quarta-feira, 1 de abril de 2026

César Fonseca: Direita e ultradireita em sinuca de bico - fracassa golpe parlamentar bolsonarista

Não era para menos.

Está no DNA da quadrilha parlamentar bolsonarista.

Quando seus integrantes viram que perderiam o jogo, fizeram  como aquele menino ruim de bola, mas dono da pelota, que coloca ela debaixo do braço, choramingando, e vai embora para casa.

Deram o golpe do dono da bola.

O jogo armado pelos bolsonaristas, na CPMI do INSS, estava claro: pegar Lula, usando seu filho. para incriminá-lo.

Escarafuncharam o quanto puderam: não acharam provas convincentes para levar à cadeia Fábio Lula da Silva.

Fraudaram documentos, mas nada.

No final, o que acharam foram bolsonaristas escondidos debaixo do tapete, inclusive, o candidato senador Flávio Rachadinha Bolsonaro.

O comentário do consultor legislativo do Senado, Petrônio Filho, é destruidor:

“Final Vexaminoso da CPMI Bolsonarista

Na madrugada de hoje, a CPMI do INSS rejeitou o relatório final que pedia a prisão de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula (PT), e o indiciamento de 216 pessoas.

O placar foi 19 votos contra e 12 a favor do relatório.

O documento final da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) foi elaborado pelo deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL).

O presidente da Comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), encerrou a CPMI SE RECUSANDO a botar em votação Relatório Alternativo que indiciava Jair Bolsonaro, Sergio Moro etc.

A CPMI bolsonarista foi encerrada sem relatório final.

Por coincidência -- não mais que mera coincidência -- o relator Alfredo Gaspar, NO DIA ANTERIOR, se filiou ao PL a convite de Flávio Bolsonaro e assumiu o comando do PL de Alagoas.”

A palhaçada montada pela direita e ultradireita resultou em vitória de Lula.

VITÓRIA DUPLA NA SEMANA

Foi a segunda grande vitória de Lula durante a semana, politicamente, bastante tumultuada.

A primeira foi contra a Rede Globo.

O programa Studio I, comandado pela jornalista Andrea Sadi, entrou numa de elaborar um Power Point mentiroso, à lá Dalagnol, no tempo da Operação Lava Jato, que atuou, sincronizadamente, com Departamento de Justiça dos Estados Unidos, para impedir, em 2018, a candidatura de Lula à Presidência.

Washington, naquele momento, objetivava a candidatura ultradireitista de Jair Bolsonaro, em aliança com a direita, Centrão e PSDB e STF, tudo junto e misturado, depois do golpe neoliberal de 2016.

O processo contra Lula, como se sabe, deu em nada: ele ficou livre da cadeia, onde esteve preso durante 580 dias, liberado pelo próprio STF, que, em 2022, mudou de posição, porque o presidente Joe Biden, dos Estados Unidos, apoiou o candidato lulista, contra a reeleição do fascista bolsonarista.

VEXAME ANTI-JORNALÍSTICO

O que fez a Globo, esta semana?

Tentou o mesmo golpe da Lava Jato, elaborando um Power Point no qual despontava Lula como aliado do banqueiro, dono do Banco Master, promotor do maior crime financeiro da história do Brasil.

A Globo esqueceu do detalhe principal: o presidente que iniciou a fraude foi Jair Bolsonaro, em 2019, através do presidente do Banco Central Independente(BCI), Campos Neto, que arregimentou funcionários da instituição para facilitar as manobras do banqueiro bandido.

Lula, sim, encontrou com o presidente do Banco Master, em audiência relâmpago, proporcionada pelo ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, em presença de testemunhas palacianas.

Imediatamente, mandou o BCI, sob presidência de Gabriel Galípolo, tomar providências: liquidar o Banco Master, cujas manobras já estavam sendo fiscalizadas.

A Globo, porta-voz de Washington, opositora do governo Lula, entrou de gaiata, armando mentira monumental, que destruiu a reputação do programa Studio I, uma arapuca diária na qual se tenta lançar casca de banana para o titular do Planalto escorregar.

Resultado: a Globo, bem ainda não começou a campanha eleitoral e já é percebida pela população como quem tem lado na disputa, ou seja, o lado bolsonarista.

Repeteco do que aconteceu com a emissora em 2018, juntando-se à ultradireita e à direita desmoralizada, para levar o país ao fascismo bolsonarista.

MEDO DE NOVA DERROTA

O medo de nova derrota ronda a direita e ultradireita bolsonarista fascista.

Agora, o temor gira em torno da discussão sobre se cria ou não outra CPMI: a do Banco Master.

Certamente, vai acontecer o mesmo que aconteceu com a CPMI do INSS, pura arapuca para tentar pegar Lula, sem sucesso.

A pretensa CPMI do Master, que cinicamente os líderes da direita e ultradireita, maioria no Congresso, ensaiam sob pressão da opinião pública, não sai por uma razão simples: os acusados, praticamente, todos, são bolsonaristas, integrantes do Centrão, direita e ultradireita etc.

Reputações iriam rolar esgoto abaixo.

As lideranças fascistas que dominam o Legislativo, na Câmara e no Senado, temem o desfecho, tal como atiçar casa de marimbondo dentro da sala onde elas se encontram.

Sairiam todos aferroados, com caras inchadas, à cata de votos na eleição, denunciando a si próprios como culpados perante eleitores e eleitoras.

