Sócio
de Cerimedo, Negre indagou Flávio Bolsonaro sobre “possível fraude eleitoral” e
resposta antecipou estratégia
ócio de
Fernando Cerimedo, que assumiu o site La Derecha Diário, principal porta-voz da
ultradireita latino americana, Javier Negre indagou Flávio Bolsonaro (PL) sobre
“possível fraude eleitoral” nas eleições presidenciais do Brasil em entrevista
em março deste ano na conferência conservadora CPAC, no Texas, Estados Unidos,
onde o senador esteve ao lado do irmão Eduardo Bolsonaro.
Negre
assumiu 100% do portal de ultradireita após a prisão de Cerimedo, acusado de
ser o mandante da tentativa de assassinato da ex, a advogada Nadia Beller, na
Bolívia.
Na
entrevista, anunciada pelo La Derecha como “proibida no Brasil”, Negre indaga
Flávio Bolsonaro sobre “o que você vai fazer para controlar o voto e possível
fraude eleitoral?”. O sócio, Cerimedo, chegou a ser indiciado pela Polícia
Federal no processo de tentativa de golpe por uma live em dezembro de 2022 em
que atacava o sistema eleitoral brasileiro. O argentino, no entanto, não entrou
na denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR).
O
senador brasileiro diz que pretende “treinar muitas pessoas para que façam a
fiscalização antes, durante e na apuração dos votos, pessoalmente” e se mostra
tranquilo ao dizer que “a nova configuração do Tribunal Superior Eleitoral no
Brasil é muito mais segura hoje”.
“São
pessoas independentes e acredito que vão tomar todas as atitudes, inclusive a
contratação de tecnologia que possa dar mais segurança e transparência a todo o
nosso processo eleitora”, disse.
A
declaração, em março, antecipou a estratégia de Flávio Bolsonaro em apostar
suas fichas em Kássio Nunes Marques e André Mendonça, ministros indicados por
Jair Bolsonaro (PL) que ocupam a presidência e vice-presidência do Tribunal
Superior Eleitoral (TSE) e que vêm blindando o filho “01” do ex-presidente em
decisões na corte.
Nas
redes, Negre segue com a campanha explícita a Flávio Bolsonaro. Em publicação
na rede X no dia 16 de agosto, quando já se preparava para assumir os negócios
do sócio Cerimedo, ele escreveu que o senador é “a única solução para o
Brasil”, em 16 de agosto, quando foi lançada a campanha eleitoral.
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Cerimedo teria usado robôs na campanha de Bolsonaro em 2022
Em
entrevista à Folha de S.Paulo nesta terça-feira (27), Nádia Beller, que se
recupera da tentativa de assassinato, afirmou que Cerimedo, que já admitiu ter
usado robôs em campanhas eleitorais da extrema direita na América Latina,
utilizou a sua estrutura para favorecer Bolsonaro em 2022. “Pelo que entendi,
foi essa campanha. Ele me disse que foi isso”, relatou ela, quando questionada
se a atuação de Cerimedo no Brasil foi durante a última eleição presidencial.
Nadia
ainda relatou que Cerimedo prometeu ajudar Flávio Bolsonaro durante a campanha
deste ano à presidência. Ela afirma que questionou o consultar se o filho de
Jair Bolsonaro tinha alguma chance de vencer, e que ele teria respondido que
iriam “lutar”.
“Ele me
disse que estava difícil, mas que eles iriam lutar. Esse foi o único comentário
que ele fez para mim”, disse. Questionada se Cerimedo quis afirmar, com isso,
se ajudaria Flávio, ela completou: “Foi o que entendi na hora, que eles iam
tentar. Isso foi logo que a candidatura foi anunciada. Eu perguntei: ‘E ele tem
alguma chance?’ Ele respondeu: ‘Hummm, vamos lutar’”.
Nadia
também comentou sobre a aproximação de Cerimedo e Eduardo Bolsonaro e afirmou
que o filho de Jair é “um amigo muito querido” do consultor, e que eles se
encontraram nos Estados Unidos no início de agosto.
Além
disso, em julho, os dois participaram de uma live no canal de Eduardo, em que
voltaram a atacar a integridade do sistema eleitoral brasileiro.
