quarta-feira, 12 de julho de 2023

Influenciadores digitais incentivaram e lucraram com os atos de 8 de janeiro, diz Abin

Relatórios elaborados pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) apontam que influenciadores digitais desempenharam um papel crucial na radicalização que culminou na invasão das sedes dos três Poderes, além de terem lucrado com os ataques golpistas ocorridos em 8 de janeiro. Os documentos foram fornecidos à CPI que investiga os atos no Congresso Nacional.

Segundo o jornal Folha de S.Paulo, a Abin identificou o papel dos influenciadores digitais no fortalecimento de narrativas, na canalização de queixas e ressentimentos em críticas políticas contra governos e instituições, bem como no estímulo à polarização e incitação à violência entre outras pessoas.

"[Eles] auxiliam na criação de uma visão polarizada, que a partir dela a hostilidade é direcionada a um alvo cuja existência é considerada uma ameaça. Ainda que indivíduos com esse perfil geralmente não participem de ações com maior grau de violência, sua função é essencial para incitar outras pessoas a realizarem atos de extremismo violento", diz.

Uma das pessoas mencionadas pela Abin é Adriano Luiz Ramos de Castro, conhecido por ter participado da primeira edição do Big Brother Brasil. De acordo com a agência, ele esteve presente no acampamento golpista em frente ao Comando Militar de Salvador, participou da invasão das sedes dos Três Poderes e realizou transmissões ao vivo desses eventos por meio do YouTube.

Já a youtuber Elaine Helena Roque retransmitiu e fez comentários ao vivo em seu canal no YouTube sobre os ataques ocorridos em 8 de janeiro. O vídeo, que já foi apagado, alcançou mais de 42 mil visualizações e gerou dividendos pagos pelo YouTube, conforme relatado pela agência.

O vereador Genival Fagundes (PL), de Planaltina de Goiás, também realizou transmissões ao vivo e presenciais da invasão através do YouTube. Embora o canal tenha sido desativado pelo próprio vereador, estima-se que ele tenha obtido um faturamento mínimo de R$ 135 mil, de acordo com os dados da agência.

"A transmissão rendeu dividendos pagos pela plataforma ao canal de Genival Fagundes, Política sem Curva. Enquanto transmitia, Fagundes narrava atos e exaltava os invasores, defendia a ação e orientava os participantes", descreve o relatório.

 

       PF interroga Bolsonaro este mês sobre caso Marcos Do Val

 

Investigadores da Polícia Federal querem ouvir, até o fim de julho, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo fontes ouvidas pelo blog, o novo depoimento ainda não tem data definida, mas a PF quer dar prioridade para que ele ocorra nas próximas semanas.

Bolsonaro deve ser ouvido em desdobramento das investigações sobre a suposta participação do senador Marcos do Val (Podemos-ES) numa trama golpista. A PF quer ouvir outros personagens que teriam interagido com o parlamentar.

Em 16 de junho, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o ex-presidente preste novo depoimento à Polícia Federal. Esse será o quarto depoimento dele autorizado este ano pelo STF.

Em fevereiro, Do Val acusou Bolsonaro e o ex-deputado Daniel Silveira de organizarem uma reunião, no fim de 2022, para propor o envolvimento do senador em um plano de golpe de Estado. Em junho, Marcos do Val foi alvo de uma operação da Polícia Federal, que investiga obstrução de investigações sobre os atos golpistas do 8 de janeiro.

A PF encontrou conversas entre o senador e Daniel Silveira, indicando que agiram em conjunto na tentativa de sabotar investigações relacionadas aos atos golpistas, além de fazer ataques ao Supremo Tribunal Federal, à PF e a outros envolvidos nas apurações. Chamaram também atenção dos investigadores as várias mudanças de versões do senador sobre a suposta articulação de golpe de estado.

•        PF já ouviu Daniel Silveira

No fim de junho, policiais federais ouviram o ex-deputado federal Daniel Silveira, que está preso em Bangu 8, no Complexo de Gericinó, no Rio de Janeiro, desde fevereiro por descumprir medidas cautelares definidas pelo STF – como o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de usar redes sociais.

Segundo fontes da PF, Silveira recebeu bem a equipe da PF, mas contou uma versão já ensaiada dos fatos que não convenceu os investigadores – “uma versão muito mal contada”, disse uma fonte.

•        Outros depoimentos de Bolsonaro

Desde que deixou a Presidência da República, Jair Bolsonaro já prestou depoimento à PF em, pelo menos, três ocasiões.