Governadores, prefeitos e aliados de direita e ultradireita, no Congresso, estão relacionados à caixinha, obrigado, de Daniel Vorcaro, preso na Polícia Federal, orientado pelos seus advogados, para fazer delação premiada.

Se a CPMI do MASTER for realizada, tal como a frustrada CPMI do INSS, quando Vorcaro ameaça tocar o trombone de vara das denúncias generalizadas, pode ser um deus nos acuda.

Destaque-se que o fracasso da CPMI ocorreu, porque acabou se descobrindo que, por trás das fraudes com as contas dos aposentados do INSS, estava o banqueiro do MASTER.

O que poderá, então, acontecer, se Vorcaro botar a boca no trombone em delação premiada, quando se discute a CPMI para investigar o banco que ele criou e que o Banco Central, a mando do presidente Lula, encerrou as atividades.

Ou seja, a direita e a ultradireita, antes, mesmo, de começar a campanha eleitoral, está em sinuca de bico.

•        A crescente sombra da autocracia. Por Paulo Henrique Arantes

O título deste artigo remete ao último relatório da Freedom House, ONG americana que avalia a democracia no mundo, identificando e mensurando fatores que a reforçam ou destroem. “The Growing Shadow of Autocracy”, de 2026, mostra que a liberdade global decai pelo vigésimo ano consecutivo. Tem-se, portanto, uma tendência estrutural de queda das liberdades política e civil, não um movimento episódico, em que sobressaem as chamadas “autocracias eleitorais”, ou seja, países falsamente democráticos, em que os direitos são corroídos aos poucos em regimes de aparente legalidade.

Conforme o estudo, a democracia regrediu em 54 países e progrediu em 35. Nesse mapa, o Brasil aparece como um país democrático, porém sob risco – como se sabe, o bolsonarismo sobrevive, constituindo a “sombra da autocracia” que paira sobre a nação. A FH também é precisa quanto à qualidade da democracia americana sob Donald Trump.

O relatório da Freedom House ressalta que, no Brasil, a democracia vem sendo submetida a forte pressão política e institucional, especialmente nos últimos anos. Destacam-se, nesta quadra histórica, a retórica de deslegitimação do sistema eleitoral durante o governo de Jair Bolsonaro, a mobilização de apoiadores dele contra o Supremo Tribunal Federal e, sobretudo, os acontecimentos de 8 de janeiro de 2023.

O estudo não menciona o caso Master, mas, a despeito de a atuação de uma máfia financeira estar sendo desvendada, o momento serve como um novo capítulo da guerra da extrema-direita contra o STF e uma espécie de Lava Jato 2, em que o alvo final é o presidente Lula.

A FH acerta ao identificar a principal estratégia com que se tenta destruir a democracia brasileira: a forte disseminação de desinformação política, mediante uso intensivo de redes sociais para mobilização radicalizada. Em síntese, a ONG enxerga o Brasil como uma democracia que resistiu a um teste severo recente, mas que pode estar vulnerável a retrocessos. Impossível não lembrar que essa vulnerabilidade agrava-se quando se detecta a velada – ou nem tão velada assim – colaboração da imprensa mainstream.

EUA - O estudo da Freedom House não classifica os Estados Unidos como uma autocracia, mas faz um alerta claro: há sinais persistentes de erosão institucional na terra do Tio Sam. A FH não personifica, mas a tal “erosão institucional” americana, claro está, atende pelo nome de Donald Trump.

O relatório menciona a persistência de narrativas de fraude eleitoral sem comprovação, especialmente após a eleição de 2020, o que fragiliza um pilar central da democracia: a legitimidade das eleições. Nos Estados Unidos de Trump, há preocupação constante com mudanças nas regras de votação em alguns Estados e tentativas de interferência política na administração eleitoral.

O relatório trata a invasão do Capitólio, em 6 de janeiro de 2021, como um marco simbólico grave, expondo fragilidade institucional e disposição de setores políticos em contestar regras democráticas. Nos Estados Unidos, como no Brasil, segundo a Freedom House, a disseminação de desinformação é vista como fator central de corrosão democrática: plataformas digitais amplificam teorias conspiratórias e a deslegitimação de instituições.

Com alguns eufemismos, o relatório da FH atesta o que já escrevemos neste espaço: a ideia de democracia modelar americana é derrubada pela total inércia de suas instituições diante do autoritarismo do atual presidente. A nação não possui os tais freios e contrapesos alardeados para coibir os ímpetos fascistas de Donald Trump, tanto que simplesmente não os coíbe ou o faz canhestramente. O presidente faz o que bem entende, e isso configura um país não democrático. Hoje, os Estados Unidos, em face da opressão e da perseguição a determinados grupos e etnias, além do cerco a universidades e a veículos de imprensa não alinhados, são um exemplo a não ser seguido pelo Ocidente capitalista que inspiravam.

A Freedom House é uma organização independente sediada em Washington, criada em 1941, com foco na promoção da democracia, dos direitos políticos e das liberdades civis no mundo. Claro, pode ser questionada por identificar-se exclusivamente com valores liberais ocidentais. De todo modo, seu diagnóstico global e, em particular, sobre o Brasil e os Estados Unidos, parece bastante fiel à realidade.

 

Fonte: Brasil 247

 

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