José
Álvaro de Lima Cardoso: Frente a uma ameaça existencial, a estratégia do Irã é
vencer ou morrer
Donald
Trump assumiu seu segundo mandato em janeiro de 2025 prometendo que os EUA não
entrariam mais em guerras eternas, que o governo dele não iniciaria novas
guerras. Na campanha eleitoral, dizia que iria acabar com a guerra entre Rússia
e Ucrânia em 24 horas. Muita gente votou em Trump por conta dessa promessa,
vendo aí uma boa chance de os EUA reduzirem seus gastos militares, que beiram,
em 2026, os US$ 900 bilhões, superiores em muitas vezes aos de qualquer outro
país do mundo.
Por uma
série de razões, incluindo a influência que os sionistas têm na elite política
dos EUA, Trump manteve a direção que a política norte-americana apresentou nas
últimas décadas, sustentando o massacre na Faixa de Gaza, financiando a Ucrânia
e entrando em uma nova guerra, agora com uma civilização de cultura milenar,
que jamais aceitou se curvar a potências imperialistas.
É algo
muito impressionante que os EUA tenham caído nesse lodaçal de forma tão
infantil. Não me refiro apenas ao presidente dos EUA, sobre o qual pairam
dúvidas acerca de sua sanidade mental. Mas como a máquina de guerra
norte-americana — com o complexo militar-industrial, instituições
governamentais e forças armadas — entrou nessa é algo realmente estarrecedor,
que revela o nível das contradições existentes na dominação imperialista. Essa
guerra é muito pior para os EUA do que o Afeganistão e o Iraque, conflitos em
que foram derrotados. Depois de 20 anos no Afeganistão, os EUA saíram
escorraçados por um grupo de guerrilheiros muito pobres, sem armas
sofisticadas, infinitamente com menos recursos técnicos, políticos e militares
do que o Irã.
O
diagnóstico com que o governo americano entrou nessa guerra mostra a
incompetência dos serviços de inteligência e a soberba desse país. Imaginaram
que, com a decapitação das principais lideranças iranianas, incluindo o líder
religioso máximo de 260 milhões de xiitas (em toda a região), e alguns
bombardeios ao país, a população fosse se insurgir contra um governo
supostamente impopular. Este foi o primeiro grande erro: em resposta à covardia
do ataque, traindo novamente um processo de negociações, o povo saiu às ruas,
mas para apoiar o governo islâmico.
Em uma
mistura de desespero e demência, a linguagem usada pelo primeiro mandatário dos
EUA é patética. Mesmo apanhando no campo de batalha, Trump vem usando uma
linguagem que sugere que os iranianos imploram por um acordo, apesar de estes
deixarem claro que não querem conversa com os agressores neste momento. Uma
prova de que o presidente do governo americano está vivendo em um mundo
paralelo são as últimas exigências feitas aos iranianos: o plano de 15 pontos,
que é, na prática, uma ordem de rendição, de capitulação. Entre essas
exigências estão o fim do enriquecimento nuclear, o fim da fabricação de
mísseis balísticos, o fim das alianças regionais etc., propostas que os
iranianos nem sequer comentam.
Como a
estratégia de decapitação e pavor não funcionou, não derrotaram o Irã em
“quatro dias”, como anunciado por Trump, e, em face da imediata e dura reação
dos persas, bateu o desespero entre os agressores. Todos os especialistas
militares com visão técnica independente afirmam desde o início que essa
empreitada irá fracassar. Ou seja, não existe uma estratégia de saída da guerra
que possa ser positiva para o governo norte-americano. Cometeram um erro e irão
pagar por isso. Quanto mais ele adiar a saída, pior ficará, porque o tempo é um
fator que está ao lado do Irã.
Trump
está ameaçando o tempo todo “subir a escada da escalada”, ou seja, aumentar a
agressividade dos ataques se o Irã não se render de forma incondicional. O
problema é que, a cada novo ataque dos EUA, ou de seu cachorro de estimação no
Oriente Médio, o Irã responde com mais potência, destruindo as bases
norte-americanas localizadas nos países fantoches do Golfo Pérsico ou
instalações estratégicas em Israel.
A carta
mais importante que o Irã tem nas mãos é o poder de arruinar a economia
internacional. No Golfo Pérsico, controlado pelo país, passavam 20% do petróleo
internacional, cerca de 50% dos insumos para fabricação de fertilizantes e um
elevado percentual do gás liquefeito. Todos são elementos fundamentais para o
funcionamento da economia internacional. A estimativa é que, depois do início
da guerra, esteja passando pelo Golfo entre 5% e 10% do petróleo que costumava
passar. Este fato, necessariamente, afetará o funcionamento da economia mundial
daqui a algumas semanas. Alguns efeitos já estão em pleno funcionamento: em 27
de fevereiro de 2026 (antes do início da guerra), o preço do barril de petróleo
Brent (referência internacional) estava em US$ 71,32. No dia 30 de março de
2026, o preço do barril estava em US$ 115,28, uma alta de 61,64%.
