Compreender
o antipetismo e (re)começar
O dia 4
de outubro de 2026 precisa ser entendido como fim. Mais que o fim de uma era na
qual Lula foi um protagonista como poucos, certamente o fim da República falida
na qual estamos desde a Constituição de 1988. Este dia será lembrado e
analisado como o fatídico dia no qual, pelo voto, a população brasileira
legitimou políticos e partidos fascistas.
Esse
dia é, portanto, o marco-fim de uma período de contínua (re)construção da
democracia brasileira, sempre instável e frágil. Esse marco contém, de um lado,
um gosto muito amargo e angustiante, mas tem outro lado que deve ser pensado
como o ponto no qual uma inflexão radical precisa ser iniciada.
A
inflexão radical é o caminho a ser construído com base em outros paradigmas,
percepções e práticas, sejam eles simbólicas, culturais ou políticos. Nesse
sentido, um caminho que, para avançar, precisa romper com o personalismo
messiânico de Luis Inácio Lula da Silva. Um personalismo que tem duas origens:
uma construída pelo próprio presidente Lula, outra construída por uma esquerda
umbilicalmente aderida ao Lulopetismo e que invariavelmente se mantém numa
posição contrária a qualquer contraponto. A despeito disso, faço aqui uma
ponderação importante: no Brasil, do tamanho político, simbólico e social de
Luis Inácio Lula da Silva, existe somente Getúlio Vargas.
Dito
isso, apresento as duas teses. A primeira tese é sobre esse personalismo
messiânico do presidente Luis Inácio Lula da Silva. Foi esse personalismo que
produziu o lulopetismo. Um o lulopetismo que se sobrepôs ao próprio Lula, é
maior que este, e exatamente por isso produz miopias sobre a realidade politica
e social.
A
segunda tese tem relação com a primeira na medida em que produziu um
hegemonismo-centralismo petista intransigente e também míope. É a partir dessas
teses que eu defendo a ideia, como metáfora, de que, na derrota eleitoral do
dia 4 de outubro de 2026, Lula não perdeu para o bolsonarimo, Lula perdeu,
antes, para o lulopetismo e para o hegemonismo-centralismo petista, ou seja, o
antipetismo.
Sobre a
primeira tese, ela deve ser interpretada a partir do dia primeiro de janeiro de
2023, ou seja, desde o princípio do terceiro mandato de Luis Inácio Lula da
Silva. Nesse dia o presidente Lula deveria ter iniciado a construção de
alternativas políticas para o confronto eleitoral. Não aceito como explicação
quase envergonhada aquela pautada na suposição de que não temos quadros
políticos que poderíam se colocar na disputa eleitoral. Essa afirmação só
reforma a tese de que o lulopetismo se sobrepôs ao presidente Lula e aos
adeptos incondicionais desse mesmo lulopetismo.
Para
confrontar esse lulopetismo do qual o presidente Lula também é “vítima”, o
mesmo presidente Lula deveria ter iniciado a construção de alternativas
políticas no dia primeiro de janeiro de 2023. No mundo de hoje, na realidade em
qualquer tempo histórico, não se pode perder de vista o passado e, menos ainda,
as possibilidades de um futuro governo de extrema direita que certemente se
apresentaria nas eleições de 2026.
O fato
é que chegamos em 2026 e logo se construiu um consenso sobre a única
alternativa para a esquerda brasileira: Luis Inácio Lula da Silva. O resultado
está posto, mas não é impossível reverter e não duvido da capacidade de
articulação política de Luis Inácio Lula da Silva para vencer as eleições.
Porém, sendo possível vencer, em quais circunstâncias o presidente Lula
conseguiria governar com o Senado e a Câmara Federal tomados por políticos
fascistas aderidos ao projeto destrutivo do Bolsonarismo financeiro-midiático-religioso?
Esse
cenário de ingovernabilidade para o caso de uma vitória de Luis Inácio Lula da
Silva é mais do que certo. Numa vitória do bolsonarismo é certo o início da
destruição do Estado brasileiro. Por isso estamos numa encruzilhada que nos
levará ao mesmo fim: viveremos anos de grandes tormentas. Se eleito, Lula
seguramente atuará politicamente como “muro de contenção” do fascismo
parlamentar, mas sua capacidade de atuação no atual quadro de degradação e
putrefação da República de 1988, será muito limitada.
