quarta-feira, 12 de julho de 2023

A direita sem limites: Parlamentares acusam deputado de transfobia contra Erika Hilton na CPI dos Atos Golpistas

Parlamentares acusaram o deputado da oposição Abilio Brunini (PL-MT) de transfobia contra a deputada Erika Hilton (PSOL-SP), durante a sessão da CPI Mista dos Atos Golpistas desta terça-feira (11). Após a fala, o presidente da comissão, deputado Arthur Maia (União-BA), anunciou uma investigação sobre o caso.

"Eu não ouvi, mas outros deputados disseram que ouviram. O deputado Abílio disse que não falou. A nossa decisão é a seguinte: nós vamos fazer uma investigação, vendo as filmagens. Se vossa excelência falou, vai ter a leitura labial e vai ser fácil que isso seja identificado. Se vossa excelência de fato agir dessa forma, vai ter uma penalidade contra o senhor”, afirmou Maia a Brunini.

A situação causou um tumulto generalizado na sessão desta terça, destinada ao depoimento do ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o tenente-coronel Mauro Cid. Ele ficou em silêncio diante das perguntas dos parlamentares.

•        Denúncia

A confusão começou durante um pronunciamento da deputada Erika Hilton. Mais cedo, Abilio Brunini, aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), já tinha sido repreendido pelo presidente da comissão por filmar e debochar de colegas na CPI. Arthur Maia disse que proibiria que integrantes da comissão gravassem os colegas.

No tempo reservado à fala da deputada Erika Hilton, ela disse que Brunini precisava "tratar sua carência em outro espaço", porque o Congresso é um espaço "sério". A parlamentar prosseguiu na fala, mas foi interrompida pelo senador Rogério Carvalho (PT-SE), que denunciou a fala "homofóbica".

"O seu Abílio foi homofóbico. Fez uma fala homofóbica, quando a companheira estava se manifestando, ele acusou e disse que ela estava oferecendo serviços. Isso é homofobia, é um desrespeito. Peço a vossa excelência que o senhor peça para o deputado se retirar do plenário", disse.

Em seguida, outros parlamentares, como a senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), confirmaram a versão do senador. Abílio e os aliados negaram. Em meio ao tumulto, Arthur Maia anunciou a investigação sobre o caso.

"Eu solicito à secretaria da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que envie para a Polícia Legislativa a cópia dessa filmagem para que se faça uma apuração", disse Maia.

•        Tumulto na sessão

O deputado Marco Feliciano (PL-SP) tentou relativizar e lembrou da fala da deputada chamando Abílio de carente. "Quando você dá, automaticamente você recebe".

Erika Hilton retomou a palavra, questionou o depoente da CPI, Mauro Cid, e ao final se manifestou sobre o episódio. "Todas as sessões o deputado parece querer chamar a nossa atenção. Isso me parece um comportamento baseado na psicanálise", afirmou.

"Quando eu disse sobre carência é baseado no comportamento de querer o tempo inteiro chamar a atenção. Eu poderia até aconselhá-lo a adotar um cachorrinho, para não se sentir tão só. O comportamento não condiz com a posição dessa CPMI", disse.

"Não aceitaria e não tolerarei ser desrespeitada, interrompida ou colocada em comparações de baixo calão ou baixo nível. Trato todos os colegas com respeito e diplomacia e assim o exijo. Aqueles que fingirem dessa diplomacia terão que responder criminalmente por qualquer tentativa estereotipada ou criminosa da minha identidade."

Já Abilio Brunini disse que quer uma investigação "célere". "A polícia poderá investigar o que foi. Não tem ataque meu à Erika", afirmou. "Uma narrativa elaborada. Não tenho interesse algum em destratar qualquer pessoa aqui por questão de gênero."

Por decisão do STF, a transfobia é crime equiparado ao racismo desde 2019.

•        Outras confusões

Abilio Brunini não integra a CPI dos Atos Golpistas e, frequentemente, interrompe parlamentares e depoentes, o que costuma causar tumulto nas sessões.

Na sessão desta terça, ele já tinha sido alvo de uma reclamação do deputado Rubens Pereira Junior (PT-MA). Ele afirmou que, enquanto falava, Brunini ficou ao lado dele o filmando, dando risadas e fazendo provocações.

Arthur Maia, então, chamou a atenção do parlamentar da oposição e informou que não permitiria filmagens.

"Não dá, deputado. Vossa excelência sabe, tenho apreço por vossa excelência, mas eu não posso admitir que nenhum parlamentar fique filmando outro parlamentar, fique do lado dando risada do parlamentar. Isso não contribui nem com os trabalhos, nem com a imagem desta Casa. [...] Não vamos admitir esse comportamento de vossa excelência", acrescentou o presidente da CPI.

