quinta-feira, 2 de abril de 2026

Três pesquisas muito boas para Lula e ruins para os Bolsonaros

Vamos começar por São Paulo.

O filho de Bolsonaro aparece na frente de Lula por uma margem mínima no 1º turno. Flávio tem 43,4% das intenções de voto contra 42,5% de Lula. 0,9 ponto percentual de diferença quando a margem de erro é de 2 pontos para cima e para baixo.

Nas simulações de segundo turno, Flávio venceria Lula por 49% a 44%, com 7,1% de brancos, nulos e indecisos.

Em votos válidos, isso seria um 53% a 47%. É menos do que os 55,5% a 44,5% de Bolso pai e Lula em 2022.

Se São Paulo entregar um resultado assim, Flávio não tem como tirar a diferença que Lula terá no Nordeste.

Principalmente porque em Minas há também um empate técnico.

No principal cenário de 1º turno, Lula soma 43,7% contra 40,4% do filho do seu Jair. Romeu Zema (Novo) tem só 4,7%, seguido de Renan Santos (Missão), com 3,3%. Aliás, o tal do Renan Santos parece ter se consolidado como uma via mais radical do que Flávio e se tornou o candidato dos red pills. Em São Paulo ele aparece com 5%.

No 2º turno, Lula marca 47,3% contra 46,9% de Flávio Bolsonaro.

Ou seja, temos um empate em Minas.

Mas a melhor notícia vem de Santa Catarina.

No principal cenário ao Senado testado pela Atlas/Intel — que considera o consolidado de primeiro e segundo votos — Carlos Bolsonaro aparece apenas na terceira colocação:

Carol de Toni (PL) tem 30,7%, Esperidião Amin (PP) tem 20,1% e Carlos Bolsonaro (PL), 18,3%. Décio Lima, do PT, aparece logo atrás com 13,4%. Se o resultado em outubro vier a ser o de hoje, Carluxo não seria eleito.

<><> O tempo político começou a correr

A eleição de 2026 não será decidida pela memória do passado.

Será decidida pela capacidade de convencer o eleitor de que o futuro pode ser melhor.

E, hoje, os números mostram que essa disputa está aberta —

e que o governo precisa agir rápido para não deixar a vantagem escapar.

•        Classe média vira alvo central de Lula para 2026 e pode definir reeleição

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ajustou sua estratégia política e passou a tratar a classe média como peça-chave para a disputa eleitoral de 2026. A avaliação dentro do Planalto é direta: é nesse grupo que está o voto mais volátil — e também o mais decisivo.

Segundo informações publicadas pelo Valor Econômico, a movimentação ocorre em meio à necessidade de recuperar aprovação e ampliar apoio fora da base tradicional do governo. A classe média, historicamente mais crítica ao PT, voltou ao centro da estratégia justamente por concentrar uma parcela relevante dos eleitores indecisos.

<><> Classe média: o campo de batalha da eleição

O diagnóstico dentro do governo não é novo, mas ganhou força com as pesquisas recentes.

Levantamentos mostram que Lula mantém desempenho mais sólido entre os mais pobres, mas enfrenta maior resistência entre eleitores de renda média e média-alta — um grupo sensível a temas como inflação, carga tributária e poder de compra.

É justamente esse eleitor que costuma decidir eleições apertadas.

Por isso, o Planalto passou a intensificar políticas voltadas para esse segmento, buscando melhorar a percepção econômica e oferecer respostas mais diretas ao cotidiano dessa faixa da população.

<><> Medidas econômicas entram no centro da estratégia

A estratégia passa por ações concretas.

Nos últimos meses, o governo ampliou programas voltados à classe média, com foco em crédito, habitação e renda. Entre as iniciativas estão:

•        ampliação do Minha Casa Minha Vida para faixas de renda mais altas

•        programas de crédito com juros mais baixos

•        proposta de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil

A lógica é clara: melhorar a vida de quem trabalha, consome e sente diretamente o impacto da economia.

<><> Desafio é transformar política em percepção

Apesar dos avanços, o desafio central continua sendo a percepção do eleitor.

A classe média, diferentemente da base tradicional do lulismo, não responde apenas a políticas sociais — ela reage diretamente ao custo de vida, ao preço dos alimentos, ao acesso ao crédito e à sensação de estabilidade econômica.

E é aí que está o ponto sensível.

O governo tem entregas, mas ainda enfrenta dificuldade para transformar essas ações em percepção positiva clara e consistente.

<><> Lula ainda competitivo — mas precisa ampliar base

Mesmo com esse cenário, Lula segue como um dos candidatos mais fortes para 2026. O presidente mantém capital político relevante, presença nacional e capacidade de mobilização.

Mas a eleição não será decidida apenas com base nesse núcleo.

A disputa passa, inevitavelmente, pela capacidade de conquistar o eleitor de centro — e, principalmente, a classe média urbana, que oscila entre projetos e decide no detalhe.

