quinta-feira, 2 de abril de 2026

O neoliberalismo nos levou ao neofascismo de Trump

Com a guerra de Donald Trump no Irã se intensificando, os tempos podem parecer excepcionalmente sombrios. Mas a crise não é novidade. E a resistência, incluindo a espiritualidade, sempre nos abriu caminho para a luz.

No episódio do The Jacobin Show com David Griscom transcrito abaixo, Cornel West reflete sobre o nosso momento político, marcado por uma profunda crise e por reservas igualmente profundas de coragem. Partindo da solidariedade global em meio ao ataque de Donald Trump até os recursos espirituais do socialismo cristão que sustentam a luta, West insiste que a resistência não é meramente reativa, mas sim enraizada no amor, na memória e numa longa tradição de esperança radical.

LEIA A ENTREVISTA:

·        Há duas semanas, tivemos Robin Wonsley, vereadora socialista de Minneapolis, em nosso programa. E eu tive uma sensação parecida conversando com ela, porque, por um lado, o que estamos vendo neste país é tão doloroso e devastador, mas, ao mesmo tempo, vemos a coragem, a criatividade e a paixão de pessoas comuns se manifestando. Tenho curiosidade em ouvir suas experiências. Temos presenciado todos esses horrores neste país, mas, por outro lado, há também essa disposição das pessoas comuns em realmente se posicionarem.

CORNEL WEST - Primeiro, no momento atual, com a crescente sensibilidade e as políticas neofascistas — não apenas o governo bandido de Trump, mas também as grandes empresas de tecnologia, Wall Street, o Vale do Silício e as grandes forças armadas por trás dele — [Trump] está tentando, de alguma forma, seduzir um número suficiente de pessoas para se manter no poder. Mas eu sempre vejo isso numa perspectiva mais ampla, irmão.

Acho que grande parte da história da humanidade, a história da ganância organizada, do ódio instrumentalizado e da crueldade institucionalizada — a banalização da diferença em detrimento do sofrimento das pessoas comuns — e aqueles momentos maravilhosos de ruptura, que não são apenas momentos de resistência, mas momentos de memória, de resistência que nos fazem reverenciar algo maior do que nossos egos e nossa tribo. Eles nos conectam às questões mais amplas da humanidade como espécie e até mesmo além. E nesse sentido, eu digo a mim mesmo: “Bem, sabe, o trumpismo e o neofascismo, dados os legados da supremacia branca, do capitalismo predatório, do patriarcado, da homofobia e da transfobia, não são nada novos.”

É exatamente o que você disse: como podemos reunir integridade, coragem e decência, tanto individualmente, quanto conectando as pessoas a momentos de solidariedade que transcendem regiões, cores e fronteiras nacionais? E essa sempre foi uma batalha árdua, meu irmão, desde que nós, seres humanos, existimos.

Então, a boa notícia é que sempre há uma legião de testemunhas em cada geração dispostas a se levantar com coragem e integridade e contar a verdade sobre o sofrimento dos pobres e da classe trabalhadora e, o mais importante, sem qualquer apelo comercial. Não se trata apenas de estratégia de mercado. Elas têm uma causa e estão dispostas a viver por ela. Estão dispostas a morrer por ela. E eu sei que você tem figuras no seu livro que exemplificam no Texas o que estou falando.

·        Basta ver repetidamente, ao longo da história da humanidade e da história estadunidense, a disposição das pessoas em enfrentar sistemas que pareciam invencíveis. Quando falamos de segregação racial no Sul dos Estados Unidos, por exemplo, parecia que tudo aquilo era invencível. Você fala sobre o poder das ferrovias e dos monopólios — eles pareciam imbatíveis. Mas eram apenas pessoas comuns se organizando para desafiar esses sistemas. É difícil se organizar hoje em dia, mas naquela época também era muito difícil, e deveríamos nos inspirar nisso.

