‘Vim
do futuro e moro na Argentina de Milei’: brasileiros alertam sobre plano
econômico de Flávio Bolsonaro
“O
futuro que Flávio Bolsonaro promete, a gente vive aqui. E não é um filme bom”.
Esse é o mote da campanha digital “Eu vim do futuro. Moro na Argentina”, que
ganhou força nas redes sociais logo após o primeiro turno das eleições
brasileiras.
A
iniciativa reúne vídeos curtos, cards e conteúdos digitais que alertam os
brasileiros sobre o que os conterrâneos têm vivido no país vizinho, governado pelo presidente de extrema
direita Javier Milei.
“A
iniciativa digital surgiu de brasileiros que vivem na Argentina, a partir de
suas próprias experiências e da necessidade de dar visibilidade aos impactos
das mudanças econômicas, políticas e sociais no país”, disse Renata Codas,
coordenadora da campanha, que mora na Argentina há 15 anos.
Num
movimento autônomo e sem financiamento, a estratégia da campanha “prioriza
relatos pessoais e concretos sobre custo de vida, aluguel, trabalho, saúde,
educação e economia familiar, reunindo vozes de argentinos, imigrantes e
brasileiros”, detalhou.
Em um
dos materiais, uma foto de Milei acompanhada dos dizeres “o que vivemos”,
aparece ao lado de uma imagem de Flávio Bolsonaro, com a frase “o que promete”,
e de uma imagem de Lula, identificada como “outro caminho”. Em outro material,
o alerta é direto: “aprenda com o erro dos outros. É mais barato”, seguido de
informações sobre como votar no exterior.
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‘País vive sua pior crise’
“A
Argentina é um país maravilhoso, mas as pessoas estão sofrendo, apáticas,
sem perspectivas.
Moro aqui há 10 anos e os últimos três anos foram os mais difíceis”, diz a
brasileira Valéria Rodrigues, que é analista de marketing, professora e
motorista de aplicativo. A realidade do multiemprego é vivido por centenas de
argentinos para conseguir chegar ao fim do mês, esclarece.
Cerca
de 90 mil brasileiros residem atualmente no país vizinho, segundo estimativas
do Itamaraty. Desse total, 13.138 estão aptos a votar, o que faz da Argentina o
maior colégio eleitoral brasileiro na América Latina fora do Brasil, de acordo
com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No primeiro turno, Lula
registrou 3.747 contra 1.681 votos do bolsonarista entre os eleitores
brasileiros que residem no país.
Segundo
a coordenação da campanha digital na Argentina, a iniciativa já teve mais de um
milhão de visualizações nas últimas semanas, sendo 85% delas provenientes de
não seguidores.
“O
conteúdo com vídeos curtos e cards tem uma linguagem espontânea e próxima do
público, com o objetivo de gerar identificação”, explica Mayara Santos, que
coordena a comunicação da campanha.
A
iniciativa digital também tem recebido apoio de páginas com relevância nas
redes sociais e de artistas do audiovisual latino-americano.
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Brasileiros transformam a experiência em alerta
Caso
seja eleito, Flávio Bolsonaro pretende se inspirar no governo argentino para
promover uma agenda de cortes de gastos, chamada por ele mesmo de “tesouraço”,
em referência à “motosserra” popularizada por Milei.
A
coordenadora econômica da campanha de Flávio, Daniella Marques, ex-presidente
da Caixa Econômica Federal, afirmou que pretende revogar as normas e se
inspirar “no que foi feito no governo Milei, na Argentina”.
Embora
as economias brasileira e argentina tenham estruturas distintas, o modelo de
Milei tornou-se uma referência para a equipe econômica de Flávio. O candidato
menciona em seu plano de governo que fará cortes de gastos, mas não explica
como pretende executá-los nem quais critérios serão adotados.
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Recessão e perda de renda: ‘Milei enganou a população’
Na
Argentina, Milei alcançou o déficit zero à custa de uma recessão, com cortes de
investimentos, impactando frontalmente a saúde, a educação, a ciência e a
cultura, além do congelamento de salários, o que gerou perda drástica do poder
aquisitivo, num cenário no qual a inflação segue alta, atingindo 33,5% no
acumulado dos últimos 12 meses.