No início de abril, ele foi ouvido no inquérito que apura a tentativa de liberação de joias doadas pelo regime saudita, avaliadas em R$ 5 milhões. O material entrou irregularmente no país e foi apreendido. No fim do mandato, uma equipe da presidência tentou reavê-lo junto à Receita, sem sucesso.

No depoimento, Bolsonaro alegou que ficou sabendo das joias sauditas um ano depois, mas não se lembra de quem o avisou.

No fim de abril, Bolsonaro prestou depoimento no inquérito que apura os atos golpistas de 8 de janeiro. Ele é suspeito de ter incitado os ataques. Aos policiais, o ex-presidente disse que estava sob efeito de remédios quando publicou um vídeo com ataques infundados ao sistema eleitoral.

Já em maio, Bolsonaro foi ouvido no inquérito que apura fraude em cartões de vacina dele, da filha e de auxiliares. O ex-presidente negou ter dado ordens para inserir dados falsos sobre vacina no sistema do Ministério da Saúde.

 

       De fraude em cartão de vacina a joias sauditas: relembre inquéritos contra Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro

 

O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, compareceu nesta terça-feira (11) à CPI dos Atos Golpistas do Congresso Nacional para prestar depoimento. No início da sessão, Cid informou que ficaria em silêncio no depoimento. Usou como base a decisão da ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), que o autorizou a ficar calado quando fosse perguntando sobre assuntos que pudessem incriminá-lo.

Ele está preso desde 3 de maio, suspeito de inserir dados falsos no sistema do Ministério de Saúde e adulterar carteiras de vacinação contra a Covid. É investigado, também, por mensagens em seu celular que tratavam de articulações para um suposto golpe de Estado.

Desde abril, Mauro Cid foi convocado para prestar depoimento em outras seis oportunidades. Veja a cronologia:

💎 5 de abril: joias sauditas

O ex-ajudante de ordens compareceu à Polícia Federal na capital paulista para depor sobre a tentativa de liberação na alfândega de joias dadas de presente pelo governo da Arábia Saudita à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Na mesma ocasião, o ex-subsecretário-geral da Receita Federal do Brasil José de Assis Ferraz Neto e o ex-presidente Bolsonaro também prestaram depoimento.

💉 3 de maio: fraude no cartão de vacina

No dia em que foi preso pela Polícia Federal, Mauro Cid tentou esconder dos investigadores o dinheiro vivo que tinha em casa. Depois, no depoimento diante dos agentes já no prédio da PF, ficou nervoso e não respondeu às perguntas que foram feitas.

Cid e outras cinco pessoas foram presas em operação deflagrada pela PF para investiga fraudes nos cartões de vacinação do ex-presidente Jair Bolsonaro e de pessoas de seu entorno.

💉 18 de maio: fraude no cartão de vacina

Já preso, Cid foi chamado pela PF para dar explicações no caso que investiga fraude nos cartões de vacina de Bolsonaro, da filha adolescente e de outras pessoas do entorno do ex-presidente. Nessa ocasião, o ex-ajudante de ordens ficou em silêncio durante seu depoimento.

No depoimento, ele alegou que não teve acesso ao conteúdo integral da investigação. Diante disso, a PF não insistiu em fazer perguntas.

💎 22 de maio: joias sauditas

Em novo depoimento, dessa vez sobre as joias sauditas, Cid respondeu todas as perguntas da Polícia Federal. A PF queria esclarecimentos sobre a participação de Cid na tentativa de liberação das joias. As dúvidas surgiram depois dos outros depoimentos colhidos durante a investigação.

De acordo com o Cid, o então presidente o avisou sobre a existência das joias retidas no aeroporto em meados de dezembro de 2022, e pediu que o ajudante de ordens checasse se era possível regularizar os itens.

🚨 6 de junho: atos golpistas

Mauro Cid foi chamado para explicar conversas alusivas a uma tentativa de golpe de estado. Na perícia feita no telefone apreendido com ele no dia em que foi preso, foram encontradas várias conversas com pessoas ligadas a ele e ao ex-presidente Bolsonaro sobre tratativas e tramas para inviabilizar a posse do então candidato Lula e manter Jair Bolsonaro no poder. O tenente-coronel permaneceu em silêncio mais uma vez.

