quarta-feira, 1 de abril de 2026

Irã diz estar 'aguardando' tropas americanas para atacá-las

O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que as forças de seu país estão "aguardando a entrada de soldados americanos em território iraniano para poderem bombardeá-los".

Seus comentários vêm na sequência do anúncio dos EUA de que cerca de 3.500 militares chegaram à região a bordo do navio de guerra USS Tripoli.

Enquanto isso, os ataques aéreos continuam por todo o Oriente Médio, com Israel afirmando ter alvejado centros de comando temporários em Teerã na manhã deste domingo (29/03).

Nos países do Golfo, grandes infraestruturas estão sob ataque. Os Emirados Árabes Unidos registraram o maior número de bombardeios em semanas no sábado e a Emirates Global Aluminium, uma das maiores produtoras mundiais desse metal, afirma que sua principal fábrica em Abu Dhabi sofreu "danos significativos".

Também neste sábado, os houthis do Iêmen, aliados do Irã, reivindicaram seu primeiro ataque contra Israel desde o início do atual conflito no Oriente Médio.

<><> 'Inimigo planeja ataque terrestre em segredo'

Veículos de comunicação iranianos, incluindo a agência de notícias oficial IRNA, divulgaram neste domingo uma mensagem do presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, marcando os 30 dias do início da guerra.

Em seu pronunciamento, Ghalibaf teria dito que ao mesmo tempo em que "sinaliza negociação publicamente", o governo dos EUA planeja um ataque terrestre "em segredo".

Ainda segundo o parlamentar, as forças iranianas estão "esperando que os soldados americanos entrem em solo iraniano para poderem bombardeá-los".

Sobre a possibilidade de uma rendição do Irã, Ghalibaf disse que a mensagem do Irã é "clara" e que não aceitará "humilhação".

Segundo relatos não confirmados, o presidente do Parlamento é considerado pelo governo de Donald Trump como um potencial parceiro e possivelmente até mesmo um futuro líder.

Ghalibaf tem formação militar e ocupa a liderança da Legislativo do Irã desde maio de 2020.

As declarações do parlamentar seguem uma reportagem do jornal americano The Washington Post que afirma que o Pentágono está se preparando para semanas de operações terrestres no Irã.

Mas segundo o jornal, ainda não está claro se o presidente americano Donald Trump aprovará, de fato, qualquer ação.

Em comunicado separado, o Comando Central dos EUA informou neste sábado que o navio de guerra USS Tripoli chegou à região.

Em uma publicação nas redes sociais, as forças americanas afirmaram que o navio lidera uma unidade de cerca de 3.500 marinheiros e fuzileiros navais, além de aeronaves de transporte e caças de ataque.

Na sexta-feira (27/03), o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou na que os EUA poderiam atingir seus objetivos no Irã "sem o envio de tropas terrestres".

Ele explicou que os recentes destacamentos visavam dar opções a Trump, dizendo: "Estaremos sempre preparados para dar ao presidente a máxima oportunidade de se adaptar a contingências".

No início do mês, Trump disse a repórteres que não pretendia colocar tropas em lugar nenhum". Mas acrescentou rapidamente: "Se fosse colocar, certamente não diria a vocês".

<><> Ataques houthis contra Israel

O sábado também foi marcado pelo primeiro ataque dos houthis do Iêmen contra desde o início do atual conflito no Oriente Médio.

O grupo afirma ter disparado uma série de mísseis balísticos "almejando alvos militares israelenses sensíveis" em resposta aos ataques contra o Irã, o Líbano, o Iraque e os territórios palestinos.

Os houthis disseram ainda que suas operações continuarão até o fim da "agressão" em todas as frentes.

Os rebeldes afirmaram, na tarde deste sábado, ter realizado um segundo ataque em partes do sul de Israel.

Yahya Saree, porta-voz das Forças Armadas do Iêmen, a facção houthi das forças militares do país, disse que o grupo lançou "uma barragem de mísseis de cruzeiro e drones" contra "vários locais militares vitais" pertencentes a Israel.

Ele acrescentou que os ataques "coincidiram" com as respectivas operações militares do Irã e do Hezbollah e que a ação "alcançou com sucesso seus objetivos", acrescentando que haverá novos ataques nos próximos dias "até que o inimigo criminoso cesse seus ataques e agressões".

Mais cedo no sábado, as Forças de Defesa de Israel (IDF) confirmaram ter interceptado um míssil lançado do Iêmen.

O governo do Iêmen reconhecido internacionalmente condenou as "tentativas frequentes" do Irã de "arrastar o Iêmen" e outros países do Oriente Médio para o conflito "por meio de suas milícias terroristas".

O país está mergulhado em uma guerra civil que se intensificou em 2015, quando o grupo rebelde houthi, apoiado pelo Irã, tomou o controle do noroeste do país do governo reconhecido internacionalmente, levando à intervenção de uma coalizão liderada pela Arábia Saudita e apoiada pelos Estados Unidos.