CW - E você pode imaginar Harriet Tubman e Frederick Douglass tentando organizar, de maneira digna, africanos escravizados pelo sistema escravista estadunidense, e mesmo assim eles persistiram. Eles perseveraram, mas tinham um certo tipo de caráter, meu irmão. Eles decidiram: “Este é o tipo de ser humano que eu quero ser, o tipo de movimento do qual eu quero fazer parte, e mesmo que eu tenha que seguir enxugando gelo, ainda assim darei tudo de mim.”

·        Vamos falar um pouco sobre o momento atual. Este é o segundo mandato de Trump e o primeiro já foi horrível. Gostaria de saber se você acha que as lições necessárias estão sendo aprendidas agora. Porque, obviamente, há uma enorme resistência a Trump, mas me preocupa que haja tanto foco nele que as pessoas estejam se esquecendo do sistema que o levou ao poder.

CW -  Acho que a última coisa que queremos fazer é fetichizar qualquer indivíduo. Fetichizar Trump e atribuir-lhe poderes mágicos, como se, na sua ausência, as mesmas forças sociais, históricas e culturais não estivessem em ação, é extremamente problemático. Trump desempenha um papel, sem dúvida. Está ligado ao movimento MAGA e tudo mais. Mas não haveria Donald Trump na Casa Branca sem esses grandes monopólios e oligopólios.

E, ao mesmo tempo, a enorme cumplicidade de setores da classe profissional-gerencial — advogados, reitores de universidades, professores, médicos, farmacêuticos e igrejas. Não existe Trump sem o nacionalismo cristão de direita e a supremacia branca. Ele não existe sem eles. Oitenta por cento dos votos que ele recebeu vieram de meus colegas cristãos evangélicos, entende?

Por outro lado, quero sempre partir do princípio de que a primeira coisa a que devemos recorrer não é Trump, o trumpismo, o neofascismo. Veja bem, eu nunca começo olhando para os meus adversários como ponto de referência. Começo pelas pessoas. Amo aquilo pelo que estou disposto a falar, por quem estou disposto a viver e morrer. Então, analiso a situação através das lentes da tradição, no meu caso, da luta pela libertação negra. Isso em solidariedade com outras lutas, e analiso Trump através dessas lentes para que ele não seja o meu principal ponto de referência.

Dessa forma, ele não é um tipo de hospedeiro e eu apenas um parasita, reagindo todos os dias um zilhão de vezes ao que ele diz e faz. Nunca há energia suficiente para isso. É preciso recorrer à tradição de memória, reverência e resistência séria, e então começamos a perceber, eis que, estamos em movimento.

Agora, se você olhar de uma perspectiva mais ampla, como espectador, e pensar: “Meu Deus, estamos enfrentando um Golias, ele não nos dará a menor chance”, isso acontece porque você se distancia muito do movimento em si. É por isso que o ativismo de base caminha lado a lado com a análise social mais sofisticada e com questões de moralidade e espiritualidade. Por moralidade, quero dizer pessoas que não se vendem nem cedem. Pessoas que são moralmente coerentes e não se deixam cegar por ideologias estreitas, a ponto de conseguirem conectar o genocídio em Gaza, o sequestro do presidente da Venezuela, as iniciativas de repressão ao Irã e em Taiwan, e a solidariedade com os povos da Índia contra um nacionalismo hindu autoritário.

Esse tipo de conexão e vínculo se torna crucial. Uma das principais razões pelas quais me candidatei à presidência foi a defesa do fim da pobreza, o fim do ICE [Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA], o desmantelamento do Império Estadunidense e o fim relativo de 800 bases militares ao redor do mundo — tudo isso para quebrar monopólios e oligopólios, e assim por diante. E as pessoas dizem: “Ah, você não tem a menor chance”. O que elas não dizem é que isso é dar testemunho, para que as pessoas possam ver — em ação, em palavras, em pessoas se organizando — o que significa se manifestar e continuar vivo.

