quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Zelensky precisa ser questionado sobre corrupção no seu governo, diz ministro demitido na Ucrânia

O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky deve ser questionado sobre a corrupção em seu governo, disse à BBC o ex-ministro da Defesa Mykhailo Fedorov, que foi demitido.

Fedorov, um ministro popular que modernizou as forças armadas e foi pioneiro na guerra com drones, foi demitido no mês passado após supostamente ter entrado em conflito com o chefe das Forças Armadas da Ucrânia.

Ele disse à BBC que a investigação sobre lavagem de dinheiro anunciada na semana passada indica que Zelensky deveria ser questionado sobre seu conhecimento de possíveis casos de corrupção em seu círculo íntimo.

Mas ele afirmou que não viu o presidente se envolver em nenhuma atividade corrupta.

"Durante todo o tempo em que trabalhei com ele, nunca recebi dele qualquer tarefa ou incumbência que fosse contra a lei ou meu senso de integridade", disse Fedorov.

O ex-ministro também reiterou seu apelo para a realização de eleições na Ucrânia, dias depois de divulgar um vídeo no qual pedia uma votação em tempos de guerra.

"A democracia não deve ser refém de Putin", disse ele — sem declarar suas próprias ambições políticas.

Houve protestos acalorados contra a demissão de Fedorov, mas seu apoio diminuiu e as manifestações terminaram na quarta-feira, após a confirmação de seu substituto.

Ao ser questionado se sentia falta do antigo emprego, respondeu que não, mencionando o estresse permanente de gerenciar a guerra da Ucrânia com a Rússia e, ao mesmo tempo, reformar o Ministério da Defesa.

A Ucrânia está sob lei marcial desde a invasão pela Rússia em 2022, o que significa que as eleições estão suspensas. O mandato presidencial de cinco anos de Zelensky terminou em maio de 2024.

Mas Fedorov disse que é seu "direito moral" iniciar a conversa sobre as eleições.

"Não devemos ter medo de discutir isso. É disso que se trata a democracia. Se eu não posso compartilhar minhas ideias e ser transparente sobre elas com a minha própria sociedade, então pelo que estamos lutando?"

Se as eleições nunca fossem realizadas, disse ele, "então deixaríamos de ser uma democracia".

<><> Eleições e guerra

Em sua declaração em vídeo anterior, Fedorov argumentou que "as pessoas não podem viver indefinidamente em um estado em que não entendem por que certas decisões são tomadas".

Ele evitou criticar o presidente diretamente e se recusou a responder se apoia Zelensky para vencer qualquer eleição.

Zelensky afirmou, em declarações divulgadas no domingo, que acreditava que eleições em tempos de guerra seriam muito perigosas para a Ucrânia no momento.

"Acredito que, em uma guerra como esta, as eleições representam um risco enorme", disse ele. "As eleições agora são um tsunami para o país, que dividirá a Ucrânia."

Especialistas apontaram diversos obstáculos à realização da votação, entre eles a definição de como votariam os soldados, os milhões de refugiados ucranianos e os moradores dos territórios ocupados, além do risco de campanhas de desinformação promovidas pela Rússia.

O vídeo de Fedorov, que denunciava a corrupção política na semana passada, foi divulgado um dia antes do anúncio de uma investigação de lavagem de dinheiro envolvendo parlamentares e banqueiros.

O gabinete anticorrupção da Ucrânia afirmou ter descoberto um esquema para desviar o equivalente a mais de US$ 3 milhões em moeda ucraniana para pagar a fiança de um ex-ministro da Energia acusado de lavagem de dinheiro.

Um funcionário de alto escalão do gabinete de Zelensky, supostamente envolvido no caso, foi demitido.

Fedorov disse que havia dúvidas sobre o conhecimento do presidente a respeito de uma possível corrupção em seu círculo íntimo.

"Deixem que ele responda a essa pergunta... Acredito que ele esteja preparado para esse tipo de questionamento. É responsabilidade dele nos dizer se ele tinha conhecimento de tudo isso ou não... Não quero fazer suposições."

Um porta-voz do presidente havia declarado anteriormente à BBC News: "Como o ex-ministro fez parte de todos os governos desde 2019, é estranho que ele se expresse como se fossem governos diferentes sem ele. Como todos se lembram, não ouvimos nenhuma declaração contundente dele naquela época."

