O risco de anestesia genital depois de
interromper o uso de antidepressivos
Durante a pandemia, J.
não soube lidar com a ansiedade provocada pelo isolamento e, com a devida
orientação de um psiquiatra, começou a fazer uso de antidepressivos. Quando a
situação se normalizou, ficou feliz de poder abrir mão da medicação, mas sofreu
um choque: ao suspender o remédio, passou a enfrentar um quadro de disfunção
sexual severa. Pior: perdera toda a sensibilidade dos genitais. M. chegou aos
30 anos sem ter tido um orgasmo. Ao rever seu histórico médico, descobriu que,
aos 11 anos, havia utilizado antidepressivos e se pergunta se isso não foi
determinante para uma disfunção sexual permanente. O que J. e M. têm em comum é
uma condição pouco compreendida, mas que começa a chamar a atenção: a disfunção
sexual pós-antidepressivos (Post-SSRI Sexual Dysfunction ou PSSD). Para
entender melhor a questão, conversei com o pesquisador Pedro Marinho, que faz
doutorado em farmacologia na University of Toronto (Canadá). Ele é coautor de
artigo sobre o tema publicado recentemente na prestigiada revista científica
Social Psychiatry and Psychiatric Epidemiology.
“Desde a década de
1990, a disfunção sexual é um efeito colateral bastante conhecido dos
antidepressivos, que atinge cerca de 75% dos pacientes. O que não tem a mesma
visibilidade é que essa condição pode continuar por tempo indefinido, e até
piorar, depois da interrupção do tratamento. Especificamente, me refiro aos
inibidores seletivos da recaptação da serotonina e inibidores seletivos da
recaptação da serotonina e da noradrenalina”, explica Marinho. “São
medicamentos usados para um leque amplo de transtornos, como ansiedade, TOC,
depressão, pânico, dor crônica e síndrome do intestino irritável. Nos Estados
Unidos, 12% da população fazem uso contínuo desses remédios. Contudo, em um
grupo de pacientes, a disfunção sexual não só persiste indefinidamente como,
com frequência, se torna mais severa. O sintoma cardinal (principal) da PSSD é
a anestesia genital. A anestesia não está atrelada a outros sintomas de
depressão ou distúrbios psiquiátricos, é algo bem específico. Muitos chegam a
afirmar que se sentem castrados quimicamente, que há uma desconexão total entre
o cérebro e os genitais”, acrescenta.
Os sintomas incluem
ainda redução ou perda da libido, inabilidade de ter orgasmos, disfunção erétil
em homens e falta de lubrificação vaginal em mulheres. A PSSD ocorre em ambos
os sexos, em todas as faixas etárias. Como se trata de uma condição pouco conhecida,
os pacientes se deparam com a descrença dos profissionais de saúde quando
relatam seus sintomas – a queixa é quase sempre associada a um quadro de
depressão, como se não houvesse qualquer ligação com o medicamento.
“Quem tomou
antidepressivos antes da adolescência, ou das primeiras relações sexuais, pode
não saber o real impacto da medicação em sua sexualidade, por não dispor do
baseline (um estado anterior) para comparar. Há pessoas que acreditavam ser
assexuais, até se darem conta de que o fato de não sentirem seus órgãos
genitais, ou de não terem um orgasmo, talvez esteja vinculado à utilização do
medicamento quando muito jovens. Apesar de existirem diversos antigos
científicos descrevendo o problema, não há tratamentos para a PSSD”, diz
Marinho.
Há comunidades, como a
PSSD Network e a Canadian PSSD Society, e grupos de apoio e fóruns on-line no
Reddit e Facebook. Além de dar suporte emocional aos membros, um dos objetivos
dessas associações é levantar fundos para pesquisa. Veículos consagrados, como
os jornais “The New York Times” e “The Guardian”, também se debruçaram sobre o
assunto. O artigo, intitulado “Frequency of self-reported persistent
post-treatment genital hypoesthesia among past antidepressant users: a
cross-sectional survey of sexual and gender minority youth in Canada and the
US”, investigou a prevalência da anestesia (hipoestesia) genital em pacientes
que suspenderam o tratamento com antidepressivos nos EUA e Canadá.
“Nossos dados dão uma
estimativa de prevalência de que até 13.2% dos pacientes reportaram a
persistência da anestesia genital após a interrupção do tratamento com
antidepressivos, quando comparados com outros medicamentos psiquiátricos.
