Irã
diz estar 'aguardando' tropas americanas para atacá-las
O
presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou
que as forças de seu país estão "aguardando a entrada de soldados
americanos em território iraniano para poderem bombardeá-los".
Seus
comentários vêm na sequência do anúncio dos EUA de que cerca de 3.500 militares
chegaram à região a bordo do navio de guerra USS Tripoli.
Enquanto
isso, os ataques aéreos continuam por todo o Oriente Médio, com Israel
afirmando ter alvejado centros de comando temporários em Teerã na manhã deste
domingo (29/03).
Nos
países do Golfo, grandes infraestruturas estão sob ataque. Os Emirados Árabes
Unidos registraram o maior número de bombardeios em semanas no sábado e a
Emirates Global Aluminium, uma das maiores produtoras mundiais desse metal,
afirma que sua principal fábrica em Abu Dhabi sofreu "danos
significativos".
Também
neste sábado, os houthis do
Iêmen, aliados do Irã, reivindicaram seu primeiro ataque
contra Israel desde o início
do atual conflito no Oriente Médio.
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'Inimigo planeja ataque terrestre em segredo'
Veículos
de comunicação iranianos, incluindo a agência de notícias oficial IRNA,
divulgaram neste domingo uma mensagem do presidente do Parlamento iraniano,
Mohammad Bagher Ghalibaf, marcando os 30 dias do início da guerra.
Em seu
pronunciamento, Ghalibaf teria dito que ao mesmo tempo em que "sinaliza
negociação publicamente", o governo dos EUA planeja um ataque terrestre
"em segredo".
Ainda
segundo o parlamentar, as forças iranianas estão "esperando que os
soldados americanos entrem em solo iraniano para poderem bombardeá-los".
Sobre a
possibilidade de uma rendição do Irã, Ghalibaf disse que a mensagem do Irã é
"clara" e que não aceitará "humilhação".
Segundo
relatos não confirmados, o presidente do Parlamento é considerado pelo governo
de Donald Trump como um potencial parceiro e possivelmente até mesmo um futuro
líder.
Ghalibaf
tem formação militar e ocupa a liderança da Legislativo do Irã desde maio de
2020.
As
declarações do parlamentar seguem uma reportagem do jornal americano The
Washington Post que afirma que o Pentágono está se preparando para semanas de
operações terrestres no Irã.
Mas
segundo o jornal, ainda não está claro se o presidente americano Donald Trump
aprovará, de fato, qualquer ação.
Em
comunicado separado, o Comando Central dos EUA informou neste sábado que o
navio de guerra USS Tripoli chegou à região.
Em uma
publicação nas redes sociais, as forças americanas afirmaram que o navio lidera
uma unidade de cerca de 3.500 marinheiros e fuzileiros navais, além de
aeronaves de transporte e caças de ataque.
Na
sexta-feira (27/03), o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou na
que os EUA poderiam atingir seus objetivos no Irã "sem o envio de tropas
terrestres".
Ele
explicou que os recentes destacamentos visavam dar opções a Trump, dizendo:
"Estaremos sempre preparados para dar ao presidente a máxima oportunidade
de se adaptar a contingências".
No
início do mês, Trump disse a repórteres que não pretendia colocar tropas em
lugar nenhum". Mas acrescentou rapidamente: "Se fosse colocar,
certamente não diria a vocês".
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Ataques houthis contra Israel
O
sábado também foi marcado pelo primeiro ataque dos houthis do Iêmen contra
desde o início do atual conflito no Oriente Médio.
O grupo
afirma ter disparado uma série de mísseis balísticos "almejando alvos
militares israelenses sensíveis" em resposta aos ataques contra o Irã, o Líbano, o Iraque e os territórios
palestinos.
Os
houthis disseram ainda que suas operações continuarão até o fim da
"agressão" em todas as frentes.
Os
rebeldes afirmaram, na tarde deste sábado, ter realizado um segundo ataque em
partes do sul de Israel.
Yahya
Saree, porta-voz das Forças Armadas do Iêmen, a facção houthi das forças
militares do país, disse que o grupo lançou "uma barragem de mísseis de
cruzeiro e drones" contra "vários locais militares vitais"
pertencentes a Israel.
Ele
acrescentou que os ataques "coincidiram" com as respectivas operações
militares do Irã e do Hezbollah e que a ação "alcançou com sucesso seus
objetivos", acrescentando que haverá novos ataques nos próximos dias
"até que o inimigo criminoso cesse seus ataques e agressões".
Mais
cedo no sábado, as Forças de Defesa de Israel (IDF) confirmaram ter
interceptado um míssil lançado do Iêmen.
O
governo do Iêmen reconhecido internacionalmente condenou as "tentativas
frequentes" do Irã de "arrastar o Iêmen" e outros países do
Oriente Médio para o conflito "por meio de suas milícias
terroristas".
O país
está mergulhado em uma guerra civil que se intensificou em 2015, quando o grupo
rebelde houthi, apoiado pelo Irã, tomou o controle do noroeste do país do
governo reconhecido internacionalmente, levando à intervenção de uma coalizão
liderada pela Arábia Saudita e apoiada pelos Estados Unidos.