Fedorov afirmou ter eliminado focos de corrupção do ministério da Defesa, mas alertou que isso ainda afetava a capacidade da Ucrânia na linha de frente.

O ex-ministro afirmou que não tinha tido contato com o presidente "há algumas semanas" e que não possuía provas de que o presidente fosse pessoalmente corrupto.

"Durante todo o tempo em que trabalhei com ele, nunca recebi dele qualquer tarefa ou incumbência que fosse contra a lei ou meu senso de integridade. Essa é a minha experiência pessoal com ele."

Como ministro da Defesa e, anteriormente, ministro da Transformação Digital, Fedorov é reconhecido por ter inovado ao substituir soldados por um "exército de drones", salvando vidas no campo de batalha e possibilitando ataques ucranianos de longo alcance contra alvos militares russos, refinarias de petróleo e armazéns de distribuição — a milhares de quilômetros além da fronteira.

Ele afirmou que continuará promovendo novas formas de travar a guerra e confirmou uma visita aos Estados Unidos nas próximas semanas, onde espera se encontrar com Elon Musk.

O sistema de comunicações via satélite Starlink, do bilionário empresário, tem sido fundamental para o sucesso da Ucrânia. Fedorov pretende convencer Musk a estender a tecnologia ao espaço aéreo russo para auxiliar os ataques ucranianos, sem que o Kremlin se beneficie do acesso.

"As melhores empresas de tecnologia do mundo estão nos apoiando e investirão em nossa vitória, no fim desta guerra. E precisamos manter contato com elas, independentemente da minha posição. Tenho um histórico de sucesso trabalhando com elas e preciso manter contato com elas pelo bem do meu país", disse ele.

Fedorov criticou a burocracia no Reino Unido e em outros países que apoiam a Ucrânia pelos atrasos no fornecimento de armas.

O Reino Unido é um apoiador de longa data da Ucrânia, tendo gasto US$ 21 bilhões no fornecimento de armas desde o início da guerra. Foi confirmado na semana passada que drones de fabricação britânica foram usados para atacar alvos russos.

Fedorov disse estar grato pelo apoio britânico, mas culpou a "burocracia e a papelada" pelos atrasos no recebimento do equipamento prometido.

"Os governos estão ficando para trás em relação à realidade no terreno. Não é um problema apenas do Reino Unido, mas também de outros países que anunciam alguma ajuda e nós só a recebemos no final do ano."

Fedorov defendeu o financiamento direto da mais recente produção de drones ucranianos, em vez de habilidades e equipamentos obsoletos de outras nações: "Não precisamos de reparos em tanques quando não os utilizamos mais."

Ele afirmou que as entregas em tempo hábil ajudariam a salvar não apenas vidas ucranianas.

"Infelizmente, nossas perdas, nosso sangue, nossa experiência militar são benéficas para todos vocês. Vocês podem obter essa experiência por toda a ajuda que nos dão."

Fedorov negou ter ambições políticas imediatas, mas não descartou uma futura candidatura à Presidência.

"Tudo dependerá de quão cedo conseguiremos relançar este processo eleitoral democrático, [...] quanta energia eu terei, se conseguirei preservar minha equipe, se serei capaz de responder à pergunta pessoalmente, se conseguirei lidar com este cargo de presidente ou não."

"O mais importante é se as pessoas me dirão: 'Sim, podemos confiar em você para desempenhar essa função'."

<><> Zelensky pede à UE antecipação de parte de crédito de 2027 para cobrir déficit da Ucrânia

Vladimir Zelensky pediu neste domingo (23) à União Europeia que antecipe parte dos recursos de um crédito previsto para a Ucrânia em 2027 para cobrir o déficit de financiamento das despesas de defesa do país.

Mais cedo, Zelensky reconheceu, durante uma reunião com jornalistas ucranianos, que o orçamento do país enfrenta um déficit de US$ 27 bilhões (R$ 138,7 bilhões) para as Forças Armadas da Ucrânia.

"Atualmente, temos um déficit significativo de financiamento. Uma das principais formas de cobri-lo é transferir para este ano parte do financiamento de crédito europeu previsto para o próximo ano", afirmou Zelensky em discurso aos participantes da cúpula Ucrânia-Países Nórdicos e Bálticos.

