos ou de ocasião. Veremos a submissão completa do Poder Judiciário ao
Executivo, com os quatro novos ministros indicados por ele dando maioria
absoluta à extrema-direita.
Nem
precisará esperar até lá. Assim que o primeiro Ministro do STF for impedido
(Alexandre de Moraes), a maioria extremista no Senado vai perder o pudor, vai
se sentir livre para passar o rodo. Flavio Dino e Cristiano Zanin serão os
próximos. Dias Toffoli, invertebrado como sempre, já terá aderido. Carmen Lúcia
preferirá se aposentar a enfrentar o regime. Fachin ficará dividido entre a
dignidade e a covardia. Mas a covardia ganhará – de novo.
No
Congresso, a extrema-direita turbinada contará com o apoio do Centrão para
desfigurar a Constituição de 1988, tal como o candidato já prometeu. Sabem
aquele Centrão, que com Lula cobrava alto a fatura para cada apoio, mesmo em
questões básicas, e depois nem entregava o que tinha sido vendido? Pois
certamente entregará seu apoio mais fácil para os retrocessos.
Sem
nenhum anteparo institucional com um mínimo de força, a fusão entre milícia e
poder político poderá acontecer quase à luz do dia.
Com
sorte, mergulharemos em um regime autoritário velado, ao estilo da Turquia de
Erdoğan. Se dermos azar, será uma ditadura aberta. Depois de 20 anos de
pesadelo, começaremos uma transição “lenta e gradual” para a democracia.
Cabe a
todos nós evitar tudo isso. Evitar que, daqui a dois ou três anos, a gente
releia esse texto e ria do meu otimismo – porque pode ser muito pior, de
maneiras que a gente nem imagina.
• Cotado para a Fazenda de Flávio
Bolsonaro, Kayath diz que corte de gastos não resolve problema fiscal
Cotado
para assumir o Ministério da Fazenda em um eventual governo de Flávio Bolsonaro
(PL), o economista Marcelo Kayath, ex-diretor do Credit Suisse, afirmou que o
problema fiscal brasileiro não poderá ser solucionado apenas com cortes de
despesas. Em entrevista à CNN Brasil, concedida na quarta-feira (7), ele
defendeu um choque de gestão no setor público, com combate a desperdícios e
ineficiências nos três Poderes, antes da adoção de medidas que exijam
sacrifícios da população.
Segundo
Kayath, a insistência exclusiva na redução de gastos não oferece uma solução
suficiente para os desafios das contas públicas. “A gente só cortar, cortar,
cortar e achar que vai resolver… não vai resolver. É muito chato só ficar
falando de corte de gasto, tirar dinheiro das pessoas. Tem que pensar como uma
coisa temporária. É como ir ao dentista, ninguém gosta”, declarou. Segundo ele,
o que vai resolver o problema da dívida brasileira é a retomada do crescimento
econômico.
<<>
Choque de gestão nos três Poderes
O
economista argumentou que a reorganização fiscal deve começar pelo próprio
funcionamento do Estado, com iniciativas destinadas a eliminar desperdícios e
melhorar a eficiência administrativa nos Poderes Executivo, Legislativo e
Judiciário.
Na
avaliação de Kayath, essa estratégia ajudaria a construir credibilidade para a
política econômica, demonstrando à sociedade que o poder público também está
disposto a rever suas práticas antes de exigir esforços adicionais dos
cidadãos.
“Choque
de gestão é mostrar para a população que estamos fazendo nosso trabalho,
combatendo ineficiências no Judiciário, Legislativo e Executivo antes de pedir
o sacrifício da população”, afirmou.
Para o
economista, a melhoria da gestão pública deve anteceder um ajuste fiscal de
caráter estrutural e sustentável, capaz de reorganizar as contas do país sem
depender exclusivamente de medidas de contenção de despesas.
<><>
Programas sociais devem ser preservados
Kayath
também defendeu que eventuais medidas de ajuste fiscal não comprometam os
programas sociais, especialmente diante das desigualdades econômicas e sociais
brasileiras.
Segundo
ele, a preservação dessas políticas deve ser uma premissa da reorganização das
contas públicas, evitando que a população de menor renda seja a primeira a
suportar os custos do ajuste.
“Uma
vez que mostrar credibilidade, tem que ser cirúrgico. Tem que preservar os
programas sociais, que não podem ser afetados. É uma premissa básica. Num país
desigual como o Brasil a gente não pode dizer ‘os mais pobres têm que sofrer
primeiro’”, declarou.
A
posição apresentada pelo economista coloca a manutenção da proteção social
entre as condições que, segundo ele, devem orientar uma eventual política de
consolidação fiscal.
<><>Juros
menores e combate ao endividamento
Outro
ponto abordado por Kayath foi a relação entre a situação fiscal do país, as
taxas de juros e as perspectivas de crescimento econômico.
Na
avaliação do economista, um ajuste fiscal sustentável poderia contribuir para a
redução dos juros, criando condições mais favoráveis para a atividade econômica
e para a renegociação de dívidas das famílias brasileiras.
Ele
ressaltou, entretanto, que o enfrentamento do endividamento exige medidas que
vão além da renegociação imediata dos débitos. Para Kayath, também é necessário
criar condições para impedir que os consumidores voltem a acumular dívidas.
“Com a
queda dos juros, passa a ter condição melhor e de renegociar as dívidas. Os
programas até agora não surtiram o efeito necessário. É um problema difícil.
Temos que não só resolver o problema de curto prazo, mas evitar que a pessoa
volte a se endividar”, concluiu.
As
declarações de Kayath apresentam algumas das diretrizes econômicas que ele
defende em meio às discussões sobre a condução da política fiscal brasileira e
à disputa presidencial de segundo turno, marcada para 25 de outubro.
Fonte:
Come Ananás/Brasil 247/Amanhã não existe ainda

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