A tradição de muitos desses radicais no Texas na década de 1880 de que você fala, após a grande migração dos proprietários de escravos que trouxeram seus escravos para o Texas, certo? Conforme a Guerra Civil ia se tornando cada vez mais perdida, os confederados se mudaram para o Texas. Isso é verdade. O Texas já havia abolido a escravidão em 1829, quando estava sob domínio mexicano. Mas o Texas, você sabe — nós temos uma história mais longa. Consegue imaginar o sentimento de relativa desesperança deles? Bem, eles continuaram lutando. Continuaram rindo. Continuaram amando. Continuaram se organizando. Continuaram se mobilizando. Esse é o espírito. É esse espírito que precisamos manter vivo de diversas maneiras.

·        Esse é um ponto importantíssimo. E acho que uma coisa que acontece com muita frequência na esquerda é que nos tornamos muito pessimistas. Eu queria conversar com você, de forma mais técnica, sobre algumas das coisas que estamos enfrentando e observando, porque, por um lado, vemos uma revitalização da esquerda e do movimento trabalhista. Por outro lado, o que vimos com a vitória de Trump em 2024 foi algo muito preocupante, considerando a quantidade de pessoas dispostas a abandonar a coalizão do Partido Democrata — pessoas negras, pessoas da classe trabalhadora — e começar a votar em Trump e nos republicanos. Estamos vendo alguns movimentos empolgantes, mas, ao mesmo tempo, quando se trata da classe trabalhadora mais ampla deste país, temos muito trabalho a fazer na esquerda para conquistar sua confiança.

CW -  Você tem toda a razão. E, claro, é muito importante ter em mente que não existe neofascismo estadunidense sem o fracasso social do modelo neoliberal estadunidense  esse foi o terreno fértil em que eles investiram. Inicialmente, quando o Goldman Sachs apoiou [Barack] Obama, uma parcela da classe trabalhadora até votou no meu querido irmão Bernie Sanders. Eles tentaram se manter firmes com [Joe] Biden. Mas depois disseram: não, isso não está funcionando. Nós, da esquerda, não conseguimos apresentar uma visão alternativa de programa. Então disseram: “Vamos tentar outra coisa”. E assim optaram por esse projeto neofascista, e é claro que agora os fracassos colossais desse projeto estão cada vez mais evidentes.

Mas, é claro, isso desencadeou uma concessão irrestrita para a ganância, o ódio e o desprezo, e transformou a empatia em inimiga. Transformou a crueldade em política. Precisamos ver até onde isso vai chegar.

·        Eu também queria falar sobre algumas das maneiras pelas quais nossa política, particularmente algumas das coisas que vemos vindas do Partido Democrata neoliberal, coloca as pessoas umas contra as outras. Uma das coisas mais cínicas que vimos em 2024 foi a tentativa de colocar os direitos dos negros neste país contra os direitos dos palestinos. E vemos isso também, em certa medida, quando se trata de direitos humanos no Irã e direitos humanos na Palestina, onde as pessoas criam essas falsas dicotomias. Como podemos contestar e resistir a essas tentativas de colocar as pessoas umas contra as outras?

CW - Primeiro, acho que as questões de coerência e de certa cegueira são questões de ideologia, entende? Um dos argumentos para minimizar o sofrimento de nossos preciosos irmãos e irmãs no Irã e dos iranianos em geral é que o país faz parte do eixo da resistência. Portanto, as necessidades, as lutas e as dores dos iranianos devem ser subordinadas às necessidades e demandas ideológicas daqueles que criticam o Império Estadunidense. E você pensa: “Bem, já ouvimos esse argumento com a União Soviética”. Eu estive na África do Sul na década de 1980 com [Nelson] Mandela e companhia. A União Soviética apoiou o movimento de libertação africano. Foi muito importante.

Isso significa que você não diz uma palavra sequer quando eles esmagam vozes dissidentes em seu próprio território? Essas são realidades, e você diz aos seus camaradas soviéticos que somos críticos de todas as formas de opressão e repressão onde quer que as vejamos, mas aceitamos o apoio deles. Portanto, eu considero significativo o apoio iraniano à resistência palestina. Não o minimizo de forma alguma. Mas isso não significa que estou comprometido e preciso ficar em silêncio. Que eu não posso dizer uma palavra sequer quando vejo iranianos sendo mortos aos milhares, e então meus camaradas de esquerda me dizem: “Bem, quando você se envolve nesse tipo de preocupação moral, está abraçando o discurso da CIA, irmão West.” Eu digo: pare com essa loucura!