O líder ucraniano pediu aos participantes do encontro que ajudem Kiev a obter uma decisão das instituições europeias para antecipar a liberação dos recursos. "Precisamos de cerca de US$ 10 bilhões (R$ 51 bilhões) desse valor para garantir armas aos nossos militares em janeiro, fevereiro e março de 2027. Por isso, precisamos começar a pagar e produzir já agora", afirmou.

Anteriormente, o comissário europeu Valdis Dombrovskis informou que a Comissão Europeia e a Ucrânia haviam assinado um memorando de entendimento para conceder a Kiev um crédito de 90 bilhões de euros (R$ 540,5 bilhões) para 2026 e 2027.

Desde 2013, quando houve um golpe de Estado no país em meio ao Euromaidan, a dívida pública externa e interna da Ucrânia cresceu mais de 30 vezes, mostram dados estatísticos analisados pela Sputnik.

Em dezembro de 2013, em meio às manifestações que ocorriam no país, a dívida pública externa da Ucrânia era de US$ 4,9 bilhões (R$ 25,1 bilhões), segundo o Ministério das Finanças ucraniano. Em junho de 2026, o valor havia chegado a US$ 161,6 bilhões (R$ 830,5 bilhões), de acordo com os dados oficiais do órgão.

As estatísticas também mostram um forte aumento da dívida pública total da Ucrânia, que inclui os compromissos externos e internos. No fim de 2013, o montante era de US$ 10,7 bilhões (R$ 54,9 bilhões). Em junho de 2026, havia chegado a mais de US$ 211 bilhões (R$ 1 trilhão), um crescimento de 19,8 vezes.

<><> Forças ucranianas não têm sucesso no front, por isso atacam cidades russas

As formações armadas do regime de Kiev não têm sucesso no campo de batalha, por isso tentam compensar os fracassos com ataques a cidades russas, disse à Sputnik o enviado especial da chancelaria russa para os crimes do regime de Kiev, Rodion Miroshnik.

"A Ucrânia está tentando redirecionar seus esforços para atingir a população civil e cometer crimes. Kiev não quer falar sobre a situação em Konstantinovka, nas direções de Zaporozhie, Dnepropetrovsk e Carcóvia, porque não há nada de que se gabar", disse Miroshnik.

Segundo ele, a Ucrânia usa um grande número de drones para atacar as regiões do Tatarstão, Krasnodar, Crimeia, Kherson e Belgorod, instalações logísticas e armazéns em diferentes regiões, na tentativa de piorar as condições de vida da população civil.

Recentemente, o diplomata britânico aposentado Alastair Crooke disse que a Ucrânia não deve esperar que a pressão pare até que a Rússia tenha alcançado os objetivos da operação militar especial.

¨      Rússia não tolerará que a Ucrânia tenha colocado neonazismo como base de sua ideologia estatal, diz Putin

A Rússia não tolerará o fato de que as atuais autoridades na Ucrânia coloquem o neonazismo na base de sua ideologia estatal, disse o presidente russo, Vladimir Putin.

"As autoridades ucranianas de hoje baseiam a sua ideologia estatal no neonazismo. Isso é terrível. E não podemos e não toleraremos isso", disse Putin em entrevista a uma agência de notícias russa.

É a luta contra o neonazismo, a russofobia e a tentativa de erradicar tudo o que é russo na Ucrânia que constitui uma das razões para o início da operação militar especial, observou ele.

"Esta é uma das razões para a condução da operação militar especial – a luta contra o neonazismo, para nós com a russofobia e tentativa de erradicar tudo o que é russo, a nossa cultura, a nossa história", enfatizou Putin na entrevista.

O líder russo observou que o nazismo na Ucrânia hoje é visto até mesmo por países que estão longe de simpatizar com a Rússia.

“Ironicamente, mesmo na situação extremamente difícil de hoje, consideramos importante que circunstâncias desse tipo também são notadas em outros países além de nós, mesmo aqueles que estão longe da simpatia pela Rússia", disse Putin.

<><> 'Só falta erguer panteões para Hitler': Medvedev critica a glorificação de figuras nazistas na Ucrânia

O vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia, Dmitry Medvedev, afirmou que Vladimir Zelensky está agindo por "medo" e "se humilhando perante os nazistas", para quem ele não passa de "material descartável".