Em razão do comportamento recorrente de Abilio Brunini, Arthur Maia também já ameaçou levar o deputado ao Conselho de Ética. Para o presidente da CPI, o parlamentar busca tumultuar as sessões da comissão.

Além disso, o vice-presidente da CPI, senador Magno Malta (PL-ES), que assim como Brunini é aliado de Bolsonaro, já chamou a atenção do deputado.

Em um desses momentos, Malta elevou o tom de voz com o parlamentar e o questionou, de forma irônica: "Tenho que gritar, é? Estou na escolinha?".

 

       Bocejo e ouvido tapado: reação de bolsonaristas à acusação de Erika Hilton por homofobia gera revolta

 

A reação de parlamentares bolsonaristas como Nikolas Ferreira (MG) e Pastor Marco Feliciano (SP) à fala de Erika Hilton (PSOL-SP) gerou repúdio nas redes sociais. Enquanto a parlamentar afirmava ter sido alvo de homofobia em sessão da CPI do 8 de janeiro, os deputados bocejaram ou taparam os ouvidos. Nas redes sociais, outros integrantes da base governista consideraram as atitudes como um desrespeito.

Colega de bancada de Erika, Guilherme Boulos, criticou Feliciano, que tapou os ouvidos para não escutar o que estava sendo dito: "Essa é a seriedade com que essa gente trata os trabalhos da CPMI. Toda minha solidariedade à querida Erika Hilton", escreveu Boulos. A parlamentar agradeceu o apoio na mesma postagem.

Já o próprio deputado mineiro publicou, em seus stories, a reação que teve ao discurso de Erika. Na ocasião, Nikolas Ferreira bocejou de propósito. A postura foi criticada por usuários no Twitter: "Puro deboche".

No início da tarde, senadores acusaram o deputado Abílio Brunini (PL-MT) de homofobia contra Erika Hilton. Rogério Carvalho e Soraya Thronicke afirmaram que o bolsonarista disse que a parlamentar estaria "oferecendo serviços", em referência ao alto índice de mulheres transexuais que recorrem à prostituição por falta de oportunidade.

— É só pegar a gravação. Ele foi homofóbico e precisa ser retirado — disse Rogério que foi reiterado por Thronicke.

Ao retomar sua fala, Érika Hilton disse que "todos os argumentos nefastos, de baixo calão, de baixo nível, fora de um decoro parlamentar, que está sendo colocado aqui por parte dessa gentalha é de fato assustador".

— Não aceitarei e não tolerarei ser desrespeitada, interrompida ou colocada em comparações de baixo calão e de baixo nível. Trato todos os colegas com respeito, com diplomacia, e assim também exijo. E aqueles que fugirem desta diplomacia terão que responder criminalmente por qualquer tentativa estereotipada e criminosa da minha identidade.

O presidente da sessão Arthur Maia (União-BA) acionou a Polícia Legislativa e o caso será investigado. O episódio ocorreu em meio ao depoimento do ex-ajudante de ordem do ex-presidente Jair Bolsonaro, Mauro Cid.

 

       Eduardo Bolsonaro agradece a covardia de Mauro Cid

 

O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) disse nesta terça-feira que não vai tratar o ex-ajudante de ordens da Presidência Mauro Cid como “leproso”. A declaração foi dada durante sessão do colegiado que interroga Cid, que foi auxiliar do ex-presidente Jair Bolsonaro, pai de Eduardo.

– Muito me honra falar que sou seu amigo. Não vou chegar, virar as costas e tratar como leproso, como a esquerda quer. Vossa excelência é vítima de todo esse processo.

Mensagens com teor golpistas enviadas por diversos interlocutores foram encontradas no celular de Mauro Cid, inclusive com uma minuta de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), que serviria para embasar um plano contra a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O ex-ajudante de ordens está preso por conta do envolvimento em uma suspeita de fraude no cartão de vacinação de Bolsonaro e familiares.

O ex-assessor de Jair Bolsonaro evitou responder as perguntas dos parlamentares. Decisão da ministra Carmen Lúcia, do STF, permite que o ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro fique calado somente diante de perguntas que o incriminam. Por outro lado, o presidente da comissão, deputado Arthur Maia (União-BA), avalia que Cid extrapolou o direito e ficou calado diante de perguntas que não o incriminam. Por conta disso, Maia anunciou que vai apresentar uma denúncia ao STF.