O envolvimento direto dos houthis no conflito amplia os temores de uma expansão da guerra, segundo especialistas.

Para Jo Floto, chefe do escritório da BBC News no Oriente Médio, em Jerusalém, a intervenção abre uma nova frente do conflito na península Arábica.

E segundo o pesquisador Farea Al-Muslimi, do centro de estudos britânico Chatham House, o novo desdobramento é de "enorme importância" diante da influência que os houthis mantém no Mar Vermelho.

O grupo já ameaçou bloquear e atacar o Estreito de Bab el-Mandeb, situado entre o Iêmen, Djibuti e Eritreia. O estreito controla o tráfego marítimo em direção ao Canal de Suez e transporta cerca de 12% do petróleo comercializado por via marítima no mundo.

No último mês, a rota ganhou ainda mais importância ao se tornar uma alternativa para o escoamento de petróleo do Oriente Médio, diante do fechamento do Estreito de Ormuz.

Em outros momentos, como durante a guerra em Gaza, o Estreito de Bab el-Mandeb já foi alvo dos houthis, que bloquearam a rota atacando navios, usando drones e mísseis.

Ao ser questionado sobre o quão disruptivo seria outro bloqueio efetivo do estreito, Al-Muslimi afirmou que seria "um pesadelo".

"Já temos um pesadelo, e isso só o tornaria ainda pior", disse o especialista.

<><> Ataques no Golfo e em Teerã

Neste domingo, as Forças de Defesa de Israel (IDF) afirmaram ter concluído mais uma onda de ataques contra Teerã, visando centros de comando temporários e instalações de produção de armas.

Segundo as IDF, o regime iraniano havia transferido alguns centros de comando para unidades móveis após ataques anteriores. Várias dessas unidades já foram desmanteladas, segundo Israel.

Em comunicado, as forças israelenses crescentam ainda que comandantes que operavam nos quartéis-generais iranianos foram alvejados.

Ao mesmo tempo, os países do Golfo enfrentaram repetidos ataques nas últimas 24 horas.

A Emirates Global Aluminium informou que sua principal fábrica em Abu Dhabi foi atingida e sofreu danos significativos, com vários funcionários feridos.

A Aluminium Bahrain, uma das maiores produtoras de alumínio do mundo, também foi atacada.

No Kuwait, o sistema de radar do aeroporto internacional sofreu extensos danos.

A Arábia Saudita afirmou também ter interceptado e destruído 10 drones nas últimas horas, segundo o Ministério da Defesa do país.

Com suas economias e modo de vida em risco, os países do Golfo insistem que devem ter voz em quaisquer futuras negociações de paz, aponta Azadeh Moshiri, correspondente para o Sul da Ásia da BBC News, reportando de Dubai.

Eles estão, no entanto, divididos quanto ao caminho a seguir – e sobre como deve ser o relacionamento da região com o Irã ou os Estados Unidos.

<><> Funeral de jornalistas mortos no Líbano

No Líbano, parentes e amigos se despediram dos três jornalistas mortos por um ataque israelense no sábado.

Imagens mostram os caixões de Ali Shoeib, Fátima Fetoni e seu irmão, Mohamed Fetoni, sendo carregados.

Os Fetonis trabalhavam para a Al Mayadeen, um canal de televisão com sede em Beirute. Shoeib era repórter do canal Al Manar, afiliado ao Hezbollah.

Ao confirmar a morte de Shoeib em uma publicação no Telegram, as IDF o acusaram de ser um operativo do Hezbollah "disfarçado de jornalista".

Em resposta ao ataque, o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), uma importante organização que promove a liberdade de imprensa, declarou: "Jornalistas não são alvos legítimos, independentemente do veículo para o qual trabalham".

Sara Qudah, diretora regional do CPJ, afirma que existe um "padrão preocupante", tanto "nesta guerra quanto nas décadas anteriores", de "Israel acusar jornalistas de serem combatentes ativos e terroristas sem apresentar provas críveis".

Durante o conflito em Gaza, Israel negou repetidamente ter atacado civis deliberadamente.

¨      EUA esperam encerrar operação no Irã em 'semanas, não meses', diz Marco Rubio

"Estamos falando de semanas, não meses", disse o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, nesta sexta-feira (27/1), ao ser questionado sobre a duração prevista para a operação americana no Irã.

Rubio falou a jornalistas, após reunião com outros ministros das Relações Exteriores na cúpula do G7, na França — o grupo é composto por sete das economias mais avançadas do mundo: Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Reino Unido e Estados Unidos.

Questionado sobre se os EUA estão considerando o envio de tropas para o Oriente Médio como parte de seus esforços para neutralizar o Irã, ele afirmou que os americanos podem atingir seus objetivos "sem nenhuma tropa terrestre".