Temos
que reconhecer que, mesmo preso e condenado por golpe de Estado, o inominável
Jair Bolsonaro continuou inteferindo nos destinos do país. Indicou o filho
miliciano parar dar continuidade ao projeto de poder fascista e foi
politicamente inteligente ao determinar a estratégia de ampliação dos quadros
fascistas no parlamento. Enquando isso, a esquerda seguiu “presa” ao
lulopetismo, ou seja, ao personalismo messiânico do degradado presidencialismo
da República de 1988.
Até
quando seguiremos nessa rota? Lula poderia ter rompido com o lulopetismo e
assumiria, ele próprio, um papel estratégico e geopolítico no xadrez
político-eleitoral de 2026 em defesa de uma candidatura que não esbarrasse no
ponto estrutural de fragilidade do hegemonismo-centralismo petista: o
antipetismo construído diariamente pela mídia corportiva, pelas Igrejas
Católica (especialmente Canção Nova) e Engélica, pela Faria Lima e pelo cancro
do agranegócio escravocrata e latifundiário.
Qual
candidato o presidente Luis Inácio Lula da Silva poderia ter construído desde o
dia primeiro de janeiro de 2023? Por exemplo, o leal e muito bem preparado
vice-presidente, Geraldo Alckmin. Para tanto, seria necessário ao lulopetismo
compreender que o próximo governo deveria ser, ao mesmo tempo, de consolidação
e de transição. Nesse novo governo, o estadista Luis Inácio Lula da Silva
assumiria funções estratégicas e políticas, inclusive como representação
institucional brasileira em esferas internacionais, assessorando o/a novo/a
presidente sem precisar se desgastar com o pesado cotidiano governamental.
Entro
agora na segunda tese. O hegemonismo é tão intransigente que o torna não apenas
míope, mas completamente incapacitado de ver, percecer e compreender
políticamente o antipetismo estrutural da relidade social contemporânea. É um
fato sobre o qual não dá mais para fingir desconhecimento e isso ficou evidente
na eleição ao parlamento.
Até
agora, nenhuma das denúncias contra Flávio Bolsonaro pelos os crimes que teria
cometido e todas as mentiras, conseguiram reverter ou abalar sua ascenção e
potencial vitória eleitoral. É mais que óbvio o fato de a Rede Globo ter atuado
para preservar o filho do inominável e degradar a imagem do presidente Lula.
A
explicitação do antipetismo está circulando nas redes sociais nos seguintes
termos: “votar contra o Lula não signfica gostar de Flávio ou de Bolsonaro”. E
dizem isso independentemente dos enormes avanços sociais, institucionais,
culturais e políticos de todos os governos federais do PT.
Só
mesmo um/a analfabeto político/a para achar que se está votando em Lula porque
“gostamos” de Lula, mesmo sendo a afetividade um aspecto importante do vínculo
entre a população brasileira e Luis Inácio Lula da Silva. Na atual conjuntura
histórica, estamos votando, antes, contra a “banalização do mal”, estamos
votando contra a barbárie, estamos votando contra um projeto de poder que
transformará o Brasil numa “República Miliciana”, autoritária, militarizada,
preconceituosa e odiosa.
A
análise sobre esse hegemonismo-centralismo petista lança luz sobre o estado de
São Paulo, que é o estado de origem do PT. Essa especificidade espacial não é
um dado aleatório e serve para compreender os equívocos estruturais em relação
ao Brasil e ao próprio estado de São Paulo.
O
primeiro ponto da crítica é sobre a manutenção desse hegemonismo-centralismo
estruturado pela primazia espacial da Região Metropolitana de São Paulo em
detrimento do restante do estado. O lulopetismo e o hegemonismo-centralismo do
PTismo não têm interesse e não conseguem mais compreender os grotões
conservadores do estado de São Paulo. O resultado da votação neste ano comprova
isso: o PT venceu em 39 dos 645 municípios paulistas.
