O
neoliberalismo nos levou ao neofascismo de Trump
Com a
guerra de Donald Trump no Irã se intensificando, os tempos podem parecer
excepcionalmente sombrios. Mas a crise não é novidade. E a resistência,
incluindo a espiritualidade, sempre nos abriu caminho para a luz.
No episódio do The
Jacobin Show com David Griscom transcrito abaixo, Cornel West reflete
sobre o nosso momento político, marcado por uma profunda crise e por reservas
igualmente profundas de coragem. Partindo da solidariedade global em meio ao
ataque de Donald Trump até os recursos espirituais do socialismo cristão que
sustentam a luta, West insiste que a resistência não é meramente reativa, mas
sim enraizada no amor, na memória e numa longa tradição de esperança radical.
LEIA A
ENTREVISTA:
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Há duas semanas, tivemos Robin Wonsley, vereadora
socialista de Minneapolis, em nosso programa. E eu tive uma sensação parecida
conversando com ela, porque, por um lado, o que estamos vendo neste país é tão
doloroso e devastador, mas, ao mesmo tempo, vemos a coragem, a criatividade e a
paixão de pessoas comuns se manifestando. Tenho curiosidade em ouvir suas
experiências. Temos presenciado todos esses horrores neste país, mas, por outro
lado, há também essa disposição das pessoas comuns em realmente se
posicionarem.
CORNEL
WEST - Primeiro, no momento atual, com a crescente sensibilidade e as políticas
neofascistas — não apenas o governo bandido de Trump, mas também as grandes
empresas de tecnologia, Wall Street, o Vale do Silício e as grandes forças
armadas por trás dele — [Trump] está tentando, de alguma forma, seduzir um
número suficiente de pessoas para se manter no poder. Mas eu sempre vejo isso
numa perspectiva mais ampla, irmão.
Acho
que grande parte da história da humanidade, a história da ganância organizada,
do ódio instrumentalizado e da crueldade institucionalizada — a banalização da
diferença em detrimento do sofrimento das pessoas comuns — e aqueles momentos
maravilhosos de ruptura, que não são apenas momentos de resistência, mas
momentos de memória, de resistência que nos fazem reverenciar algo maior do que
nossos egos e nossa tribo. Eles nos conectam às questões mais amplas da
humanidade como espécie e até mesmo além. E nesse sentido, eu digo a mim mesmo:
“Bem, sabe, o trumpismo e o neofascismo, dados os legados da supremacia branca,
do capitalismo predatório, do patriarcado, da homofobia e da transfobia, não
são nada novos.”
É
exatamente o que você disse: como podemos reunir integridade, coragem e
decência, tanto individualmente, quanto conectando as pessoas a momentos de
solidariedade que transcendem regiões, cores e fronteiras nacionais? E essa
sempre foi uma batalha árdua, meu irmão, desde que nós, seres humanos,
existimos.
Então,
a boa notícia é que sempre há uma legião de testemunhas em cada geração
dispostas a se levantar com coragem e integridade e contar a verdade sobre o
sofrimento dos pobres e da classe trabalhadora e, o mais importante, sem
qualquer apelo comercial. Não se trata apenas de estratégia de mercado. Elas
têm uma causa e estão dispostas a viver por ela. Estão dispostas a morrer por
ela. E eu sei que você tem figuras no seu livro que exemplificam no Texas o que
estou falando.
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Basta ver repetidamente, ao longo da história da
humanidade e da história estadunidense, a disposição das pessoas em enfrentar
sistemas que pareciam invencíveis. Quando falamos de segregação racial no Sul
dos Estados Unidos, por exemplo, parecia que tudo aquilo era invencível. Você
fala sobre o poder das ferrovias e dos monopólios — eles pareciam imbatíveis.
Mas eram apenas pessoas comuns se organizando para desafiar esses sistemas. É
difícil se organizar hoje em dia, mas naquela época também era muito difícil, e
deveríamos nos inspirar nisso.