Ele acrescentou que os EUA têm objetivos claros e que a administração de Donald Trump está "muito confiante" de estar prestes a alcançá-los "em breve".

Rubio foi questionado se espera que o Irã responda nesta sexta-feira ao plano de 15 pontos dos EUA com o objetivo de pôr fim à guerra no Oriente Médio.

A CBS News, parceira da BBC nos EUA, noticiou mais cedo, citando fontes, que a resposta iraniana seria esperada para esta sexta-feira. "Ainda não a recebemos", respondeu Rubio.

Os detalhes do plano de 15 pontos proposto pelos EUA, divulgados pelo Canal 12 de Israel, incluem o fim do programa nuclear e do programa de mísseis balísticos do Irã e o fim do apoio iraniano a "milícias por procuração", como os houthis no Iêmen e o Hezbollah no Líbano.

Inicialmente, o Irã rejeitou categoricamente o plano de 15 pontos dos EUA, classificando-o como "excessivo".

O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, declarou posteriormente à TV estatal que "algumas ideias" haviam sido propostas aos principais líderes do país e que "se for necessário tomar uma posição, ela certamente será definida".

A imprensa estatal iraniana listou cinco condições para o fim da guerra, que incluem o pagamento de reparações de guerra, o reconhecimento internacional do "direito soberano do Irã de exercer autoridade sobre o Estreito de Ormuz" e a garantia de que o Irã não será atacado novamente.

Ainda após a reunião do G7, o secretário de Estado americano afirmou que o Irã pode querer implementar um sistema de pedágio no Estreito de Ormuz.

Ele classificou a medida como "inaceitável" e disse que o mundo inteiro deveria estar "indignado", acrescentando que os países mais afetados por um possível sistema de pedágio na rota marítima "deveriam fazer algo a respeito".

Cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL) do mundo normalmente passam pelo Estreito de Ormuz, e a guerra fez com que os preços globais dos combustíveis disparassem.

O petróleo do tipo Brent, referência do mercado mundial, voltou a ultrapassar os US$ 110 por barril nesta sexta-feira.

Isso apesar da declaração de Trump na quinta-feira (23/3) de que as negociações com Teerã estavam indo "muito bem" e que ele estava adiando os ataques militares à infraestrutura energética do Irã até pelo menos 6 de abril.

No passado, declarações como essa ajudaram a acalmar os mercados, mas o ceticismo dos investidores parece estar aumentando.

<><> G7 pede fim de ataques a civis

Também nesta sexta-feira, o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, afirmou que o G7 permanece "excepcionalmente comprometido" em minimizar o impacto da guerra no Irã.

O grupo pediu uma "cessação imediata dos ataques contra infraestrutura civil e civis" no Oriente Médio.

Após a reunião de ministros na França, Barrot acrescentou que "nada justifica" os ataques a civis, que precisam ser "claramente protegidos".

Ele também reforçou os esforços do G7 para garantir a "livre e segura circulação de navios" no Estreito de Ormuz.

Barrot afirmou que o Marco Rubio concordou em trabalhar em conjunto para encontrar uma solução para o impasse no Estreito de Ormuz.

<><> ONU sobre ataque a escola no Irã: 'horror visceral'

O Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) realizou nesta sexta-feira um debate de emergência sobre o ataque a uma escola primária em Minab, no sul do Irã, no início da guerra. As autoridades iranianas afirmam que 168 pessoas foram mortas no ataque, a maioria crianças.

O chefe de direitos humanos da ONU, Volker Türk, pediu que uma investigação sobre o ataque à escola seja concluída "o mais rápido possível", acrescentando que o incidente provocou "horror visceral".

Em outra ocasião, ele também afirmou que os ataques conjuntos entre EUA e Israel têm "destruído cada vez mais a infraestrutura civil" à medida que a guerra avança, e classificou os ataques a instalações nucleares como "imprudentes além da compreensão".

Anteriormente, a agência nuclear da ONU pediu "máxima contenção" para evitar um incidente nuclear no Irã, após um suposto ataque perto da usina nuclear de Bushehr na terça-feira.

Em uma participação por videoconferência na ONU, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, classificou o conflito como uma "guerra ilegal imposta por dois regimes nucleares autoritários". Ele chamou o ataque à escola de "calculado e gradual", classificando-o como um "crime de guerra".

A mãe de duas crianças mortas no ataque disse à ONU que sua casa agora está silenciosa, "muito mais silenciosa do que qualquer casa deveria ser".

Os EUA não assumiram responsabilidade pelo ataque e afirmam que não têm civis como alvo — anteriormente, o país havia dito que estava investigando o incidente.

A imprensa americana noticiou que investigadores militares dos EUA acreditam que as forças americanas provavelmente foram responsáveis ​​por atingir a escola involuntariamente mas que ainda não chegaram a uma conclusão definitiva.

 

Fonte: BBC News Mundo

 

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