O
lulopetismo acreditou e operou exclusivamente a partir da Região Metropolitana
de São Paulo, algo que fica muito claro na incapacidade de Fernando Haddad ou
qualquer candidato associado à capital do estado de disputarem o debate
político com as populações das demais regiões do estado. O que se construiu
antecipadamente foi uma derrota avassaladora. Fernando Haddad não compreende os
rincões do estado e seu conservadorismo histórico-estrutural. E isso não é uma
crítica específica ao próprio Haddad, que assumiu um projeto eleitoral
previamente derrotado a despeito da sua qualidade e honestidade, além do
compromisso e sacrifício ao projeto nacional.
O fato
de sua candidatura nascer derrotada antecipadamente é responsabilidade, de um
lado, do hegeminismo-centralismo petista, de outro do lulopetismo. O
hegemonismo-centralismo impediu a construção de outras alternativas
partidárias. Ao impor uma candidatura pura petista, só fez potencializar o
antipetismo que passou a estruturar a sociedade paulista em particular e o
Brasil em termos gerais. É muito fácil derrotar o PT no estado de São Paulo:
basta mobilizar o antipetismo. Quem é do interior do estado tem isso muito
claro, não existe qualquer dúvida sobre a capacidade de mobilização do
antipetismo.
Para
reverter essa situação será preciso se reconectar ao estado de São Paulo e, ao
mesmo tempo, compreender as profundas contradições do estado mais
industrializado e rico do país. O estado de São Paulo nunca foi moderno, nem
mesmo a capital. São Paulo. O estado é curral de oligarquias radicalmente
conservadoras, mas a vida na Região Metropolitana, muitas vezes, produz aquela
miopia sobre a realidadade social, política e cultural que dificulta muito a
leitura e a percepção desse conservadorismo associado ao mundo urbano e rural
do interior.
Diante
desse cenário é preciso indagar até quando o PT vai insistir nessas práticas
centralista e hegemonistas? O estado de São Paulo não é a Avenida Paulista, a
realidade aqui no interior é muito diferente e o PTismo não sabe mais como
lidar com isso, pois está entrincheirado na arrogante primazia paulistana. E ao
construir a candidatura de Fernando Haddad, o LuloPTismo personalista e
messiânico demonstrou sua fé equivocada de que basta operar eleitoralmente pela
capital, de que a capital vai garantir os votos necessários para vencer uma
eleição.
Se o
presidente Luis Inácio Lula da Silva tivesse se oposto a essa visão lulopetismo
sobre ele mesmo e sobre o partido, teria operado pela construção de outra
candidatura. Se cabe uma sugestão de nome para dialogar com o interior
conservador na atual conjuntura, esse nome é Simone Tebet. Não tenho receios de
afirmar que Simone Tebet foi, certamente, a melhor ministra do atual governo do
presidente Luis Inácio Lula da Silva.
Quem
viu Simone Tebet discutindo integração latinoamericana e planejamento regional
no Ministério, sabe do que estou falando. Sua origem (sim, cheia de
contradições) no agronegócio poderia ampliar a articulação eleitoral, mesmo
contra a máquina governamental e amenizaria o antipetismo.
A
dificuldade de construir outra candidatura e de se reconectar com o estado de
São Paulo deve ser entendido como parte de um processo mais amplo e relacionado
à desconexão gradual e contínua do PT com suas bases sociais. Esse processo foi
iniciado exatamente no momento em que Lula iniciou seu primeiro mandato e foi
caracterizado pela inserção do partido no mesmo sistema político que vinha
apodrecendo e a partir do qual PT deixou de representar um contraponto.
Óbvio
que ser governo é bem diferente de ser oposição, mas a percepção da sociedade
de que o PT passou a pactuar e a reproduzir práticas das oligarquias políticas
foi transformada em combustível da narrativa antipetista. E se essa percepção é
correta ou não, pouco importa, o fato é que ela foi incorporada ao imaginário
social.
