quarta-feira, 1 de abril de 2026


 

BA 3.2: Entenda o que já se sabe sobre a nova variante da Covid

A variante BA.3.2 da Covid-19 foi inicialmente detectada em novembro de 2024, na África. Até fevereiro de 2026, já havia sido identificada em 23 países e, mais recentemente, passou a se disseminar rapidamente pelos Estados Unidos.

Encontrada tanto em pacientes quanto em amostras de esgoto em 29 estados, a cepa — apelidada de Cicada — chama a atenção de especialistas por apresentar características distintas das variantes anteriores, o que pode comprometer a eficácia das vacinas atuais.

À CNN Brasil, Marcelo Otsuka, infectologia do Hospital Infantil Darcy Vargas, gerenciado pelo Einstein Hospital Israelita, esclareceu a diferença desta cepa para outras mutações.

"Quando falamos do coronavírus, é fundamental entender que se trata de um vírus com elevada capacidade de mutação, o que explica o surgimento de diversas variantes. Ao avaliá-las, alguns aspectos são essenciais: a gravidade da doença que provocam, sua capacidade de disseminação e o grau de evasão da resposta vacinal", explica.

Até agora, não existem evidências de que a BA.3.2 provoque quadros mais graves ou seja mais perigosa do que as variantes que circularam durante o inverno de 2025 e 2026 nos EUA. No entanto, por ser bastante diferente dessas cepas, há a possibilidade de que a proteção oferecida pelas vacinas atuais seja reduzida.

"No caso da variante BA.3.2, o primeiro ponto relevante é sua alta transmissibilidade, decorrente do grande número de mutações, o que favorece uma expansão significativa dos casos. Por outro lado, ela não está associada a maior gravidade da doença, de modo que, apesar do aumento no número de infecções, não se observa piora em relação a variantes anteriores, como a Ômega, o que torna o cenário relativamente mais tranquilo", aponta Marcelo Otsuka.

Em relação às variantes predominantes do SARS-CoV-2, vírus causador da Covid-19, a BA.3.2 apresenta entre 70 e 75 mutações na proteína spike — estrutura essencial para a entrada do vírus nas células e principal alvo das vacinas, que estimulam o sistema imunológico a reconhecê-la.

"Entretanto, essas mutações — especialmente na proteína Spike, responsável pela ligação do vírus às células — têm impacto importante. Como essa proteína é o principal alvo das vacinas, alterações nessa região podem reduzir a eficácia da resposta imunológica e facilitar a evasão vacinal. Ainda assim, observa-se que as vacinas continuam oferecendo proteção, especialmente as baseadas na variante JN1, embora esse contexto indique a necessidade de atualizações periódicas".

Segundo o especialista, é fundamentar manter o monitoramento contínuo das variantes, avaliando sua prevalência, impacto clínico e capacidade de escape imunológico, a fim de orientar possíveis ajustes nas vacinas.

"Esse processo é semelhante ao que ocorre com o influenza, cujas variantes circulantes são analisadas anualmente para a formulação de vacinas atualizadas. No caso do SARS-CoV-2, um vírus de origem zoonótica que inicialmente encontrou uma população totalmente suscetível, o cenário mudou: hoje, as variantes circulam em uma população com algum grau de imunidade, embora as mutações ainda permitam a continuidade da transmissão".

Marcelo Otsuka ressalta que o coronavírus exibe vigilância constante da mesma forma como ocorre com a influenza, por exemplo, que já apresentou variantes de grande impacto, como em 2009, e mais recentemente com o influenza A.

"Atualmente, os tratamentos disponíveis ainda têm eficácia limitada, o que reforça a importância da vacinação como principal estratégia de controle. Dessa forma, acompanhar a evolução do vírus e adaptar as vacinas conforme a prevalência das variantes é um processo natural e indispensável para reduzir o impacto da doença na população", conclui.