CW - E
você pode imaginar Harriet Tubman e Frederick Douglass tentando organizar, de
maneira digna, africanos escravizados pelo sistema escravista estadunidense, e
mesmo assim eles persistiram. Eles perseveraram, mas tinham um certo tipo de
caráter, meu irmão. Eles decidiram: “Este é o tipo de ser humano que eu quero
ser, o tipo de movimento do qual eu quero fazer parte, e mesmo que eu tenha que
seguir enxugando gelo, ainda assim darei tudo de mim.”
·
Vamos falar um pouco sobre o momento atual. Este é o
segundo mandato de Trump e o primeiro já foi horrível. Gostaria de saber se
você acha que as lições necessárias estão sendo aprendidas agora. Porque,
obviamente, há uma enorme resistência a Trump, mas me preocupa que haja tanto
foco nele que as pessoas estejam se esquecendo do sistema que o levou ao poder.
CW
- Acho que a última coisa que queremos
fazer é fetichizar qualquer indivíduo. Fetichizar Trump e atribuir-lhe poderes
mágicos, como se, na sua ausência, as mesmas forças sociais, históricas e
culturais não estivessem em ação, é extremamente problemático. Trump desempenha
um papel, sem dúvida. Está ligado ao movimento MAGA e tudo mais. Mas não
haveria Donald Trump na Casa Branca sem esses grandes monopólios e oligopólios.
E, ao
mesmo tempo, a enorme cumplicidade de setores da classe profissional-gerencial
— advogados, reitores de universidades, professores, médicos, farmacêuticos e
igrejas. Não existe Trump sem o nacionalismo cristão de direita e a supremacia
branca. Ele não existe sem eles. Oitenta por cento dos votos que ele recebeu
vieram de meus colegas cristãos evangélicos, entende?
Por
outro lado, quero sempre partir do princípio de que a primeira coisa a que
devemos recorrer não é Trump, o trumpismo, o neofascismo. Veja bem, eu nunca
começo olhando para os meus adversários como ponto de referência. Começo pelas
pessoas. Amo aquilo pelo que estou disposto a falar, por quem estou disposto a
viver e morrer. Então, analiso a situação através das lentes da tradição, no
meu caso, da luta pela libertação negra. Isso em solidariedade com outras
lutas, e analiso Trump através dessas lentes para que ele não seja o meu
principal ponto de referência.
Dessa
forma, ele não é um tipo de hospedeiro e eu apenas um parasita, reagindo todos
os dias um zilhão de vezes ao que ele diz e faz. Nunca há energia suficiente
para isso. É preciso recorrer à tradição de memória, reverência e resistência
séria, e então começamos a perceber, eis que, estamos em movimento.
Agora,
se você olhar de uma perspectiva mais ampla, como espectador, e pensar: “Meu
Deus, estamos enfrentando um Golias, ele não nos dará a menor chance”, isso
acontece porque você se distancia muito do movimento em si. É por isso que o
ativismo de base caminha lado a lado com a análise social mais sofisticada e
com questões de moralidade e espiritualidade. Por moralidade, quero dizer
pessoas que não se vendem nem cedem. Pessoas que são moralmente coerentes e não
se deixam cegar por ideologias estreitas, a ponto de conseguirem conectar o
genocídio em Gaza, o sequestro do presidente da Venezuela, as iniciativas de
repressão ao Irã e em Taiwan, e a solidariedade com os povos da Índia contra um
nacionalismo hindu autoritário.
Esse
tipo de conexão e vínculo se torna crucial. Uma das principais razões pelas
quais me candidatei à presidência foi a defesa do fim da pobreza, o fim do ICE
[Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA], o desmantelamento do Império
Estadunidense e o fim relativo de 800 bases militares ao redor do mundo — tudo
isso para quebrar monopólios e oligopólios, e assim por diante. E as pessoas
dizem: “Ah, você não tem a menor chance”. O que elas não dizem é que isso é dar
testemunho, para que as pessoas possam ver — em ação, em palavras, em pessoas
se organizando — o que significa se manifestar e continuar vivo.
