Oliveiros
Marques: A jornada da roubalheira no INSS - tudo começou com Bolsonaro
Assisti
à entrevista do deputado Paulo Pimenta (PT/RS) que detalhou pormenorizadamente
a cronologia do escândalo do INSS. A partir do que foi provado na CPMI, não
resta outra conclusão: não se tratou apenas de mais um caso de corrupção, mas
sim de decisões políticas concretas e um ambiente institucional que foi
construído para permitir que a fraude se tornasse sistêmica.
Segundo
o deputado, o que hoje se revela como uma verdadeira “máfia do INSS” ganhou
força justamente a partir de mudanças promovidas durante o governo de Jair
Bolsonaro. Não foi um acaso. Foi resultado direto de escolhas. Foi método.
Entre
2019 e 2022, medidas aparentemente técnicas alteraram profundamente os
mecanismos de controle sobre descontos realizados diretamente nos benefícios de
aposentados e pensionistas. A principal delas foi o fim da exigência de
revalidação periódica das autorizações para descontos associativos. Na prática,
abriu-se uma brecha perigosa: uma vez autorizado - muitas vezes de forma
fraudulenta -, o desconto poderia seguir indefinidamente, sem qualquer
conferência.
Esse
detalhe burocrático, que poderia passar despercebido ao grande público,
funcionou como combustível para o esquema. Entidades passaram a operar com
liberdade quase total, e milhões de brasileiros, sobretudo idosos, se tornaram
alvos fáceis. Muitos sequer sabiam que estavam sendo lesados mês após mês.
Mas não
foi só isso. O período do governo Bolsonaro também foi marcado por um
enfraquecimento dos mecanismos de fiscalização e por uma expansão pouco
criteriosa de convênios com entidades privadas. Em vez de reforçar controles, o
sistema foi sendo flexibilizado. Em vez de proteger o beneficiário, criou-se um
ambiente onde o risco recaía justamente sobre quem deveria ser mais protegido.
A fala
de Paulo Pimenta ajuda a dar nome ao que aconteceu: não foi apenas falha de
gestão, foi a criação de condições objetivas para que a fraude prosperasse.
Quando se retiram travas institucionais, alguém ocupa esse espaço - e, nesse
caso, foram organizações que operaram à margem da legalidade.
É
importante deixar claro: esquemas de corrupção não surgem do nada. Eles
precisam de oportunidade, de brechas legais e, muitas vezes, de omissão e
cumplicidade. O que se viu naquele período foi a combinação desses elementos.
Hoje,
com investigações avançando e o tema ganhando visibilidade, há uma disputa
narrativa em curso. Os verdadeiros responsáveis, os bolsonaristas, tentam
tratar o escândalo como algo difuso, sem origem definida. Mas os fatos indicam
o contrário: houve um momento em que as porteiras foram abertas.
Dizer
que “tudo começou com o Bolsonaro” é, portanto, mais do que uma provocação. É
uma forma de situar claramente o início de um ciclo em que decisões políticas
fragilizaram o sistema e permitiram que bilhões fossem desviados de quem mais
precisava. A jornada da roubalheira no INSS não começou agora. Ela começou
quando desmontaram as proteções - e transformaram a exceção em regra.
E isso
não pode ser apagado da memória.
• Flávio Bolsonaro quer fazer acreditar
que cunhado de Vorcaro doou 3 milhões a seu pai “sem contrapartidas”
Zettel
é cunhado de Daniel Vorcaro e apontado como seu operador. Foi o principal
doador pessoa física de Bolsonaro em 2022, com singelos R$ 3 milhões. Foi ainda
o principal doador de Tarcísio de Freitas, que recebeu R$ 2 milhões.
O
senador segue dizendo que muitas pessoas fizeram doações. Não basta para
explicar, porém, por que uma pessoa envolvida no escândalo da envergadura do
Master foi o maior doador da campanha, além do fato, já bem claro, de que
ninguém faz uma doação desse valor sem nenhum interesse por trás. Não explica
também por que Nikolas Ferreira usou um avião de Vorcaro para fazer campanha
para Bolsonaro no segundo turno.
Flávio
termina por dizer que essa “conta do Banco Master está longe de chegar perto da
direita”. Essa versão se choca com o que as investigações têm mostrado. Não só
a gestão de Campos Neto no Banco Central foi permissiva com as fraudes do
Master, não tomando nenhuma atitude, como Ciro Nogueira, ministro da Casa Civil
de Bolsonaro, é apontado como um dos principais contatos de Vorcaro no Centrão,
e apresentou o projeto que iria aumentar o teto da cobertura do FGC, o que
permitiria a Vorcaro ampliar sua captação de recursos via CDBs.
O
malabarismo de Flávio Bolsonaro mostra uma debilidade da extrema-direita: se
por um lado tenta usar o caso do Master para atacar o STF, também estão
envolvidos até o pescoço no escândalo. Das doações de Zettel, ao avião de
Nikolas, aos investimentos da RioPrevidência de Claudio Castro ou à atuação de
Ibaneis, a proximidade do Master com o bolsonarismo é incontornável.
Isso
não exclui os envolvimentos do STF, as relações com setores do Centrão ou mesmo
do PT. Os tentáculos de Vorcaro chegaram a todo o regime. É por isso que é
necessário defender uma saída independente dos trabalhadores. Não se pode
defender esse regime podre.