A crise
provocada pelo plano econômico do presidente Javier Milei levou milhares de
pessoas às ruas, principalmente familiares de pessoas com deficiência e
aposentados, grupos desamparados pela política econômica do presidente
argentino.
O
Congresso do país precisa aprovar uma lei de emergência em saúde e educação
para obrigar o Executivo a atualizar os salários de profissionais de saúde e de
investimentos nas universidades públicas. Milei, porém, se recusou a cumprir a
medida, e a questão foi parar na Justiça, ainda sem solução.
“Milei
enganou a população. Disse que os primeiros dois anos seriam duros, mas que
depois tudo melhoraria. Estamos indo para o quarto ano de inferno. Ano que vem
tem eleição, e a qualidade de vida da maioria foi parar no chão”, disse a
professora argentina Carla Fernández à reportagem.
Desde
que assumiu o país, mais de 21 mil empresas, em sua maioria pequenas, fecharam
as portas. A taxa de desemprego está em 7,9%.
No
primeiro semestre de 2026, a taxa de pobreza voltou a subir, chegando a 32,3%.
O Unicef e outras organizações de direitos humanos já alertaram que crianças e
mulheres estão entre os grupos mais afetados pela recessão.
O
presidente argentino também promoveu uma reforma trabalhista que permite
jornadas de até 12 horas, altera as regras de férias e reduz as indenizações
por demissão.
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Modelo de Flávio Bolsonaro, Milei freou aumento da
aposentadoria na Argentina em 21%
A
promessa da campanha do candidato Flávio Bolsonaro (PL) de promover um
“tesouraço” nas despesas públicas, tendo como inspiração o ajuste fiscal de Javier Milei na
Argentina,
abriu uma disputa sobre o possível alcance dos cortes, ainda não detalhados
pelo candidato.
O
candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem cobrado Flávio para explicar o
“tesouraço”, enquanto o senador do PL vem negando que vá fazer ajuste fiscal sobre as aposentadorias ou programas
sociais.
A
desindexação das aposentadorias do reajuste do salário mínimo – uma das
demandas principais de agentes do mercado financeiro para reduzir as despesas
do governo – limitaria os reajustes à inflação, sem ganho real.
Atualmente,
as pensões e aposentadorias no Brasil seguem a regra do salário mínimo que
prevê ganhos reais de até 2,5% acima da inflação.
A
coordenadora da equipe econômica da campanha de Flávio Bolsonaro, economista
Daniella Marques, tem afirmado que o governo de Javier Milei é uma inspiração
da campanha, considerado um “ótimo exemplo”.
“Vamos
usar de inspiração o que foi feito pelo governo de Javier Milei, na Argentina”,
disse Daniella durante o evento Esfera Brasil, em setembro deste ano, segundo
reportagem da revista Exame.
Entre
as mudanças que afetaram os aposentados na Argentina está o fim da moratória
previdenciária, desde março de 2025. Com essa mudança, o número de argentinos
que ingressaram na Previdência caiu de 213,9 mil, no 1º semestre de 2024, para
99,6 mil, no 1º semestre de 2026.
A queda
de 53% no número de novos aposentados foi registrada pelos Boletins
Estatísticos da Previdência Social (BESS) do país.
A
redução pela metade no número de novos aposentados ocorre após o governo Milei
não renovar a chamada regra da moratória previdenciária. Esse mecanismo
permitia que trabalhadores com idade mínima para se aposentar, mas sem os 30
anos de contribuição previstos, pudessem regularizar o período sem
contribuição.
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Milei limita aposentadorias
Além de
dificultar a entrada no sistema de Previdência Social, o governo Milei alterou
a fórmula de cálculo das aposentadorias ainda no início do governo, em março de
2024, ao editar o Decreto de Necessidade e Urgência (DNU) 274 de 2024.
Desde
então, as mensalidades são reajustadas mensalmente com base nos índices
oficiais da inflação. A formula anterior, definida pela Lei 27.609 de 2021, se
baseava em dois indicadores: 50% do reajuste era definido pela variação dos
salários, e 50% pela arrecadação da Previdência.