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Elo com o narcotráfico
Preso
acusado de ser o mandante de Nadia Beller, Cerimedo agora terá que responder a
uma nova investigação aberta pela Procuradoria Departamental de Beni, na
Bolívia, após suspeitas de elo com o narcotráfico internacional.
Segundo
o procurador departamental de Beni, Alexander Mendoza, o amigo do clã Bolsonaro
é suspeito de oferecer proteção a voos irregulares relacionados ao transporte
de drogas. Ele afirma que Cerimedo estaria envolvido em supostas
irregularidades ocorridas no município de Santa Ana de Yacuma, onde aeronaves
de pequeno porte teriam sido utilizadas em operações ligadas ao tráfico de
drogas.
“Trata-se
de uma certa proteção que supostamente está sendo oferecida no município de
Santa Ana, em relação a voos irregulares. Estão dando cobertura. Esse é o termo
que tem sido usado em relação a certas aeronaves de pequeno porte que
supostamente estão ligadas ao tráfico de substâncias controladas”, afirmou o
procurador em entrevista nesta quarta-feira (26).
Cerimedo
já enfrenta outros três processos na Bolívia por tentativa de feminicídio
contra a ex, por violência doméstica relacionada ao caso e suspeitas de
enriquecimento ilícito que teriam causado prejuízo ao Estado boliviano.
• Rui Falcão pede ao STF cooperação com
Bolívia para investigar fazenda de bots de Cerimedo
O
deputado federal Rui Falcão (PT-SP) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a
adoção urgente de medidas de cooperação jurídica internacional com a Bolívia
para obter e preservar provas relacionadas a uma suposta “fazenda de bots”
encontrada em endereços ligados ao argentino Fernando Cerimedo. O parlamentar
também quer que seja investigada uma eventual conexão da estrutura com as
eleições brasileiras de 2026.
Segundo
o documento encaminhado por Falcão, autoridades bolivianas apreenderam
dispositivos eletrônicos e identificaram uma estrutura de automação digital em
locais associados a Cerimedo. O pedido busca garantir que esse material seja
preservado e compartilhado com as autoridades brasileiras.
Cerimedo
já aparece em investigações no Brasil relacionadas aos ataques ao sistema
eleitoral e à tentativa de ruptura democrática após as eleições presidenciais
de 2022. Ele foi indiciado pela Polícia Federal em 2024 no âmbito dessas
apurações.
A
Procuradoria-Geral da República (PGR) reconheceu que o argentino participou da
divulgação de conteúdos infundados sobre supostas fraudes nas urnas
eletrônicas. A conduta de Cerimedo, porém, permaneceu em investigação separada
porque, naquele momento, não havia elementos suficientes para estabelecer seu
grau de conhecimento e eventual adesão ao projeto criminoso investigado.
Na
petição encaminhada a Moraes, Falcão argumenta que as provas recolhidas na
Bolívia podem contribuir justamente para esclarecer pontos ainda pendentes
dessa investigação. A solicitação de cooperação internacional pretende permitir
que as autoridades brasileiras tenham acesso aos equipamentos, dados e demais
elementos obtidos no país vizinho.
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Possível interferência nas eleições de 2026
O
pedido apresentado ao STF também amplia o foco para o atual processo eleitoral.
Falcão solicita que seja verificado se a estrutura de automação identificada
pelas autoridades bolivianas possui ou possuía alguma relação com as eleições
brasileiras de 2026.
Entre
os pontos que o deputado pretende ver investigados estão a identidade dos
operadores da estrutura, as contas utilizadas, as fontes de financiamento,
eventuais clientes e os possíveis beneficiários das atividades. A petição
também pede a apuração de vínculos com pessoas, partidos políticos ou
candidaturas no Brasil.
A
preocupação apontada no documento ocorre após Cerimedo voltar a participar de
discussões públicas envolvendo o sistema eleitoral brasileiro. Em julho, o
argentino esteve em uma transmissão com o deputado federal Eduardo Bolsonaro
(PL-SP) na qual as urnas eletrônicas voltaram a ser questionadas.
Falcão
busca, com isso, verificar se a estrutura encontrada na Bolívia teria sido
utilizada ou preparada para atuar no debate político e eleitoral brasileiro. O
objetivo do pedido é permitir o rastreamento da operação e identificar quem
teria participado de seu funcionamento ou se beneficiado dele, caso seja
comprovada alguma conexão com o Brasil.