Uma
outra carta fundamental é que o Irã pode destruir, de fato, a maioria dos
estados do Golfo. Esses estados dependem de plantas de dessalinização e
infraestrutura de petróleo. Esses objetivos são muito fáceis para os iranianos
alcançarem com seus mísseis. Por exemplo, conseguiria destruir todas as usinas
de dessalinização e a infraestrutura de produção de petróleo da Arábia Saudita
(22,3% do PIB e 55% das receitas do governo). Isso desmontaria o país, pois ele
depende essencialmente dos dois recursos mencionados. As usinas de
dessalinização fornecem cerca de 90% de toda a água doce necessária para os
seis países do Golfo Pérsico juntos (Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos,
Qatar, Kuwait, Bahrein e Omã). Esses países têm mais de 62 milhões de habitantes
e quase zero recursos hídricos naturais, então dependem dessa tecnologia para
consumo humano, agricultura e indústria.
Além
disso, os iranianos estão causando enorme dano à infraestrutura de Israel. Os
israelenses, nos últimos dias, ficaram sem mísseis defensivos. Tudo indica que
o Irã ainda dispõe de muitos mísseis. Claro, ninguém sabe o número ao certo,
porque é informação de guerra. Esses mísseis podem causar enormes danos a
Israel. Há também a possibilidade de exaustão das forças armadas de Israel. No
dia 26 de março, o Gen. Eyal Zamir, chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa
de Israel (IDF), durante reunião do gabinete israelense, alertou que o exército
"colapsará em si mesmo" devido à escassez crítica de pessoal (cerca
de 20 mil soldados em falta), agravada pela guerra contra o Irã. Sugeriu também
a necessidade do recrutamento de judeus ultraortodoxos (haredim) e a extensão
do serviço militar. Os haredim têm isenção tradicional do serviço militar
obrigatório desde 1948, via status de "estudantes da Torá" em escolas
religiosas. Isso cria tensões políticas no país e déficit de tropas nas forças armadas.
Para
evitar uma grande crise econômica internacional, os EUA precisam garantir que
haja oferta suficiente de petróleo na economia mundial. Por isso, foram
suspensas parcialmente as sanções contra a Rússia e o próprio Irã. O Irã, que
planejou meticulosamente esse enfrentamento, conta também com a possibilidade
de bloqueio do Mar Vermelho pelo Iêmen do Sul. Com o Estreito de Ormuz
parcialmente fechado desde o início da guerra, um bloqueio no Mar Vermelho pelo
Iêmen do Sul, via Houthis, criaria um bloqueio duplo catastrófico. Essa ação
cortaria rotas para Ásia, Europa e Américas, forçando desvios via Cabo da Boa
Esperança (África) ou Pacífico, adicionando de 2 a 4 semanas de viagem e custos
de transporte 30% a 50% maiores. Uma coisa é certa: mesmo que a guerra fosse
encerrada hoje, uma recessão mundial é praticamente inevitável.
Os
países do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC) — Arábia Saudita, Emirados
Árabes Unidos (EAU), Qatar, Kuwait, Bahrein e Omã — têm altos percentuais de
estrangeiros (principalmente trabalhadores migrantes da Ásia e África), devido
à economia baseada em petróleo. Em média, 56% da população total é estrangeira
(35 milhões de 62 milhões em 2026). No Qatar, 88% da população é formada por
estrangeiros. Se os ataques se aprofundarem, especialmente a fontes de água e
energia, o risco de esses países perderem rapidamente população é muito grande.
Enquanto
os EUA têm pressa, o Irã só precisa resistir aos ataques e conservar sua
capacidade de revidar os golpes. Quanto mais a guerra se arrastar, mais o Irã
tem vantagem, em função da crise econômica que se agrava inexoravelmente à
medida que cai a oferta de petróleo. Se a guerra continuar, inclusive com a
destruição das estruturas de produção e armazenamento de petróleo nos países do
Golfo e no Irã, poderá chegar o momento em que não precisará nem restringir a
passagem no Estreito de Ormuz, pois não haverá riquezas para exportar. A
tendência é que, quanto mais a guerra se prolongar, mais desesperado o
imperialismo vai ficar.
A
estratégia de Trump parece ser a de ganhar tempo, já que não sabe o que fazer.
Lá pelo dia 23 de março, deu 48 horas para o Irã se render, ou atacaria a
estrutura de energia elétrica. Quando esgotou o prazo, cancelou o ataque e
estabeleceu um novo prazo de 5 dias. Passado o segundo prazo, estabeleceu outro
de 10 dias. É uma política de desmoralização, típica de quem ingressou em uma
guerra sem planejamento.
