Flávio
Bolsonaro joga sujo com o povo evangélico e com o Brasil
O
candidato à presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) faltou ao primeiro
debate presidencial de 2026, realizado pela Band neste domingo (23), mas
encontrou uma maneira de ocupar o espaço político e, sobretudo, religioso da
disputa. Em vídeo publicado nas redes sociais durante a realização do debate, o
filho de Jair Bolsonaro afirmou que, caso seja eleito, um de seus primeiros
atos será “decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”. A declaração veio
acompanhada da justificativa de que seus verdadeiros adversários seriam aqueles
que, segundo ele, “não acreditam em Deus”.
Não se
trata apenas de uma frase de efeito. A promessa é juridicamente incompatível
com o Estado brasileiro tal como definido pela Constituição de 1988. O artigo
19 estabelece que é vedado à União estabelecer cultos religiosos ou igrejas,
manter com eles relações de dependência ou aliança e criar distinções entre
brasileiros. O artigo 5º, por sua vez, garante a liberdade de consciência e de
crença e o livre exercício dos cultos religiosos. O Supremo Tribunal Federal é
igualmente explícito ao reconhecer que o Brasil é uma República laica e que o
Estado deve permanecer neutro diante das religiões.
Portanto,
um presidente da República não poderia simplesmente “decretar” que o Brasil
pertence a Jesus Cristo. Um decreto presidencial não tem poder para transformar
a natureza constitucional do Estado. Uma eventual mudança para um Estado
confessional exigiria uma alteração constitucional de enorme alcance,
confrontando o princípio da laicidade, a liberdade religiosa e a igualdade
entre cidadãos de diferentes crenças — ou que não professam nenhuma.
É
justamente aí que reside a gravidade política da fala de Flávio Bolsonaro. O
candidato sabe, ou deveria saber, que não pode transformar uma convicção
religiosa particular em fundamento jurídico do Estado. Ainda assim, apresenta a
promessa como se fosse uma medida administrativa simples, capaz de ser tomada
nos primeiros dias de governo. Não é.
O
problema se torna ainda mais evidente quando se observa o histórico da própria
família Bolsonaro. Em outubro de 2022, Jair Bolsonaro publicou uma oração na
qual, na condição de chefe da Nação, afirmou renovar um pedido atribuído à
Princesa Isabel para que Nossa Senhora fosse a “Suprema Governante” do Brasil.
No mesmo ato simbólico, declarou entregar a Maria a faixa presidencial. A
oração também falava em consagrar o país e em fazer do Brasil uma nação cujo
Deus seria o Senhor.
A
diferença é que, naquele episódio, a linguagem estava dirigida ao universo
católico. Agora, Flávio Bolsonaro recorre diretamente à linguagem evangélica e
pentecostal, falando em Jesus Cristo como fundamento da própria nação. A
mensagem é clara: a família Bolsonaro parece disposta a enganar eleitoralmente
os diferentes segmentos do cristianismo, mobilizando símbolos e crenças
religiosas conforme o público que pretende alcançar.
Não há
problema algum em um candidato declarar sua fé. Um cristão pode defender
publicamente suas convicções, assim como qualquer cidadão pode professar sua
religião. O problema começa quando a fé pessoal é apresentada como projeto de
Estado e quando uma determinada compreensão religiosa é transformada em
identidade oficial da República.
É
também um desrespeito ao próprio eleitor evangélico. Muitos cristãos acreditam
sinceramente em orações de consagração, em declarações de fé sobre a nação e na
ideia de que o Brasil deve estar “nas mãos de Deus”. Flávio Bolsonaro sabe
disso. Ao apresentar uma promessa constitucionalmente inviável como se fosse um
ato de governo, ele pode estar explorando justamente essa dimensão da fé para
produzir identificação eleitoral. É uma forma de jogar com a crença das
pessoas.