        Casos de síndrome respiratória grave por Covid-19 crescem no Brasil

O Boletim InfoGripe da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) mais recente, divulgado na quinta-feira (28), apontou um crescimento de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) por Covid-19 em quatro estados do Brasil: Rio de Janeiro, Ceará, Amazonas e Paraíba. Apesar disso, o total de casos graves pela doença ainda segue baixo no país.

Segundo o estudo, o aumento de SRAG por Covid ainda não está gerando grandes impactos nas hospitalizações pela doença. Porém, mesmo assim, é importante que as pessoas mantenham a vacinação contra o vírus atualizada. A análise é referente à Semana Epidemiológica 34, período de 17 a 23 de agosto.

A atualização aponta também que 20 estados apresentam incidência de SRAG em níveis de alerta: Amazonas, Distrito Federal, Mato Grosso, Goiás, Acre, Alagoas, Bahia, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Paraíba, Pará, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Rondônia, Roraima, Santa Catarina e Sergipe. No Amazonas, o crescimento do número de casos se concentra nas crianças pequenas e é causado fundamentalmente pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR).

No Distrito Federal, Mato Grosso e Goiás, o aumento dos casos de SRAG ocorre principalmente nas crianças e adolescentes de 2 a 14 anos. Os dados laboratoriais sugerem que o aumento está sendo impulsionado pelo rinovírus.

“Por conta do aumento, caso crianças e adolescentes nesta faixa etária apresentem sintomas de gripe ou resfriado, devem ficar em casa e evitar ir à escola a fim de evitar a transmissão do vírus para outras crianças. Lembrando que idosos e imunocomprometidos devem tomar a vacina contra a Covid-19 a cada seis meses. Os demais grupos de risco, como pessoas com comorbidade, precisam tomar doses de reforço uma vez ao ano”, recomenda a pesquisadora Tatiana Portella, do Programa de Processamento de Dados Científicos da Fiocruz e do Boletim InfoGripe.

<><> Como funciona o esquema de vacinação contra Covid atualmente?

O Ministério da Saúde atualizou o esquema de vacinação contra Covid-19 em dezembro. Entre as principais novidades, anunciadas em informe técnico, está a inclusão do imunizante no Calendário Nacional de Vacinação para gestantes e idosos (60 anos ou mais). Antes, esses públicos faziam parte do chamado "grupo especial".

Com isso, o esquema de vacinação funciona da seguinte forma:

<><> Vacinação de rotina

        Crianças entre 6 meses a menores de 5 anos: duas doses da vacina da Moderna Spikevax, com quatro semanas de intervalo entre elas, ou três doses da vacina da Pfizer Cominarty, com quatro e oito semanas de intervalo entre elas;

        Idosos de 60 anos ou mais: duas doses, com seis meses de intervalo entre elas, de uma das vacinas: Pfizer Cominarty, Moderna Spikevax ou vacina recombinante Serum/Zalika;

        Gestantes em qualquer período da gestação: uma dose a cada gestação de uma das vacinas: Moderna Spikevax, recombinante Serum/Zalika ou Pfizer Cominarty.

<><> Vacinação especial

Grupos especiais devem tomar uma dose anual de uma das vacinas Moderna Spikevax, recombinante Serum/Zalika ou Pfizer Cominarty. São eles:

        Pessoas vivendo em instituições de longa permanência;

        Indígenas vivendo em terra Indígena e fora da terra Indígena;

        População ribeirinha;

        Quilombolas;

        Trabalhadores da saúde;

        Pessoas com deficiência permanente;

        Pessoas privadas de liberdade;

        Funcionários do sistema de privação de liberdade;

        Adolescentes e jovens cumprindo medidas socioeducativas;

        Pessoas em situação de rua.

Pessoas imunocomprometidas a partir de seis meses de idade devem receber o esquema primário com três doses das vacinas, com quatro e oito semanas de intervalo entre elas. Em seguida, vacinação periódica com duas doses e seis meses de intervalo entre elas.

População geral entre cinco e 59 anos de idade, sem imunização prévia, deve receber uma dose do imunizante disponível para a faixa etária.

 

Fonte CNN Brasil


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