Uma das
hipóteses para a postura do governo americano é a de que estaria ganhando tempo
para a chegada de tropas, para um possível ataque terrestre. Menciona-se entre
5.000 e 10.000 soldados. Os especialistas bélicos afirmam que, para invadir um
país como o Irã, com um milhão de militares, 93 milhões de habitantes e 1/5 do
território brasileiro, os imperialistas precisariam de 2 a 3 milhões de
soldados, além de uma preparação de cerca de dois anos. Ou seja, se o governo
norte-americano tentar tomar território iraniano com 10.000 militares, essa
força corre o risco de ser simplesmente esmagada.
Talvez
Trump não saiba, mas seus conselheiros têm consciência de que ele está em
apuros. Ele tem conselheiros econômicos que percebem que a economia está indo
para o abismo. Tentam ganhar tempo, procurando uma saída. A alternativa de
declarar vitória e ir embora, que Trump usou na guerra de 12 dias, em junho
passado, não vai convencer ninguém. Ninguém vai acreditar nisso, especialmente
os eleitores norte-americanos. Além disso, a saída dos EUA da guerra não
significa que o Irã irá parar de atacar Israel e as estruturas militares e
petrolíferas nas “petromonarquias”, que são fantoches dos EUA.
Pesa
decisivamente em qualquer guerra o aspecto da motivação das tropas. Para
norte-americanos e israelenses, lutar no Golfo Pérsico decorre de
obrigatoriedade legal ou de ganhar dinheiro. Para os iranianos, trata-se de
lutar — e morrer, se preciso for — pela defesa de seu país e de seu povo.
Trata-se de uma luta de vida ou morte contra potências nucleares em busca de
petróleo, que não hesitaram em assassinar friamente 180 meninas de 7 a 12 anos
com o intuito de apavorar a população. Essas táticas até agora não deram certo,
e o imperialismo terá que pagar o preço de milhares de crimes de guerra. O Irã,
além de estar jogando muito bem suas cartas, permanece disposto a suportar uma
imensa dor para vencer uma guerra que sabe que coloca em risco sua existência
enquanto nação.
¨ Trump está
desesperado devido ao impasse que ele mesmo criou com a guerra com Irã, diz
professor
A
guerra contra o Irã poderia levar o presidente estadunidense, Donald Trump, ao
desespero, opinou o professor da Universidade de Chicago John Mearsheimer no
YouTube.
Mearsheimer apontou que Trump está
tremendo porque se meteu em uma situação complicada com o Irã por culpa
própria.
"[Trump]
agita os braços. Ele está em uma situação desesperadora e, na verdade, não pode
fazer nada a respeito: está afundando cada vez mais no pântano",
ressaltou.
Além
disso, o analista salientou que a inconsistência nas declarações de Trump
mostra aos líderes mundiais que os EUA
perderam o rumo.
Ao
mesmo tempo, o professor sublinhou que o lado estadunidense não tem ideia
nenhuma de quais medidas devem ser tomadas na próxima etapa.
No
entanto, o especialista concluiu que toda a retórica da administração Trump
indica que Washington seguirá o caminho de uma escalada ainda maior.
No dia
28 de fevereiro, os EUA e Israel iniciaram uma série de ataques contra alvos no
território iraniano, incluindo Teerã. Em resposta, o Irã realizou ataques de
retaliação contra o território israelense e contra instalações militares dos
EUA na região do Oriente Médio.
Washington
e Tel Aviv justificaram o início da guerra como um ataque preventivo, alegando
que há ameaças por parte de Teerã devido ao seu programa nuclear. No entanto,
agora eles não escondem que gostariam de ver uma mudança de governo no
Irã.
<><>
Em caso de conflito com China, EUA teriam armas suficientes só para 8 dias, diz
mídia
O
volume atual de armas dos Estados Unidos seria suficiente para apenas oito dias
de conflito com a China se ele começasse, afirma a mídia estadunidense, citando
um desenvolvedor de software para serviços especiais do país.
De
acordo com a publicação, o conflito na
Ucrânia demonstrou
que a dissuasão militar é fornecida não pelos estoques existentes de armas, mas
pela capacidade de produção, já que os Estados Unidos, ao abastecer
Kiev, esgotaram dez anos de produção em dez semanas de combates.
"Ele
[o desenvolvedor] fez a declaração de que, no caso de uma batalha renhida com a
China, os Estados Unidos teriam estoque de armas para cerca de oito
dias", diz o artigo.
Ao
mesmo tempo, observou-se que atualmente as empresas do setor
militar-industrial dos Estados Unidos estão produzindo poucas armas
novas e em um ritmo excessivamente lento.
"Realmente, isso
não assusta ninguém. Ao mesmo tempo, cuidamos do uso [das armas] e nos
preocupamos com a reposição [dos estoques]", diz o texto.
