César
Fonseca: Direita e ultradireita em sinuca de bico - fracassa golpe parlamentar
bolsonarista
Não era
para menos.
Está no
DNA da quadrilha parlamentar bolsonarista.
Quando
seus integrantes viram que perderiam o jogo, fizeram como aquele menino ruim de bola, mas dono da
pelota, que coloca ela debaixo do braço, choramingando, e vai embora para casa.
Deram o
golpe do dono da bola.
O jogo
armado pelos bolsonaristas, na CPMI do INSS, estava claro: pegar Lula, usando
seu filho. para incriminá-lo.
Escarafuncharam
o quanto puderam: não acharam provas convincentes para levar à cadeia Fábio
Lula da Silva.
Fraudaram
documentos, mas nada.
No
final, o que acharam foram bolsonaristas escondidos debaixo do tapete,
inclusive, o candidato senador Flávio Rachadinha Bolsonaro.
O
comentário do consultor legislativo do Senado, Petrônio Filho, é destruidor:
“Final
Vexaminoso da CPMI Bolsonarista
Na
madrugada de hoje, a CPMI do INSS rejeitou o relatório final que pedia a prisão
de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula (PT), e o
indiciamento de 216 pessoas.
O
placar foi 19 votos contra e 12 a favor do relatório.
O
documento final da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) foi elaborado
pelo deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL).
O
presidente da Comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), encerrou a CPMI SE
RECUSANDO a botar em votação Relatório Alternativo que indiciava Jair
Bolsonaro, Sergio Moro etc.
A CPMI
bolsonarista foi encerrada sem relatório final.
Por
coincidência -- não mais que mera coincidência -- o relator Alfredo Gaspar, NO
DIA ANTERIOR, se filiou ao PL a convite de Flávio Bolsonaro e assumiu o comando
do PL de Alagoas.”
A
palhaçada montada pela direita e ultradireita resultou em vitória de Lula.
VITÓRIA
DUPLA NA SEMANA
Foi a
segunda grande vitória de Lula durante a semana, politicamente, bastante
tumultuada.
A
primeira foi contra a Rede Globo.
O
programa Studio I, comandado pela jornalista Andrea Sadi, entrou numa de
elaborar um Power Point mentiroso, à lá Dalagnol, no tempo da Operação Lava
Jato, que atuou, sincronizadamente, com Departamento de Justiça dos Estados
Unidos, para impedir, em 2018, a candidatura de Lula à Presidência.
Washington,
naquele momento, objetivava a candidatura ultradireitista de Jair Bolsonaro, em
aliança com a direita, Centrão e PSDB e STF, tudo junto e misturado, depois do
golpe neoliberal de 2016.
O
processo contra Lula, como se sabe, deu em nada: ele ficou livre da cadeia,
onde esteve preso durante 580 dias, liberado pelo próprio STF, que, em 2022,
mudou de posição, porque o presidente Joe Biden, dos Estados Unidos, apoiou o
candidato lulista, contra a reeleição do fascista bolsonarista.
VEXAME
ANTI-JORNALÍSTICO
O que
fez a Globo, esta semana?
Tentou
o mesmo golpe da Lava Jato, elaborando um Power Point no qual despontava Lula
como aliado do banqueiro, dono do Banco Master, promotor do maior crime
financeiro da história do Brasil.
A Globo
esqueceu do detalhe principal: o presidente que iniciou a fraude foi Jair
Bolsonaro, em 2019, através do presidente do Banco Central Independente(BCI),
Campos Neto, que arregimentou funcionários da instituição para facilitar as
manobras do banqueiro bandido.
Lula,
sim, encontrou com o presidente do Banco Master, em audiência relâmpago,
proporcionada pelo ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, em presença de
testemunhas palacianas.
Imediatamente,
mandou o BCI, sob presidência de Gabriel Galípolo, tomar providências: liquidar
o Banco Master, cujas manobras já estavam sendo fiscalizadas.
A
Globo, porta-voz de Washington, opositora do governo Lula, entrou de gaiata,
armando mentira monumental, que destruiu a reputação do programa Studio I, uma
arapuca diária na qual se tenta lançar casca de banana para o titular do
Planalto escorregar.
Resultado:
a Globo, bem ainda não começou a campanha eleitoral e já é percebida pela
população como quem tem lado na disputa, ou seja, o lado bolsonarista.
Repeteco
do que aconteceu com a emissora em 2018, juntando-se à ultradireita e à direita
desmoralizada, para levar o país ao fascismo bolsonarista.
MEDO DE
NOVA DERROTA
O medo
de nova derrota ronda a direita e ultradireita bolsonarista fascista.
Agora,
o temor gira em torno da discussão sobre se cria ou não outra CPMI: a do Banco
Master.
Certamente,
vai acontecer o mesmo que aconteceu com a CPMI do INSS, pura arapuca para
tentar pegar Lula, sem sucesso.
A
pretensa CPMI do Master, que cinicamente os líderes da direita e ultradireita,
maioria no Congresso, ensaiam sob pressão da opinião pública, não sai por uma
razão simples: os acusados, praticamente, todos, são bolsonaristas, integrantes
do Centrão, direita e ultradireita etc.
Reputações
iriam rolar esgoto abaixo.
As
lideranças fascistas que dominam o Legislativo, na Câmara e no Senado, temem o
desfecho, tal como atiçar casa de marimbondo dentro da sala onde elas se
encontram.
Sairiam
todos aferroados, com caras inchadas, à cata de votos na eleição, denunciando a
si próprios como culpados perante eleitores e eleitoras.