A
tradição de muitos desses radicais no Texas na década de 1880 de que você fala,
após a grande migração dos proprietários de escravos que trouxeram seus
escravos para o Texas, certo? Conforme a Guerra Civil ia se tornando cada vez
mais perdida, os confederados se mudaram para o Texas. Isso é verdade. O Texas
já havia abolido a escravidão em 1829, quando estava sob domínio mexicano. Mas
o Texas, você sabe — nós temos uma história mais longa. Consegue imaginar o
sentimento de relativa desesperança deles? Bem, eles continuaram lutando.
Continuaram rindo. Continuaram amando. Continuaram se organizando. Continuaram
se mobilizando. Esse é o espírito. É esse espírito que precisamos manter vivo
de diversas maneiras.
·
Esse é um ponto importantíssimo. E acho que uma coisa que
acontece com muita frequência na esquerda é que nos tornamos muito pessimistas.
Eu queria conversar com você, de forma mais técnica, sobre algumas das coisas
que estamos enfrentando e observando, porque, por um lado, vemos uma
revitalização da esquerda e do movimento trabalhista. Por outro lado, o que
vimos com a vitória de Trump em 2024 foi algo muito preocupante, considerando a
quantidade de pessoas dispostas a abandonar a coalizão do Partido Democrata —
pessoas negras, pessoas da classe trabalhadora — e começar a votar em Trump e
nos republicanos. Estamos vendo alguns movimentos empolgantes, mas, ao mesmo
tempo, quando se trata da classe trabalhadora mais ampla deste país, temos
muito trabalho a fazer na esquerda para conquistar sua confiança.
CW
- Você tem toda a razão. E, claro, é
muito importante ter em mente que não existe neofascismo estadunidense sem o
fracasso social do modelo neoliberal estadunidense — esse foi
o terreno fértil em que eles investiram. Inicialmente, quando o Goldman Sachs
apoiou [Barack] Obama, uma parcela da classe trabalhadora até votou no meu
querido irmão Bernie Sanders. Eles tentaram se manter firmes com [Joe] Biden.
Mas depois disseram: não, isso não está funcionando. Nós, da esquerda, não
conseguimos apresentar uma visão alternativa de programa. Então disseram:
“Vamos tentar outra coisa”. E assim optaram por esse projeto neofascista, e é
claro que agora os fracassos colossais desse projeto estão
cada vez mais evidentes.
Mas, é
claro, isso desencadeou uma concessão irrestrita para a ganância, o ódio e o
desprezo, e transformou a empatia em inimiga. Transformou a crueldade em
política. Precisamos ver até onde isso vai chegar.
·
Eu também queria falar sobre algumas das maneiras pelas
quais nossa política, particularmente algumas das coisas que vemos vindas do
Partido Democrata neoliberal, coloca as pessoas umas contra as outras. Uma das
coisas mais cínicas que vimos em 2024 foi a tentativa de colocar os direitos
dos negros neste país contra os direitos dos palestinos. E vemos isso também,
em certa medida, quando se trata de direitos humanos no Irã e direitos humanos
na Palestina, onde as pessoas criam essas falsas dicotomias. Como podemos
contestar e resistir a essas tentativas de colocar as pessoas umas contra as
outras?
CW - Primeiro,
acho que as questões de coerência e de certa cegueira são questões de
ideologia, entende? Um dos argumentos para minimizar o sofrimento de nossos
preciosos irmãos e irmãs no Irã e dos iranianos em geral é que o país faz parte
do eixo da resistência. Portanto, as necessidades, as lutas e as dores dos
iranianos devem ser subordinadas às necessidades e demandas ideológicas
daqueles que criticam o Império Estadunidense. E você pensa: “Bem, já ouvimos
esse argumento com a União Soviética”. Eu estive na África do Sul na década de
1980 com [Nelson] Mandela e companhia. A União Soviética apoiou o movimento de
libertação africano. Foi muito importante.
Isso
significa que você não diz uma palavra sequer quando eles esmagam vozes
dissidentes em seu próprio território? Essas são realidades, e você diz aos
seus camaradas soviéticos que somos críticos de todas as formas de opressão e
repressão onde quer que as vejamos, mas aceitamos o apoio deles. Portanto, eu
considero significativo o apoio iraniano à resistência palestina. Não o
minimizo de forma alguma. Mas isso não significa que estou comprometido e
preciso ficar em silêncio. Que eu não posso dizer uma palavra sequer quando
vejo iranianos sendo mortos aos milhares, e então meus camaradas de esquerda me
dizem: “Bem, quando você se envolve nesse tipo de preocupação moral, está
abraçando o discurso da CIA, irmão West.” Eu digo: pare com essa loucura!
