João
Filho: Bet de amigo de Ciro Nogueira usa perfis de fofoca para promover extrema
direita
Entre
uma fofoquinha e outra, uma rede de influenciadores e páginas de fofoca publica
ataques contra o governo Lula e exalta figuras bolsonaristas. O esquema é
descarado e algumas dessas postagens são patrocinadas por uma bet cujo dono,
vejam só, é amigão do senador Ciro Nogueira.
Coincidência
ou não, esse mesmo ecossistema de comunicação já serviu aos interesses de outro
“grande amigo da vida” do senador, o Daniel Vorcaro do Banco Master. É incrível
como quase todos os caminhos dos escândalos de Brasília parecem levar a Ciro
Nogueira. É Carbono Oculto, é Banco Master, é Refit, é fraude do INSS… O nome
do ex-chefe Casa Civil do governo golpista de Jair Bolsonaro aparece em tudo o
que é rolo.
Está
claro que essa rede articulada irá trabalhar com afinco para atacar os
adversários do Bolsonaro neste ano eleitoral. Aliás, já está trabalhando. E não
estamos falando de pouca coisa. É uma rede com alcance estrondoso, que atinge
milhões de pessoas todos os dias. O ICL Notícia fez um levantamento das
principais páginas e influenciadores que trabalham com a agenda bolsonarista
debaixo do braço.
A
Alfinetei, por exemplo, conta com mais de 25 milhões de seguidores no Instagram
e tem mais seguidores que os filhos do Bolsonaro somados. É a 46ª conta
brasileira mais seguida no Instagram. Não existe um perfil jornalístico no
Brasil que chegue perto disso. Trata-se de um canhão eleitoral que vai deitar e
rolar na campanha deste ano e que será fiscalizado por um TSE terrivelmente
bolsonarista. A partir de junho, Kassio Nunes será o presidente e André
Mendonça ficará com a vice-presidência da corte. Quem não está pessimista é
porque ainda não percebeu o que está por vir.
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Mais um amigão do Ciro Nogueira
No meio
da fotos da Virgínia, do Zé Felipe e do Neymar, aparece uma do presidente da
República debaixo da manchete: “Influenciador detona governo Lula: ‘Governo
miserável, maldito e sem vergonha’”. No canto da foto aparece o logotipo da
7games.bet, que é uma empresa de propriedade de Fernando Oliveira de Lima,
conhecido por Fernandin OIG, o amigão do Ciro Nogueira.
Fernandin
é responsável por alastrar pelo país a maldição do Jogo do Tigrinho, o cassino
online que criou uma legião de viciados em jogos de azar e transformou a vida
de muitas famílias brasileiras num inferno. A amizade entre os dois é tão
profunda, que o empresário levou o cacique do Centrão para desfrutar o carnaval
em Mônaco no seu jatinho de 70 milhões de dólares. O homem do Jogo do Tigrinho
também mantém uma relação de negócios com o senador. Ele comprou três
apartamentos em Teresina, Piauí, em um prédio construído pela Ciro Nogueira
Agropecuária e Imóveis.
Não
tenho dúvidas de que o senador deve ser um grande amigo. Pelo amigo banqueiro,
ele lutou arduamente para aprovar a chamada Emenda Master, que salvaria a vida
de Vorcaro. Pelo amigo dono de casa de apostas, ele se dedicou de corpo e alma
na CPI das Bets, da qual foi um dos integrantes mais atuantes. Ciro Nogueira
defendeu Fernandin nos debates e tumultuou as sessões ao protagonizar debates
acalorados com a relatora Soraya Thronicke, que pediu formalmente sua exclusão
da CPI pelo conflito de interesses explícito. No final, tivemos uma vitória das
bets e de Ciro Nogueira, que usou sua influência para esvaziar a CPI, que
terminou de forma melancólica.
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Perfis de fofoca promovendo figuras da extrema direita
Essa é
a engrenagem que está por trás da atuação política das páginas de fofoca. A
Alfinetei, que na descrição do perfil não tem vergonha de aparecer como
“Embaixadora da 7games.bet”, já foi usada para promover o governo de Tarcísio
de Freitas e outros políticos bolsonaristas. Nesta semana, foi a vez de Nikolas
Ferreira aparecer com sua fotinho carimbada com o logo da 7games.bet em uma
postagem altamente simpática. O chaveirinho da extrema direita teve um tweet
crítico ao STF destacado pela página de fofoca, que não teve o menor pudor em
escrever um textão pretensamente jornalístico endossando a fala do deputado.
Nikolas deu ataque de pelancas com a decisão do tribunal de impedir a
prorrogação da CPMI do INSS — uma decisão correta e amparada pela Constituição.
Mais que isso, a Alfinetei fez questão de ressaltar que os ministros
queridinhos do bolsonarismo não são o alvo da crítica do deputado: “Mendonça e
Fux foram os únicos a defender a ampliação do prazo por mais 60 dias. Para
Nikolas Ferreira, a decisão compromete a transparência e dificulta a
responsabilização de quem teria desviado bilhões da seguridade social.”
A
promoção da imagem de Nikolas Ferreira é recorrente nas publicações da
Alfinetei. Em uma postagem mais antiga, o deputado aparece sorridente abraçado
com as filhas sob a manchete: “EM FAMÍLIA! Deputado Nikolas Ferreira reencontra
as filhas após dias fora de casa.” A bajulação é descarada. Será que o Nikolas
viajou também no avião do dono da 7games.bet pra fazer campanha para o
Bolsonaro? Ou foi só no avião do Vorcaro mesmo?
