O
que muda com o aumento da licença-paternidade no Brasil
O
Brasil passará a ter a maior licenca-paternidadedo continente a partir de 2029
– mas, ainda sim, muito inferior a de países europeus. Sancionada nesta
terça-feira (31/03), a nova regra garante 20 dias de licença para pais de
recém-nascidos, contra os cinco dias atuais. No entanto, a mudança será
gradual. A partir de janeiro de 2027, quem se tornar pai terá até 10 dias
corridos após o nascimento da criança. Em 2028, o benefício sobe para 15 dias,
até chegar aos 20 dias no ano seguinte.
Atualmente,
no continente americano, apenas as Ilhas Virgens Britânicas, um território
ultramarino da Inglaterra, garante um período maior de afastamento – até um mês
–, mas não remunerado.
No
Brasil, o direito a essa licença é garantido pela Constituição Federal de 1988,
mas de forma reduzida. O intuito da alteração – que estava em discussão no
Congresso Nacional desde 2007, quando o projeto foi proposto pela ex-senadora
Patrícia Saboya – é promover maior aproximação entre pai e recém-nascido em
seus primeiros dias de vida e incentivar a corresponsabilidade em relação à
criança.
"A
mulher já conquistou o mercado de trabalho, mas o homem ainda não conquistou a
cozinha. Essa lei vai ensinar os homens a aprender a dar banho em criança,
acordar de noite para cuidar da criança quando chora. Ele vai ter que aprender
a trocar fralda", declarou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante
a cerimônia de assinatura do documento.
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Outras alterações
A nova
lei determina, também, a criação do salário-paternidade no país no âmbito da
Previdência Social. A medida visa garantir a renda do genitor durante o período
de afastamento e é válida também para trabalhadores informais, ou seja, sem
carteira assinada, que sejam contribuintes do INSS.
Além
das alterações já citadas, a nova legislação garante o direito à
licença-paternidade também em casos de adoção ou guarda de crianças ou
adolescentes com a finalidade de adoção, assegurando ao pai o emprego e o
salário.
O texto
prevê, ainda, a suspensão do benefício em casos de violência doméstica ou
abandono e a sua extensão em um terço do tempo para pais de crianças com
deficiência.
A
mudança faz com que a licença-paternidade passe a ser um direito social, da
mesma forma que a licença-maternidade, e impede o desligamento do solicitante
do seu trabalho a partir da data da comunicação ao empregador até um mês depois
do fim da licença.
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Bons exemplos
Na
Alemanha, os direitos concedidos após o nascimento de um filho são, de modo
geral, mais extensos, se comparados ao Brasil. Desde 2007, o país adotou a
concepção da licença parental, que inclui os dois genitores. Na prática, a lei
alemã permite que os pais escolham livremente quem vai fruir da licença e em
que período.
Atualmente
cada um dos pais pode ficar afastado do trabalho por até três anos, período em
que não podem ser demitidos. Além disso, o casal tem direito ao Elterngeld.
Esse benefício é concedido pelo governo alemão por até 14 meses para os pais de
forma conjunta. O valor equivale a dois terços (67%) do salário do genitor em
licença, variando de 300 a 1800 euros mensais (teto máximo). Além do período
coberto pelo benefício, a licença parental não é remunerada.
Na
Suécia, o conceito da licença parental já é uma realidade desde 1974. O país
foi o pioneiro a implementar a medida ao garantir aos genitores 180 dias de
afastamento do trabalho no total. Atualmente, esse número subiu para 480 dias,
sendo metade destinada a cada genitor. Na maior parte deste período, 390 dias,
os pais têm direito a receber um benefício mensal equivalente a 80% do salário
do beneficiado, não podendo ultrapassar as 47.750 coroas, o que corresponde, em
média, a R$ 26,4 mil reais. Nos dias restantes da licença, os beneficiários têm
direito a um valor diário de 180 coroas, o que é próximo de R$ 100.
Pela
amplitude dos benefícios oferecidos e pelo pioneirismo na legislação, a Suécia
é muitas vezes usada como exemplo por países e empresas que desejam implementar
medidas de apoio parental com maior paridade de gênero.
A
existência de legislações proporcionando licença a ambos os genitores não
garante, no entanto, que homens e mulheres usufruam do direito de forma
equilibrada. Na Alemanha, em 2024, apenas 3,1% dos homens que trabalhavam com
carteira assinada e tinham filhos menores de três anos estavam em licença
paternidade. Entre os que tinham filhos menores de 6 anos, esse número era de
1,8%. A informação é do microcenso alemão.
Diferentemente,
na Suécia, de acordo com um estudo publicado pela Inspeção Sueca da Previdência
Social em 2023, 82% dos homens com filhos até 6 anos haviam usufruído da
licença-paternidade.
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Licença-paternidade mundo afora
Segundo
o estudo Care at work: Investing in care leave and services for a more gender
equal world of work publicado em 2022 pela Organização Internacional do
Trabalho (OIT), a média mundial de licença-paternidade nos países que possuem
determinações acerca do assunto é de 9 dias.
Também
segundo a OIT, entre os países que possuem licença-paternidade e
licença-maternidade, a Eslováquia encontra-se no topo do ranking. Lá, os pais
têm direito a se ausentar do trabalho por até 197 dias. O segundo lugar é
ocupado pela Islândia, que proporciona 183 dias de licença-paternidade à
população.
Além do
Brasil, outros 18 países também contam com uma licença-paternidade de cinco
dias, enquanto apenas um, a Bélgica, oferece 20 dias de benefício, que é a meta
brasileira para 2029.
No
final do ranking da licença-paternidade, estão Egito, Barém, Senegal,
Moçambique, Níger, Chade, Angola e Malta, com apenas um dia.
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Licença parental
Entre
os países que tem algum tipo de licença parental, coexistindo ou não com a
licença-paternidade, a Alemanha e a Eslováquia dividem o primeiro lugar com a
Espanha, a República Tcheca, o Quirguistão e a França, com 312 semanas – ou
seis anos – para fazer uso do benefício. Esse valor não é relativo ao tempo de
licença, mas ao período em que é possível fazer uso desse benefício após o
nascimento da criança. O próximo país na lista é a Polônia, com um número
significativamente menor do que esses outros, com 197 semanas.
Por
outro lado, as nações que possuem licença parental e oferecem o menor tempo de
benefício são os Emirados Árabes Unidos, Angola e Singapura, com,
respectivamente, duas, quatro e seis semanas de licença.
Fonte:
DW Brasil

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