Ao se
desconectar continuamente das bases sociais e se burocratizar nas
institucionalidades dos três poderes carcomidas por dentro, produziu-se uma
ruptura entre sociedade e partido que hoje cobra seu preço. Lembro de críticas
de Frei Betto tão logo se desvinculou do primeiro governo Lula, pelas quais
problematizou a opção governamental pelo consumismo das populações pobres e
trabalhadoras em detrimento da consolidação da consciência política.
Importante
dizer que ninguém tem qualquer dúvida sobre a relevância das políticas que
deram aos trabalhadores/as a capacidade de adquirir bens de consumo, ampliando
a qualidade de vida exatamente pelo consumo. Entretanto, o ponto de ruptura não
está na dimensão do consumo, mas na da política, promovendo um enorme
distanciamento entre partido/governo e grande parte da classe trabalhadora,
ainda que isso seja contraditório.
A
despeito da tragédia que poderá se consumar pelo “gran finale” no dia 25 de
outubro de 2026 com a apoteose do fascismo parlamentar e presidencial, devemos
encarar esse momento como fim e oportunidade, tal qual formulado no início.
Para piorar, eleito ou não, será a etapa final de atuação política do
presidente Luis Inácio Lula da Silva, pois duvido que exista possibilidade de
vir a se candidatar novamente.
Esse
fim, portanto, é um fim plural, pois representará o fim do lulopetismo, que é o
mesmo que dizer que seremos obrigados a nos reconstruímos politicamente sem a
dependência messiânica e personalista de Lula. Ao mesmo tempo precisa ser
entendido como o fim da República de 1988, pois esta já se desgastou
estruturalmente e só serve aos interesses do capital e das aligarquias
corruptas.
O
mencionado ato final deve ser encarado como uma inflexão estrutural que não
poderá se desperdiçado e, a partir dele, a única opção é construirmos muitas
outras alternativas políticas. No século XXI e com a ascenção do nazifascismo
em todo mundo, o messianismo personalista é a pior opção. Temos inúmeras
mulheres progressistas, muitos jovens progressistas, inclusive no PT, que
obrigatoriamente precisam assumir esse lugar protagonista de articulação
nacional e na comunicação em tempos digitais. Simone Tebet e Manuela D’Ávila
são duas delas, entre muitas outras e outros.
É
preciso compreender e reconhecer o antipetismo, pois ele vai legitimar qualquer
coisa, até mesmo o fascismo e a destruição, ainda que unicamente pelo ódio ao
PT e às políticas sociais e desenvolvimento econômico produzidos, mesmo com
suas contradições e erros, pelos governos de Lula da Silva e de Dilma Rousseff.
Não dá
mais para fingir que isso não esteja enraizado nas profundezas da sociedade
brasileira, desde a megalópoles até os mais distantes municipaios do interior.
É preciso ler, reconhecer e operar estrategicamente esse dado para não mais
esbarrarmos num muro intransponível do antipetismo. Para tanto, será preciso um
exercício de “desconstrução crítica” do campo progressista, especialmente do
hegemonismo-centralismo petista e do messianismo personalista do lulopetismo.
Esse é
um caminho necessário para construirmos outras (ou várias, preferencialmente)
alternativas de representação e desenvolver uma ação de oposição ante a
“revolução fascista” que está dominando o mundo através da internet e legitima
pelo voto. O “nazifascismo digital” não precisa de câmaras de gás, campos de
concentração ou com bombas de destruição.
O
domínio dos poderes na Praça dos Três Poderes poderá perdurar por anos e anos.
Não podemos substimar nova tentativa de Golpe. Por isso, temos duas tarefas
históricas estruturais. Uma delas no horizonte próximo: eleger Lula-Alckmin. A
outra deve ser iniciada no dia primeiro de janeiro de 2027 e com a participação
do próprio presidente Luis Inácio Lula da Silva e do PT, eleito ou não: a
descontrução do lulopetismo e do hegemonismo-centralismo petista tal qual se
constituíram até agora, pois alimentam o radicalismo antipetista e não podemos
mais desconsiderar esse elemento da equação político-eleitoral nas próximas
eleições. Se é que haverá eleições.
