Quais
sinais na visão podem indicar complicações do diabetes? Saiba como previnir
Enxergar
bem não significa necessariamente que está tudo bem com a visão. Para quem vive
com diabetes, algumas alterações podem surgir.
A
retinopatia diabética é uma das principais complicações oculares relacionadas
ao diabetes e pode comprometer a visão quando não é identificada e acompanhada.
O diagnóstico precoce e o acompanhamento oftalmológico ajudam a identificar
alterações antes que elas avancem.
No Dia
Mundial da Visão, celebrado em 8 de outubro, o alerta é para a importância de
cuidar da saúde dos olhos mesmo quando não existe nenhum sintoma.
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O que é a retinopatia diabética?
A
retinopatia diabética acontece quando o diabetes provoca alterações nos
pequenos vasos sanguíneos que irrigam a retina, estrutura localizada no fundo
do olho e responsável por captar as imagens.
No
início, podem aparecer pequenas alterações chamadas microaneurismas. Elas são
muito pequenas e podem não causar nenhuma mudança percebida pela pessoa.
“Começa
com essas alterações muito pequenas, que a gente chama de microaneurismas”,
explica a oftalmologista Letícia Rubman.
Com a
evolução da doença, os vasos podem apresentar vazamentos e sangramentos. Em
estágios mais avançados, também podem surgir novos vasos sanguíneos anormais,
aumentando o risco de complicações e perda de visão.
A
retinopatia também pode estar associada ao edema macular diabético, quando
ocorre acúmulo de líquido na região central da retina, chamada mácula. A
alteração pode provocar dificuldade para enxergar e perda de nitidez.
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Os números mostram a dimensão do problema
A
relação entre diabetes e saúde ocular é mais comum do que muitas pessoas
imaginam.
A
Federação Internacional de Diabetes estima que mais de um terço das pessoas com
diabetes desenvolverá alguma forma de perda de visão ao longo da vida. A
organização também aponta a retinopatia diabética entre as principais causas de
perda visual em adultos em idade produtiva.
A
Organização Mundial da Saúde estima que cerca de 35% das pessoas com diabetes
apresentem algum grau de retinopatia. O dado inclui diferentes estágios da
doença e não significa que todas essas pessoas terão perda importante da visão.
O risco
está relacionado a fatores como o tempo de convivência com o diabetes, o
controle da glicemia, a pressão arterial e outras condições de saúde. Por isso,
identificar alterações ainda no início é importante para acompanhar a evolução
e definir a conduta adequada.
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Por que o exame é importante mesmo sem sintomas?
Um dos
principais desafios da retinopatia diabética é justamente o fato de ela poder
evoluir silenciosamente.
A
pessoa pode continuar enxergando normalmente enquanto alterações já estão
acontecendo na retina. Por isso, esperar a visão piorar para procurar um
oftalmologista não é uma boa estratégia.
“Não é
um quadro identificado que o paciente identifique ou alguém externamente olhe
para o paciente e identifique alguma alteração”, explica Letícia Rubman.
O exame
de fundo de olho permite ao oftalmologista observar a retina e identificar
alterações que não podem ser percebidas pela própria pessoa.
Segundo
Letícia Rubman, a avaliação da retina faz parte do acompanhamento oftalmológico
de rotina e não é exclusiva de quem tem diabetes. Em algumas situações,
alterações encontradas durante o exame também podem levar à investigação de
outras condições de saúde, inclusive um diabetes ainda não diagnosticado.
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Quando fazer o exame de fundo de olho?
O
momento da primeira avaliação e a frequência das consultas dependem do tipo de
diabetes, do tempo de diagnóstico e dos resultados dos exames anteriores.
Para
pessoas com diabetes tipo 1, a avaliação oftalmológica deve começar cerca de
cinco anos após o início do diabetes. Já para quem tem diabetes tipo 2, o exame
deve ser realizado no momento do diagnóstico, porque a doença pode ter
permanecido sem diagnóstico por algum tempo.
Depois
da primeira avaliação, o intervalo entre os exames varia de acordo com os
resultados. Quando não há alterações, o acompanhamento costuma ser anual,
embora o oftalmologista possa indicar outro intervalo.
