sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Iraque luta para se reconstruir após resistir à tentativa de colonização dos EUA, avaliam analistas

Em entrevista ao podcast Mundioka, da Sputnik Brasil, especialistas apontam que, após duas décadas de presença militar norte-americana, o Iraque vive um momento dinâmico de mudança como se estivesse sendo reconstruído.

Os Estados Unidos concluíram a retirada de suas últimas tropas do Iraque, encerrando mais de duas décadas de ocupação militar no país.

A saída marca o fim de uma operação iniciada em 2003, com a invasão liderada pelos EUA sob a alegação de que o país armazenava armas de destruição em massa, argumento que posteriormente se provou falso. A invasão norte-americana derrubou o então governante iraquiano Saddam Hussein e abriu caminho para anos de insurgência e violência sectária no Iraque.

No auge da Guerra do Iraque, em 2007, mais de 170 mil soldados norte-americanos estavam mobilizados no país. Em dezembro de 2023, antes do acordo de retirada ser firmado, esse número havia caído para cerca de 2.400, segundo o Comando Central dos EUA (CENTCOM). Desde então, as forças norte-americanas reduziram sua presença, deixando apenas um pequeno contingente na região autônoma do Curdistão, no norte do Iraque.

Ao podcast Mundioka, da Sputnik Brasil, Nasser Kazharji, diretor do Arresala, que testemunhou o início da invasão norte-americana ao Iraque, afirma que a presença das tropas estadunidenses impunha uma sensação de subordinação.

"Você vê ali tropas estrangeiras que podem te machucar, que podem atirar em você, podem te enquadrar, e você não pode dizer nada porque não existe um governo, não existe um país que te proteja", afirma.

Ele diz que, após a queda de Hussein, o país teve de recomeçar do zero, sendo que tudo tinha de passar pela "benção" das tropas estrangeiras.

"O novo Iraque era um Iraque sem nenhuma segurança, o mínimo de segurança que existia tinha acabado. Era um país onde a coalizão podia deixar ali todos os grupos ou aliados atuarem, testarem armas, um país onde praticamente não tinha lei, e eles estavam acima da lei."

Kazharji ressalta que, ao longo dessas duas décadas de presença militar norte-americana, o Iraque conseguiu resistir à tentativa de colonização e demonstrou, em vários momentos, independência e soberania.

"Mostrou que é capaz de administrar o seu país, de decidir o futuro do seu país, como a elaboração da Constituição iraquiana foi feita por iraquianos, por comitês iraquianos", destaca.

No entanto, algumas questões cruciais ainda eram geridas pelos norte-americanos, como a renda gerada pela venda do petróleo do país, que obrigatoriamente era enviada a um fundo com sede nos Estados Unidos.

"Qualquer gota de petróleo vendida do Iraque é paga em dólar para esse fundo, que repassa o dinheiro físico uma vez por mês para o Iraque. Então isso é uma dependência total e não tem como você falar que o país é independente se tem esse modelo de dependência para pagar os salários dos funcionários públicos."

Lucas Mendes, geógrafo e cofundador do Geopolítica Hoje, que esteve no Iraque recentemente, afirma que o país hoje atravessa um momento dinâmico de mudança.

"Você tem investimentos, você tem grandes shoppings, você tem grandes avenidas sendo construídas. Então é esse momento, como se o Iraque estivesse sendo reconstruído 20 anos depois de tanta guerra e depois de tanta invasão", afirma.

Ele considera o país um grande campo de batalha geopolítico e de influência internacional entre as potências e diz que o Iraque tem muita semelhança cultural com o Irã, potência regional que é o maior obstáculo à influência dos Estados Unidos no Oriente Médio.

"São povos islâmicos, xiitas, seguem uma tradição que é muito importante que as pessoas entendam que é não só uma religião, como muitas vezes a gente trata aqui no Brasil ou é visto no chamado Ocidente, mas é uma integração cultural mesmo muito mais forte que esses povos têm. Isso gera uma influência natural dentro do Iraque, melhor dizendo, em relação ao Irã."

Mendes acrescenta que os Estados Unidos nunca conseguiram estabelecer uma influência duradoura dentro do Iraque, da mesma forma que ocorreu no Afeganistão, embora tenham criado instituições no modelo estadunidense no país.