Vindo de um movimento negro que luta por liberdade, temos nos solidarizado com pessoas de todos os tipos. Portanto, precisamos ter esses tipos de discordâncias abertas. Conversas, debates críticos, e alguns de nós nos solidarizaremos com pessoas que enfrentam repressão, seja em Teerã, Guatemala, Etiópia, Chicago ou Irlanda. Elas precisam deixar de lado suas preocupações ideológicas limitadas que acabam justificando a repressão em massa, justificando políticas verdadeiramente fascistas.

Eu diria que essa pessoa deveria se envergonhar. Eu diria que o silêncio diante do sofrimento humano em massa, o silêncio diante da repressão brutal, é uma traição ao povo que está sofrendo. E isso transcende qualquer ideologia. Para mim, acredito que todo país e seu povo têm o direito à resistência e à revolução. Então, se você faz parte do eixo da resistência, isso significa que o povo desses países não tem o direito à resistência e à revolução? Têm, sim.

Permanecerei inequívoco em minha solidariedade aos irmãos e irmãs palestinos frente ao genocídio e limpeza étnica brutais que sofrem. Diria o mesmo sobre o que está acontecendo na África. Diria o mesmo sobre as intervenções dos EUA no Haiti e, certamente, sobre as intervenções na Venezuela e assim por diante. Mas repressão é repressão. E podemos criticar também as várias formas de repressão na Venezuela. Essa é uma questão moral, mas que não justifica o imperialismo estadunidense chegar e, de alguma forma, subjugar o país para obter petróleo. A decisão, é claro, cabe ao povo da Venezuela. E as pessoas que pensam que a CIA e o Mossad são fundamentalmente responsáveis ​​pelas manifestações no Irã? Ah, parem com essa ideia completamente equivocada — como se aquilo não fosse um movimento orgânico de tremenda resistência contra uma repressão brutal.

·        E isso acaba se transformando em posições completamente paranoicas, para ser bem honesto.

CW - Pois é. Isso é verdade. Acho que você também tem razão quanto a isso.

·        Queria mudar de assunto e falar com você sobre socialismo cristão porque acho que esse é um aspecto do seu trabalho que interessa e inspira muitas pessoas. Aqui no Texas, o candidato democrata ao Senado, James Talarico, está, com razão, denunciando o nacionalismo cristão e o cristianismo de direita. Acho que ele vem de uma tradição política bastante diferente, mas acredito que a esquerda poderia se empenhar mais nesse sentido. Gostaria de saber sua opinião sobre como uma forma de socialismo cristão pode ser usada para recuperar a religiosidade cristã das mãos da direita.

CW - Em 1984, tive a bênção de ser convidado para organizar uma edição especial sobre marxismo, religião e lutas de libertação para a revista Monthly Review. Isso foi feito em parceria com meus queridos irmãos Paul Sweezy e Harry Magdoff. Um dos temas que discutimos foi a questão internacional. Naquela época, tínhamos a América Latina e a Polônia como foco. Mas, veja bem, nos Estados Unidos, a grande maioria dos cidadãos é religiosa e um número significativo é cristão. Portanto, em qualquer conversa sobre organização e mobilização da população em geral nos Estados Unidos, se você não aborda a religião, acaba isolado em sua pequena bolha secular.

A grande maioria das pessoas não frequenta a universidade. A grande maioria das pessoas tem uma sensibilidade religiosa. Cada vez mais, elas desconfiam da religião institucional, mas a espiritualidade ainda é muito, muito forte. E nem chegamos a falar da música ainda. Até o Super Bowl e o futebol americano no Texas e em outros lugares são uma espécie de religião também. Entende o que quero dizer? Então, sejamos honestos sobre essas estruturas, sobre o sentimento que motiva as pessoas.

