quinta-feira, 2 de abril de 2026

Guerra no Irã impõe desafios inéditos para comércio global

Enquanto os otimistas acreditavam que a guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã estava prestes a chegar ao fim, após um mês de conflito, eis que surge mais uma reviravolta.

Logo depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, sinalizar que as negociações avançavam e que um acordo de cessar-fogo estava próximo, ele ameaçou redobrar os bombardeios contra instalações de energia e industriais iranianas.

Enquanto isso, o Irã está permitindo que um pequeno número de navios passe pelo Estreito de Ormuz, ao mesmo tempo em que nega quaisquer negociações reais de cessar-fogo em curso.

Sobre um ponto fundamental a maioria dos especialistas concorda: quanto mais o conflito se prolongar, mais devastador será seu impacto sobre o abastecimento energético mundial, a inflação e a estabilidade econômica. Cada semana adicional de interrupção eleva os custos para consumidores e empresas, enquanto o crescimento desacelera.

O Banco da Reserva Federal de Dallas, parte do sistema do banco central dos EUA, previu no início deste mês que um fechamento de três meses ou mais do estreito causaria uma desaceleração do crescimento do PIB global de 2,9%, em termos anualizados, no segundo trimestre do ano.

Sempre que Ormuz — gargalo para 20% do comércio global de petróleo — reabrir, a velocidade da produção de petróleo e gás e a retomada do tráfego de petroleiros determinará a rapidez com que a economia global poderá se recuperar.

<><> Protegendo o Estreito de Ormuz

É improvável que as empresas de navegação retomem as travessias pelo estreito

até que os custos de seguro diminuam significativamente e uma operação multinacional de escolta naval confiável esteja em vigor. Isso poderia envolver navios de guerra da Marinha dos EUA, patrulhas aéreas e navios de remoção de minas.

Aliados europeus, incluindo Alemanha, França e Reino Unido, sinalizaram disposição para se juntar às patrulhas assim que os combates cessarem. Japão, Austrália, Coreia do Sul, Canadá, Emirados Árabes Unidos e Bahrein também manifestaram interesse em participar.

A remoção de minas no estreito por si só pode levar cerca de duas semanas, disse Jennifer Parker, professora adjunta do Instituto de Defesa e Segurança da Universidade da Austrália Ocidental, à Bloomberg.

Assim que Ormuz for considerado seguro para a navegação, o acúmulo de cerca de 1.900 navios parados — metade deles transportando petróleo, gás natural liquefeito (GNL) ou outros produtos químicos — poderá ser escoado em poucos dias ou algumas semanas, desde que a escassez de tripulação possa ser resolvida.

"Neste momento, é essencialmente uma corrida para o mercado", disse à DW Aditya Saraswat, diretor de pesquisa para Oriente Médio e norte da África da consultoria Rystad Energy, com sede na Noruega. Ele acrescentou que o volume retido em Ormuz daria aos produtores do Golfo "um mês de margem" para aumentar a produção.

No entanto, as questões logísticas permanecerão. Antes da guerra, cerca de 130 a 140 navios por dia passavam pelo estreito, mas esse fluxo provavelmente será significativamente mais lento enquanto forem necessárias patrulhas navais.

<><> Reinício gradual da produção de petróleo e gás

Além da reabertura de Ormuz, os produtores do Golfo precisariam de garantias de que a situação de segurança se estabilizou em todas as suas instalações de petróleo e gás. Mesmo com um acordo de paz rápido, analistas afirmaram que o reinício da produção de petróleo e gás em muitos campos poderia levar várias semanas.

"Um campo [de petróleo] parcialmente fechado leva, em média, cerca de duas a três semanas", disse Saraswat, referindo-se a alguns poços operando em níveis reduzidos. "Com uma paralisação completa, estamos falando de um mês e meio."

Saraswat acrescentou que quanto mais tempo as instalações de petróleo e gás permanecerem paradas, mais minuciosas precisarão ser as inspeções de manutenção antes do reinício.