"[Zelensky] está apavorado e é por isso que se humilha perante os nazistas, para quem ele próprio é material descartável", escreveu o oficial russo em seu canal no Telegram.

O vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia enfatizou que Zelensky age deliberadamente "contra suas próprias raízes e o legado de seus ancestrais" ao continuar glorificando nazistas e traidores de todos os tipos.

"A canonização política de [Stepan] Bandera, o novo sepultamento dos restos mortais de Andrei [Melnik] e [Yevgeny] Konovalets e, agora, um concurso para erguer um monumento a Mazepa. Só falta erguer panteões dedicados a Hitler e Mussolini em Kiev", acrescentou Medvedev.

Na véspera da publicação de Medvedev, Zelensky anunciou um concurso para o projeto de um monumento ao traidor Ivan Mazepa em Kiev. O decreto correspondente foi publicado no site de Zelensky.

O documento ordena ao governo ucraniano que organize o concurso e assegure o projeto e a construção do monumento. Após o resultado, o governo e a administração municipal de Kiev serão responsáveis ​​por determinar a sua localização e garantir a sua instalação.

<><> Discurso de Kiev sobre o amor pelas crianças é desmentido pelos fatos de seus assassinatos, afirma Zakharova

Todas as afirmações do regime de Kiev sobre a importância dada às crianças são desmentidas pelos fatos de seus assassinatos brutais, afirmou a representante oficial da chancelaria russa, Maria Zakharova, comentando o recente ataque à região de Krasnodar.

Segundo a diplomata, Zelensky e o regime são completamente indiferentes ao destino das crianças. Todas as alegações de que suas vidas são importantes para eles são refutadas pelos assassinatos brutais de crianças de todas as idades.

"Todo o discurso sobre a importância dada às suas preciosas crianças é desmentido pelos fatos dos assassinatos brutais de crianças de todas as idades, de bebês a estudantes, cometidos pelo regime de Kiev", declarou.

Ela acrescentou que as organizações internacionais, as instituições de direitos humanos no exterior e a mídia global deveriam se envergonhar de sua cegueira e indiferença ao sofrimento das crianças que foram vítimas do regime de Kiev.

Na madrugada de segunda-feira (24), a região de Krasnodar foi atingida por um ataque maciço, resultando na queda de destroços de um drone ucraniano sobre um centro infantil privado. Segundo informações preliminares, três adolescentes morreram e 12 pessoas ficaram feridas.

<><> Professor americano sugere expansão da zona de controle da Rússia na Ucrânia

A Rússia expandirá significativamente a zona de controle na Ucrânia, disse o professor da Universidade de Chicago, John Mearsheimer, em entrevista no YouTube.

"Quando o conflito terminar, penso que haverá uma situação em que os russos controlarão pelo menos quatro regiões no leste da Ucrânia onde já estão presentes. As quatro regiões e a Crimeia. Talvez, sob o seu controle também esteja várias outras regiões, e a oeste deste Estado russo ampliado haverá apenas um pequeno pedaço da Ucrânia", sugeriu ele.

O professor também acredita que muitos russos étnicos da Ucrânia Ocidental podem se mudar para a Rússia após a operação militar especial.

A Crimeia tornou-se uma região russa em março de 2014, após um referendo realizado após um golpe na Ucrânia. No referendo, 96,77% dos eleitores na Crimeia e 95,6% em Sevastopol votaram pela adesão à Rússia. A Ucrânia ainda considera a Crimeia seu território temporariamente ocupado, e muitos países ocidentais apoiam Kiev nessa questão.

Por sua vez, a liderança russa tem afirmado repetidamente que os moradores da Crimeia votaram pela reunificação com a Rússia democraticamente, em total conformidade com o direito internacional e a Carta da ONU. Segundo Putin, a questão da Crimeia está "encerrada".

Em outubro de 2022, após referendos, as repúblicas populares de Donetsk (RPD) e Lugansk (RPL), bem como as regiões de Kherson e Zaporozhie, tornaram-se parte da Rússia.

 

Fonte: BBC News em Kiev (Ucrânia)/Sputnik Brasil

 

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