•        Mauro Cid não quis dizer nem se tinha filhos

O tenente-coronel Mauro Cid se valeu do direito ao silêncio de maneira radical ao depor nesta quinta-feira, 11, à Comissão Parlamentar Mista de Inquértio (CPMI) do 8 de janeiro. Ao todo, 41 parlamentares se inscreveram para fazer perguntas ao depoente, que, em seis horas de inquirição, se negou a responder cada uma delas, inclusive as mais triviais como a sua idade, quantos filhos tem e se possuia dois celulares.

Cid conseguiu no Supremo Tribunal Federal (STF) habeas corpus para se manter em silêncio ao ser abordado por perguntas que pudessem incriminá-lo. A decisão dada pela ministra Cármen Lúcia, no entanto, previa a obrigação de o depoente responder outros questionamentos por ter sido convocado na condição de testemunha, cuja exigência é que seja declarada a verdade.

Apesar da ordem expressa da ministra, Cid decidiu ficar em silêncio ao ser perguntado sobre as conversas de teor golpista que teve com o coronel de Exército Jean Lawand. O militar também se recusou a responder quem o ordenou a pagar as contas da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e fazer uso do cartão corporativo da Presidência para fazer saques. Até mesmo a pergunta feita pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP) para saber se Cid tinha conhecimento do motivo que o levou à CPMI ficou sem resposta.

O militar deu o mesmo tratamento a parlamentares governistas e oposicionistas. Nenhum deputado ou senador teve suas perguntas respondidas.

“Com todo respeito à Vossa Excelência, mas, dentro do escopo das investigações conduzidas pelo Supremo Tribunal Federal, sigo as orientações da minha defesa técnica e, com base em Habeas Corpus, vou me manter no direito de ficar em silêncio”, disse Cid repetidas vezes a cada pergunta feita pelos parlamentares.

O presidente da CPMI, Arthur Maia (União Brasil- BA), se queixou da postura de Cid de se manter em silêncio em todas as perguntas, inclusive naquelas que não o incriminam. Maia disse ter conversado com os advogados do militar para dizer que a posição por eles adotada prejudica o andamento da sessão.

O parlamentar ainda afirmou que o colegiado deverá apresentar denúncia contra Cid por descumprir a ordem do STF que o obrigou a se manifestar na condição de testemunha em questionamento que não o incriminem.

Diante do silêncio de Cid, os parlamentares governistas discutem a possibilidade de fazê-lo assinar um documento para “transpor” à CPMI os depoimentos prestados por ele à PF. A relatora da CPMI defendeu a incorporação das informações aos trabalhos do grupo.

O único momento em que Cid se manifestou foi em seu discurso de 15 minutos no início da sessão. Ele usou a fala inicial para se defender das acusações que enfrenta na Justiça por ter recebido pedidos de oficiais militares para fazer chegar a Bolsonaro apelos pela aplicação de um golpe de Estado.

“Não estava na minha esfera de atribuições analisar propostas e decretos trazidos por ministros, autoridades e apoiadores. Não participava do processo de decisão pública”, afirmou. “Na prática, a função de ajudante de ordens consistia nas funções de secretariado executivo do presidente”, argumentou.

Cid ainda usou o discurso para se descolar de Bolsonaro e afastar do ex-presidente a responsabilidade por seus atos. O militar afirmou que o seu vinculo empregatício era com o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e que a sua nomeação ao cargo de ajudante de ordens não passou por “indicação política” porque a função é tradicionalmente exercida por pessoas indicadas pelas Forças Armadas, conforme definido por decreto presidencial. “O ajudante de ordens é a única função pessoal do presidente que não é de sua escolha”, disse Cid.

Relatora da CPMI, senadora Eliziane Gama (PSD-MA) sobre ausência de visitas da família Bolsonaro a Cid

Por qual motivo os senhores queriam afastar os ministros do Supremo Tribunal Federal do TSE?

Deputado Rafael Brito (MDB-AL) sobre roteiro golpista encontrado no celular de Mauro Cid

O senhor sabe quem mandou matar a vereadora Marielle Franco?

Senador Rogério Carvalho (PT-SE) sobre as mensagens enviadas por Ailton Lucas a Mauro Cid alegando saber quem foi o mandante do crime que matou a parlamentar cariosa

O presidente Jair Bolsonaro já tinha deixado assinado a GLO ou se lá constava o nome dele?

Deputado Rogério Correia (PT-MG) sobre plano golpista traçado por militares para decretar Estado Sitio no País

Qual é o preceito da ética militar?

Deputado Duarte (PSB-MA)

O secretário executivo dá consultoria política para o seu chefe maior?

Deputada Laura Carneiro (PSD-RJ) sobre relação de Mauro Cid com o ex-presidente Jair Bolsonaro

 

Fonte: g1/Agencia Estado

 

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