Aumentar a produção de petróleo e gás é como dar nova vida a um carro velho depois de meses parado. Tubulações, poços, bombas, plantas de processamento e refinarias devem ser cuidadosamente verificados quanto a ferrugem, bloqueios, danos causados pela água e questões de segurança.

De acordo com a Agência Internacional de Energia (AIE), pelo menos 40 instalações energéticas críticas no Golfo foram "gravemente ou muito gravemente danificadas" pelos ataques iranianos. Analistas de energia alertaram que algumas instalações, especialmente as usinas de gás natural liquefeito (GNL), enfrentam prazos de reparo de vários anos.

O Catar afirmou que seu complexo de GNL de Ras Laffan, o maior centro de produção e exportação de GNL do mundo, pode levar até cinco anos para restaurar totalmente as operações.

Antes dos ataques com mísseis iranianos causarem danos extensos, o Catar fornecia cerca de um quinto do GNL mundial. Cerca de 17% da capacidade de exportação da commodity do país agora estará ausente do mercado no longo prazo.

Assim que o petróleo e o gás voltarem a fluir, os produtores aumentarão gradualmente a produção até atingir a capacidade total e resolver possíveis problemas remanescentes nas refinarias e nos dutos. Isso pode levar algumas semanas ou até meses, afirmam analistas do setor petrolífero.

<><> Retomada da produção de fertilizantes e das rotas de cargas

As fábricas de fertilizantes exigirão vistorias semelhantes antes que a produção possa ser retomada. Com o conflito, a segurança alimentar global está ameaçada pela disparada dos preços desses insumos, forçando os agricultores a reduzir o uso de nutrientes essenciais para o solo.

O Golfo é um fornecedor crucial de fertilizantes à base de nitrogênio, respondendo por cerca de 40% da ureia transportada por mar e um quarto das exportações de amônia. Os países árabes do Golfo também são grandes produtores de dois ingredientes usados na produção de fosfato.

De acordo com Josh Linville, vice-presidente de fertilizantes da empresa de serviços financeiros norte-americana StoneX, o fosfato pode se mostrar mais problemático do que os fertilizantes nitrogenados devido aos custos de produção já elevados.

"Mesmo que a oferta comece a melhorar... não acho que possamos suportar uma queda muito maior nos preços antes que [os fabricantes de fosfato] interrompam a produção. Eles não vão produzir com prejuízo", disse Linville ao canal da empresa no YouTube.

Entretanto, o transporte marítimo de contêineres, que leva mercadorias produzidas na região do Golfo e cargas entre a Ásia e a Europa, também está sendo duramente afetado pelo fechamento do Estreito de Ormuz, com dezenas de embarcações retidas. O tráfego de entrada no megaporto de Jebel Ali, em Dubai, o maior centro de transbordo do Oriente Médio, caiu consideravelmente desde 28 de fevereiro, de acordo com a operadora DP World.

Os porta-contêineres com destino à Europa enfrentam o obstáculo adicional do Estreito de Bab el-Mandeb, na entrada sul do mar Vermelho. O estreito permanece aberto, mas está sendo evitado pela maioria das grandes empresas de navegação devido às novas ameaças dos houthis, apoiados pelo Irã. Os rebeldes, baseados no Iêmen, realizaram ataques a navios em 2023 e 2024 ligados à guerra de Israel em Gaza.

Muitas transportadoras redirecionaram seus serviços pela rota do Cabo da Boa Esperança, na África Austral, aumentando significativamente o tempo e os custos das viagens.

O Instituto de Kiel para a Economia Mundial (IfW), da Alemanha, calculou que os países do Golfo, incluindo o Irã, detêm a maior participação global nas exportações de 50 produtos não minerais essenciais, incluindo aço, diamantes em bruto, ouro em pó e ligas de alumínio. Essas exportações somam US$ 773 bilhões por ano.

<><> Impacto prolongado na inflação global

Mesmo quando o estreito reabrir e a produção do Golfo começar a aumentar, as consequências econômicas globais não desaparecerão da noite para o dia.