"Você vê instituições norte-americanas dentro do Iraque, universidade dos Estados Unidos dentro de Bagdá, você vê hospitais sendo patrocinados pelos Estados Unidos, mas você não vê a sociedade iraquiana votando […] nesses partidos e nessas lideranças que são pró-Estados Unidos", observa.

Mendes destaca que atualmente existem casos bem documentados que mostram que a guerra civil iraquiana que sucedeu a invasão dos Estados Unidos foi um dos episódios geopolíticos mais graves do século XX.

"Uma ação dos Estados Unidos extremamente irresponsável, não se sabia o nível da barbárie que ia chegar ali, 500 mil crianças mortas dentro do Iraque, você tem estimativas de milhões, pelo menos 1 milhão de mortos, envolvendo todo o período da invasão e posterior guerra civil."

Além de se recuperar da barbárie humana, o Iraque enfrenta um desafio relacionado à questão energética, já que, apesar de ser um dos maiores produtores de petróleo do mundo, tem dificuldade para suprir a demanda de energia da população por questões geográficas. Segundo Mendes, foi isso que levou o país a tentar se munir de energia nuclear na era Saddam Hussein, sem obter sucesso.

"Por exemplo, o Iraque não tem a quantidade de rios que o Brasil tem para aportar energia hidrelétrica, não tem a quantidade de petróleo que dê também para ser refinado e bancar todas as necessidades do país, há de se buscar outras formas de desenvolvimento", afirma.

Ele considera que essa é uma questão a ser resolvida em longo prazo, pois a invasão e ocupação do país desestabilizaram a matriz energética iraquiana.

"O Iraque deixou de investir em projetos muito importantes, destruiu projetos que estavam acontecendo no curso desses acontecimentos e agora são também algumas décadas para reinvestir e chegar no ponto anterior."

¨      Ministro de Israel defende “aniquilar” Gaza e chama moradores de “nazistas”

O ministro das Finanças de Israel, Bezalel Smotrich, defendeu na segunda-feira (12) que Gaza seja “aniquilada” e disse querer que todo o território passe a Israel por “razões sionistas”. Em evento público, ele chamou os moradores do enclave de “nazistas” e afirmou que a Faixa não deveria existir.

Ele respondia a críticas por ter endossado um chamado para varrer Huwara, cidade palestina na Cisjordânia ocupada. Segundo o ministro, suas palavras foram distorcidas e não pediam o assassinato de mulheres e crianças.

“Temos que aniquilar Gaza. Não com genocídio, Deus proíbe. Aniquilar Gaza porque Gaza é uma entidade terrorista com 1,8 milhão de nazistas”, declarou, segundo a agência Europa Press.

Smotrich afirmou que os moradores de Gaza foram educados ao longo de gerações para odiar Israel. Para ele, um lugar assim “não deveria existir”, e o mesmo valeria para Huwara.

<><> Plano de esvaziamento e anexação

Smotrich e o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, defendem repetidamente a volta de assentamentos israelenses em Gaza. Em setembro, Ben-Gvir apresentou um plano para transferir a maioria dos moradores de Gaza ao exterior em sete anos.

O programa recebeu o rótulo de “migração voluntária”, apesar da oposição dos palestinos a deixar suas casas. Smotrich, colono na Cisjordânia e responsável por assuntos civis no território ocupado, defende a expansão dos assentamentos para impedir a criação de um Estado palestino.

O projeto E1, a leste de Jerusalém, recebeu condenação internacional por ameaçar fragmentar um futuro Estado palestino.

<><> Violência de colonos e mandados internacionais

A retórica territorial também aparece em outras frentes.

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu já manifestou apoio a uma visão de “Grande Israel”.

Uma comissão da ONU concluiu no ano passado que Israel cometeu genocídio em Gaza. O Tribunal Penal Internacional também expediu mandados de prisão contra Netanyahu e o ex-ministro da Defesa Yoav Gallant por supostos crimes de guerra e crimes contra a humanidade.

Israel rejeita as acusações. A ofensiva em Gaza começou após os ataques do Hamas de 7 de outubro de 2023, que mataram cerca de 1.200 israelenses, a maioria civis.

Desde então, dezenas de milhares de palestinos foram mortos em Gaza, segundo as autoridades de saúde locais.

¨      Israel intensifica bombardeios e operações terrestres no sul do Líbano, diz fonte

As forças israelenses intensificaram os ataques aéreos e de artilharia contra o sul do Líbano nas últimas 24 horas. É o que revelou à Sputnik nesta terça-feira (13) uma fonte militar libanesa, que ainda pontuou que foram registradas explosões e deslocamentos de veículos blindados em diferentes pontos da região.