E alguém como eu, que vem de um grupo com figuras como Martin Luther King Jr., Malcolm X, Fannie Lou Hamer e Harriet Tubman — todos profundamente religiosos —, não se pode separar o espírito revolucionário de Malcolm do fato de ele ser muçulmano. E certamente o mesmo se aplica a Fannie Lou Hamer, Howard Thurman, Martin Luther King Jr. e James Lawson. A lista é interminável. Parte disso também se deve à sensibilidade e à abertura para que as pessoas pensem por si mesmas no dia a dia. Não é preciso dar a elas livros de Voltaire ou Bertrand Russell, fazê-las ler algo e, de repente, concordarem com a sua visão secular.

Agora, eles pensam por si mesmos, mas dentro dessas tradições religiosas, embora a maior parte da religião institucional tenha se acomodado ao império, ao capitalismo predatório, à supremacia branca e ao patriarcado, à homofobia e à transfobia, existem fortes elementos proféticos e figuras proféticas importantes na história dessas religiões que desempenham um papel crucial, permitindo que essas religiões sejam fontes de políticas progressistas, de esquerda, socialistas e anarquistas fortes.

·        E isso é uma espécie de sistema vivo de experiência e compreensão humana. Não vou entrar em debates teológicos com ninguém, mas acho que entregar isso à direita neste país é um erro total, porque existe uma tradição muito forte que podemos resgatar.

CW - Absolutamente. No fim das contas, tudo se resume à dimensão do seu amor pelas pessoas, às formas de serviço que você deseja prestar a elas e ao tipo de sacrifício que está disposto a fazer por elas. Então, um cristão socialista? A essência do cristianismo reside na profundidade e no alcance do seu amor pelos mais necessitados, e isso é biblicamente comprovado e validado. Mas a longa história do cristianismo e sua associação com o império é real, remontando a Constantino.

Mas lembre-se, dos primeiros trinta e cinco papas, trinta e um foram executados. Ser cristão na primeira geração significava ser “ateu”, porque você se recusava a adorar os deuses do Império Romano. Você adorava o seu Deus cristão e isso o tornava em uma espécie de ateu. Então, você tinha que estar disposto a sacrificar discípulos — São Pedro foi crucificado de cabeça para baixo, o que demonstra o nível de vocação, de seriedade e de integridade na vida que é exigido de qualquer pessoa preocupada em tornar o mundo um lugar melhor.

Agora, depois de Constantino, a situação do cristianismo é bem diferente. Ele passa a estar ligado ao império e aos poderes constituídos. As pessoas mantiveram viva de diversas maneiras a vertente profética. Mas também é verdade que as formas institucionais se enraizaram profundamente em um status quo injusto.

·        Sei que a música desempenha um papel importante na sua vida. Para finalizar, gostaria de perguntar o que você está ouvindo agora para te ajudar a superar esses tempos difíceis e sombrios?

CW - Eu estava ouvindo “Ball of Confusion (That’s What the World Is Today)” dos Temptations, de 1970, pensando nos níveis de catástrofe e crise e em como as pessoas estavam reagindo. Mas, quero dizer, posso voltar a “Good Morning Heartache” com Billie Holiday, a grande Irene Higginbotham, que compôs a melodia, e o irmão judeu Ervin Drake, que escreveu a letra com Dan Fisher. Eu também pensei em “Good Morning Blues”, com Lead Belly.

A catástrofe é uma companheira íntima, mas nunca podemos permitir que ela tenha a última palavra. E que sentimento deve dar a última palavra diante da catástrofe? Compaixão. O que despedaça o medo? Amor. O que muda o mundo? Pessoas organizadas e mobilizadas, íntegras e com caráter, dispostas a servir e se sacrificar, deixando assim o mundo um pouco melhor do que o encontraram. Portanto, devemos sempre sorrir enquanto resistimos, mesmo em um mundo tão frio e cruel, meu caro irmão.

 

Fonte: Entrevista com David Griscom - Tradução Pedro Silva, em Jacobin Brasil

 

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