A
laicidade é uma das garantias que permitem ao cristão professar sua fé
livremente sem que o Estado imponha outra religião — e também sem que uma
determinada vertente cristã seja transformada em religião oficial. O mesmo
princípio protege católicos, evangélicos, espíritas, religiões de matriz
africana, judeus, muçulmanos, pessoas de outras tradições religiosas e também
quem não acredita em Deus. O Brasil não pertence a uma igreja, a um pastor, a
um padre ou a um presidente. O Brasil pertence aos brasileiros.
Mais do
que uma promessa impossível, portanto, a declaração revela uma estratégia
eleitoral. Ao transformar uma questão constitucional em slogan religioso,
Flávio Bolsonaro aposta na emoção de parte do eleitorado evangélico e tenta
fazer parecer que quem rejeita sua proposta estaria rejeitando o próprio Jesus.
Essa é uma armadilha perigosa. Fé não é sinônimo de projeto de poder. E usar o
nome de Jesus para vender ao eleitor uma promessa inconstitucional não é
defender o cristianismo. É instrumentalizar a fé.
O MEP –
Movimento Evangélico Progressista lançou uma nota de repúdio em relação à
declaração de Flávio, que afronta tanto o princípio do estado laico quanto a
liberdade de consciência de cada cristã ou cristão que exerce livremente sua
cidadania, defendendo a plena liberdade religiosa para todas as pessoas.
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Eduardo Bolsonaro confirmou que Cerimedo ajudou tentativa de golpe de Jair e
sinalizou ação com Flávio
o ato
de premiação da Hispanic Prosperity Gala, evento de gala que premiou
latino-americanos que ajudam os EUA, ocorrido em fevereiro em Mar-a-Lago, clube
privado de Donald Trump na Flórida, Eduardo Bolsonaro (PL-SP) confirmou que o
argentino Fernando Cerimedo ajudou o pai, Jair Bolsonaro, na tentativa de golpe
de 2022, e sinalizou que o marqueteiro, que atuou na campanha de Javier Milei,
estaria com Flávio Bolsonaro na disputa atual.
“É uma
honra estar aqui e abrir espaço para um argentino. E veja bem, quem fala é um
brasileiro. Mas [falo de] um homem que quase fez com que eu fosse preso. E isso
não é brincadeira. Fernando Cerimedo teve a coragem de ajudar o Brasil a partir
da Argentina”, disse Eduardo, que explicou o motivo em seguida.
“Ao
expor a possível fraude eleitoral ocorrida em 2022 — a eleição que tornou o
socialista Lula da Silva o presidente eleito do Brasil. Fernando Cerimedo usou
dados — dados do Tribunal Superior Eleitoral. Até hoje, seus vídeos no YouTube
permanecem censurados no Brasil”, emendou, sobre a tentativa de Cerimedo,
condenado juntamente com Jair Bolsonaro na ação sobre o golpe, de incendiar o
Brasil após a vitória de Lula.
O vídeo
foi gravado em Mar-a-Lago no evento que aconteceu no final de fevereiro na
Flórida, mas passou a circular nas redes após a prisão de Cerimedo na Bolívia
pela tentativa de assassinato da ex, a advogada Nádia Beller.
“É um
grande prazer e uma grande honra convidar Fernando Cerimedo ao palco — um
argentino corajoso que teve a ousadia de expor as injustiças que ocorrem no
mundo. Estamos aqui juntos hoje para dizer a Alexandre de Moraes: “Não temos
medo de você”. Você prendeu meu pai; nós vamos vencer as eleições de outubro
com meu irmão Flávio e tirar você da Suprema Corte brasileira”, disse Eduardo
em espanhol, ao anunciar o amigo no palco.
Cerimedo
mantém até está segunda-feira (24) uma foto fixada em destaque ao lado de
Eduardo Bolsonaro no dia da premiação em seu perfil no Instagram.
“Paguei
meu preço, ganhei as manchetes, mudei perspectivas — tudo isso no espaço de um
único dia. Treinei tropas — jovens corajosos — e os levei à fama, mantendo-me
sempre fiel à causa”, disse Cerimedo ao receber a honraria, ao detalhar seu
plano de impulsionar publicações e perfis da ultradireita, ajudando a eleger
candidatos da base bolsonarista no Brasil.