<><> Caminho para reeleição passa por ajuste fino

A escolha da classe média como foco não é apenas uma decisão estratégica.

É uma necessidade.

Para consolidar sua candidatura à reeleição, Lula precisará:

•        melhorar a percepção econômica no dia a dia

•        reduzir o impacto da inflação no consumo

•        apresentar medidas mais visíveis e diretas

•        e comunicar melhor os avanços já realizados

No fim, o cenário é claro:

Lula segue competitivo e com base sólida, mas a eleição de 2026 será decidida fora dessa zona de conforto.

E é justamente na classe média que essa disputa tende a ser vencida — ou perdida.

¨      Carlos Bolsonaro não se elegeria senador em SC se eleição fosse hoje, revela pesquisa Atlas

Pesquisa AtlasIntel sobre as eleições de 2026 em Santa Catarina, divulgada nesta quarta-feira (1), revela que a candidatura de Carlos Bolsonaro (PL-RJ) ao Senado não teria força suficiente para garantir uma das duas vagas em disputa. Além de aparecer atrás de adversários diretos, o vereador do Rio de Janeiro enfrenta forte rejeição no estado e um cenário de divisão dentro do próprio campo bolsonarista.

O levantamento foi realizado entre os dias 25 e 30 de março de 2026, com 1.280 entrevistados, margem de erro de ±3 pontos percentuais e nível de confiança de 95%, por meio de recrutamento digital aleatório (Atlas RDR) .

<><> Fora da zona de eleição

No principal cenário testado pela AtlasIntel — que considera o consolidado de 1º e 2º votos — Carlos Bolsonaro aparece apenas na terceira colocação:

  • Carol De Toni (PL): 30,7%
  • Esperidião Amin (PP): 20,1%
  • Carlos Bolsonaro (PL): 18,3%
  • Décio Lima (PT): 13,4%
  • Afrânio Boppré (PSOL): 9,7%
  • Branco/nulo: 5%
  • Não sabe: 2,8%

O dado é especialmente relevante porque Santa Catarina elegerá dois senadores. Mesmo assim, Carlos Bolsonaro aparece fora das duas primeiras posições — ou seja, fora da zona de eleição.

<><> Primeiro voto: distância da liderança

No recorte de primeiro voto, que costuma refletir preferências mais consolidadas do eleitor, o cenário também é desfavorável:

  • Carol De Toni (PL): 33,6%
  • Carlos Bolsonaro (PL): 19,8%
  • Esperidião Amin (PP): 17,7%
  • Décio Lima (PT): 15,2%
  • Afrânio Boppré (PSOL): 8,3%
  • Branco/nulo: 3,4%
  • Não sabe: 2%

Embora apareça em segundo lugar nesse recorte, Carlos Bolsonaro não abre vantagem sobre Amin e segue distante da liderança.

<><> Segundo voto expõe fragilidade

No segundo voto, seu desempenho piora:

  • Carol De Toni (PL): 27,8%
  • Esperidião Amin (PP): 22,4%
  • Carlos Bolsonaro (PL): 16,9%
  • Décio Lima (PT): 11,5%
  • Afrânio Boppré (PSOL): 11,1%
  • Branco/nulo: 6,6%
  • Não sabe: 3,7%

A queda no segundo voto é um indicativo de baixa capilaridade e dificuldade de ampliar apoio além de seu núcleo mais fiel.

<><> Rejeição majoritária no estado

O dado mais negativo para Carlos Bolsonaro está na percepção do eleitorado catarinense sobre sua eventual candidatura. Segundo a pesquisa, 50% dos entrevistados consideram que sua candidatura seria “um oportunismo político que vai contra os interesses do estado”, enquanto apenas 25,6% avaliam como “a melhor alternativa para os interesses do estado” e 20,6% veem como uma estratégia “legítima, mas questionável”.

Ou seja, metade do eleitorado rejeita frontalmente sua candidatura — praticamente o dobro dos que a apoiam.

<><> Candidatura “de fora” pesa

A rejeição está diretamente ligada ao fato de Carlos Bolsonaro não possuir trajetória política em Santa Catarina. Vereador no Rio de Janeiro, sua possível candidatura é vista como uma tentativa de “importação eleitoral”, o que historicamente enfrenta resistência em disputas estaduais.

Esse fator ajuda a explicar por que, mesmo em um estado onde o bolsonarismo tem presença relevante, seu nome não consegue se consolidar.

O cenário também evidencia uma divisão dentro do próprio bolsonarismo. A liderança nas pesquisas é ocupada por Carol De Toni (PL), deputada federal com base consolidada em Santa Catarina, que supera Carlos Bolsonaro em todos os cenários testados.

Além disso, a presença de nomes tradicionais como Esperidião Amin fragmenta ainda mais o campo da direita, dificultando a construção de uma candidatura única competitiva.

 

Fonte: Fórum/O Cafezinho

 

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