quarta-feira, 12 de julho de 2023

As 'centenas de igrejas destruídas' em onda de violência na Índia

Grupos cristãos dizem que centenas de igrejas foram destruídas durante uma escalada de violência no Estado de Manipur, no nordeste da Índia.

A violência explodiu depois que um dos principais grupos étnicos da Índia pediu apoio do governo na geração de empregos e distribuição de terras.

Mais de 100 pessoas morreram e 35 mil pessoas foram deslocadas de suas casas pela violência.

"De acordo com nossas informações, 508 igrejas foram destruídas", disse Allen Brooks, porta-voz do United Christian Forum do nordeste da Índia, à BBC. "Estes são os dados que coletamos de padres, pastores e líderes de igrejas de diferentes denominações em Manipur."

"Estamos tristes e chocados com isso."

A BBC obteve uma lista detalhada de igrejas atacadas. Ela foi repassada por outro líder religioso cristão em Manipur, que pediu para permanecer anônimo por temer por sua segurança.

O documento lista mais de 260 igrejas destruídas entre 3 de maio e 2 de junho no Estado, que faz fronteira com Mianmar.

A BBC pediu manifestações do secretário-chefe de Manipur, do diretor-geral da polícia e de um conselheiro de segurança recém-nomeado.

Numerosas ligações e e-mails feitos pela BBC na semana passada não receberam resposta. Mas no passado o governo indiano já acusou grupos cristãos de realizar ataques e também rejeitou um relatório crítico do Congresso dos EUA sobre a liberdade religiosa na Índia.

Uma fonte do governo indiano confirmou ao repórter da BBC Hindi (serviço de notícias da BBC no idioma hindi) Nitin Srivastava que um total de 256 igrejas foram queimadas em todo o Estado na primeira semana de junho, mas acrescentou que 128 templos hindus também foram atacados.

·         Origem do problema

Confrontos entre os meitei, a maior comunidade do Estado, e o grupo étnico kuki começaram depois que o tribunal superior da capital, Imphal, instou o governo a considerar uma demanda dos meitei de ter seu status de tribo reconhecido.

Essa mudança permitiria que os meitei obtivessem cotas para empregos públicos e vagas no ensino superior. O grupo também poderia obter acesso à terra em áreas tribais designadas.

·         'Raízes destruídas'

A BBC obteve e verificou a localização de imagens que mostram várias igrejas parcial ou totalmente destruídas.

Um pastor local no distrito de Churachandpur, ao sul de Imphal, disse à BBC que as pessoas vivem com medo.

Naquela localidade, muitas igrejas pertencentes à Associação de Igrejas Evangélicas foram atacadas na primeira onda de violência.

"Minha igreja inclui diferentes grupos indígenas e nós fazemos cultos aos domingos com nossos coloridos vestidos tradicionais, músicas e danças que remontam à história de nossas origens em uma caverna", disse o pastor, que deseja permanecer anônimo para sua segurança.

Ele diz que a Igreja Dopkon ECA, em Churachandpur, foi incendiada em 3 de maio, o dia em que a violência começou. Outras igrejas foram posteriormente atacadas.

"Quando a igreja é destruída, nossas raízes são destruídas", acrescentou.

Ataques direcionados

Um padre kuki — que agora está ajudando cristãos deslocados que vivem na vizinha Assam — deu uma descrição detalhada do ataque à sede de sua igreja.

"Primeiro, uma multidão saqueou a sede da Igreja Cristã Kuki em Imphal. Depois de pegar coisas valiosas, atearam fogo ao prédio", disse o pastor Thangminlun Vaiphei.

Um vídeo de 52 segundos visto pela BBC mostra dois veículos do Exército e uma mangueira de incêndio tentando apagar o fogo.

Vaiphei disse que a igreja foi atacada em 4 de maio e afirmou que, embora uma igreja pertencente a um grupo diferente ao lado estivesse protegida com canhões de água, nenhum esforço foi feito para proteger a igreja kuki.

Ele disse que o prédio, com capacidade para 700 fiéis, foi seriamente danificado e os aposentos dos funcionários foram completamente destruídos.

Uma lista compilada por um pastor meitei que Vaiphei passou para a BBC alega que 271 igrejas meitei foram atacadas. Vaiphei suspeita que as igrejas estão sendo visadas para obter o apoio de grupos hindus de linha dura.

"Um pastor meitei foi pego por uma multidão e foi questionado se ele estava preparado para voltar às tradições animistas. Meu amigo disse a eles que não tinha problemas com a fé de seus antepassados. Então a multidão pediu que ele queimasse uma bíblia, e ele se recusou", disse Vaiphei.

"Depois disso, ele foi espancado gravemente, mas sobreviveu."

Vaiphei disse que alguns moradores kuki deixaram suas casas e estão se escondendo nas colinas por medo de ataques que vem se repetindo.