Vindo
de um movimento negro que luta por liberdade, temos nos solidarizado com
pessoas de todos os tipos. Portanto, precisamos ter esses tipos de
discordâncias abertas. Conversas, debates críticos, e alguns de nós nos
solidarizaremos com pessoas que enfrentam repressão, seja em Teerã, Guatemala,
Etiópia, Chicago ou Irlanda. Elas precisam deixar de lado suas preocupações
ideológicas limitadas que acabam justificando a repressão em massa,
justificando políticas verdadeiramente fascistas.
Eu
diria que essa pessoa deveria se envergonhar. Eu diria que o silêncio diante do
sofrimento humano em massa, o silêncio diante da repressão brutal, é uma
traição ao povo que está sofrendo. E isso transcende qualquer ideologia. Para
mim, acredito que todo país e seu povo têm o direito à resistência e à
revolução. Então, se você faz parte do eixo da resistência, isso significa que
o povo desses países não tem o direito à resistência e à revolução? Têm, sim.
Permanecerei
inequívoco em minha solidariedade aos irmãos e irmãs palestinos frente ao
genocídio e limpeza étnica brutais que sofrem. Diria o mesmo sobre o que está
acontecendo na África. Diria o mesmo sobre as intervenções dos EUA no Haiti e,
certamente, sobre as intervenções na Venezuela e assim por diante. Mas
repressão é repressão. E podemos criticar também as várias formas de repressão
na Venezuela. Essa é uma questão moral, mas que não justifica o imperialismo
estadunidense chegar e, de alguma forma, subjugar o país para obter petróleo. A
decisão, é claro, cabe ao povo da Venezuela. E as pessoas que pensam que a CIA
e o Mossad são fundamentalmente responsáveis pelas manifestações no Irã?
Ah, parem com essa ideia completamente equivocada — como se aquilo não fosse um
movimento orgânico de tremenda resistência contra uma repressão brutal.
·
E isso acaba se transformando em posições completamente
paranoicas, para ser bem honesto.
CW - Pois
é. Isso é verdade. Acho que você também tem razão quanto a isso.
·
Queria mudar de assunto e falar com você sobre socialismo
cristão porque acho que esse é um aspecto do seu trabalho que interessa e
inspira muitas pessoas. Aqui no Texas, o candidato democrata ao Senado, James
Talarico, está, com razão, denunciando o nacionalismo cristão e o cristianismo
de direita. Acho que ele vem de uma tradição política bastante diferente, mas
acredito que a esquerda poderia se empenhar mais nesse sentido. Gostaria de
saber sua opinião sobre como uma forma de socialismo cristão pode ser usada
para recuperar a religiosidade cristã das mãos da direita.
CW - Em
1984, tive a bênção de ser convidado para organizar uma edição especial sobre
marxismo, religião e lutas de libertação para a revista Monthly
Review. Isso foi feito em parceria com meus queridos irmãos Paul Sweezy e
Harry Magdoff. Um dos temas que discutimos foi a questão internacional. Naquela
época, tínhamos a América Latina e a Polônia como foco. Mas, veja bem, nos
Estados Unidos, a grande maioria dos cidadãos é religiosa e um número
significativo é cristão. Portanto, em qualquer conversa sobre organização e
mobilização da população em geral nos Estados Unidos, se você não aborda a
religião, acaba isolado em sua pequena bolha secular.
A
grande maioria das pessoas não frequenta a universidade. A grande maioria das
pessoas tem uma sensibilidade religiosa. Cada vez mais, elas desconfiam da
religião institucional, mas a espiritualidade ainda é muito, muito forte. E nem
chegamos a falar da música ainda. Até o Super Bowl e o futebol americano no
Texas e em outros lugares são uma espécie de religião também. Entende o que
quero dizer? Então, sejamos honestos sobre essas estruturas, sobre o sentimento
que motiva as pessoas.