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Sócio lobista
Amigo
íntimo de Eduardo, Cerimedo tem como sócio Damián Merlo, um dos principais
articuladores do lobby de políticos da ultradireita latina americana junto ao
governo Donald Trump e intermediador de agentes da Casa Branca em campanhas
presidenciais na região, como a de Nayib Bukele em El Salvador, de Javier Milei
na Argentina e, ao que tudo indica, a que pretende colocar Flávio Bolsonaro
(PL) na Presidência da República no Brasil.
Merlo
aparece em documentos do Departamento de Justiça dos Estados Unidos como
responsável pela Latin America Advisory Group (LAAG), empresa registrada sob o
Foreign Agents Registration Act (FARA), uma lei dos EUA criada em 1938 que
exige o registro público de pessoas e empresas que fazem lobby ou propaganda no
país a mando de governos ou entidades de fora. Ou seja, o sócio de Milei é
lobista de governos latino-americanos junto à Casa Branca e ao Congresso dos
EUA.
Amigo
do clã Bolsonaro e pivô do vídeo contestando as urnas eletrônicas no Brasil em
dezembro de 2022, em meio à tentativa de golpe de Jair Bolsonaro (PL), Cerimedo
registrou, em maio de 2024, a sua empresa Numen Advisors LLC em Biscayne
Boulevard, em Miami.
Segundo
informações divulgadas pelo jornal mexicano La Jornada nestas segunda-feira
(24), um documento submetido ao Departamento de Justiça dos EUA datado de 4 de
setembro de 2023, é endereçado a “Fernando Cerimedo, CEO da Numen” e assinado
por Damián Merlo, sócio da LAAG, documenta a assinatura de um contrato de
colaboração com a campanha de Javier Milei até 10 de dezembro daquele ano.
O
documento previa atuação sobre a imprensa americana, preparação de artigos de
opinião, contatos com integrantes da Câmara e do Senado dos EUA, aproximação
com comissões de relações exteriores do Congresso e articulação com importantes
think tanks de Washington, entre eles Heritage Foundation, CSIS, Council on
Foreign Relations e Atlantic Council. Também previa auxílio na organização de
uma visita de Milei a Washington.
Ainda
de acordo com o jornal mexicana, foi Merlo quem transmitiu a Cerimedo o pedido
de entrevista do programa de Tucker Carlson a Milei. Cerimedo teria respondido
imediatamente que cuidaria da operação. A entrevista acabou dando enorme
projeção internacional ao então candidato argentino.
Expoente
da ultradireita dos EUA, Carlson esteve no Brasil em junho de 2022, às vésperas
do início da campanha presidencial para uma entrevista exclusiva com Jair
Bolsonaro no Palácio da Alvorada. À época, ventilou-se que a intermediação
havia sido feita pelo filho Eduardo Bolsonaro.
• Sócio de empresa ligada à produtora de
filme de Bolsonaro é integrante do PCC, diz MP
ark
Horse, filme sobre Jair Bolsonaro, voltou ao centro da apuração sobre a rede de
empresas ligada à sua produtora após o Ministério Público de São Paulo apontar
Alex Leandro Bispo dos Santos, sócio da Favela Conectada Serviço e Tecnologia
Ltda., como integrante do PCC. A empresa foi subcontratada pelo Instituto
Conhecer Brasil, entidade presidida por Karina Ferreira da Gama, dona da Go Up
Entertainment, produtora do longa bolsonarista.
Alex
Leandro Bispo dos Santos está preso por feminicídio em São Paulo. A nova
revelação amplia a pressão sobre o entorno de Dark Horse, que já aparece em
apurações envolvendo contratos públicos, movimentação de recursos, suspeitas de
lavagem de dinheiro e a produtora responsável pela cinebiografia de Bolsonaro.