·         Coração da comunidade

Khongsai, uma cristã kuki, diz que sua vida mudou radicalmente. Sua igreja e a casa da família foram destruídas em 28 de maio.

Felizmente, ela e seus pais haviam se mudado da vila de Langching, cerca de 45 km de Imphal, dois dias antes.

"É terrível. Eu não conseguia comer ou dormir. Estou muito traumatizada", disse Khongsai. "Sinto falta de ir à igreja e me sinto culpada por não cumprir meu dever como cristã."

Ela se lembra de ir à igreja — que na época tinha apenas um "teto fino de madeira" — desde os quatro anos para aprender salmos em sua aldeia, lar de 130 famílias kuki.

Muitos dos aldeões, como seu pai, serviram no exército indiano.

"A maioria das famílias era pobre e vivia em casas de madeira. Ainda assim, juntaram dinheiro e construíram uma igreja de concreto em 2012. Meus pais e vizinhos perderam tudo", disse ela.

A jovem de 27 anos tem mestrado e almeja ingressar no serviço público. Ela conseguiu chegar a Délhi, enquanto seus pais se mudaram para outro lugar no Estado.

Quando eles fugiram, Khongsai levou seus diplomas e outros documentos com ela. Ela sabia que haveria um ataque depois do que viu em 4 de maio.

"Naquela noite, esses radicais vieram com uma retroescavadeira para atacar as aldeias kuki, mas os meitei locais resistiram à sua entrada, então eles foram para Wapokpi e destruíram a igreja meitei de lá."

Sua aldeia fica perto da área de Sugnu Bazar e os meitei vivem em aldeias vizinhas.

Ela diz que os grupos kuki e meitei tiveram um bom relacionamento no passado e visitavam as igrejas um do outro.

Manipur sofreu muitas décadas de insurgência armada e durante os dias difíceis, ambas as comunidades buscavam refúgio dentro da igreja.

Khongsai culpa um pequeno grupo meitei pela violência.

"Os tumultos ainda estão acontecendo em Manipur. Não acho que seremos capazes de voltar para reconstruir as casas e a igreja."

·         Crítica

O governo indiano destacou mais de 20 mil militares e policiais para apoiar a polícia de Manipur. Um juiz aposentado do Supremo Tribunal criou um comitê de paz para investigar os crimes.

A Suprema Corte da Índia disse que a decisão da Suprema Corte de Manipur de pedir a classificação da comunidade meitei como tribal foi "absolutamente errada".

Amit Shah, ministro do Interior da Índia, visitou Manipur no fim de maio e também falou com uma delegação da Conferência Episcopal da Índia sobre a violência em curso.

Enquanto isso, em Delhi, Khongsai tenta ir à missa, mas sente falta de casa.

"Isso parte meu coração. Ir à igreja renova nossa fé e nossa determinação. Oramos continuamente. Oramos a Deus para parar qualquer infortúnio."

 

Ø  Avanço de reforma judicial em Israel volta a erupcionar protestos no país

 

Milhares de manifestantes bloqueiam as principais rodovias de Israel nesta terça-feira (11) em protesto contra a controversa reforma judicial, que avançou no Parlamento na noite de segunda. O projeto do governo Binyamin Netanyahu é apontado como um instrumento que enfraquece a democracia no país.

Os manifestantes ocuparam vias movimentadas no centro de Tel Aviv, interrompendo o tráfego no horário de pico. Com bandeiras de Israel, algumas pessoas deitaram nas ruas, e outras acenderam sinalizadores. Na entrada de Jerusalém, policiais arrastaram ativistas à força e usaram um canhão de água para dispersar a multidão.

Segundo autoridades, 42 pessoas haviam sido presas na manhã desta terça por perturbação da ordem pública. Dezenas de outros protestos devem acontecer ao longo do dia, incluindo uma manifestação no aeroporto Ben Gurion, o maior de Israel, em Tel Aviv.

Os atos ganharam força com a retomada do trâmite da reforma judicial no Knesset, o Parlamento israelense, após um hiato de três meses. Na segunda (10), os parlamentares aprovaram um texto que proíbe os tribunais de usar o "padrão de razoabilidade" para invalidar decisões do governo.

A medida impacta, por exemplo, a nomeação de ministros. Em janeiro, a Suprema Corte de Israel usou o padrão de razoabilidade ao determinar o afastamento do então número dois do governo, Aryeh Deri, devido a uma condenação anterior por fraude fiscal o político confessou o crime no ano passado, como parte de um acordo judicial para escapar da prisão. Ele era titular das pastas do Interior e da Saúde.

O projeto que trata da razoabilidade foi aprovado por 64 votos a 56 numa primeira leitura no Parlamento. O texto ainda precisa passar por outras duas votações para ser transformado em lei.