"A aviação de combate israelense atacou, nas últimas 24 horas, as localidades de Shakra e Kfar Tibnit, o vale de Slouki, entre Mays al-Jabal e Shakra, e Wadi al-Khanazir, nos arredores de Froun", afirmou a fonte.

Segundo o interlocutor da agência, a artilharia pesada israelense também bombardeou Beit Yahoun, Kfar Tibnit, Mansouri, Khiam, Wadi Zibqin, a região de Jarmak e a área entre Hodeidah e Haris.

As forças israelenses também realizaram uma série de explosões de grande intensidade em Kfar Tibnit e dispararam metralhadoras contra a região de Biyut al-Siyad e os arredores de Barakat al-Naqqar, perto de Shebaa.

A fonte relatou ainda a movimentação de veículos militares israelenses entre Aita al-Jabal e Beit Yahoun, onde também foram registrados intensos disparos de artilharia e metralhadora. O deslocamento de veículos militares foi observado igualmente na localidade de Zoutar al-Sharqiya.

Em junho, Líbano e Israel firmaram um acordo mediado pelos Estados Unidos que prevê a retomada do controle do sul do país pelo Exército libanês, desde que o Hezbollah seja desarmado. O processo começaria por zonas-piloto, das quais as tropas israelenses deverão se retirar.

Na ocasião, o ministro da Defesa do governo Benjamin Netanyahu, Israel Katz, afirmou que Tel Aviv manteria a presença militar de longo prazo no sul do Líbano e responderia "com grande força" caso o Irã tente impedir a implementação do acordo.

Katz ainda classificou o entendimento como "um acontecimento histórico e uma importante conquista política e de defesa" para Israel. Segundo ele, o acordo pode criar, pela primeira vez em décadas, uma realidade mais segura na fronteira norte do país e fortalecer a segurança da população israelense.

¨      Governo Trump estuda usar bomba de 9,8 toneladas contra o Irã, diz CNN

O governo Trump estuda usar a GBU-43/B, bomba não nuclear de 9,8 toneladas, contra instalações energéticas e nucleares do Irã caso decida retomar os combates. A informação foi publicada pela CNN nesta quinta-feira (15), com base em relatos de autoridades americanas a par do planejamento militar.

Segundo a emissora, uma das fontes disse que Trump pediu novos pacotes de ataque contra uma série de alvos, incluindo infraestrutura de energia, e que a bomba está entre as opções. Outra fonte afirmou que os planos para instalações nucleares, como o complexo subterrâneo conhecido como Pickaxe Mountain, também consideram a arma.

<><> Arma de área, não de penetração

A GBU-43/B, apelidada de Mãe de Todas as Bombas, foi projetada para provocar uma explosão de grande alcance, e não para atingir alvos enterrados sob camadas de rocha. Pessoas a par do planejamento questionam se ela conseguiria destruir instalações nucleares profundas.

“A MOAB é uma arma enorme, do tipo operação de informação, ótima para limpar grandes áreas, mas pouco mais que isso”, disse à CNN uma fonte familiarizada com as discussões. “Definitivamente não foi projetada como ogiva de penetração profunda.”

O amplo raio da explosão também levanta preocupação com mortes de civis caso a bomba seja usada perto de áreas povoadas. Os Estados Unidos lançaram a MOAB em combate pela primeira vez em abril de 2017, contra um complexo de túneis e cavernas do Estado Islâmico no Afeganistão, no primeiro mandato de Trump.

<><> Eleições no horizonte

Trump disse que não autorizaria novos ataques antes das eleições legislativas de 3 de novembro. Segundo a CNN, assessores do governo não têm certeza de que essa posição será mantida, enquanto os planejadores militares seguem preparando opções. A guerra se tornou impopular entre os eleitores americanos, e não há sinal de acordo negociado entre Washington e Teerã.

Um funcionário da Casa Branca disse à CNN que o governo não comenta planos militares sensíveis que podem ou não existir e que Trump mantém todas as opções sobre a mesa para impedir que o Irã obtenha uma arma nuclear.

¨      Teerã busca impedir que alguém pense em atacar o Irã, diz presidente do Parlamento

Teerã, tanto por meio de ações militares como de negociações, busca garantir que ninguém mais ouse atacar o Irã, disse o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, comentando sobre o conflito com os EUA.