Os consumidores sentiram rapidamente os efeitos dos preços mais altos do petróleo nos postos de gasolina, enquanto os impactos da escassez de gasolina e diesel apenas começaram na Austrália, Ásia e África. Espera-se que outras cadeias de abastecimento críticas, de fertilizantes a bens de consumo, passem por escassez nas próximas semanas.

"As perturbações nos preços foram sentidas imediatamente; as perturbações logísticas se tornarão mais relevantes [nos próximos 2 a 3 meses]", disse Peter Klimek, diretor do Supply Chain Intelligence Institute Austria, à DW.

Se a indústria global tiver que reduzir a produção devido à guerra, Klimek alertou para um "cenário de estagflação" caracterizado por preços altos, aumento do desemprego e fraco crescimento econômico, que, segundo ele, pode "levar ainda mais tempo para ser resolvido".

¨      Golpe dos EUA no Irã em 1953 criou modelo para derrubada de governos “mau exemplo”. Por Frei Betto

Em agosto de 1953, o mundo testemunhou um evento que marcou profundamente as relações internacionais e a política do Oriente Médio por décadas. O governo democraticamente eleito do Irã, liderado pelo primeiro-ministro Mohammad Mossadegh, foi derrubado em um golpe orquestrado pela Agência Central de Inteligência (CIA) dos EUA em parceria com o serviço de inteligência britânico (MI6). A operação, codificada como “Ajax”, não foi um caso isolado; tornou-se um modelo de intervenção que se repetiu em outras nações ricas em recursos naturais.

Dois anos antes, em 1951, Mohammad Mossadegh assumira como primeiro-ministro do Irã após intensa mobilização popular e aprovação do parlamento iraniano. Uma de suas primeiras medidas foi a nacionalização da indústria petrolífera, até então controlada pela Anglo-Iranian Oil Company (AIOC), empresa britânica que há décadas extraía a riqueza do país com benefícios mínimos para a população local.

Para Mossadegh, a nacionalização representava o direito fundamental de um país soberano sobre seus recursos naturais. Ao apresentar o caso à Corte Internacional de Justiça em 1952, ele declarou: “A decisão de nacionalizar a indústria do petróleo é o resultado da vontade política de uma nação independente e livre.”

A resposta britânica foi imediata e agressiva. A Inglaterra impôs um bloqueio econômico ao Irã, liderou um boicote global ao petróleo iraniano e intensificou os esforços para minar o governo de Mossadegh. Paralelamente, os britânicos pressionaram Washington a intervir, alertando sobre o risco de o Irã cair na órbita da União Soviética durante o auge da Guerra Fria.

Inicialmente, o presidente Harry Truman resistiu às pressões para uma intervenção direta. Mas a eleição de Dwight D. Eisenhower, em 1953, marcou uma mudança radical na postura estadunidense. Seus conselheiros, notadamente o secretário de Estado, John Foster Dulles, e o diretor da CIA, Allen Dulles, adotaram uma abordagem mais agressiva na Guerra Fria e viam com desconfiança o nacionalismo de Mossadegh.

Em junho de 1953, Eisenhower enviou carta a Mossadegh em que deixou claro que ajudas econômicas ao Irã dificilmente seriam concedidas enquanto o país mantivesse controle sobre seu petróleo. Em resposta, Mossadegh alertou que a falta de apoio poderia ter consequências catastróficas, aviso que se revelaria profético.

A operação para derrubar Mossadegh foi liderada por Kermit Roosevelt Jr., neto do presidente Theodore Roosevelt e um dos agentes mais experientes da CIA no Oriente Médio. Os agentes ianques e britânicos empregaram um amplo espectro de táticas de desestabilização: 1) propaganda intensa contra Mossadegh, retratando-o como simpatizante comunista; 2) suborno de políticos, oficiais militares, líderes religiosos e jornalistas; 3) contratação de militantes para organizar protestos e tumultos nas ruas de Teerã; 4) coordenação com oficiais militares leais ao xá Mohammad Reza Pahlavi.

