quinta-feira, 2 de abril de 2026

Diabetes e visão: quando fazer o exame de fundo de olho e por que ele pode detectar retinopatia diabética cedo

A retinopatia diabética pode evoluir sem sinais perceptíveis, enquanto alterações já acontecem nos vasos da retina. Nesse contexto, o exame de fundo de olho se torna uma ferramenta central para identificar mudanças precoces e orientar o tratamento.

Muitas pessoas com diabetes só procuram o oftalmologista quando percebem visão embaçada ou manchas. No entanto, esses sinais podem surgir em fases mais avançadas. Portanto, o acompanhamento regular permite detectar alterações antes do impacto visual.

Segundo a Dra. Letícia Rubman, as alterações provocadas pelo diabetes são microvasculares e atingem diretamente os vasos sanguíneos da retina. Além disso, o exame permite observar sinais que podem indicar comprometimento em outros órgãos, como rins.

<><> O que é a retinopatia diabética e como ela se desenvolve

A retinopatia diabética ocorre quando há alteração nos vasos sanguíneos da retina, causada pela exposição prolongada à glicose elevada. Nesse processo, surgem microaneurismas, que são pequenas dilatações nos vasos.

Essas alterações são microscópicas e não causam sintomas iniciais. Por outro lado, com o tempo, podem evoluir para quadros mais complexos, com formação de novos vasos e risco de sangramento.

Além disso, o corpo tenta compensar áreas com menor circulação criando novos vasos, o que nem sempre funciona de forma adequada. Esse processo pode levar à progressão da doença, incluindo a retinopatia proliferativa.

<><> Quando fazer o exame de fundo de olho no diabetes

O exame de fundo de olho faz parte da rotina oftalmológica, mesmo para quem não tem diabetes. No entanto, para pessoas com a condição, o acompanhamento segue orientações específicas.

No diabetes tipo 1, a recomendação é iniciar a avaliação cerca de cinco anos após o diagnóstico ou na puberdade. Já no diabetes tipo 2, o exame deve ser feito no momento do diagnóstico.

Isso ocorre porque muitos pacientes com tipo 2 já apresentam alterações na retina quando descobrem a doença. De acordo com a especialista, cerca de 38% desses pacientes já têm algum grau de retinopatia nesse momento.

Depois da primeira avaliação, a frequência varia conforme o resultado. Pacientes sem retinopatia costumam repetir o exame anualmente. Por outro lado, quem apresenta alterações pode precisar de acompanhamento trimestral ou semestral.

<><> Sintomas visuais nem sempre indicam retinopatia

Nem toda alteração na visão significa retinopatia diabética. Em muitos casos, a visão embaçada pode estar relacionada à glicose elevada.

Quando a glicose ultrapassa 200 mg/dL, pode ocorrer alteração temporária na visão. No entanto, esse efeito tende a melhorar após a correção da glicemia.

Além disso, episódios de hipoglicemia também podem causar sintomas visuais. Portanto, ao perceber mudanças na visão, é importante verificar a glicose antes de concluir a causa.

<><> Tratamento depende do estágio da retinopatia

O tratamento da retinopatia diabética varia conforme a fase da doença. Em estágios iniciais, o principal foco é o controle clínico do diabetes.

Nesse cenário, ajustar alimentação, medicação e rotina pode estabilizar as alterações. Por outro lado, quando a doença evolui, podem ser indicados procedimentos como a fotocoagulação a laser.

Segundo a Dra. Letícia Rubman, o laser atua como uma forma de proteção e reduz o risco de progressão. Além disso, em casos específicos, pode ser necessário o uso de medicamentos intraoculares, especialmente no edema macular.

O edema macular ocorre quando há acúmulo de líquido na região central da retina, causando perda de foco visual. Diferente das fases iniciais, esse quadro costuma gerar sintomas mais evidentes.

<><> O acompanhamento evita evolução silenciosa

A retinopatia diabética não se desenvolve de forma rápida. Em geral, o processo ocorre ao longo de anos, muitas vezes sem sintomas.

Por isso, o exame de fundo de olho permite identificar alterações antes que haja impacto na visão. Além disso, o acompanhamento contínuo ajuda a ajustar o tratamento conforme a evolução do quadro.

Segundo a Dra. Letícia Rubman, não é possível afirmar que toda pessoa com diabetes terá perda de visão. No entanto, a ausência de acompanhamento aumenta o risco de complicações evitáveis.

<><> Gestação e diabetes exigem atenção redobrada

Durante a gestação, mulheres com diabetes prévio precisam de acompanhamento oftalmológico mais frequente. Nesses casos, a avaliação costuma ocorrer a cada três meses.

Se já houver retinopatia antes da gravidez, o acompanhamento pode ser mensal. Isso ocorre porque há risco de progressão durante o período gestacional.

Por outro lado, mulheres com diabetes gestacional, sem histórico prévio, não precisam de acompanhamento oftalmológico específico durante a gravidez.

<><> Acesso ao tratamento e desafios na rede pública

O tratamento da retinopatia diabética está incluído em protocolos do Sistema Único de Saúde (SUS). Isso inclui acesso a medicamentos de alto custo para casos como edema macular.

No entanto, ainda existem desafios relacionados à disponibilidade de centros especializados e ao tempo de espera para atendimento.

Além disso, como o acompanhamento é contínuo, a demanda por serviços oftalmológicos especializados tende a crescer.

 

Fonte: Um Diabético

 

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