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Deputado pede compartilhamento de provas com TSE
Além do
envio das informações às autoridades responsáveis pelas investigações
criminais, Falcão solicita que eventuais provas de natureza eleitoral obtidas
por meio da cooperação com a Bolívia sejam compartilhadas com o Tribunal
Superior Eleitoral (TSE) e com a Procuradoria-Geral Eleitoral.
A
medida permitiria que elementos relacionados especificamente às eleições de
2026 fossem analisados também pelas instituições responsáveis pela fiscalização
do processo eleitoral.
• Cerimedo: como ação no STF pode conectar
live do golpe, em 2022, à suposta “granja de bots” para Flávio Bolsonaro
prisão
de Fernando Andrés Cerimedo na Bolívia abriu uma nova frente de investigação
que pode voltar ao episódio mais conhecido envolvendo o argentino no Brasil: a
live de novembro de 2022 em que ele apresentou um suposto dossiê para tentar
sustentar a tese, já desmentida, de fraude nas urnas eletrônicas brasileiras.
Agora,
um pedido apresentado ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal
Federal (STF), tenta fazer a ponte entre aquela operação e o atual processo
eleitoral brasileiro. A chamada “Notícia de Fato Superveniente”, protocolada em
24 de agosto pelo deputado federal Rui Falcão (PT-SP), pede cooperação jurídica
com a Bolívia para preservar e compartilhar dados dos equipamentos apreendidos
com Cerimedo.
Entre
eles está uma estrutura que o Ministério Público boliviano descreveu
publicamente como uma “granja de bots”, classificação usada por autoridades
bolivianas para classificar a estrutura para disparo em massa de mensagens e
publicações em redes sociais. A estratégia é usada pela ultradireita
transnacional para propagar discurso de ódio e fake News. A ação foi importada
para o Brasil pelo clã do ex-presidente, que tinha o filho “02”, Carlos
Bolsonaro (PL), como comandante do chamado Gabinete do Ódio.
No
documento, Rui Falcão pede que “seja apurado se a estrutura de contas
automatizadas apreendida na Bolívia foi utilizada ou estava sendo preparada
para interferir no processo eleitoral brasileiro de 2026, mediante disseminação
de desinformação, amplificação artificial de conteúdo, ataques ao sistema
eletrônico de votação ou favorecimento e desfavorecimento de candidaturas”.
O
deputado ainda solicita que “seja especificamente investigada a existência de
pagamentos, contratos, propostas comerciais ou outras formas de remuneração
provenientes de pessoas físicas, pessoas jurídicas, partidos políticos,
candidaturas ou intermediários brasileiros, relacionados à prestação de
serviços de comunicação, propaganda ou operação digital por Fernando Andrés
Cerimedo”.
A
Notícia de Fato ainda solicita que “a Polícia Federal, recebidas as provas,
promova o cruzamento técnico com os elementos já existentes na investigação
relativa a 2022”. E é aí que a história de Cerimedo volta a se encontrar com a
trama golpista que levou Jair Bolsonaro a ser condenado a 27 anos e 3 meses de
prisão.
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A live que colocou Cerimedo no radar da PF
Em 4 de
novembro de 2022, poucos dias depois do segundo turno da eleição presidencial,
Cerimedo fez uma transmissão ao vivo na qual apresentou um suposto dossiê
destinado a sustentar a existência de fraude nas urnas eletrônicas brasileiras.
O material teve ampla repercussão no Brasil e no exterior.
A
investigação brasileira posteriormente encontrou elementos que apontaram para
uma participação mais próxima de integrantes da estrutura que atuava em torno
do então presidente Jair Bolsonaro.
Segundo
a peça apresentada ao STF, a denúncia da Procuradoria-Geral da República
registrou que a organização criminosa havia preparado materiais para divulgação
por Cerimedo, com o objetivo de manter a narrativa de fraude e enfraquecer a
legitimidade do processo eleitoral.
Além
disso, a PGR apontou que dados extraídos do celular do tenente-coronel Mauro
Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro e delator do esquema, mostraram que ele
procurou o telefone de Cerimedo por meio do então major Angelo Martins
Denicoli. Em colaboração premiada, Cid teria confirmado a ligação entre
Denicoli e Cerimedo e relatado que o grupo interessado em supostas fraudes nas
urnas mantinha comunicação com o argentino.