O
envolvimento direto dos houthis no conflito amplia os temores de uma expansão
da guerra, segundo especialistas.
Para Jo
Floto, chefe do escritório da BBC News no Oriente Médio, em Jerusalém, a
intervenção abre uma nova frente do conflito na península Arábica.
E
segundo o pesquisador Farea Al-Muslimi, do centro de estudos britânico Chatham
House, o novo desdobramento é de "enorme importância" diante da
influência que os houthis mantém no Mar Vermelho.
O grupo
já ameaçou bloquear e atacar o Estreito
de Bab el-Mandeb,
situado entre o Iêmen, Djibuti e Eritreia. O estreito controla o tráfego
marítimo em direção ao Canal de Suez e transporta cerca de 12% do petróleo
comercializado por via marítima no mundo.
No
último mês, a rota ganhou ainda mais importância ao se tornar uma alternativa
para o escoamento de petróleo do Oriente Médio, diante do fechamento do
Estreito de Ormuz.
Em
outros momentos, como durante a guerra em Gaza, o Estreito de Bab el-Mandeb já
foi alvo dos houthis, que bloquearam a rota atacando navios, usando drones e
mísseis.
Ao ser
questionado sobre o quão disruptivo seria outro bloqueio efetivo do estreito,
Al-Muslimi afirmou que seria "um pesadelo".
"Já
temos um pesadelo, e isso só o tornaria ainda pior", disse o especialista.
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Ataques no Golfo e em Teerã
Neste
domingo, as Forças de Defesa de Israel (IDF) afirmaram ter concluído mais uma
onda de ataques contra Teerã, visando centros de comando temporários e
instalações de produção de armas.
Segundo
as IDF, o regime iraniano havia transferido alguns centros de comando para
unidades móveis após ataques anteriores. Várias dessas unidades já foram
desmanteladas, segundo Israel.
Em
comunicado, as forças israelenses crescentam ainda que comandantes que operavam
nos quartéis-generais iranianos foram alvejados.
Ao
mesmo tempo, os países do Golfo enfrentaram repetidos ataques nas últimas 24
horas.
A
Emirates Global Aluminium informou que sua principal fábrica em Abu Dhabi foi
atingida e sofreu danos significativos, com vários funcionários feridos.
A
Aluminium Bahrain, uma das maiores produtoras de alumínio do mundo, também foi
atacada.
No
Kuwait, o sistema de radar do aeroporto internacional sofreu extensos danos.
A
Arábia Saudita afirmou também ter interceptado e destruído 10 drones nas
últimas horas, segundo o Ministério da Defesa do país.
Com
suas economias e modo de vida em risco, os países do Golfo insistem que devem
ter voz em quaisquer futuras negociações de paz, aponta Azadeh Moshiri,
correspondente para o Sul da Ásia da BBC News, reportando de Dubai.
Eles
estão, no entanto, divididos quanto ao caminho a seguir – e sobre como deve ser
o relacionamento da região com o Irã ou os Estados Unidos.
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Funeral de jornalistas mortos no Líbano
No
Líbano, parentes e amigos se despediram dos três jornalistas mortos por um
ataque israelense no sábado.
Imagens
mostram os caixões de Ali Shoeib, Fátima Fetoni e seu irmão, Mohamed Fetoni,
sendo carregados.
Os
Fetonis trabalhavam para a Al Mayadeen, um canal de televisão com sede em
Beirute. Shoeib era repórter do canal Al Manar, afiliado ao Hezbollah.
Ao
confirmar a morte de Shoeib em uma publicação no Telegram, as IDF o acusaram de
ser um operativo do Hezbollah "disfarçado de jornalista".
Em
resposta ao ataque, o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), uma
importante organização que promove a liberdade de imprensa, declarou:
"Jornalistas não são alvos legítimos, independentemente do veículo para o
qual trabalham".
Sara
Qudah, diretora regional do CPJ, afirma que existe um "padrão
preocupante", tanto "nesta guerra quanto nas décadas
anteriores", de "Israel acusar jornalistas de serem combatentes
ativos e terroristas sem apresentar provas críveis".
Durante
o conflito em Gaza, Israel negou repetidamente ter atacado civis
deliberadamente.
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EUA esperam encerrar operação no Irã em 'semanas, não
meses', diz Marco Rubio
"Estamos
falando de semanas, não meses", disse o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, nesta
sexta-feira (27/1), ao ser questionado sobre a duração prevista para a operação americana no Irã.
Rubio
falou a jornalistas, após reunião com outros ministros das Relações Exteriores
na cúpula do G7, na França — o grupo é composto por sete das economias mais
avançadas do mundo: Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Reino Unido e
Estados Unidos.
Questionado
sobre se os EUA estão considerando o envio de tropas para o Oriente Médio como parte de
seus esforços para neutralizar o Irã, ele afirmou que os americanos podem
atingir seus objetivos "sem nenhuma tropa terrestre".