O
Centro de Economia Política Argentina (CEPA) calculou que a mudança de Milei
“fez o piso mínimo das aposentadorias deixar de crescer 21%”, considerando os
valores de junho de 2026.
“Em
junho de 2026, com o aumento de 2,6% da fórmula de Milei, a aposentadoria
mínima (sem bônus) fica em $403.327, enquanto, se a fórmula anterior tivesse
sido mantida, seria de $ 490.621 (21,6% acima)”, diz o informe.
O
advogado argentino especializado em seguridade social Luciano González Etkin
explicou à Agência Brasil que as aposentadorias em seu país vinham
perdendo poder de compra, pelo menos desde 2018.
“Ao
suspender a fórmula que proporcionava algum crescimento real das mensalidades,
o que o governo Milei faz é consolidar a perda do poder de compra das
aposentadorias, condenando-as a permanecer nesse patamar”, afirmou.
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Medicamentos
Outra
mudança que afetou os aposentados sob Milei foi o corte no subsídio para compra
de medicamentos por meio do Instituto Nacional de Serviços Sociais para
Aposentados e Pensionistas (Pami).
Em
dezembro de 2024, o Pami definiu novas regras para acessar a gratuidade nos
medicamentos. Desde então, somente podem acessar o programa os aposentados com
renda mensal de até 1,5 vez o benefício previdenciário mínimo.
O
advogado do Centro de Aposentados e Pensionistas da Associação de Trabalhadores
do Estado (ATE Nacional) da Argentina, Luciano González Etkin, destacou que
essas e outras medidas de Milei tem levado os aposentados a fazer protestos
semanais em Buenos Aireis.
“Eles
estão em uma situação muito precária, muito preocupante. Vivem com cerca de 30%
do que seria necessário para um padrão mínimo de dignidade. É uma situação
muito preocupante e desumana para os aposentados”, disse à Agência Brasil.
<><>Vetos
de Milei
Diante
da pressão dos aposentados, o Congresso argentino aprovou três projetos que
prendiam melhorar os valores das mensalidades, um em 2024 e dois em 2025.
Entre
as mudanças, estava a previsão de que a aposentadoria mínima fosse de 1,09 vez
a cesta básica de um adulto. Porém, todas as medidas foram vetadas
integralmente pelo presidente argentino, que alegou falta de recursos para
cobrir as despesas.
Em
outubro deste ano, a aposentadoria na Argentina foi reajustada em 1,66%. Com
isso, o valor mínimo chegou a $ 505.748,51 pesos. Isso já considerando o bônus
fixo de 70 mil pesos concedido aos aposentados que recebem os menores valores.
Convertendo para reais, o valor equivale a aproximadamente R$ 1.662.
A
organização Espaço Gerontovida, que atua na defesa da população idosa argentina
em Buenos Aires, calcula que o valor mínimo da aposentadoria é suficiente para
cobrir apenas cerca de 25% das necessidades básicas mensais de um idoso,
calculada em $ 2.090.646.
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Liberdade de expressão? Argentina deporta jornalista
brasileiro crítico de Milei e cancela sua residência no país
O
jornalista brasileiro Rogério Tomaz Jr. foi impedido de entrar na Argentina nesta segunda-feira
(12/10) após a Direção Nacional de Migrações cancelar sua residência permanente
e determinar a proibição de ingresso no país por cinco anos.
Ele
chegou ao aeroporto Aeroparque, em Buenos Aires, para realizar entrevistas
destinadas a um livro sobre o governo de Javier Milei, mas recebeu a
notificação da medida e teve de retornar ao Brasil.
A
decisão administrativa de deportar o brasileiro foi assinada em 5 de agosto,
mas, segundo a documentação obtida pelo Infobae, foi aplicada quando o
jornalista tentou entrar no país.
A
Direção Nacional de Migrações justificou o cancelamento alegando que ele
permaneceu na Argentina por apenas 153 dias desde que recebeu a residência
permanente, em janeiro de 2022, e que não comprovou atividade profissional,
estudos ou vínculos familiares que justificassem a manutenção do status.