Tarcísio
de Freitas é outro cujo saco tem sido puxado pela Alfinetei. Quando a extrema
direita deu aquele chilique ridículo com o comercial das Havaianas, Tarcísio
apareceu no feed da conta fofoqueira dando aquela lacrada na esquerda e, de
quebra, ganhou uma propaganda “grátis” de uma obra do seu governo: “Governador
Tarcísio alfineta Havaianas na inauguração de um trecho do Rodoanel: ‘Aqui em
São Paulo vamos começar o ano com pé direito”. Cabe lembrar que Ciro Nogueira
era o principal articulador da candidatura de Tarcísio, que à época desta
postagem estava vivíssima. Será que o amigão de Ciro deu uma forcinha pra
candidatura presidencial que ele tentou encampar?
A
Alfinetei é a ponta mais visível desse ecossistema de comunicação patrocinado
por essa bet ligada ao bolsonarismo. Há um grande número de influenciadores e
outras páginas de fofocas menores que estão sendo financeiramente irrigados
pela 7games.bet. A estratégia de aliar entretenimento com propaganda política
disfarçada é bastante eficaz e tem tudo pra fazer estrago nas próximas eleições
em favor do grupo político que tentou dar um golpe de estado no país. Para
piorar, teremos um TSE presidido pelos mesmos ministros que a Alfinetei fez
questão de poupar. Apertem os cintos porque 2026 vai ser loucura.
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Bolsonarismo: Herança do Cabo Anselmo. Por João Vicente Goulart
esta
quarta-feira é 1º de abril. Há sessenta e dois anos, a Pátria era traída pela
prepotência das armas, pelo som dos coturnos em marcha, pelo fio das baionetas,
pelo rugir dos tanques de guerra atropelando estudantes, militares prendendo
sindicalistas, democratas. E, assim, a democracia era enterrada.
Traída
a Constituição, instalado o golpe de Estado, a “revolução redentora” se fazia
legitimada na madrugada do dia 2 de abril, na vergonha do Congresso Nacional,
convocado ilegalmente às pressas pelo senador Áureo Moura Andrade, declarando
vaga a presidência do país, com o presidente João Belchior Marques Goulart
dentro do território nacional.
Traição
da ordem constitucional, aos princípios democráticos, ao povo brasileiro.
Traição em toda ordem constituída, traição à Pátria.
Cabo
Anselmo, um ativista suboficial da marinha, atuava promovendo grande agitação
nos meios militares. Mostrava-se como um tenaz defensor dos direitos dos
marinheiros, promovendo greves, exigindo o direito dos cabos e soldados serem
votados, parecendo um profundo defensor de mudanças nas estruturas militares
naquela época. Parecia uma liderança verdadeira.
Contudo,
ao longo dos acontecimentos, durante a resistência da luta contra a ditadura, a
história mostrou sua dupla face: de defensor do progressismo estrutural do
país, ao pior papel de traidor, como agente de grupos americanos, infiltrado
nas hostes nacionalistas que lutavam para construir um Brasil mais igualitário,
mais nosso, soberano, justo e digno.
Tendo
ele projetado a imagem de luta, no pós-golpe, quando nossos heróis da
resistência à ditadura se organizavam na luta armada, este verme traidor fez
parte dos movimentos para entregar seus pares à vontade imperialista dos
americanos, que o tinham colocado como agente dos órgãos de segurança dos EUA.
O objetivo era derrubar o governo democrático de João Goulart, acabando com ele
e as “Reformas de Base”.
Cabo
Anselmo entrou nas fileiras da VPR e, covardemente, entregou seus pares de luta
à repressão da ditadura. Cinco de seus companheiros foram assassinados no
“Massacre da Chácara São Bento”, onde sua própria companheira, Soledad Barret,
foi morta estando grávida. Foi esquartejada e colocada dentro de um tonel.
Traição
da mais alta ignomínia.
Traição
não é só a uma pessoa ou a um grupo; a mais repugnante traição é a traição à
Pátria, que fere nossa integridade como nação, fere a soberania e o direito de
sermos livres e não tutelados, fere nosso desenvolvimento, freando
investimentos em saúde e educação, fere nossa cultura, privilegiando filmes de
mocinhos americanos, entregando nossas riquezas, matas, mares, entregando
nossos destinos.
O
bolsonarismo chegou ao seu limite de traição à Pátria. E é aqui que o
comparamos ao nível de traição das ações do Cabo Anselmo e suas consequências
ao Brasil. A “famiglicia” herdou esse gene e, agora, em 2026, quer impor,
ajoelhando a nação diante dos Estados Unidos da América.
Os
discursos de Flávio Bolsonaro e de Eduardo “bananinha” Bolsonaro, este último
promulgado na reunião de extrema direita, na Conferência de Ação Política
Conservadora, a CPAC, no Texas, nos Estados Unidos, não só foram vergonhosos
prometendo vender o Brasil, mas também nojentos. Cabe perguntarmos se é isso,
realmente, que os seguidores dessa “seita” política querem para o país.
“O
Brasil será ‘solução dos EUA’ contra a China na disputa por minerais críticos”.
(Flávio Bolsonaro vendendo o Brasil).
Traição
é traição, mais ainda quando é feita a toda uma Nação.
Nesta
quarta, 1º de abril, sessenta e dois anos do golpe de 1964, temos que recordar
os vinte e um anos de ditadura, recordar os traidores, os torturadores, lembrar
que a Pátria só é grande quando temos consciência de que eles ainda estão aqui,
os Anselmos, os Fleurys, os Bolsonaros.
PARA
QUE NÃO SE REPITA, PARA QUE NUNCA MAIS ACONTEÇA.
Fonte:
The Intercept/Fórum

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