🚨 30 de junho: atos golpistas

Em seu mais recente depoimento à PF, Mauro Cid afirmou que não acreditava em um golpe para manter o ex-presidente Jair Bolsonaro no poder. O tenente-coronel foi ouvido em desdobramento das investigações dos atos golpistas de janeiro.

Ele deixou o Batalhão da Polícia do Exército onde está preso desde 3 de maio e ficou na sede da PF em Brasília por quatro horas. Mauro Cid já tinha sido chamado a depor antes nesse caso, mas havia ficado em silêncio. A defesa alegou que não tinha tido acesso à investigação. Desta vez, ele respondeu a parte das perguntas. O depoimento foi enviado pela PF ao Supremo Tribunal Federal.

•        Direito de ficar em silêncio

Os requerimentos que levaram Mauro Cid a prestar o depoimento desta terça-feira o colocaram tanto na condição de testemunha quanto na condição de investigado.

Há diferença nessas duas condições porque:

•        se for como testemunha: é obrigado a responder a todos os questionamentos;

•        se for como investigado: pode ficar em silêncio para não produzir prova contra si.

Diante disso, a defesa do militar pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que ele não fosse obrigado a comparecer à comissão. A ministra Cármen Lúcia decidiu que ele deveria comparecer à CPI, mas poderia ficar calado para não se autoincriminar.

•        Prisão de Cid

Mauro Cid está preso por ser suspeito de ter fraudado o cartão de vacinas do então presidente da República para que Bolsonaro pudesse entrar nos Estados Unidos informando ter se vacinado contra a Covid.

Bolsonaro sempre disse que não havia se vacinado, mas consta do cartão de vacinas dele a imunização contra a Covid. E Cid é suspeito de ter atuado para fraudar o sistema do Ministério da Saúde.

 

       Joaquim de Carvalho: Nova gravação de Tony Garcia incrimina Januário Paludo e Carlos Fernando, os mentores da Lava Jato

 

Além de Sergio Moro, o empresário Tony Garcia gravou conversas com os procuradores da república. Neste novo trecho, que o 247 divulga com exclusividade, Januário Paludo e Carlos Fernando falam sobre a interceptação de um deputado federal, José Janene, que eles não poderiam investigar.

Era 2005, e Tony Garcia, após três meses de prisão, era um agente infiltrado de Moro e conversava com o então juiz e também com os procuradores da república que trabalhavam sob a coordenação de Moro, o que é ilegal. Como Tony Garcia contou ao 247, sua missão era atrair e gravar ilegalmente 32 autoridades, a maioria com o chamado foro privilegiado.

Na conversa que Tony divulga agora, Carlos Fernando dos Santos Lima demonstra que acompanhava online as interceptações. Carlos Fernando diz que sabia que ele havia conversado com o então deputado federal e também com o advogado Roberto Bertholdo.

Para o empresário e ex-agente infiltrado, isso demonstra que havia algum aparelho para recepcionar a escuta telefônica no próprio Ministério Público Federal em Curitiba.

Normalmente, as escutas são determinadas pela Justiça e monitoradas pela Polícia Federal, que envia os relatórios com o conteúdo da interceptação ao juiz que autorizou a medida.

Onze anos depois dessas escutas, Moro divulgou uma conversa da então presidente Dilma Rousseff com Lula horas depois de ocorrer, o que já levantou, na época, a suspeita de que o procedimento de escuta não seguia o protocolo. Ou seja, o próprio Moro sabia na hora o que seus principais alvos falavam.

No caso do grampo de Dilma Rousseff, sua realização foi ilegal e sua divulgação também, mas nada ocorreu com o então juiz, que pediu desculpas ao Supremo Tribunal Federal, por usurpar a competência da corte. Em 2005, como mostra a conversa gravada por Tony Garcia, a Lava Jato já ultrapassava os limites de sua jurisdição.

A conversa divulgada agora por Tony Garcia também mostra o interesse dos procuradores pelas gravações que o advogado Roberto Bertholdo mantinha em seu poder. Uma delas seria o registro em vídeo da festa da cueca que reuniu, no hotel Bourbon, em Curitiba, desembargadores e garotas de programa, em novembro de 2003.

Segundo Tony, Moro pressionou para ter o vídeo, mas, após consegui-lo, não teria juntado a nenhum processo. Por isso, o ex-agente infiltrado acredita que o então juiz tenha usado o vídeo para chantagear desembargadores do TRF-4, onde passou a ter poder incomum para quem atuava na primeira instância.

 

Fonte: Terra/g1/Brasil 247/UOL

 

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