A votação foi marcada por protestos da oposição, que entoou gritos de "vergonha" e convocou para esta terça um "Dia da Disrupção". Parlamentares críticos ao governo pediram novos atos massivos e bloqueios de pontos estratégicos, de norte a sul do país as manifestações contra a reforma judicial reúnem milhares de pessoas há meses numa das maiores crises domésticas na história local recente.

Os críticos à proposta argumentam que a reforma corrói a democracia e que a supervisão judicial é fundamental para prevenir a corrupção e os abusos de poder. Os defensores do projeto, por sua vez, dizem que a mudança é necessária para restaurar o equilíbrio entre Judiciário e os políticos eleitos e que a mudança facilitará a governança ao restringir a intervenção do tribunal.

Diante das críticas, parlamentares do Likud, o partido de Netanyahu, disseram que o projeto será atenuado antes de ser levado a uma votação final. Aliados do premiê, cujo governo é o mais à direita da história de Israel, esperam aprovar o texto antes do recesso do Knesset para o verão, em 30 de julho.

Mas o argumento não teve respaldo no Parlamento. Simcha Rothman, chefe do Comitê de Constituição, Lei e Justiça do Knesset, que está redigindo o projeto, disse à Rádio do Exército de Israel que mudanças significativas não estavam previstas para o texto da razoabilidade.

As divergências sobre a reforma colocaram a sociedade israelense em ebulição. Netanyahu chegou a fazer uma pausa no projeto para negociar com a oposição, mas os diálogos fracassaram no mês passado.

Washington instou Netanyahu a chegar a "acordos amplos" sobre quaisquer reformas judiciárias que, segundo a diplomacia americana, deveriam manter os tribunais de Israel independentes. Até agora, porém, o premiê não indicou que pausaria novamente a legislação para uma nova rodada de negociação. Ele também minimizou as consequências econômicas do projeto, que vem afastando investidores.

No fim de junho, numa tentativa de conter os protestos, Netanyahu disse ter abandonado um item considerado crucial da proposta. Em entrevista ao americano Wall Street Journal, o premiê afirmou ter derrubado a regra que permitiria ao Parlamento anular decisões da Suprema Corte por maioria simples.

Os manifestantes, porém, não dão sinais trégua. "Eu vim aqui porque o governo destrói totalmente a democracia em Israel", disse Eitan Galon, médico que participou de um protesto em uma estrada nos arredores de Jerusalém. "Vamos continuar a lutar até ao fim".

Arnon Bar-David, presidente do Histadrut, o maior sindicato trabalhista de Israel, pediu a Netanyahu nesta terça que barre as medidas extremistas do governo. "Para onde você está levando o estado de Israel? Que legado você deixará para trás? Acabe com esse caos louco."

 

Ø  Protestos em Israel se intensificam contra novo projeto de Netanyahu para Suprema Corte

 

Manifestantes israelenses bloquearam importantes rodovias e enfrentaram a polícia na terça-feira, enquanto a coalizão de direita do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu avança com um projeto de lei contestado que busca restrições ao poder da Suprema Corte.

Multidões de manifestantes com bandeiras pararam o tráfego matinal em importantes cruzamentos e rodovias de todo o país. Alguns se deitaram nas vias, enquanto outros lançaram sinalizadores.

A polícia a cavalo se posicionou entre centenas de manifestantes no centro de negócios de Israel, Tel Aviv. Na entrada de Jerusalém, os oficiais usaram um canhão de água para dispersar alguns manifestantes e arrastaram outros à força.

Pelo menos 42 pessoas foram presas, disse a polícia, e novos protestos foram planejados ao longo de terça-feira, inclusive no aeroporto internacional Ben Gurion.

A busca da coalizão nacionalista-religiosa de Netanyahu para mudar o sistema judiciário tem provocado protestos sem precedentes, despertado preocupação com a saúde democrática de Israel entre os aliados ocidentais e prejudicado a economia.

O novo projeto de lei ganhou a primeira das três votações necessárias para ser transformado em lei na noite de segunda-feira, aos gritos de "vergonha" dos parlamentares da oposição.

Se aprovado como está, restringiria o poder da Suprema Corte de anular decisões tomadas pelo governo, ministros e autoridades eleitas.

Os críticos argumentam que essa supervisão judicial ajuda a prevenir a corrupção e os abusos de poder. Os proponentes dizem que a mudança facilitará a governança eficaz ao restringir a intervenção do tribunal, argumentando que os juízes têm outros meios legais para exercer a supervisão.

As divisões sobre a campanha do governo para reformar o judiciário atingiram profundamente a sociedade israelense. Netanyahu - que está sendo julgado por acusações de corrupção que ele nega - fez uma pausa para negociações de compromisso com a oposição, mas as negociações fracassaram em junho.

 

Fonte: BBC News Mundo/IstoÉ/Reuters

 

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