E
alguém como eu, que vem de um grupo com figuras como Martin Luther King Jr.,
Malcolm X, Fannie Lou Hamer e Harriet Tubman — todos profundamente religiosos
—, não se pode separar o espírito revolucionário de Malcolm do fato de ele ser
muçulmano. E certamente o mesmo se aplica a Fannie Lou Hamer, Howard Thurman,
Martin Luther King Jr. e James Lawson. A lista é interminável. Parte disso
também se deve à sensibilidade e à abertura para que as pessoas pensem por si
mesmas no dia a dia. Não é preciso dar a elas livros de Voltaire ou Bertrand
Russell, fazê-las ler algo e, de repente, concordarem com a sua visão secular.
Agora,
eles pensam por si mesmos, mas dentro dessas tradições religiosas, embora a
maior parte da religião institucional tenha se acomodado ao império, ao
capitalismo predatório, à supremacia branca e ao patriarcado, à homofobia e à
transfobia, existem fortes elementos proféticos e figuras proféticas
importantes na história dessas religiões que desempenham um papel crucial,
permitindo que essas religiões sejam fontes de políticas progressistas, de
esquerda, socialistas e anarquistas fortes.
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E isso é uma espécie de sistema vivo de experiência e
compreensão humana. Não vou entrar em debates teológicos com ninguém, mas acho
que entregar isso à direita neste país é um erro total, porque existe uma
tradição muito forte que podemos resgatar.
CW - Absolutamente.
No fim das contas, tudo se resume à dimensão do seu amor pelas pessoas, às
formas de serviço que você deseja prestar a elas e ao tipo de sacrifício que
está disposto a fazer por elas. Então, um cristão socialista? A essência do
cristianismo reside na profundidade e no alcance do seu amor pelos mais
necessitados, e isso é biblicamente comprovado e validado. Mas a longa história
do cristianismo e sua associação com o império é real, remontando a
Constantino.
Mas
lembre-se, dos primeiros trinta e cinco papas, trinta e um foram executados.
Ser cristão na primeira geração significava ser “ateu”, porque você se recusava
a adorar os deuses do Império Romano. Você adorava o seu Deus cristão e isso o
tornava em uma espécie de ateu. Então, você tinha que estar disposto a
sacrificar discípulos — São Pedro foi crucificado de cabeça para baixo, o que
demonstra o nível de vocação, de seriedade e de integridade na vida que é
exigido de qualquer pessoa preocupada em tornar o mundo um lugar melhor.
Agora,
depois de Constantino, a situação do cristianismo é bem diferente. Ele passa a
estar ligado ao império e aos poderes constituídos. As pessoas mantiveram viva
de diversas maneiras a vertente profética. Mas também é verdade que as formas
institucionais se enraizaram profundamente em um status quo injusto.
·
Sei que a música desempenha um papel importante na sua
vida. Para finalizar, gostaria de perguntar o que você está ouvindo agora para
te ajudar a superar esses tempos difíceis e sombrios?
CW - Eu
estava ouvindo “Ball of Confusion (That’s What the World Is Today)” dos
Temptations, de 1970, pensando nos níveis de catástrofe e crise e em como as
pessoas estavam reagindo. Mas, quero dizer, posso voltar a “Good Morning
Heartache” com Billie Holiday, a grande Irene Higginbotham, que compôs a
melodia, e o irmão judeu Ervin Drake, que escreveu a letra com Dan Fisher. Eu
também pensei em “Good Morning Blues”, com Lead Belly.
A
catástrofe é uma companheira íntima, mas nunca podemos permitir que ela tenha a
última palavra. E que sentimento deve dar a última palavra diante da
catástrofe? Compaixão. O que despedaça o medo? Amor. O que muda o mundo?
Pessoas organizadas e mobilizadas, íntegras e com caráter, dispostas a servir e
se sacrificar, deixando assim o mundo um pouco melhor do que o encontraram.
Portanto, devemos sempre sorrir enquanto resistimos, mesmo em um mundo tão frio
e cruel, meu caro irmão.
Fonte:
Entrevista com David Griscom - Tradução Pedro Silva, em Jacobin Brasil

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