“Quando
fui passar pela Migrações, havia uma anotação. O funcionário da cabine não
tinha acesso, então chamou a supervisão e, mais ou menos uma hora depois,
vieram me informar”, relatou Tomaz Jr. ao Infobae em espanhol. Ele
afirmou que não havia sido informado previamente sobre o cancelamento: “tenho
registro no Mi Argentina e nunca me notificaram”.
O
jornalista disse que pretende recorrer da decisão. “Tenho quinze dias a partir
de hoje para recorrer e conquistar o direito de voltar ao país como turista”,
afirmou ao veículo argentino. Tomaz Jr. cobre o país vizinho e é crítico ao
presidente Javier Milei, sendo alvo de outros ataques de integrantes do
governo.
A
medida ganhou repercussão política após assessores do presidente argentino
celebrarem o impedimento de entrada. Santiago Caputo, conselheiro presidencial,
publicou uma mensagem dirigida ao brasileiro: “te falló el operativo, campeón”
(“seu plano falhou, campeão”, em tradução livre).
Juan
Pablo Carreira, conhecido como Juan Doe e responsável pela comunicação digital
do governo, também comemorou a decisão e escreveu que era “um esquerdista a
menos na Argentina”. Carreira havia protagonizado um confronto público com
Tomaz Jr. nas redes sociais em julho.
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Peru: Keiko Fujimori sofre derrota eleitoral e tenta
ampliar poderes
As
eleições municipais e regionais realizadas no Peru no último domingo, 4
de outubro, deixaram o governo de Keiko Fujimori na mais absoluta
orfandade. “Fuerza Popular”, o partido governista, não obteve vitória em sequer
uma circunscrição eleitoral. Não conseguiu nenhuma prefeitura provincial.
Tampouco
ganhou nenhum governo regional. Em suma, não obteve nada em uma eleição na qual
votaram nada menos que vinte milhões de peruanos. O descalabro foi absoluto.
Inclusive, ocorreu nas poucas regiões nas quais o atual partido do governo
havia conseguido alcançar a vitória nas disputas eleitorais realizadas em abril
e junho deste mesmo ano.
No
extremo, o milionário Joaquín Ramírez, tão próximo de
Keiko Fujimori que, desta vez, concorreu com um símbolo diferente para se
diferenciar do governismo, também perdeu, quando todas as “pesquisas” o davam
como vencedor certo naquilo que havia sido uma espécie de seu reduto pessoal:
Cajamarca.
É claro
que Fuerza Popular não foi a única organização derrotada. Também perdeu o APRA,
que fez papel ridículo em nível nacional, embora tenha conseguido se aproximar
dos 10% dos votos no que outrora era “a capital do Sólido Norte”, ou seja,
Trujillo; onde, além disso, “Alianza para el Progreso” — o partido que o
substituíra na estima dos cidadãos nos últimos 15 anos — também perdeu de forma
avassaladora.
Seu
companheiro de infortúnio foi o PPC, o Partido Popular Cristão, figura
emblemática da direita católica.
Em
contraste, confirmou-se a existência de uma forte base social de oposição ao
regime, delineada ao longo do sul andino. Em Cusco, desta vez a cidade mais
definida, Verónica Mendoza obteve uma vitória significativa que tirou a direita
do sério. Seus adversários, na falta de argumentos sérios, simplesmente a
acusaram de ser “filoterrorista”, talvez como uma maneira de antecipar as
“acusações” que lhe farão assim que puderem, à luz das leis de exceção que já
estão elaborando.
É
importante sublinhar que essa queda do governismo também atingiu “Renovación
Popular”, o partido de Rafael López Aliaga, que conseguiu muito menos do que
havia anunciado, apesar de contar com o apoio aberto da “Grande Imprensa” e das
“empresas de pesquisa”, que até o fim lhe garantiam uma vitória folgada que
nunca se concretizou. Setores, antes “centristas”, conseguiram arrebatar-lhe
postos que já tinha como certos, marchando na contramão do discurso agressivo e
radical de seu porta-estandarte.
Como
quem não aprendeu nada com as experiências anteriores, a Esquerda novamente
marchou dividida. Por meio de coletivos locais, no entanto, conseguiu
conquistar postos de autoridade provincial e regional em diferentes regiões do
país, afirmando um claro discurso anti-governista.
