quarta-feira, 12 de julho de 2023

Hacker diz à PF que Zambelli lhe pediu para invadir urna eletrônica ou contas de Moraes

A vida da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) deve se complicar nos próximos dias, pois, segundo apuração da jornalista Andréia Sadi, Walter Delgatti, também conhecido como o 'hacker de Araraquara', delatou a deputada à Polícia Federal (PF).

O hacker da Vaza Jato, Walter Delgatti Netto, disse em depoimento à Polícia Federal que a deputada Carla Zambelli (PL-SP) lhe pediu para invadir as urnas eletrônicas ou, caso não conseguisse, a conta de e-mail e o telefone de Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e ex-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

No depoimento à PF, Walter Delgatti também teria revelado que o pedido de Carla Zambelli foi feito em setembro de 2022 durante um encontro dos dois na Rodovia dos Bandeirantes, em São Paulo. À época, as pesquisas mostravam Lula (PT) à frente de Jair Bolsonaro (PL) na corrida eleitoral, e o então presidente da República e seus apoiadores vinham atacando, sem provas, a segurança do sistema eleitoral.

No depoimento, Delgatti admitiu que não conseguiu acessar o sistema da urna eletrônica nem o celular de Moares, e que não que não encontrou nada de comprometedor na conta de e-mail do magistrado, à qual teve acesso em 2019, quando invadiu aplicativos de outras autoridades.

•        Prisões

Preso naquele ano por conta desses acessos, Delgatti foi posto em liberdade, mas voltou a ser detido em junho, por descumprimento de medidas judiciais – ele estava proibido de acessar a internet, mas afirmou em entrevista estar cuidando do site e das redes sociais de Zambelli.

Após a nova detenção, Delgatti foi ouvido pela PF num inquérito que investiga a invasão do sistema de mandados de prisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e a inclusão de uma falsa ordem de detenção de Moares.

A deputada federal Carla Zambelli afirmou que desconhece e nega os fatos noticiados em relação às declarações do Hacker Delgatti.

Já o advogado de Zambelli, Daniel Bialski, informou que pedirá acesso aos autos e, depois de analisados, tomará todas as medidas cabíveis.

O advogado de Delgatti, Ariovaldo Moreira, informou que a defesa não iria se manifestar sobre o assunto.

A assessoria de Moraes informou que não comenta investigações em andamento.

•        Invasão ao CNJ

Delgatti contou que a criação da falsa ordem de detenção de Moraes foi uma ideia dele, como uma espécie de alternativa – já que Zambelli, segundo ele, queria alguma coisa que pudesse demonstrar a fragilidade da Justiça brasileira.

O hacker diz ter contado à deputada que tinha acesso ao sistema do CNJ e sugerido a emissão da ordem de prisão.

Zambelli, segundo o hacker, ficou empolgada, redigiu o documento e enviou para que Delgatti o incluísse no sistema. O hacker afirmou à PF que fez algumas alterações para corrigir falhas de português e emitiu o documento.

•        Entorno de Bolsonaro teme delação

Como o blog mostrou, a prisão de Delgatti tem assombrado o entorno de Bolsonaro, que teme uma delação. O hacker se reuniu com o então presidente em agosto de 2022 – antes, portanto, do encontro com Zambelli. Na ocasião, o núcleo bolsonarista quis saber detalhes do sistema de urnas eletrônicas.

No depoimento, Delgatti confirmou o encontro com Bolsonaro.

•        Encontro com Valdemar Costa Neto

Em entrevista ao Estúdio i, da GloboNews, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, minimizou nesta terça-feira (11) a reunião que teve com Delgatti antes das eleições no ano passado. Ele disse que o encontro aconteceu por insistência do hacker e negou que tenha sido iniciativa de Carla Zambelli.

Segundo Costa Neto, Delgatti queria ser contratado pelo partido, mas Zambelli, que estava um pouco atrás dele na reunião, fazia sinal negativo com a cabeça.

"Quando ele me disse: ‘Eu queria trabalhar para o senhor, eu queria ser contratado pelo PL’, eu falei: 'Mas eu não posso te contratar e ela fazia sinal para eu não contratar'".

Costa Neto desconversou ainda ao ser questionado se o hacker havia mencionado a possibilidade de invadir as urnas eletrônicas e disse que "nunca" duvidou da lisura do processo eleitoral.

"[Delgatti] Falou alguma coisa disso, que ele podia alterar o resultado das urnas, que ele podia mexer com isso. Às vezes, eu discordo do Bolsonaro disso - o pessoal do Bolsonaro fica chateado comigo de falar isso -, mas eu nunca duvidei das urnas, eu disputo das eleições desde 90, eu nunca duvidei das urnas", afirmou Costa Neto.

"Prisão de Xandão"

O Hacker de Araraquara também falou sobre a criação de uma falsa ordem de prisão para Alexandre de Moraes, que era uma ideia para compensar Carla Zambelli, que queria alguma coisa para atacar Moraes e revelar suposta fragilidade da Justiça brasileira.