"Quando dizemos que estamos conduzindo tanto a guerra como as negociações, isso não significa que estamos travando uma guerra sem fim ou negociando sem parar", disse ele na TV iraniana.

Comentando sobre as negociações com os EUA, Ghalibaf acrescentou que o Irã deve alcançar, por meio de suas ações, a "dissuasão sustentada para que ninguém ouse atacar" o Irã, e disse que os EUA devem mudar seu comportamento.

"Negociação e guerra são ferramentas para alcançar a dissuasão", disse o político iraniano.

Segundo ele, para alcançar seus objetivos, o Irã está engajado tanto em ações militares quanto em negociações. Após uma vitória militar, é necessário alcançar a vitória política de tal forma que o lado contrário aceite as exigências do Irã ou reconheça a derrota, disse Ghalibaf.

Ele também reiterou que o memorando de cessação das hostilidades com os Estados Unidos, concluído em junho de 2026, ajudou as Forças Armadas iranianas a se fortalecerem.

¨      Arábia Saudita e houthis voltam a trocar mísseis em escalada da agressão

A Força Aérea da Arábia Saudita lançou um ataque contra a Estação Central Al-Sabaha da Companhia de Petróleo do Iêmen, localizada em Sanaa, capital do Iêmen, além de um depósito nos arredores da capital.

Segundo a agência de notícias Saba, do Iêmen, as instalações atacadas por Riad estavam vazias e, portanto, não afetou as reservas de petróleo nem as cadeias de abastecimento.

Em resposta, o grupo iemenita Ansar Allah, também conhecido como houthi, lançaram um novo ataque contra instalações da petroleira estatal Saudi Aramco. Em anúncio prévio, o porta-voz militar Yahya Saree alertou que estariam na lista de alvos a sede da empresa em Dhahran, a refinaria de Riad, além do aeroporto internacional Rei Khalid, também localizada na capital saudita.

Nos últimos dias os houthis lançaram uma série de ataques contra a Arábia Saudita. Em especial, no sábado, o aeroporto foi atacado com mísseis balísticos deixando 13 mortos e 300 feridos.

A tensão entre os países teve início em 2015, quando a Arábia Saudita interviu no Iêmen para reinstalar o governo apoiado por Riad e aliados, entre eles, os Estados Unidos. Nos últimos quatro anos, no entanto, houve uma grande redução nas agressões entre os dois países.

Os confrontos, entretanto reiniciaram em julho quando o governo internacionalmente reconhecido do Iêmen, o Conselho de Liderança Presidencial (CLP), que governa do exterior, lançou um ataque contra a pista do aeroporto de Sanaa no momento em que um avião, que transportava uma delegação houthi que retornava do funeral do ex-líder supremo do Irã Ali Khamenei, se aproximava, impedindo sua passagem.

Desde então, o Ansar Allah anunciou um bloqueio naval contra o vizinho no que chamou de uma medida "olho por olho", uma vez que Riad impõe um bloqueio por terra, ar e mar contra o Iêmen já 12 anos.

Porta de entrada sul para o mar Vermelho, o estreito se tornou rota mais vital para o fornecimento de energia da Arábia Saudita e de outros países desde o início da guerra dos EUA com o Irã, em fevereiro, quando Teerã fechou o estreito de Ormuz, que liga o golfo Pérsico ao oceano Índico.

Nas últimas semanas, no entanto, a escalada acirrou drasticamente entre o governo de Riad e o Ansar Allah, que controla a capital iemenita, devido ao rápido avanço militar que o grupo teve em assumir o controle de novos territórios dominados anteriormente pelo CLP, como toda a costa ocidental do mar Vermelho até o estreito de Bab al-Mandeb, além de se aproximarem da cidade de Taiz, um dos principais centros urbanos e estratégicos do Iêmen.

Nesta terça-feira (13), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comentou a situação na região afirmando que os houthis estão "se comportando muito mal" e que está conversando com o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, e com o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan.

A Turquia, junto do Paquistão, possui uma aliança de defesa mútua com a Arábia Saudita, o Acordo de Meca, assinado em 7 de agosto. Os países já se comprometeram em enviar tropas ao país da Casa de Saud, mas o escopo das operações ainda não foi anunciado.

 

Fonte: Sputnik Brasil/O Cafezinho

 

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