quinta-feira, 2 de abril de 2026

Cientistas identificam qual seria o "ponto G" masculino

Uma equipe de pesquisadores afirma ter localizado o equivalente masculino ao "ponto G": trata se do delta do frênulo, uma pequena área triangular na junção entre a glande e o corpo do pênis.

A descoberta foi publicada na revista científica Andrology e representa o estudo neuroanatômico mais detalhado do pênis já realizado.

O delta do frênulo possui múltiplos ramos nervosos perineais e dorsais que se sobrepõem parcialmente, com alta concentração de feixes nervosos e receptores corpusculares. Essas terminações geram "sensações intensamente prazerosas e altamente especializadas", detalha o artigo.

O termo, cunhado pela primeira vez em 2001 pelo pesquisador neozelandês Ken McGrath, deve se ao formato triangular da região, situada entre as abas em forma de "V" da glande. No vértice está o frênulo, uma pequena ponte de pele que conecta o prepúcio ao pênis. Popularmente, é conhecida como "freio".

"Embora isso possa parecer evidente para qualquer pessoa atenta às sensações do próprio pênis durante a atividade sexual, nosso trabalho confirma cientificamente a existência de uma região anatômica ventral do pênis que atua como centro da sensação sexual", escreve o estudo liderado por Alfonso Cepeda Emiliani, da Universidade de Santiago de Compostela, na Espanha.

"Em essência, a existência de um centro sensorial no pênis, semelhante ao 'ponto G', se delineia como uma realidade neuroanatômica", acrescenta.

<><> Como o "ponto G" foi definido?

Os cientistas analisaram o pênis de 30 fetos entre 8 e 24 semanas e de 14 adultos falecidos entre 45 e 96 anos. O objetivo não era apenas identificar a área, mas também observar o desenvolvimento do sistema nervoso da região – algo até então pouco compreendido.

Os autores identificaram que o nervo dorsal do pênis já se encontra bastante desenvolvido às 8 semanas de gestação, mas a maioria dos receptores sensoriais só aparece a partir das 16 semanas.

Durante anos, livros de anatomia descreveram a glande como a parte mais sensível do pênis. O novo estudo revisa essa afirmação. O delta do frênulo contém maior densidade de terminações nervosas e agrupa os corpúsculos sensoriais — receptores táteis especializados — em conjuntos de até 17, enquanto na glande eles aparecem isolados e dispersos.

Eric Chung, urologista da Universidade de Queensland que não participou do estudo, afirmou à revista especializada New Scientist que o delta frenular contém "uma bomba sensorial que justifica chamá lo de 'ponto G masculino' do pênis". E acrescentou: "é um dos pontos mais prazerosos para a estimulação sexual masculina".

<><> O risco e o debate sobre a circuncisão

O delta do frênulo fica exatamente na área onde é realizada a circuncisão. Algumas técnicas envolvem incisões ao longo dessa região, o que pode danificar suas redes nervosas e reduzir a sensibilidade sexual caso os cortes sejam profundos.

O problema é que essa zona é pouco conhecida entre especialistas. "Ela não aparece mencionada nos livros de texto mais prestigiados de anatomia cirúrgica urológica. Nem mesmo nas edições mais recentes", disse à mesma publicação a urologista Kesley Pedler, do Port Macquarie Base Hospital, na Austrália, que também não participou do estudo.

Os autores ressaltam que o prepúcio "é um tecido erógeno especializado e específico" e que "sua remoção cirúrgica deveria ser limitada" apenas a razões médicas. Pedler, que só realiza circuncisões quando são clinicamente necessárias, concorda.

"Agora que conhecemos essa zona de nervos, é ainda mais importante realizar essas operações apenas quando absolutamente indicadas", diz.

Na Alemanha, a circuncisão masculina chegou a ser condenada por um tribunal, mas sua legalidade voltou a ser reconhecida pelo Parlamento.

<><> Quão comum é a circuncisão no mundo?

Segundo o portal IFLScience, a circuncisão é incomum na maioria dos países, mas, nos Estados Unidos, é realizada em quase metade dos recém nascidos do sexo masculino.

Um estudo realizado na Bélgica constatou que homens não circuncidados relatam sentir mais prazer ao estimular o delta do frênulo, embora uma pesquisa nos EUA não tenha encontrado diferenças na qualidade do orgasmo entre circuncidados e não circuncidados.

<><> O próximo passo: estudar melhor a vulva e o clitóris

Os cientistas agora querem repetir o estudo com vulvas e clitóris. O "ponto G" feminino também enfrenta dificuldades de reconhecimento, e alguns médicos negam sua existência devido à falta de agrupamentos nervosos claramente definidos na região.

"Embora avanços significativos tenham sido feitos no estudo da neuroanatomia do pênis, a neuroanatomia e a morfologia da vulva continuam muito pouco investigadas", admitem os pesquisadores. O objetivo, concluem, é "lançar luz sobre o que foi ignorado, mal interpretado ou deliberadamente deixado de lado".

 

Fonte: DW Brasil

 

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