Delgatti conta que Zambelli ficou animada com a ideia e redigiu o documento e enviou para ele para incluir no sistema. O hacker disse à PF que corrigiu erros de português e emitiu o documento.

•        Bolsonaristas estão em pânico

A soltura deixou setores do bolsonarismo apavorados devido a possíveis delações que o especialista em computação possa vir a fazer. Entre os prováveis alvos está a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), de quem Delgatti cuidou das redes sociais e de campanhas de financiamento por pix durante as últimas eleições. O principal temor é de que ele faça uma delação a respeito do envolvimento de Zambelli no episódio em que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) teve seu sistema digital invadido por hackers.

O que mais assusta Zambelli e o setor do bolsonarismo próximo dela é justamente o desconhecimento a respeito do que Delgatti possa vir a falar. A própria deputada declarou à imprensa que não sabe o teor de uma possível delação do hacker sobre o episódio.

Na referida invasão, em 19 de janeiro deste ano, foram alterados dados do Banco Nacional de Mandados de Prisão do CNJ, inserindo um falso mandado contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “Xandão”, como foi alcunhado pelos bolsonaristas, é um dos principais alvos da extrema-direita no Poder Judiciário.

Com a soltura, Delgatti terá de usar tornozeleira eletrônica e apresentar relatórios mensais completos, por e-mail, ao delegado responsável pelo caso, sobre suas atividades na internet. Além disso, também terá de atualizar seu endereço residencial para a Justiça e terá de avisar a polícia caso precise sair do estado de São Paulo por mais de 48 horas. Uma eventual delação ainda não foi confirmada, mas possibilidade existe.

<<< De algoz da Lava Jato aos braços de Zambelli e Bolsonaro

•        Vaza Jato

Em um primeiro momento, ainda antes de ter sua identidade revelada, mostrou ao Brasil as relações completamente irregulares entre o então juiz Sergio Moro, o então procurador – hoje ex-deputado cassado – Deltan Dallagnol, e outros membros da operação Lava Jato. As revelações primeiro tiveram o The Intercept na dianteira que, em seguida, incluiu um conjunto de meios de comunicação numa força-tarefa para analisar e publicar os conteúdos. À sério foi dado o nome Vaza Jato.

O resultado disso, ao longo do tempo, foi o fato de Moro ter sido declarado suspeito e seus processos da Lava Jato anulados, o que permitiu ao presidente Lula (PT) concorrer nas últimas eleições. Até aí, Delgatti era uma figura querida, e quase que folclórica, para o campo democrático.

Foi justamente quando começava oficialmente a campanha eleitoral do ano passado, mais precisamente em agosto de 2022, que Delgatti se aproximou do campo bolsonarista. A campanha de Bolsonaro, guiada pelas paranoias conspiratórias do então presidente, procurou Delgatti para saber o que pensava sobre a segurança das urnas eletrônicas. Entre as pessoas com quem Delgatti esteve está Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL. Ele dizia que tinha condições de hackear o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alexandre de Moraes. A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), aliada de Bolsonaro, também confirmou ter se encontrado com o hacker.

Fizemos um levantamento a partir dos arquivos recentes da Revista Fórum a fim de recordar os episódios que explicam essa relação entre Zambelli, Bolsonaro e o ‘hacker de Araraquara’.

 

       “Dono” do PL defende Zambelli de acusação do Hacker da Vaza Jato

 

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, disse hoje que se reuniu com o hacker da Vaza Jato, Walter Delgatti Netto, que pediu para trabalhar para o partido.

•        O que ele disse

Valdemar relembrou que a conversa foi intermediada pela deputada federal Carla Zambelli (PL-SP). “Quando ela levou o hacker para falar comigo, ela deixou bem claro o seguinte: ‘Valdemar, estou trazendo ele aqui porque ele pediu para conversar com você’. Eu falei: ‘O que você pretende?’ Na época, ele pretendia ser contratado por nós”, disse em entrevista à GloboNews.

Segundo ele, Zambelli não queria que ele fosse contratado. “Ela estava um pouco atrás dele e fazia assim para mim [sinal de negativo]. Ela levou ele lá porque ele pediu e ela quis ficar bem com o rapaz”.

Delgatti então disse para Valdemar que entrava no “telefone de todo mundo”. “Falei: ‘Não posso te contratar’. E ela fazia sinal para não contratar. Ele falou que entrava no telefone de todo mundo. Ele disse: ‘Faço o que você precisar’. ‘Quanto tempo você demora para entrar no meu celular?’, perguntei para ele”.

Questionado sobre as amizades de Zambelli, o chefe do partido disse que, na política, “a gente tem cada amigo, cada bomba”.

Justiça autoriza hacker a responder processo em liberdade

A Justiça Federal do DF autorizou ontem que Walter Delgatti Neto, conhecido como hacker da Vaza Jato, responda ao processo em liberdade. Ele está preso desde o último dia 28 por descumprimento de medidas cautelares.

Ele terá de seguir uma série de medidas cautelares e será monitorado, ainda segundo o defensor.