Ele
acrescentou que os EUA têm objetivos claros e que a administração de Donald Trump está
"muito confiante" de estar prestes a alcançá-los "em
breve".
Rubio
foi questionado se espera que o Irã responda nesta sexta-feira ao plano de 15
pontos dos EUA com o objetivo de pôr fim à guerra no Oriente Médio.
A CBS
News, parceira da BBC nos EUA, noticiou mais cedo, citando fontes, que a
resposta iraniana seria esperada para esta sexta-feira. "Ainda não a
recebemos", respondeu Rubio.
Os
detalhes do plano de 15 pontos proposto pelos EUA, divulgados pelo Canal 12
de Israel, incluem o fim do
programa nuclear e do programa de mísseis balísticos do Irã e o fim do apoio
iraniano a "milícias por procuração", como os houthis no
Iêmen e o Hezbollah no Líbano.
Inicialmente,
o Irã rejeitou categoricamente o plano de 15 pontos dos EUA, classificando-o
como "excessivo".
O
ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, declarou
posteriormente à TV estatal que "algumas ideias" haviam sido
propostas aos principais líderes do país e que "se for necessário tomar
uma posição, ela certamente será definida".
A
imprensa estatal iraniana listou cinco condições para o fim da guerra, que
incluem o pagamento de reparações de guerra, o reconhecimento internacional do
"direito soberano do Irã de exercer autoridade sobre o Estreito de Ormuz" e a garantia
de que o Irã não será atacado novamente.
Ainda
após a reunião do G7, o secretário de Estado americano afirmou que o Irã pode
querer implementar um sistema de pedágio no Estreito de Ormuz.
Ele
classificou a medida como "inaceitável" e disse que o mundo inteiro
deveria estar "indignado", acrescentando que os países mais afetados
por um possível sistema de pedágio na rota marítima "deveriam fazer algo a
respeito".
Cerca
de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL) do mundo normalmente
passam pelo Estreito de Ormuz, e a guerra fez com que os preços globais dos
combustíveis disparassem.
O
petróleo do tipo Brent, referência do mercado mundial, voltou a ultrapassar os
US$ 110 por barril nesta sexta-feira.
Isso
apesar da declaração de Trump na quinta-feira (23/3) de que as negociações com
Teerã estavam indo "muito bem" e que ele estava adiando os ataques
militares à infraestrutura energética do Irã até pelo menos 6 de abril.
No
passado, declarações como essa ajudaram a acalmar os mercados, mas o ceticismo
dos investidores parece estar aumentando.
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G7 pede fim de ataques a civis
Também
nesta sexta-feira, o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël
Barrot, afirmou que o G7 permanece "excepcionalmente comprometido" em
minimizar o impacto da guerra no Irã.
O grupo
pediu uma "cessação imediata dos ataques contra infraestrutura civil e
civis" no Oriente Médio.
Após a
reunião de ministros na França, Barrot acrescentou que "nada
justifica" os ataques a civis, que precisam ser "claramente
protegidos".
Ele
também reforçou os esforços do G7 para garantir a "livre e segura
circulação de navios" no Estreito de Ormuz.
Barrot
afirmou que o Marco Rubio concordou em trabalhar em conjunto para encontrar uma
solução para o impasse no Estreito de Ormuz.
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ONU sobre ataque a escola no Irã: 'horror visceral'
O
Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) realizou
nesta sexta-feira um debate de emergência sobre o ataque a uma escola primária em
Minab, no sul do Irã,
no início da guerra. As autoridades iranianas afirmam que 168 pessoas foram
mortas no ataque, a maioria crianças.
O chefe
de direitos humanos da ONU, Volker Türk, pediu que uma investigação sobre o
ataque à escola seja concluída "o mais rápido possível",
acrescentando que o incidente provocou "horror visceral".
Em
outra ocasião, ele também afirmou que os ataques conjuntos entre EUA e Israel
têm "destruído cada vez mais a infraestrutura civil" à medida que a
guerra avança, e classificou os ataques a instalações nucleares como
"imprudentes além da compreensão".
Anteriormente,
a agência nuclear da ONU pediu "máxima contenção" para evitar um
incidente nuclear no Irã, após um suposto ataque perto da usina nuclear de
Bushehr na terça-feira.
Em uma
participação por videoconferência na ONU, o ministro das Relações Exteriores do
Irã, Abbas Araghchi, classificou o conflito como uma "guerra ilegal
imposta por dois regimes nucleares autoritários". Ele chamou o ataque à
escola de "calculado e gradual", classificando-o como um "crime
de guerra".
A mãe
de duas crianças mortas no ataque disse à ONU que sua casa agora está
silenciosa, "muito mais silenciosa do que qualquer casa deveria ser".
Os EUA
não assumiram responsabilidade pelo ataque e afirmam que não têm civis como
alvo — anteriormente, o país havia dito que estava investigando o incidente.
A
imprensa americana noticiou que investigadores militares dos EUA acreditam que
as forças americanas provavelmente foram responsáveis por atingir a escola
involuntariamente — mas que ainda não chegaram a uma
conclusão definitiva.
Fonte:
BBC News Mundo

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