O golpe triunfou em 19 de agosto de 1953. Tanques leais ao xá cercaram a residência de Mossadegh, que foi preso, julgado e colocado em prisão domiciliar, onde permaneceu até sua morte, em 1967.

Embora os documentos oficiais citassem o temor do comunismo como justificativa, historiadores e analistas apontam o petróleo como o verdadeiro motor da intervenção. Ervand Abrahamian, renomado historiador do Irã, afirma que “a principal preocupação não era tanto o comunismo, mas as perigosas repercussões que a nacionalização do petróleo poderia ter em todo o mundo”. O “mau exemplo” precisava ser erradicado…

Menos de um ano após o golpe, o xá, agora firmemente no poder, assinou um novo acordo petrolífero que dividia os lucros do petróleo iraniano entre um consórcio de empresas ocidentais. Empresas usamericanas, incluindo antecessoras da Exxon, Mobil, Texaco e Chevron, se apoderaram de 40% do petróleo iraniano, enquanto os britânicos (incluindo a Shell) ficaram com outros 40%.

Para estabilizar o novo governo do general Fazlollah Zahedi, a CIA disponibilizou secretamente 5 milhões de dólares nos primeiros dois dias de seu mandato. A agência também treinou e equipou a Savak, temida polícia secreta iraniana que se tornou símbolo da repressão do regime do xá.

O golpe de 1953 destruiu a incipiente democracia iraniana e instaurou 26 anos de governo autocrático do xá Reza Pahlavi. Seu regime foi marcado por repressão sistemática, tortura e execuções de dissidentes, crimes frequentemente cometidos com o apoio técnico e logístico dos EUA.

Em 1979, a Revolução Islâmica varreu o Irã, derrubou o xá e estabeleceu a República Islâmica. Em 4 de novembro daquele ano, a embaixada estadunidense em Teerã foi tomada por estudantes revolucionários, e 52 diplomatas americanos foram mantidos como reféns por 444 dias. Os revolucionários repetidamente citavam o golpe de 1953 como a origem da desconfiança em relação aos EUA.

Décadas se passaram, mas o trauma persiste. Em 2009, Obama reconheceu publicamente a participação dos EUA no golpe, ao afirmar que criara “anos de desconfiança” entre as duas nações. Porém, nenhum ocupante da Casa Branca jamais emitiu um pedido formal de desculpas.

Apenas um ano após o golpe no Irã, a CIA orquestrou na Guatemala a derrubada do presidente democraticamente eleito Jacobo Árbenz. Seu crime, segundo suas próprias palavras, foi ter implementado uma reforma agrária que ameaçou os interesses da United Fruit Company, poderosa corporação ianque com laços estreitos com a administração Eisenhower. O golpe mergulhou a Guatemala em décadas de guerra civil que deixaram 200 mil mortos e desaparecidos.

Em 1973, no Chile, o presidente socialista Salvador Allende, eleito democraticamente, foi derrubado pelo general Augusto Pinochet no golpe patrocinado pelos EUA. Allende havia prometido nacionalizar a indústria de cobre, dominada por corporações usamericanas como Anaconda e Kennecott. Nixon ordenou que a CIA impedisse a posse de Allende e em seguida determinou que se fizesse “a economia gritar”. O que agora se repete em Cuba.

Patrice Lumumba, primeiro-ministro democraticamente eleito do Congo independente, em 1960, foi assassinado com o envolvimento da CIA. O governo usamericano temia que Lumumba desse à União Soviética acesso às vastas riquezas minerais do país, incluindo urânio, crucial para a indústria nuclear.

Entre 1945 e 1989, os EUA promoveram 64 operações subversivas para mudar governos em outros países, inclusive no Brasil (1964), a maioria liderada pela CIA, com o objetivo de assegurar seus interesses.

O historiador Stephen Kinzer observa que o sucesso da Operação Ajax, no Irã, teve um efeito profundo na política externa usamericana. O que frequentemente se segue a essas intervenções, no entanto, é um padrão de instabilidade, sofrimento humano e ressentimento duradouro contra os EUA. No Irã, o golpe de 1953 não apenas destruiu a democracia, mas também criou as condições que levaram à Revolução de 1979, a décadas de hostilidade mútua e, agora, à guerra movida por EUA e Israel contra o Irã.