Por
isso, é necessário defender uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana como
uma saída política independente dos trabalhadores diante da crise aberta pelo
escândalo do Banco Master, uma saída que só pode ser imposta pela força da
mobilização e da luta social, para enfrentar as bases profundas que sustentam
esse regime podre. Trata-se de colocar em discussão, diante de toda a
população, temas que o regime dos banqueiros e seus representantes querem
manter intocados: a necessidade de uma reforma agrária radical, o fato de que
quase metade do orçamento público segue sendo drenado para os bancos por meio
do pagamento da fraudulenta dívida pública, e a revogação do conjunto de
reformas aprovadas nos governos Temer e Bolsonaro, que seguem mantidas pelo
governo Lula de Frente Ampla. Levantar essa perspectiva é também uma forma de
explicitar quem está, de fato, ao lado dos interesses das grandes maiorias e
quem segue governando para meia dúzia de banqueiros, dos quais Vorcaro é apenas
mais um expoente.
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Flávio tem que ser cassado e processado antes que
provoque outro 8 de janeiro. Por Alex Solnik
No ano
passado, Flávio Bolsonaro disse à “Folha de S.Paulo” que o candidato a
presidente deveria articular a anistia ao seu pai e ter “disposição” para
impedir que o STF interferisse nessa decisão, ou seja, “fazer com que o STF
respeite os demais Poderes”.
“É uma
hipótese muito ruim, porque a gente está falando de possibilidade e de uso de
força”, disse ele.
Ao
discursar, anteontem, no evento da extrema-direita, nos Estados Unidos, ele
subiu ainda mais o tom: “As mesmas pessoas que prenderam meu pai tiraram esse
homem - o ex-presidente socialista Luiz Inácio Lula da Silva, condenado
múltiplas vezes por corrupção - da prisão e o colocaram de volta na
presidência. Tudo isso sob uma enxurrada de dinheiro da USAID e com a massiva
interferência da administração Biden”.
Tais
declarações, uma mais grave que outra, não deixam dúvida de que vai pelo mesmo
caminho do pai. A anistia para golpistas é, seja qual for seu status,
inconstitucional. Usá-la na campanha é incitar a opinião pública contra o
Supremo.
Mais
grave ainda é insinuar o uso da força, um replay da declaração de seu irmão de
2018, de que para fechar o STF bastaria um cabo e um soldado. E das investidas
de seu pai antes, durante e depois de seu fracassado governo.
Está
claro a que vem a sua candidatura, um repeteco infame dos ataques à lisura das
eleições. As mesmas alegações de seu pai, que não foi contido a tempo, razão
pela qual aconteceu a tentativa frustrada de golpe de Estado.
Mas não
é só. Agora ele acrescentou outra “denúncia” tresloucada, ao insinuar que a
vitória de Lula só foi possível graças à “enxurrada de dinheiro” do governo
Biden. E que ele foi “condenado múltiplas vezes por corrupção”.
Um
ataque tanto ao TSE quanto a Lula e ao PT. Esse combo de mentiras e distorções
merece uma resposta imediata tanto do PT quanto do TSE.
O
partido não pode deixar passar em branco ataques dessa natureza, deve entrar
com um processo já, antes que sua candidatura se consolide. O TSE não pode se
dar ao luxo de fechar os olhos, e só abri-los quando for tarde demais, tal como
ocorreu com o pai desse candidato golpista.
Ele tem
que ser cassado e processado antes que provoque um novo 8 de Janeiro.
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Argentina deporta ativista Thiago Ávila após detenção:
'não é bem-vindo ao país'
A
Argentina deportou o ativista brasileiro Thiago Ávila nesta terça-feira (31),
após sua chegada a Buenos Aires, onde foi detido por autoridades locais.
Segundo o Metrópoles, a equipe do
ativista informou que a decisão ocorreu sob a justificativa de que ele
"não é bem-vindo" no país, além de incluir restrições à sua
manifestação pública durante a permanência.
O
ativista foi abordado ao desembarcar, separado de seus familiares e mantido sob
custódia com ordem de deportação. Ainda segundo a equipe, agentes informaram
que a decisão partiu "do mais alto nível". Até o momento, não houve
posicionamento oficial detalhado das autoridades argentinas sobre os motivos
específicos da deportação.
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Detenção e impedimento de atuação
Em
vídeo publicado nas redes sociais, Laura Souza, esposa de Thiago Ávila, relatou
que ele seria deportado para Barcelona na manhã seguinte, mantendo a
programação original da viagem. Ela também confirmou que o ativista foi
impedido de realizar qualquer tipo de manifestação pública em território
argentino.
O
destino final de Ávila, no entanto, permanece indefinido. Embora haja passagem
marcada para Barcelona, com embarque previsto para quarta-feira (1), como parte
de uma missão humanitária com destino à Faixa de Gaza, há informações de que
autoridades tentam redirecioná-lo ao Uruguai.
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Mobilização política e tentativa de contato
O caso
gerou reação no cenário político argentino. Deputados foram ao aeroporto em
busca de informações e tentaram estabelecer contato com o ativista, mas não
obtiveram sucesso.
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Contexto da viagem e atuação internacional
A
presença de Thiago Ávila na Argentina estava relacionada a atividades da Global
Sumud Argentina, iniciativa vinculada à Global Sumud Flotilla. O projeto
integra ações internacionais voltadas à abertura de corredores humanitários
para a Faixa de Gaza. Em outubro de 2025, a flotilha reuniu ativistas de
diversos países, incluindo a sueca Greta Thunberg, com o objetivo de levar
ajuda humanitária à região.
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Histórico recente de detenções
A
deportação na Argentina ocorre poucos dias após outro episódio envolvendo o
ativista. Em 25 de março, ele foi detido no Panamá durante uma conexão aérea,
quando retornava do Brasil após participar do Comboio Nuestra América, ação
internacional de solidariedade a Cuba que transportou ajuda humanitária.
Fonte:
Brasil 247/Esquerda Diário

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