O
material apresentado na live também não teria surgido simplesmente das mãos de
Cerimedo. Segundo a peça, integrantes do grupo editaram a apresentação e
produziram novos conteúdos a partir dela para ampliar e diversificar a
propagação da tese de fraude.
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A lacuna deixada pela PGR
Cerimedo
foi indiciado pela PF em 2024, mas não entrou na denúncia apresentada pelo
Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, no processo da trama golpista.
A razão
apontada pela PGR foi justamente uma lacuna que os novos dados apreendidos na
Bolívia podem ajudar a preencher: embora estivesse comprovada a divulgação de
conteúdos falsos, ainda não havia elementos suficientes para determinar se
Cerimedo era apenas um vetor de propagação ou se tinha conhecimento e domínio
sobre o projeto criminoso.
Suas
condutas foram, por isso, remetidas para processos apartados da ação que
condenu Bolsonaro.
Agora,
a Notícia de Fato apresentada pede para que a PF faça o cruzamento dos
equipamentos apreendidos na Bolívia com os dados já obtidos pela investigação
em 2022, inclusive os extraídos dos aparelhos de Mauro Cid. A intenção é
identificar conversas, arquivos, horários, operadores e eventuais conexões que
permitam reconstruir a cadeia de comunicação de Cerimedo.
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Da fraude de 2022 à eleição de 2026
O novo
elemento é que Cerimedo voltou a aparecer em discussões sobre as urnas
brasileiras em 2026. Em 23 de julho, ele participou de uma transmissão com
Eduardo Bolsonaro, na qual voltou a questionar a confiabilidade do sistema
eleitoral.
Menos
de um mês depois, em 18 de agosto, foi preso na Bolívia. Durante as buscas
realizadas pelas autoridades locais, foram apreendidos celulares, computadores,
documentos, dinheiro e equipamentos que, segundo o Ministério Público
boliviano, formariam uma espécie de “granja de bots”.
A
propaganda eleitoral brasileira havia começado dois dias antes.
A
coincidência levou os autores da petição a pedir uma perícia específica para
verificar se a estrutura tinha alguma relação com o processo eleitoral
brasileiro.
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Flávio Bolsonaro entra no alvo da perícia
A peça
apresentada a Moraes peque para que seja investigado se a suposta “granja de
bots” seria usada na campanha de Flávio Bolsonaro.
Entre
os termos que deverão ser procurados nos equipamentos estão os nomes de Flávio
e Eduardo Bolsonaro, além de contratos, pagamentos, comunicações com campanhas
brasileiras, bancos de conteúdo, contas brasileiras, publicações em português e
ferramentas de automação.
O
pedido também mira a movimentação financeira: a PF deve procurar indícios de
pagamentos, contratos ou propostas comerciais feitos por pessoas, empresas,
partidos, candidaturas ou intermediários brasileiros para serviços de
comunicação, propaganda ou operação digital.
Caso
sejam encontrados registros que liguem Cerimedo a uma campanha brasileira, a
investigação poderá estabelecer quem o contratou, quais serviços foram
prestados, quem operava a estrutura e quem financiava a operação.
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A ponte entre os dois episódios
A
iniciativa apresentada ao STF tenta, na prática, recuperar a ponta que ficou
aberta na investigação de 2022.
De um
lado está o Cerimedo que, em 4 de novembro de 2022, apresentou a falsa tese de
fraude nas urnas e voltou a propagá-la em dezembro.
De
outro, está o Cerimedo de 2026, novamente discutindo o sistema eleitoral
brasileiro ao lado de Eduardo Bolsonaro e, semanas depois, preso na Bolívia com
equipamentos que autoridades locais descrevem como uma estrutura de automação
de redes.
O STF
agora poderá tentar descobrir se existe uma conexão documental entre esses dois
momentos.
Quatro
anos depois da live que ajudou a alimentar a ofensiva golpista contra o
resultado eleitoral de 2022, os aparelhos apreendidos na Bolívia podem fornecer
os elementos que faltaram para esclarecer qual era, de fato, o papel de
Cerimedo naquela operação — e se sua atuação voltou a mirar as eleições
brasileiras em 2026.
Fonte:
Brasil 247/Fórum

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