Governadores,
prefeitos e aliados de direita e ultradireita, no Congresso, estão relacionados
à caixinha, obrigado, de Daniel Vorcaro, preso na Polícia Federal, orientado
pelos seus advogados, para fazer delação premiada.
Se a
CPMI do MASTER for realizada, tal como a frustrada CPMI do INSS, quando Vorcaro
ameaça tocar o trombone de vara das denúncias generalizadas, pode ser um deus
nos acuda.
Destaque-se
que o fracasso da CPMI ocorreu, porque acabou se descobrindo que, por trás das
fraudes com as contas dos aposentados do INSS, estava o banqueiro do MASTER.
O que
poderá, então, acontecer, se Vorcaro botar a boca no trombone em delação
premiada, quando se discute a CPMI para investigar o banco que ele criou e que
o Banco Central, a mando do presidente Lula, encerrou as atividades.
Ou
seja, a direita e a ultradireita, antes, mesmo, de começar a campanha
eleitoral, está em sinuca de bico.
• A crescente sombra da autocracia. Por
Paulo Henrique Arantes
O
título deste artigo remete ao último relatório da Freedom House, ONG americana
que avalia a democracia no mundo, identificando e mensurando fatores que a
reforçam ou destroem. “The Growing Shadow of Autocracy”, de 2026, mostra que a
liberdade global decai pelo vigésimo ano consecutivo. Tem-se, portanto, uma
tendência estrutural de queda das liberdades política e civil, não um movimento
episódico, em que sobressaem as chamadas “autocracias eleitorais”, ou seja,
países falsamente democráticos, em que os direitos são corroídos aos poucos em
regimes de aparente legalidade.
Conforme
o estudo, a democracia regrediu em 54 países e progrediu em 35. Nesse mapa, o
Brasil aparece como um país democrático, porém sob risco – como se sabe, o
bolsonarismo sobrevive, constituindo a “sombra da autocracia” que paira sobre a
nação. A FH também é precisa quanto à qualidade da democracia americana sob
Donald Trump.
O
relatório da Freedom House ressalta que, no Brasil, a democracia vem sendo
submetida a forte pressão política e institucional, especialmente nos últimos
anos. Destacam-se, nesta quadra histórica, a retórica de deslegitimação do
sistema eleitoral durante o governo de Jair Bolsonaro, a mobilização de
apoiadores dele contra o Supremo Tribunal Federal e, sobretudo, os
acontecimentos de 8 de janeiro de 2023.
O
estudo não menciona o caso Master, mas, a despeito de a atuação de uma máfia
financeira estar sendo desvendada, o momento serve como um novo capítulo da
guerra da extrema-direita contra o STF e uma espécie de Lava Jato 2, em que o
alvo final é o presidente Lula.
A FH
acerta ao identificar a principal estratégia com que se tenta destruir a
democracia brasileira: a forte disseminação de desinformação política, mediante
uso intensivo de redes sociais para mobilização radicalizada. Em síntese, a ONG
enxerga o Brasil como uma democracia que resistiu a um teste severo recente,
mas que pode estar vulnerável a retrocessos. Impossível não lembrar que essa
vulnerabilidade agrava-se quando se detecta a velada – ou nem tão velada assim
– colaboração da imprensa mainstream.
EUA - O
estudo da Freedom House não classifica os Estados Unidos como uma autocracia,
mas faz um alerta claro: há sinais persistentes de erosão institucional na
terra do Tio Sam. A FH não personifica, mas a tal “erosão institucional”
americana, claro está, atende pelo nome de Donald Trump.
O
relatório menciona a persistência de narrativas de fraude eleitoral sem
comprovação, especialmente após a eleição de 2020, o que fragiliza um pilar
central da democracia: a legitimidade das eleições. Nos Estados Unidos de
Trump, há preocupação constante com mudanças nas regras de votação em alguns
Estados e tentativas de interferência política na administração eleitoral.
O
relatório trata a invasão do Capitólio, em 6 de janeiro de 2021, como um marco
simbólico grave, expondo fragilidade institucional e disposição de setores
políticos em contestar regras democráticas. Nos Estados Unidos, como no Brasil,
segundo a Freedom House, a disseminação de desinformação é vista como fator
central de corrosão democrática: plataformas digitais amplificam teorias
conspiratórias e a deslegitimação de instituições.
Com
alguns eufemismos, o relatório da FH atesta o que já escrevemos neste espaço: a
ideia de democracia modelar americana é derrubada pela total inércia de suas
instituições diante do autoritarismo do atual presidente. A nação não possui os
tais freios e contrapesos alardeados para coibir os ímpetos fascistas de Donald
Trump, tanto que simplesmente não os coíbe ou o faz canhestramente. O
presidente faz o que bem entende, e isso configura um país não democrático.
Hoje, os Estados Unidos, em face da opressão e da perseguição a determinados
grupos e etnias, além do cerco a universidades e a veículos de imprensa não
alinhados, são um exemplo a não ser seguido pelo Ocidente capitalista que
inspiravam.
A
Freedom House é uma organização independente sediada em Washington, criada em
1941, com foco na promoção da democracia, dos direitos políticos e das
liberdades civis no mundo. Claro, pode ser questionada por identificar-se
exclusivamente com valores liberais ocidentais. De todo modo, seu diagnóstico
global e, em particular, sobre o Brasil e os Estados Unidos, parece bastante
fiel à realidade.
Fonte:
Brasil 247

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