Quando
existe retinopatia, a frequência pode aumentar conforme o estágio da doença e o
risco de progressão.
“Depende
do exame inicial que ele teve”, explica Letícia.
Segundo
a especialista, dependendo da classificação da retinopatia, o acompanhamento
pode ser trimestral, semestral ou anual.
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Nem toda visão embaçada indica retinopatia
Nem
toda alteração na visão significa que a retinopatia diabética está avançando.
Oscilações
da glicemia também podem provocar alterações temporárias na visão. Quando a
glicose está elevada, por exemplo, algumas pessoas podem perceber a visão mais
embaçada ou turva.
A
alteração, porém, não deve ser automaticamente atribuída à glicemia. Se a visão
continuar diferente, piorar ou apresentar mudanças repentinas, é importante
procurar avaliação médica.
Entre
os sinais que merecem atenção estão:
• visão embaçada ou perda de nitidez;
• surgimento repentino de manchas ou
pontos escuros;
• aumento de “moscas volantes” no campo de
visão;
• flashes de luz;
• áreas escuras ou perda de parte do campo
visual;
• alteração repentina ou significativa da
visão.
Esses
sinais não significam necessariamente que a pessoa tenha retinopatia diabética,
mas justificam uma avaliação oftalmológica.
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O controle do diabetes também protege a visão
O
cuidado com os olhos está relacionado ao acompanhamento do diabetes. Manter a
glicemia dentro das metas estabelecidas pela equipe de saúde e controlar a
pressão arterial são medidas importantes para reduzir o risco de
desenvolvimento e progressão da retinopatia.
O
National Eye Institute, dos Estados Unidos, destaca que a detecção precoce, o
tratamento adequado e o acompanhamento podem reduzir em até 95% o risco de
perda grave da visão relacionada às doenças oculares do diabetes.
Quando
uma alteração inicial é identificada, nem sempre é necessário realizar um
procedimento imediatamente. Dependendo do estágio, o acompanhamento clínico e o
controle dos fatores de risco podem fazer parte da estratégia para evitar a
progressão.
“A
melhor forma de você tratar a forma inicial da retinopatia é ajudando junto com
a equipe […] a ter o melhor equilíbrio desse manejo clínico do paciente”,
explica a oftalmologista.
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Como a retinopatia diabética é tratada?
A
retinopatia diabética apresenta diferentes estágios e não evolui da mesma
maneira em todas as pessoas.
“O
paciente que tem a primeira lesão da retinopatia, que são as alterações
microvasculares, os microaneurismas, vai ter evolução para o quadro mais
avançado? Não, necessariamente”
Por
isso, o acompanhamento periódico permite identificar se a doença permanece
estável ou se existem sinais de progressão.
Em
casos mais avançados, podem ser indicados tratamentos específicos. A
fotocoagulação a laser, por exemplo, é utilizada em determinadas situações. Já
o edema macular diabético pode ser tratado com medicamentos aplicados dentro do
olho, de acordo com a avaliação do especialista.
Em
situações mais graves, procedimentos cirúrgicos também podem ser necessários. A
escolha depende do tipo de alteração e do estágio da doença.
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Diabetes não significa perda de visão
O risco
de complicações nos olhos existe, mas não deve ser encarado como uma sentença.
A
retinopatia diabética pode evoluir sem sintomas, mas também pode ser
identificada durante exames antes de provocar alterações importantes na visão.
Quando isso acontece, o acompanhamento e o tratamento, quando indicados, ajudam
a preservar a saúde ocular.
“A
gente não tem que ter medo de fazer o exame. A gente tem que ter medo de não se
cuidar”, afirma Letícia.
Por
isso, mesmo quem está enxergando bem deve manter as avaliações oftalmológicas
indicadas para o seu caso. E diante de uma mudança repentina na visão, manchas,
flashes ou perda de parte do campo visual, a orientação é procurar atendimento.
Ter
diabetes não significa necessariamente perder a visão. Com acompanhamento
regular, tratamento quando necessário e atenção ao controle da doença, é
possível reduzir de forma importante o risco de complicações oculares.
Fonte:
Um Diabético

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