Segundo
a publicação, a China atualmente ocupa as primeiras posições no contexto
da produção em massa de armamentos, enquanto o potencial de arsenal dos Estados
Unidos é comparável aos níveis da Alemanha.
Anteriormente,
a revista 19FortyFive publicou um artigo dedicado à dependência das Forças
Armadas dos Estados Unidos de um pequeno número de armamentos altamente
custosos, que foi revelada no decorrer do conflito contra o Irã.
No
artigo, foi destacada a alta
oportunidade para a China examinar os pontos fracos do Exército dos Estados
Unidos e adotar uma estratégia de usar grandes quantidades de drones e
mísseis contra equipamentos militares caros dos EUA em um eventual
conflito.
¨
Europa amplia resistência a ofensiva EUA-Israel e expõe
racha na OTAN, diz mídia
A
França e a Itália juntaram-se à Espanha na oposição às operações militares
conjuntas conduzidas pelos EUA e Israel, aprofundando fissuras entre aliados
europeus e Washington.
As
recusas ocorrem enquanto o presidente dos EUA, Donald Trump, acusa parceiros da
OTAN de falta de colaboração na guerra contra o Irã, que já dura um mês. O
clima de tensão se intensificou após Trump
chamar aliados históricos de "covardes" por não apoiarem a
ofensiva contra Teerã.
Na
terça-feira (31), ele voltou a criticar duramente países europeus, direcionando
ataques especialmente à França, que, segundo ele, teria impedido o sobrevoo de
aviões carregados com suprimentos militares destinados a Israel.
Fontes
diplomáticas confirmaram à Reuters que
Paris recusou, pela primeira vez desde o início do conflito em 28 de fevereiro,
o uso de seu espaço aéreo para aeronaves israelenses que transportavam armas
norte-americanas.
A
decisão, tomada no fim de semana, não foi comentada oficialmente pelo
governo francês, mas marca um ponto de inflexão na postura do
país diante da escalada militar.
A
Itália também adotou uma posição de distanciamento. Segundo fontes e
reportagens locais, Roma negou autorização para que aeronaves militares
dos EUA pousassem na base de Sigonella, na Sicília, antes de seguirem para o
Oriente Médio. A recusa teria ocorrido porque Washington não solicitou a permissão formal
exigida pelos
tratados bilaterais.
A
Espanha, por sua vez, tem sido a voz mais firme contra a guerra. O governo
de Pedro Sánchez confirmou que mantém fechado seu espaço
aéreo para
aviões norte-americanos envolvidos em ataques ao Irã desde o início do
conflito. Madri só aceita o uso de suas bases em operações de "defesa
coletiva" no âmbito da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN),
reforçou a ministra da Defesa, Margarita Robles.
O
ministro das Relações Exteriores, José Manuel Albares, afirmou que o país não teme
represálias e
defendeu que a posição espanhola está alinhada ao direito
internacional e à Carta das Nações Unidas. Para ele, não faria sentido que
nações que buscam preservar a legalidade internacional fossem alvo de
intimidação.
Trump
também criticou o Reino
Unido, acusando
Londres de não se envolver na ofensiva contra o Irã. A declaração veio no mesmo
dia em que o Palácio de Buckingham confirmou uma visita de Estado do rei
Charles e da rainha Camilla aos EUA no fim de abril, ampliando o desconforto
diplomático.
As
tensões expõem um racha significativo dentro da OTAN, já que Estados
Unidos, França, Itália, Espanha e Reino Unido integram a aliança militar.
As
divergências sobre o apoio às operações no Oriente
Médio revelam prioridades distintas e um crescente desgaste entre
Washington e seus principais parceiros europeus, conclui a mídia.
<><>
Donald Trump declara estar considerando saída norte-americana do 'tigre de
papel' da OTAN
O
presidente dos EUA, Donald Trump, declarou estar considerando que o seu país
saia da OTAN porque a aliança não se juntou aos ataques contra o Irã, em
recente entrevista ao jornal The Telegraph, publicada nesta quarta-feira (1º).
Trump,
voltou a criticar a OTAN, chamando-a de "tigre de papel", e diz
considerar a possibilidade de abandonar a aliança.
"Eu
nunca acreditei na OTAN. Eu sempre soube que eles eram um tigre de
papel – e [Vladimir] Putin sabe isso também, a propósito", observou
Trump, todavia acrescentando que a recusa da OTAN em ajudar os EUA foi
"difícil de acreditar". "Eu acho que isso deve ser
automático", explicou ele.
Uma
retirada dos EUA do bloco após o conflito no Oriente Médio está "fora
de consideração", assegurou ele.
Fonte: Brasil
247/Sputnik Brasil

Nenhum comentário:
Postar um comentário