Nenhuma
das duas tarefas são simples. A primeira pode não se materializar, aliás, é
muito provável que não se materialize e tenhamos que lidar com o governo
miliciano-fascista que se iniciará. Neste caso o papel de Luis Inácio Lula da
Silva será fundamental. Lula tem força polícita e capital simbólico para, mesmo
derrotado, construir seu último e histórico legado: ajudar na transição
geracional do espectro político progressista para não deixar morrer os sonhos
daqueles e daquelas que estavam ao seu lado e junto com ele na criação do PT.
A
segunda tarefa é incontornável, seja qual for o resultado do segundo turno, e
será preciso enfrentarmos a nós mesmos/as do campo progressista e democrático
na construção de outras ideias e outros projetos de representação
político-partidário. Por isso, o dia 4 de outubro de 2026 é fim e (re)começo..
A
crítica aqui desenvolvida ao lulopetismo e ao hegemonismo petista não está
descolada de um reconhecimento do tamanho simbólico e político do presidente
Lula e do próprio PT. A história de ambos, pela força e importância do que
representam, é o exatamente o elemento que, aos meus olhos, justifica e faz
radicalmente necessária a mesma crítica. Nenhum partido político constriuiu uma
trajatória como a do PT, mesmo com todos e profundos erros cometidos,
principalmente, após a chegada ao poder federal, ou mesmo antes, por exemplo,
com a aproximação ao neoliberalismo que Antônio Palocci construiu ao ser eleito
deputado federal e em sua atuação no Ministério da Fazenda.
Desde
então, a sombra do neoliberalismo sempre se fez presente na Esplanada dos
Ministérios durante os governos petistas de Lula e Dilma Rousseff, disputando,
no interior desses governos, a hegemonia da orientação econômica nacional em
oposição ao pensamento mais desenvolvimentista que também existia na esfera
governamental.
O fim,
portanto, é algo certo. É impositivo. Como está e o que está, seja qual for o
resultado das eleições, acabará, precisa acabar. A Nova Repúblicou morreu e
seus ideais constitucionais se perderam. O projeto miliciano-fascista já venceu
no parlamento e uma vitória no executivo no dia 25 de outubro provocará a
aniquilação acelarada dos ideais que ainda resistem, como o SUS.
O (re)começo,
nesse sentido, será o grande desafio dos/das democratas e progressistas, pois
terá como horizonte, ao mesmo tempo, a problematização radical da hegemonia
messiânica lulopetista e a construção de um novo caminho a ser arduamente
lapidado sem perder de vista os avanços sociais de toda ordem e a compreensão
do mundo em que estamos inseridos. Estamos atrasados nessa compreensão, algo
que torna ainda mais urgente e árduo o trabalho para barrar a consolidação
universal e hegemômica do fascismo, que no Brasil é representado atualmente
pelo bolsonarismo.
A
frágil campanha eleitoral desenhada para a reeleição do presidente Lula é a
prova cabal daquela desconexão do partido com suas bases, potencializada pela
imcompreensão dos mecanismos e das estratégias de comunicação digital. Não nego
quão emocionante é participar ou ver as imagens das últimas carreatas do
presidente Lula no dia 3 de outubro de 2026, especialmente em São Paulo. No
entanto, essa imagem nos reporta ao passado romantizado das lutas políticas do
Século XX.
No
mundo contemporâneo “todos os sólidos se desmacharam no ar” e a luta é travada
em outras esferas e “espacialidades”, especialmente nos submundos digitais
dominados e financiados pelas Big-Techs a serviço da revolução
fascista-financista que assistimos atônitos, incrédulos e angustiados.
A
defesa da democracia, mesmo que não seja acompanhada da defesa do legado
incondicional do presidente Lula, você, nós, qualquer pessoa, só temos uma
opção no dia 25 de outubro: votar 13. No caso de uma derrota restará a lição
das “Madres de la Plaza de Mayo” sobre o dilema que viviam: “seguir llorando la
pérdida de nuestros hijos y hijas o luchar. Nosotras elegimos la lucha“.
Fonte:
Por Rodrigo de Faria, em A Terra é Redonda

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