 

       Benedito Gonçalves deixa Carla Zambelli mais perto da cassação e inelegibilidade

 

A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), alvo de inquéritos no âmbito criminal, enfrenta também processos na Justiça Eleitoral e, após decisão desta segunda-feira (10) do ministro Benedito Gonçalves, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), está cada vez mais perto de ter o seu mandato cassado e ser declarada inelegível.

Gonçalves, que é o corregedor-geral eleitoral, despachou determinando que duas ações contra Zambelli sejam remetidas à Justiça Eleitoral de São Paulo, o que deve acelerar o processo. Ambas as ações acusam a deputada bolsonarista de abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação para a divulgação de notícias falsas sobre o sistema eleitoral brasileiro - ou seja, as representações contêm o mesmo teor daquela que fez o TSE sentenciar Jair Bolsonaro a 8 anos de inelegibilidade.

Os casos foram parar no TSE após pedido da defesa de Zambelli, que argumentou haver conexão entre as ações contra ela e outros processos do tipo na Corte. Benedito Gonçalves, entretanto, afirmou que a concentração das representações, neste caso, "não se justifica".

"Cabe lembrar que a reunião de processos é medida que atende à racionalidade processual. Sob essa óticaão se justifica a concentração, na Corregedoria-Geral Eleitoral, de todas as ações ajuizadas em quaisquer unidades da federação a respeito de fatos assemelhados, em prejuízo à tramitação célere das ações relativas ao pleito presidencial”, escreveu o ministro em seu despacho.

Desta maneira, uma vez remetidas as ações contra Zambelli para a Justiça Eleitoral de SP, o processo deve correr em tempo menor e a tendência é que a bolsonarista seja condenada.

Autor, ao lado da deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP), de uma das ações em questão, o deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ) celebrou a decisão de Benedito Gonçalves.

"A ação contesta um vídeo publicado por Zambelli, em 2022, em que ela instiga generais das Forças Armadas a não reconhecerem a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no pleito. Ou seja, uma tentativa de GOLPE! Carla Zambelli deve ser devidamente responsabilizada", escreveu o parlamentar.

 

       Advogada de Carla Zambelli deixa defesa por "inviabilidade financeira" da cliente

 

A advogada Karina Kufa, que também defende o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em parte de seus processos, deixou a defesa da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP). A explicação dada foi curta e grossa: a "inviabilidade financeira" da cliente frente à quantidade de demandas, que teria aumentado muito desde que seu escritório assumiu a defesa.

O escritório de Kufa atuava em mais de 40 processos movidos contra a parlamentar, além de uma parcela menor de cerca de 20 ações iniciadas pela deputada, abrangendo as áreas cível, eleitoral e penal.

Zambelli, por sua vez, afirmou à Folha através de sua assessoria que ainda não definiu quem será o advogado que irá representá-la e que está em contato com alguns nomes.

A deputada sofre processos de tudo que é jeito e para todos os gostos. Só no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), há ao menos quatro Aijes (ação de investigação judicial eleitoral) que têm Zambelli como um dos alvos. Por conta destas ações, a deputada poderá ser cassada e ter, assim como Bolsonaro, sua inelegibilidade por oito anos, a contar das eleições de 2022.

•        Ameaça com arma

Já no conhecido processo em que a deputada perseguiu um homem com a arma em punho, na véspera do segundo turno, que defende Zambelli é o advogado Daniel Leon Bialski. Ela afirma que agiu na ocasião em legítima defesa e que foi vítima de um agressor.

Zambelli também é alvo de representações sobre propaganda eleitoral irregular, tendo sido alvo de condenação em pelo menos duas delas durante o mês de maio.

Em um dos casos, ela foi multada em R$ 10 mil junto com os senadores Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Mara Gabrilli (PSD-SP) pela divulgação de desinformação que associou Lula à morte de Celso Daniel, ex-prefeito de Santo André (SP) assassinado em 2002.

Ela afirmou na época que há cerceamento ao "livre debate de ideias" e que não se pode aceitar que "somente as versões das autoridades sejam permitidas de serem propagadas".

•        Conteúdo falso

Em outra ação já decidida, o entendimento da corte também foi de que houve compartilhamento de conteúdo falso contra o petista por divulgação de um vídeo em que Lula é acusado de incentivar o uso de drogas por crianças e adolescentes e a frase "faz o L" é associada à criminalidade e censura nas redes. Além de Zambelli e Flávio, foram condenados também os deputados Nikolas Ferreira (PL-MG) e Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

Zambelli teve suas redes sociais suspensas pelo TSE na semana seguinte ao segundo turno.

Alexandre de Moraes desbloqueou os perfis em fevereiro, mas manteve multa de R$ 20 mil em caso de publicações "instigadoras ou incentivadoras de golpe militar, atentatórias à Justiça Eleitoral e ao Estado democrático".

Zambelli fez postagens de incentivo a atos de cunho golpista após as eleições, como aos bloqueios em rodovias que se espalharam pelo país após a vitória de Lula nas urnas.

Moraes determinou, em junho, encaminhamento dos autos do processo de bloqueio das redes de Zambelli do TSE ao STF, argumentando que havia pertinência temática com os inquéritos que correm na corte.

 

Fonte: Fórum/g1/UOL

 

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