A
marquinha de vacina BCG como um símbolo latino-americano
Há 50
anos, a vacina BCG foi incluída no Programa Nacional de Imunizações (PNI),
considerado um marco para esse que é um imunizante centenário no Brasil. Desde
então, o imunizante se tornou obrigatório para crianças e costuma deixar uma
pequena cicatriz no ombro para a vida toda. A "marquinha" da vacina
agora tem sido vista como símbolo latino-americano nas redes sociais.
A
vacina BCG previne das formas graves e disseminadas da tuberculose (miliar e
meníngea). Ela contém uma cepa da bactéria da tuberculose criada em
laboratório, fazendo com que não seja transmissível nem cause a doença.
BCG
significa "Bacilo de Calmette-Guérin”, em referência aos cientistas
franceses Albert Calmette (1863-1933) e Camille Guérin (1872-1961), do
Instituto Pasteur de Paris. Eles foram os responsáveis por desenvolver a
vacina, usada pela primeira vez em humanos em 1921.
O
imunizante chegou ao Brasil em 1925, trazida pelo médico Arlindo Raimundo de
Assis. A primeira aplicação, no entanto, aconteceu dois anos depois, em 1927.
Mas apenas em 1976 que a vacina entrou oficialmente no Programa Nacional de
Imunizações, baseando-se em um decreto
publicado em 12 de agosto daquele ano, que estabeleceu o Sistema
Nacional de Vigilância Epidemiológica. No ano seguinte, ela passou a fazer
parte do calendário de vacinação.
"Lá
no começo, a gente não tinha uma estrutura como é hoje com o Programa Nacional
de Imunizações. Apesar da vacina ter chegado nos anos 1920, ela começou a ser
aplicada de forma aleatória. Não tinha uma recomendação, não tinha
distribuição, não tinha nada disso que a gente tem hoje. É por isso que algumas
pessoas mais velhas têm a marquinha, outras não", conta Isabella Ballalai,
diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).
A BCG
também já teve sua versão oral, mas acabou sendo descartada em 1973. Ela é
distribuída pelo Ministério da Saúde, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS),
e é obrigatória para crianças entre 0 e 4 anos, 11 meses e 29 dias de idade,
sendo indicada a aplicação em dose única, o mais precocemente possível, de
preferência ainda na maternidade.
A
vacinação também é indicada para contatos domiciliares de pacientes com
hanseníase, desde que não apresentem sinais e sintomas da doença. A vacina
possui efeito protetor, reduzindo a morbidade e apresentando, em caso de
adoecimento, manifestações clínicas mais leves.
Thales
Alves Campelo, doutor em patologia pela Universidade Federal do Ceará, conta
que a aplicação de vacinas normalmente acontece via oral, por meio de gota, ou
intramuscular, dentro do músculo. No entanto, como a BCG é intradérmica, ela é
aplicada embaixo da pele, o que explica a famosa marquinha. "Quando ocorre
essa aplicação, começa a ter uma resposta imunológica local”, afirma.
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Símbolo latino-americano
Mesmo
tendo sido criada na França, a BCG acabou se tornando um símbolo latino
americano, mas devido à alta incidência de tuberculose na região.
"Tuberculose
é ocasionada em locais com muita aglomeração, sem condições de ventilação
adequada e muitas pessoas vivendo juntas. Então, não é uma questão só de saúde,
é uma questão social e isso acarreta justamente os países da América Latina”,
diz Campelo.
De
acordo com The BCG World Atlas, quase todos os países latino americanos mantêm
política nacional de vacinação com BCG para toda a população. Por outro lado,
na maior parte da Europa Ocidental e nos Estados Unidos, a BCG não é mais
aplicada em massa, ficando limitada a alguns grupos especiais. Na França, por
exemplo, a aplicação deixou de ser obrigatória em 2007.
Mas
longe de pensar que é um fenômeno apenas latino-americano. Países da Ásia e da
África lideram o número de casos de tuberculose no mundo. De acordo com a
Organização Mundial da Saúde, a maioria das pessoas que desenvolvem tuberculose
todos os anos está em 30 países com alta incidência da doença: elas
representaram 87% do total global em 2024.
Os oito
primeiros lugares (67% do total mundial) foram ocupados pela Índia (25%),
Indonésia (10%), Filipinas (6,8%), China
(6,5%), Paquistão (6,3%), Nigéria (4,8%), República Democrática do Congo (3,9%)
e Bangladesh (3,6%). O Brasil aparece em
17º lugar, sendo o primeiro entre países ocidentais.
Não é à
toa que nas redes sociais muitas pessoas já notaram que artistas asiáticos
também possuem cicatrizes no braço.
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BCG em adultos
Os
especialistas divergem em relação à vacinação em adultos. Segundo Isabella
Ballalai, adultos não devem se vacinar porque já tiveram algum contato com a
bactéria devido à presença da doença no Brasil. O resultado é que o organismo
produz anticorpos mesmo sem ter tomado a vacina.
Já
Thales Alves Campelo afirma que quem mora em região com ainda mais incidência
da doença, tomar mais uma dose da vacina pode fortalecer o organismo contra a
bactéria. Mas essa decisão deve ser tomada junto a um médico.
Fonte:
DW Brasil

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