Como declarou o próprio Mossadegh em seu julgamento: “Sim, meu pecado… foi ter nacionalizado a indústria petrolífera do Irã e descartado o sistema de exploração política e econômica do maior império do mundo”. Suas palavras ecoam através da história como um lembrete do alto preço pago quando os recursos de uma nação se tornam objeto de cobiça estrangeira.

Agora, a ação terrorista da Casa Branca se repete na Venezuela: sequestra-se um presidente e sua esposa e declara-se descaradamente que o objetivo não é restabelecer a democracia no país, mas se apropriar das maiores reservas de petróleo do mundo. E o que é trágico é que os países ricos, incluindo a Rússia e a China, se omitem em clamoroso silêncio.

Cuba não tem nenhuma riqueza natural que, aos olhos do império, justifique uma agressão. No entanto, possui o simbolismo moral de ser a única nação do hemisfério ocidental independente e soberana. E comete o grave “pecado” de querer uma sociedade sem opressores e oprimidos, o que soa inaceitável para quem acumula riquezas sobre o sofrimento alheio.

¨      Irã aprova plano para impor pedágios no Estreito de Ormuz

A aprovação, pelo Irã, de um plano para impor pedágios aos navios que utilizam o estratégico Estreito de Ormuz representa um desenvolvimento geopolítico de grave repercussão e que demanda atenção imediata da comunidade internacional. Este estreito, vital para o comércio global e por onde transita cerca de um quinto do consumo mundial de petróleo, é um gargalo de extrema sensibilidade econômica e militar, e qualquer alteração em seu status quo tem o potencial de desestabilizar os mercados e as relações diplomáticas em escala planetária.

É imperativo que a opinião pública brasileira e os decisores políticos compreendam a dimensão deste ato. A imposição unilateral de taxas em uma via marítima de importância internacional incontestável pode ser interpretada como uma violação de princípios do direito marítimo e da liberdade de navegação. As consequências econômicas seriam diretas: aumento dos custos de transporte, elevação dos preços do petróleo e, consequentemente, pressão inflacionária global, impactando severamente países importadores de energia e bens, como o Brasil. Em um momento de reconstrução econômica sob uma ótica progressista, a estabilidade dos mercados e a previsibilidade das cadeias de suprimentos são cruciais para o avanço social e o desenvolvimento sustentável.

A sociedade não pode ignorar que a política externa do atual governo Lula tem se pautado pela reconstrução de pontes e pelo reforço do multilateralismo, buscando um Brasil protagonista na promoção da paz e da cooperação. Essa abordagem contrasta frontalmente com o isolamento e os alinhamentos ideológicos irrefletidos que marcaram a gestão anterior, que fragilizaram a capacidade diplomática do país. Diante de movimentos como o do Irã, a postura do Brasil deve ser de defesa intransigente do direito internacional, do diálogo construtivo e da busca por soluções negociadas que evitem a escalada de tensões, protegendo os interesses globais e, por extensão, os nossos próprios.

Um cenário de instabilidade no Estreito de Ormuz seria catastrófico para o comércio internacional e a segurança energética, ameaçando os esforços de qualquer governo em garantir a prosperidade de sua nação. A reconstrução do Brasil pós-período de desmonte bolsonarista exige um ambiente internacional de paz e cooperação, onde as disputas sejam resolvidas através da diplomacia e não de medidas unilaterais que podem incendiar regiões inteiras. A vigilância e a defesa de uma ordem global baseada em regras claras e no respeito mútuo são pilares para a consolidação de um futuro mais justo e próspero para todos, e o governo progressista brasileiro está à altura de tal desafio, ao contrário da irresponsabilidade que caracterizou a política externa que o antecedeu.

 

Fonte: DW Brasil/Diálogos do Sul Global/O Cafezinho

 

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