Estamos diante de um cenário no qual uma quantidade significativa de indivíduos
está sob o risco de desenvolver disfunção sexual irreversível após utilizar uma
classe de medicamentos extremamente comum. Devido ao aumento de prescrições
durante a pandemia, é possível que o número de pessoas com essa condição cresça
muito”, alerta o pesquisador.
• Cinta funciona para dor lombar? Entenda
quando ela pode ou não ser usada
Dor na lombar (ou
lombalgia) é aquele desconforto na parte inferior das costas. Estima-se que 80%
das pessoas no mundo sofram com isso.
Na maioria das vezes,
fazer uma caminhada de intensidade leve ou moderada, para além de praticar
exercícios físicos regularmente, pode melhorar a qualidade de vida do paciente.
É o que sugere um recente estudo australiano publicado na "Lancet",
importante revista de divulgação científica.
O médico Ricardo
Meirelles, ortopedista chefe da cirurgia de coluna do Into, o Instituto
Nacional de Traumatologia e Ortopedia, que fica no Rio de Janeiro, concorda com
o resultado apresentado pelo trabalho. Ele foi entrevistado pelo podcast Bem
Estar. Ouça no player acima.
"Esse estudo
mostrou que as pessoas que mantinham uma regularidade de caminhadas de três a
cinco vezes por semana numa faixa aí de 30 minutos diários tiveram uma segunda
crise de dor lombar mais adiante, mais espaçada uma da outra. E, quando essa crise
vinha, era numa intensidade menor."
"Então, mostrou
que um exercício simples, barato e de fácil acesso a todos, incluindo pessoas
que moram no meio rural, que moram isoladas, que antes não teriam acesso a uma
academia ou um pilates especializado, elas podem se beneficiar cima de uma caminhada
com regularidade."
Sobre a intensidade,
Meirelles ressalta que isso é pessoal. O ideal é que sempre as pessoas busquem
uma maior intensidade sempre, mas que isso pode ser melhorado com o tempo e com
a prática.
<><> Uso
de cintas
Quando a dor vem,
muita gente, mesmo sem indicação, tende a usar cintas, algo que Meirelles
desaconselha a ser feito com regularidade, já que pode causar uma certa
dependência. O ideal, mesmo, é fortalecer o músculo e usar a cinta vez ou
outra, mas sempre com acompanhamento.
"Eu desestimulo
muito meus pacientes a usar qualquer tipo de mobilização no tronco, porque toda
vez que a gente substitui a função de um músculo, você leva esse músculo a uma
hipotrofia e um enfraquecimento."
"Então, quem usa
cinta com regularidade vai ter muita dificuldade de ficar sem ela. Essa pessoa
está fazendo justamente o oposto do que a gente recomenda, que é o
fortalecimento da musculatura."
Mas Meirelles ressalta
que, em alguns casos, como proteção, a cinta pode ser indicada. Em casos de
trabalhadores que precisam de proteção e quando o paciente está com dor
crônica, a cinta oferece uma analgesia.
"Usar uma cinta
para proteger a lombar, por exemplo, se você é um trabalhador braçal e precisa
erguer um peso, tudo bem, porque você está protegendo numa situação
específica."
"Se você está
numa crise de dor lombar aguda, por exemplo, uma uma crise muito forte de dor,
aí, sim, você pode usar uma cinta para te dar um pouco de analgesia, que é a
melhora da dor, mas fazer uso crônico indiscriminado da cinta não é legal."
<><>
Grávidas podem?
Principalmente no
final da gestação, é comum que grávidas tenham dores na lombar com frequência.
Meirelles explica que
elas entram em uma situação específica, em que a cinta para segurar a barriga
pode ser usada, se o médico que acompanha a mulher der o aval, claro.
"Por conta do tamanho
da barriga, essa barriga pesada e volumosa, ela acaba levando o tronco um
pouquinho para frente. Isso nos desvia gravitacionalmente para frente. Com
isso, a musculatura precisa fazer mais força para manter a cabeça centrada e é
daí vem a dor nas grávidas."
"Não tem problema
nenhum o uso de uma cinta elástica ou qualquer dispositivo que ajude essa
mulher a manter o centro de equilíbrio."
De todo modo, para
todo tipo de caso, vale ressaltar: consulte sempre um médico especialista,
investigue as causas da dor na lombar e siga o tratamento recomendado por quem
entende do assunto.
Fonte: g1

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