O
Instituto Conhecer Brasil firmou parceria com a Prefeitura de São Paulo no
programa WiFi Livre SP, voltado à implantação de pontos de internet pública em
comunidades da capital. A página oficial de convênios da Secretaria Municipal
de Inovação e Tecnologia registra termo de colaboração com o Instituto Conhecer
Brasil no âmbito do programa.
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Dark Horse, PCC e a subcontratada no WiFi Livre SP
A
Favela Conectada, empresa de Alex Leandro Bispo dos Santos, foi subcontratada
pelo Instituto Conhecer Brasil para atuar no projeto de wi-fi em favelas de São
Paulo. O acordo previa até R$ 12 milhões para a implantação de 2.000 pontos de
internet nas zonas oeste e sul da capital paulista.
Um
extrato contratual aponta pagamento de R$ 2 milhões à Favela Conectada em 7 de
julho de 2025. A Prefeitura de São Paulo afirma que não teve vínculo contratual
direto com a empresa nem com Alex Leandro Bispo dos Santos, e que a relação
jurídica do município ocorreu exclusivamente com o Instituto Conhecer Brasil.
A
gestão municipal também afirma que a Favela Conectada não atua como parceira do
Instituto Conhecer Brasil no Programa WiFi Livre SP desde dezembro de 2025. O
instituto sustenta que a contratação da empresa foi feita diretamente pela
entidade, sem indicação da Prefeitura de São Paulo ou da Secretaria Municipal
de Inovação e Tecnologia.
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Alex Leandro Bispo dos Santos é citado pelo Ministério Público de SP
Alex
Leandro Bispo dos Santos está preso pelo feminicídio de Maria Katiane Gomes da
Silva, que morreu após cair do 10º andar de um prédio na zona sul de São Paulo.
Para o Ministério Público de São Paulo, a morte foi homicídio, e não suicídio.
Santos
aparece em mais de 60 registros processuais no Conselho Nacional de Justiça. A
presença do nome nos processos não significa que ele seja réu em todos, mas
parte dos procedimentos envolve acusações criminais, como roubo, extorsão
mediante sequestro e feminicídio.
A
defesa de Santos nega a acusação de ligação com o PCC e também nega o
feminicídio. O advogado Eugênio Malavasi afirmou que “evidência não é prova” e
declarou que o empresário nega “peremptoriamente” integrar facção criminosa.
Sobre a morte de Maria Katiane, a defesa sustenta que Santos não jogou a
companheira do prédio.
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Produtora de Dark Horse já era alvo de apurações
A nova
frente reforça a centralidade de Dark Horse nas apurações sobre a produtora
ligada ao projeto bolsonarista. A Fórum já mostrou o suposto elo entre o filme
de Bolsonaro e o PCC a partir de investigações sobre a rede financeira ligada
ao longa.
Em
outro desdobramento, a Polícia Federal pediu a quebra de sigilo da produtora
responsável por Dark Horse. A apuração mira a movimentação de recursos ligados
à produção do filme e seus possíveis vínculos com outros investigados.
Karina
Ferreira da Gama também aparece vinculada a contratos públicos por meio de
empresas e entidades relacionadas ao ecossistema da Go Up Entertainment. A
Fórum revelou que a produtora de Dark Horse aparece em contratos com 51
governos, em uma rede que passou a ser escrutinada depois de o filme entrar no
centro das apurações.
Até
aqui, os elementos disponíveis indicam que a Favela Conectada foi subcontratada
pelo Instituto Conhecer Brasil no projeto WiFi Livre SP. Não há, no material
analisado, registro de contrato direto entre a Prefeitura de São Paulo e a
empresa de Alex Leandro Bispo dos Santos.
O ponto
central da nova revelação é que a subcontratada da entidade ligada à produtora
de Dark Horse tem como sócio um empresário que, segundo o Ministério Público de
São Paulo, integra o PCC e está preso por feminicídio.
Fonte:
Por Zé Barbosa Junior, na Fórum

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