Os
resultados eleitorais, no entanto, surgiram envolvidos em uma amarga disputa
referente ao pedido de “faculdades delegadas” formulado pelo regime e
solicitado ao Poder Legislativo. Sobre o tema, “Fuerza Popular” se comportou
com a delicadeza com que um rinoceronte se move em uma loja de cristais. Isso a
levou finalmente a aceitar faculdades “reduzidas”, que deverão limitar sua
atuação. Mesmo isso, no entanto, é perigoso, devido ao debate pendente no
Senado e ao uso que o Executivo deverá fazer delas posteriormente.
E é que
não se trata apenas de propostas inviáveis, mas também de estilos de gestão
incompatíveis com a realidade. E é que combinar demandas reais com pedidos
pontuais destinados a privilegiar grandes empresários ou introduzir propostas
para acabar com os direitos trabalhistas dos trabalhadores não tem relação com
a insegurança cidadã que é preciso combater, nem com os danos esperados da
corrente de “El Niño”.
É claro
que se trata, realmente, de uma tentativa grosseira de pescar em águas turvas.
Aproveitar o fato de ter “faculdades delegadas” para apoiar os exportadores e
os banqueiros que doaram enormes somas de dinheiro à “Fuerza Popular” e que
agora estendem a mão para “recuperar o que é seu”.
Além
disso, o que tira o sono do governo é a possibilidade de colocar as Forças
Armadas nos presídios para “controlá-los por dentro”. Quando algo assim
ocorreu, em 1985, 1986 e 1992, foram cometidos contra os presos crimes abjetos
que o fujimorismo parece empenhado em repetir.
Em
geral, as pessoas não entendem “a ira” de Keiko. Ela pode recorrer a “Decretos
de Urgência” constitucionalmente previstos, ou enviar projetos de lei às
Câmaras Legislativas, que para isso foram eleitas. O que ela não pode é passar
por cima, como se com uma vara de salto, dos Poderes do Estado, sem consumar um
Golpe que a tornaria semelhante ao Alberto de abril de 1992. Porque sabe disso
— e teme suas consequências — é que opta pela inação.
E essa
inação tem diferentes modalidades. Uma delas é optar por sair do país com a
maior frequência possível. Já foi aos Estados Unidos durante cinco dias para
justificar uma doméstica peroração de 12 minutos. Agora busca visitar Bukele para ver se ele pode
lhe oferecer um banho de florescimento. E depois viajar à Espanha para um
encontro ibero-americano.
Se
viajar a El Salvador, talvez pudesse perguntar sobre uma frase dita pelo
mandatário daquele país: “se um governo não consegue derrotar a
criminalidade, é apenas porque a criminalidade está dentro desse governo”.
E, se for à Espanha — como ambiciona —, poderia talvez perguntar por que
naquele país propõem a expulsão das bases militares ianques, enquanto aqui ela
busca inseri-las em território peruano.
Talvez
o desejo de sair do país tenha uma dupla razão: fugir dos problemas daqui ou
governar mais o Peru a partir do exterior. Afinal de contas, ela perdeu as
eleições aqui e as “ganhou” apenas com a ajuda fraudulenta do voto no exterior,
graças a Donald Trump e a “diplomatas” nos Estados Unidos e na Argentina.
Daí sua
submissão servil às determinações de Washington. E isso ficou evidenciado na
presença do “Escudo das Américas” na Bolívia para
destituir e prender o procurador-geral daquele país por prender e investigar Cerimedo e seus cúmplices. A
participação de diplomatas peruanos nos fatos merece uma categórica reprovação.
Igual
rejeição merece a intolerável ingerência do embaixador dos Estados Unidos nos
assuntos internos de nosso país. Há muito pouco tempo, soube-se que a repressão
brutal cometida contra os moradores de Jicamarca resultou de uma iniciativa do
embaixador Bernie Navarro, que exigiu por escrito esse despejo para favorecer
compras de terrenos na região realizadas por uma empresa ianque.
Fonte:
Opera Mundi/Diálogos do Sul Global

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